Parada Gay - São Paulo

  
  
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- 29 de junho de 2010. Meio-dia. Restaurante & Pescaria Porto do Sol. Piracicaba. O clima está seco, o dia ensolarado e o vento frio anuncia a chegada do inverno nesta porção temperada do sudeste brasileiro. Sentado à beira do rio, acomodado em um singelo e simpático restaurante, mergulho mais de uma vez na energia brasileira: por todos os lados bandeirolas verdes e amarelas dão o ar de festa ao local. Estamos direta ou indiretamente atentos à Copa do Mundo de Futebol, cujos jogos ocorrem na distante África do Sul. O ambiente está calmo. Algumas andorinhas sobrevoam as águas plácidas verde-escuro que deslizam suavemente por essa cidade simpática do Estado de São Paulo. Repentinamente, recordo-me da manhã também ensolarada do domingo 6 de junho da frenética capital do Estado.

- Você não estava viajando? O que o prendeu nesse dia de repouso?

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- Repouso? A Avenida Paulista, principal artéria da zona sul paulistana, abrigou naquele momento três milhões e trezentas mil pessoas. Nessa aglomeração impar ocorria a 14ª Parada LGBT, onde as pessoas pareciam entediadas e com pouco espírito festivo.

- Não entendi. Os jornais afirmam que a Parada Gay foi um sucesso público e que praticamente não houve violência. Segundo fontes oficiais, foram registradas apenas 8 ocorrências, 5 brigas e 2 roubos. Os hospitais tiveram 250 casos de pessoas com problemas devido ao excesso de consumo de bebidas alcoólicas.

- O slogan era “vote contra a homofobia, defenda a cidadania”. A meu ver o evento esteve efetivamente politizado e com sérios problemas de infraestrutura.

- Você está sempre criticando demais. Se houve pouca violência, apesar do número de pessoas, onde está o problema?

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- A abertura, prevista para o meio-dia, iniciou com quase 1 hora de atraso. O som não funcionou e quase todos os trios elétricos estavam na mesma situação. Um verdadeiro vexame! O discurso de abertura ainda tinha conotação demasiado política e oportunista.

- E a música?

- Podemos considerar que não houve música. Os equipamentos de som, quando funcionavam, apresentavam uma trilha musical ruim, com enlatados americanos e pouquíssima expressão de cultura local. A festa pretende alcançar o máximo de pessoas, porém é preconceituosa: “Bem vindos, está é uma festa para todos: gays, lésbicas, homossexuais, transformistas e travestis”. Várias vezes repetiram a saudação de boas vindas, esquecendo-se das famílias, dos curiosos, dos passantes, dos religiosos que por ventura ali se encontravam, das crianças, dos adolescentes e dos heterossexuais.

- Andei lendo algo sobre a Parada Gay paulistana e de certa forma concordo com você: “políticos marcam presença e dão recado na Parada Gay”; ”décima quarta Parada LGBT reafirma caráter físico em ano eleitoral”; “livro de ensino religioso em escolas públicas estimula homofobia e intolerância”. Sem dúvida, o oportunismo político-eleitoral contribuiu para estragar a festa. Onde estava a arte criativa dos transformistas? Por que uma arte brasileira não era manifestada com expressões culturais legítimas do seu povo?

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- Vamos então tomar a liberdade de transmitir a nossa singela mensagem ao Presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, Alexandre Santos, e a Manoel Zanin, coordenador geral da 14ª Parada do Orgulho GLBT de São Paulo: “Proponham uma manifestação mais autêntica, onde prevaleça o cunho cultural em detrimento dos oportunistas políticos de plantão”. Caprichem na infraestrutura e não subestimem o público.

- Você tem razão. A 14ª Parada Gay de São Paulo foi sinônimo de tédio, de falta de organização e de pouca criatividade. Dessa forma, o evento perderá a sua força e desaparecerá com o passar dos anos.

- Várias outras cidades brasileiras têm buscado realizar eventos similares e quase todos são desprovidos de conteúdo.

- Outros municípios brasileiros? Quais por exemplo?

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- São mais de 100 cidades que acolheram a manifestação: Castanhal (Pará), Bacabal (Maranhão), Rio de Janeiro (diversos municípios do Estado), Cabrália (Bahia), Caxias do Sul (Rio Grande do Sul), Jataí (Goiás), Ipatinga (Minas Gerais), Florianópolis (Santa Catarina), Aracaju (Sergipe), Parnaíba (Piauí), Maceió (Alagoas), Palmas (Tocantins), Paranoá (Distrito Federal), entre outras localidades pelo país a fora.

- Imagine, então, se esses eventos lucrassem ao mesmo tempo em que ofereciam cultura, educação e lazer à população. Educação = cultura = criatividade = tolerância = respeito = educação = cultura...

  
  

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