Blogs > Brasilzão > Boletins >São Paulo, 455 anos e 1000 problemas sem soluçãoNo aniversário da mais importante metrópole brasileira, a busca por soluções para os inúmeros problemas existentes.26 de Fevereiro de 2009. Publicado por Fábio Ávila e Diego Gazola - 25 de janeiro de 2009. Estávamos todos reunidos. Íamos iniciar o jantar. Nossos convidados eram personalidades e personagens importantes. O tema do encontro etílico-gastronômico seria os 455 anos de idade da cidade de São Paulo. - Tenho a impressão de que você vive em um universo de fantasias à espera de milagres que transformem o seu cotidiano em um mundo ideal. Vamos lá! Dê asas à imaginação! Quem estava presente? - Antes de citá-los, imagine a cena: estávamos todos em uma pequena sala decorada de maneira sóbria, onde prevaleciam objetos despojados adquiridos na Feira de Antiguidades do Bixiga. A mesa era redonda, o clima amigável e o vinho, nacional, era fruto dos esforços e competência de uma renomada vinícola gaúcha. O ambiente era descontraído. - Estou imaginando. Mas quem eram eles? Por que estariam reunidos? - Era um momento de confraternização. As questões político-partidárias ou de cunho puramente egocêntrico-egoísta não eram o tópico desse encontro entre amigos. - Deixe de enrolar, quem eram eles? - Luiza Erundina, gestora e administradora de São Paulo de 1989 a 1992; Paulo Maluf, ex-prefeito entre 1969 e 1971, no primeiro mandato, e de 1993 a 1996, no segundo; Celso Pitta, representante da capital paulista de 1997 a 2000; Marta Suplicy, prefeita de 2001 a 2004; e Gilberto Kassab, atual prefeito, no poder desde 2005 e reeleito em 2008. - É uma turminha interessante! Quem mais esteve presente ao encontro? - Convidei a senhora Célia Marcondes, representante da Associação que protege o bairro Cerqueira Cesar e região; a senhora Carmem e o pastor Daniel, " os pais da Rua Rocha", no bairro da Bela Vista; a cantora Wanderléa, uma defensora da Natureza; a senhora Carmenza Saldias Barreneche, diretora de planejamento de Bogotá, (uma cidade singular, que serve de exemplo para todos nós latinoamericanos); você, fotógrafo jovem e parcialmente idealista; e eu, o anfitrião editor. - Continuo ouvindo-o embora tenha a impressão de que você está cada vez mais distante da realidade em seus objetivos. Como foi o diálogo entre os convivas? - Comecemos por Carmenza: "Os Estados e Governos locais, por serem os que garantem e se comprometem com a construção do que é bem público, além de assegurar o bem viver dos cidadãos, devem estar comprometidos com o sentido global de cidade, com o intuito de garantir os objetivos sociais e ambientais". - Legal. Mas me parece um tanto teórico tudo isso, não acha? O que disseram os demais? - Luiza Erundina: "Coloco meu mandato como deputada federal à disposição para a busca de verbas orçamentárias da União para a realização de projetos a serem defendidos pela associação Viva o Centro e pela população que habita ou trabalha na região". - O que disse Paulo Maluf? Estou curioso... - Passo então a palavra ao senhor Paulo Maluf: "Continuo um defensor do Centro e credito a sua deterioração ao aumento da criminalidade nessa área. O que significa que não basta criar infraestrutura para preservar e revigorar o Centro se, além de obras físicas e providências burocráticas, não se complementam também em ação social, ligado ao aumento de empregos disponíveis, à construção de moradias, como aquelas do projeto Cingapura, e em uma eficiente ação policial para coibir abusos que sempre existirão no Centro, deteriorado ou não. - A conversa ia aparentemente esquentando. Como se manifestou Celso Pitta? - O ex-prefeito afirmou: "Perde-se tempo e recursos simplesmente porque cada governo municipal se recusa a dar seguimento a um plano original e quer, a qualquer custo, imprimir a marca de sua administração. Por isso é que a recuperação do centro de São Paulo vai se arrastando..." - Você concorda com ele? - Aguarde. Depois darei a minha opinião. Deixe-me relatar a mensagem de Marta Suplicy: "Das ações que realizamos, destaco a restauração do Mercado Municipal, o conjunto habitacional erguido no local da antiga Favela do Gato, as reformas na Rua 25 de Março e no Parque Dom Pedro II, a instalação da Oficina Boracea, a construção das sete bases da Guarda Civil Metropolitana, além da recuperação do Corredor Cultural (hic!), praças do Patriarca e Dom José Gaspar (hic, hic!!!)”. - E o atual Prefeito, Gilberto Kassab, não disse nada? - Sim, falou bastante, porém pouco ocorre para a revitalização efetiva do Centro de São Paulo em sua administração. Preste atenção em seu discurso: "O Projeto Nova Luz é um dos mais importantes dessa gestão ( hic!), para a recuperação da área que antigamente era chamada de cracolândia. Estamos na fase final do processo de desapropriação e prontos para deslanchar a segunda etapa de consolidação do projeto.Existe um grupo de empresários de construção civil fazendo a concepção dessa próxima fase, que é definir o que fazer em cada área.Ruas comerciais - como Santa Ifigênia ; Duque de Caxias, Cásper Libero, entre outras - vão receber intervenções para melhoria do espaço público . Haverá alargamento de calçadas, melhoria de travessias, troca e uniformização de pisos, projeto de iluminação publica, paisagismo e ordenação do mobiliário, além da implantação de galeria técnica que comporta a infraestrtura de tecnologia e informação como o cabeamento de fibra ótica.ª - Excelente. Então o jantar foi um sucesso não é mesmo? Um exemplo de civilidade e de cidadania. Que bom. - Pois é meu amigo. Nutro fantasias, sonhos, objetivos, utopias. Porém a realidade é outra. O Centro de São Paulo está imundo, abriga milhares de mendigos e de sem teto, de drogados, de assaltantes. As fachadas estão pixadas, o lixo acumulado nas calçadas; impera a desordem, o caos!!! - O que podemos fazer para reverter esse quadro? - Provocar reações, abrir os olhos dos vereadores que em princípios nos representam, sensibilizar os comerciantes e os habitantes do centro para que reajam, mobilizar a população para que descubram os encantos arquitetônicos e culturais da antiga capital, despertar o espírito cívico... - E como terminou o jantar? - De forma agradável. Todos se comprometeram a colaborar. Os ex-Prefeitos se tornaram grandes amigos, a Rua Augusta será totalmente arborizada, a Rua Rocha revitalizada e o Centro Antigo de São Paulo vai recuperar o seu glamour. Wanderléa continuará cantando e será a nossa "ternurinha", quer ela queira ou não! - Acho que agora você realmente pirou de vez. - Será? ..."Agora eu era o herói e o meu cavalo só falava inglês". La la la laralá... |
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