Barretos. Sem rodeios.

O outro lado da cidade da Festa do Peão

  
  

Barretos. Sem rodeios.

Tudo começou em 1845...

- Barretos é uma cidade planejada. Ali as avenidas – identificadas por números ímpares – e as ruas – identificadas por números pares – se cruzam graciosamente, lembrando muitas histórias do passado.

- Vamos lá, sem rodeios: direto ao assunto.

- São muitos assuntos, meu amigo. A começar pelo surgimento das fazendas dos Barreto e dos Marques, que deram lugar àquela aprazível urbe paulista.

- Por que você ia tanto para lá em sua infância?

O zebu é símbolo na região

- Para mim, sinônimo de felicidade era passar férias em Barretos. Tenho saudades enormes da modesta casa da Vó Lotinha – Carlota de Brito Ávila –, na 24, entre a 25 e a 27! Uma acácia-real debruçava seus cachos de flores amarelo-douradas sobre o pequeno jardim de entrada e sobre uma varanda alongada, que dava espaço às portas que adentravam a casa antiga e fresquinha. Pé-direito alto, um relógio de pêndulo que sistematicamente anunciava as horas e, no fundo, à direita, um galinheiro onde os frangos pareciam desconfiados e ariscos. São águas passadas...

- Por que tanta emoção ao falar de Barretos?

A ferrovia foi de extrema importância para a cidade de Barretos

- Porque um prefeito “espírito de porco” resolveu, com sua equipe, asfaltar a cidade, que perdeu a sua elegância ao ter sufocado os centenários paralelepípedos que calçavam suas ruas. A praça principal perdeu os seus bancos originais e abrigou outros de cimento, sem personalidade e duros, desagradáveis. Casarões antigos foram destruídos para ver surgir imóveis horizontais, prédios de extremo mau gosto que parecem espiar com desdém os quintais verdejantes que ainda restam pelos quarteirões da antiga Barretos.

Atrás da Igreja, a especulação imobiliária na verticalização inoportuna<br />

- E a poluição visual! Fiquei impressionado pela falta de controle e o descaso das autoridades, que permitem aos comerciantes emporcalhar o visual da cidade.

Poucos percebem a elegância das igrejas de Barretos

- Pois é. É uma lastima! Felizmente, ainda é possível abrir os olhos dos barretenses – literalmente – para que o seu patrimônio histórico seja dignificado.

A presença da cultura árabe é forte em Barretos

- É verdade. O próprio Grêmio, clube local, é uma construção interessante! As igrejas são bonitas; Barretos tem uma mesquita imponente, ar saudável interiorano, gente simpática – quase mineiros – e bastante história para contar. O ruído estridente da araponga, o apito dos amoladores de facas, o assovio do sorveteiro que alegrava a criançada nos dias ensolarados de verão, a casa da fada Dindinha – Maria Carlota de Ávila Lima –, o espírito aventureiro de Orestes Ávila e José de Ávila Lima, solteiros, independentes, que encontraram suas almas gêmeas para viver e conviver com a realidade interiorana paulista. Ah, que bons tempos aqueles!

Máscara. Um personagem inesquecível

- Você disse “independentes”? Já ouviu falar dos Independentes?

Resquícios de um passado elegante

- Já. Em 1956, um grupo de amigos solteiros e, portanto, ainda independentes, criou a primeira Festa do Peão em Barretos. Era algo singelo, com danças do folclore brasileiro, música ao som de violas, queima do alho, pau-de-sebo e o passeio espetacular dos carros de bois.

O Brasil brasileiro – um Brasil americanizado

- Pois é, meu caro! Tudo isso ficou apenas na memória de alguns. A Festa do Peão de Boiadeiro cresceu e, de forma inacreditável, tem em sua programação manifestações nada folclóricas, de extrema deselegância, com as apresentações dos grupos Batom na Cueca ou Calcinha Preta, Banda Uncle Trucker (Rock Fast), entre outras aberrações que vieram para destruir o espírito verdadeiro da festa. É um caos!

Sede dos Independentes. Um belo casarão antigo<br />

- E bagunça aumenta com a exposição excessiva de logomarcas; a Brahma emporcalha os postes da cidade. A Cervejaria Crystal, entre outros desavisados, veio para destruir a identidade brasileira. Você sabe o que é que está massacrando a verdadeira Festa do Peão de Barretos?

- A ganância, a desorganização, o desrespeito aos fundadores e apresentadores da Festa, Orlando Araújo e Orestes Ávila. Beto Junqueira, Ismar Jacinto, Alaor de Ávila e a querida Gedália, esposa de Orestes, presenciaram a verdadeira manifestação cultural de outrora.

- É! Estão matando a Galinha dos Ovos de Ouro por pura falta de sensibilidade!

- Falta de sensibilidade e carência absoluta de inteligência!

  
  

Publicado por em

Darci maria

Darci maria

13/07/2010 07:05:36
amo, Barretos de paixão

Regina

Regina

19/06/2010 17:18:56
e Barretos bão!! lá pode-se falar assim!! Não sou nascida, mas me criei nesta cidade que amo de paixão,não sei explicar o por que mas amo... gente simples hospitaleira, conversas na calçada no final de tarde,... pena mesmo que estão acabando com a festa e suas tradições, gostaria de poder ajudar, pois Barretos merece ser preservada e tratada com carinho!! Eita Barretão, é bom demaisss!!

Celeste aida g paiva

Celeste aida g paiva

25/11/2008 21:05:28
nao conheço barretos, por falta de oportunidade e a cada ano fico com muita vontade de ir á festa dos peoes, fui criada em fazenda no interior da bahia, e portanto adoro vida rural. tomava leite direto de ordenha.

Gilson

Gilson

18/11/2008 11:30:58
ola, nao conheco Barreto, mas pelas fotos aqui vista achei as igrejas lindas de mas, um forte abraco a esta Cidade com tantas Igrejas lindas. Gilson Manaus/Am