Café Brasileiro: urge uma solução!

  
  

- "O governo diz que não tem dinheiro para o café, mas deu 4,5 bilhões de reais para o Banco Votorantim.

Marcha silenciosa de repudio á crise cafeeira.

- Sobre o que você está falando?

- Repito a frase – e afirmação – de Rodrigo Maia, filho do prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia, e um dos defensores da idéia de que se adote uma política governamental que auxilie o setor cafeeiro brasileiro a enfrentar e vencer a crise instalada no mundo rural do País.

Juventude que sofre com os efeitos da crise cafeeira.

- Quando ele disse isso?

- Durante a "Marcha pelo Café" ocorrida na cidade de Varginha, no Sul de Minas. Foram cerca de 20.000 pessoas, entre agricultores, comerciantes, políticos e cidadãos que buscaram, de maneira pacífica e civilizada, o apoio do Governo Federal visando a encontrarem saídas para o difícil momento que o setor vive atualmente.

Mensagens de apoio à Marcha.

- Conheço um pouco dessa realidade. Como sabe, sou mineiro, passei minha infância em uma fazenda, e sempre vivemos de sobressaltos. O Brasil ainda não entendeu a importância real do setor primário, do mundo rural, da agricultura e das inúmeras possibilidades que temos de realmente nos tornarmos uma nação potencialmente agrícola, autossuficiente em alimentos e com uma política econômica que permita a todos produzir com qualidade, comercializar com competência e colaborar para o crescimento do País.

Avenida tomada pelos manifestantes.

- Compartilho de seu ponto de vista. Para que o nosso diálogo flua, é importante compreender a complexidade do jogo vicioso – e viciado – da produção, com seus financiamentos a juros exorbitantes e a eterna dependência a que se submete o produtor quando sua vida passa a ficar atrelada a um sistema perverso como este, em que o grande beneficiado é o sistema bancário.

Clésio Andrade, presidente do Confederação Nacional do Transporte (CNT).

- Mas como o governo pode colaborar, ou facilitar a vida dos cafeicultores? Todos nós sabemos que a concorrência está brava!

Orestes Quércia, ex-Governador de São Paulo.

- O Vietnã, a Costa do Marfim (na África Ocidental), a Colômbia (onde o café é de extrema qualidade), entre outros países, também disputam o mercado internacional. Por isso acredito que o Movimento SOS Cafeicultura representa legitimamente as reivindicações do mundo cafeeiro e, sem dúvida, o Presidente da República deverá manifestar-se a fim de encontrar uma fórmula que possa aliviar – e motivar – os cerca de 300.000 cafeicultores brasileiros, oprimidos pelo alto custo da produção e pelas dívidas que vão se acumulando por conta dos juros acrescidos de mais juros e de um mercado em declínio.

Trabalhadores rurais se dirigem à região central de Varginha.

- Fico a pensar: o Brasil viveu os ciclos do ouro, da cana-de-açúcar, do café e da pecuária... Depois veio a indústria e, em consequência, um êxodo rural que deformou as reais necessidades – que são o alimento, a produção agrícola e agropecuária – e nos levou a direcionarmos os investimentos maiores para os setores secundário e terciário. As políticas governamentais de financiamento preocupam-se com as áreas de serviços e subestimam o principal: o alimento.

Cerca de 20 mil pessoas de diversas cidades compareceram ao evento.

- E o café, produto nobre, descoberto há cerca de 1.000 anos na longínqua Etiópia, hoje está presente em todos os países do planeta, e poucas pessoas conhecem o poder dessa bebida.

- Como assim?

- Depressão, mal de Parkinson, câncer de cólon, entre as doenças graves, são, de acordo com alguns pesquisadores, indiretamente combatidas através do consumo moderado do delicioso cafezinho.

Momentos de reflexão.

- Pois é! E, além disto, trata-se de uma bebida prazerosa, que finaliza bem uma refeição e serve de pretexto para uma boa conversa em qualquer ocasião! A propósito, vamos tomar um cafezinho?

Dezenas de tratores interditaram o tráfego na avenida Rio Branco.

- Demorou!

João de Almeida Sampaio Filho, Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
  
  

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