Paris entre águas e sangues

Sofrida, densa, bucólica, clássica, sofisticada, rude e encantadora. Não há neste planeta cidade mais interessante do que a capital francesa.

  
  
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- Paris é jovem se comparada, por exemplo, com a capital da Armênia, Yerevan, que tem mais de 4.500 anos de existência. Ou se comparada ainda com a cidade do Cairo, capital do Egito.
- Como assim???
- Paris foi fundada pelos romanos em 55 a.C. Tratava-se de um vilarejo de pescadores e, certamente, o rio Sena era piscoso e as suas águas límpidas.
- É verdade. Muita água e muito sangue rolaram desde então. Em 1789 a Revolução Francesa mudaria os rumos da França e de toda a humanidade.
- Reis e imperadores dominaram parte do mundo através de vitórias militares e da ocupação de territórios na Ásia, na África e, mais timidamente, nas Américas. A Martinica, a Guadalupe e a Guiana Francesa ainda são territórios ultramarinhos que dependem da Nation-Mère (Nação-Mãe). Já o Canadá francês…
- Em Paris viveram grandes personalidades. Filósofos, pintores, escritores, políticos de quase todas as nações do planeta. Mário Soares (Portugal), Fernando Henrique Cardoso (Brasil), Houphouet-Boigny (Costa do Marfim), Leopold Senghor (Senegal), Pablo Neruda (Chile) e Pablo Picasso (Espanha) estão entre os grandes nomes cuja luz de Paris contribuiu para o seu destino e a sua trajetória de vida. Paris tem histórias, muitas histórias para contar.

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- Não há neste planeta cidade mais interessante do que a capital francesa. Conheci Paris em 1973, há 37 anos atrás e continuo entusiasmado com esta preciosa metrópole. Ontem, após percorrer cerca de 3 quilômetros – da Place de la République ao Théâtre de l’Opéra – fui reunindo pensamentos, minhas lembranças longínquas da Paris dos anos 70, quando me encontrava distante de um Brasil governado por militares, da América Latina revolucionária e de minha família ainda sólida: pai e mãe vivos, irmãos jovens ou ainda crianças. Caminhei até a rue du Conservatoire, ao lado da Bolsa de Paris, onde vivi em um pequeno quarto (sétimo andar, sem elevador e com banheiro compartilhado com os vizinhos), o qual pertencia à família do meu amigo Pierre Turlin, que atualmente é um crítico de arte reconhecido na cidade de Antigua, na Guatemala. À medida que avançava, reconhecia as fachadas severas e elegantes, portas de madeira maciça, muros de pedras seculares, tetos recobertos de ardósia, janelas generosas que pareciam prestar homenagem aos plátanos enfileirados que davam sombra ao longo das avenidas e dos elegantes boulevards.

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- Onde você se hospedou em Paris? Parece que o custo de pernoite nos hotéis é inacessível, não é mesmo?
- Nem tanto assim. Se compararmos com São Paulo ou com Nova Iorque, cidades caríssimas, constataremos que em Paris existem hotéis com preços bastante razoáveis. Você pode também alugar um pequeno apartamento que, caso sua estada seja superior a 15 dias, fica bem mais em conta. No canal St-Martin, por exemplo, você descobrira o charme de um bairro de classe trabalhadora durante o período industrial do século XIX. As águas da represa, as pontes de ferro, as frondosas árvores e os ancoradouros ao longo de 3,5 quilômetros convivem em harmonia com pequenos restaurantes autênticos, com jovens tocando música nas calçadas e com jardins bem cuidados e floridos.

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- Não se esqueça entretanto que nesta região do Quai de Jemmapes, até 1627 encontrava-se a notória forca de Montfaucon, onde marginais, criminosos e presos políticos eram executados na Paris Medieval.
- Muita água e muito sangue fazem de Paris uma cidade sofrida, densa, bucólica, clássica, sofisticada, rude e encantadora.
- Adoro conversar com você sobre Paris, sobre esta região outrora terra de tribos celtas que continua sendo um ponto de referência para todas as nações do Mundo.
- Vive la France!
- Não senhor. Vive Paris!!!

  
  

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