São Paulo - A Primeira Corrida na América do Sul

Evento na cidade de São Paulo relembra centenário do importante acontecimento automobilístico

  
  

São Paulo - A Primeira Corrida na América do Sul

-Quem foi Vergniaud Calazans Gonçalves?

O Vigilante Rodoviário foi um grande sucesso na televisão

- Desta vez você não me pega, pois juntos tivemos a oportunidade de ouvir falar deste querido jornalista, autor dos livros História do Automóvel e A Primeira Corrida na América do Sul. Calazans Gonçalves colaborou durante anos com revistas especializadas como, Moto Show, Auto Esporte e Autos Antigos, com seus deliciosos artigos que retratavam tanto a história do automobilismo brasileiro como relatos e fatos referentes à história do ônibus no Brasil.

Marcas famosas no início de uma trajetória industrial internacional

- Lembro-me bem dele, era uma pessoa tranqüila. Nascido em 1914, tinha como educadores seu pai baiano e sua mãe, a Dona Guiomar Calazans Gonçalves, que foi a primeira mulher formada em odontologia no Brasil. Do nordeste, partiu para a internacionalidade após o seu casamento com a calígrafa japonesa de Yokohama, Etsuko Ishikawa.

Clima festivo num domingo ensolarado

- Calazans publicou também o único e pioneiro livro sobre a primeira corrida na América do Sul. O evento correu em 1908, e, este ano, estamos celebrando o centenário deste espetacular momento em que os primeiros automóveis Fiat e Renault, entre os mais cotados na Europa, foram as vedetes da prova.

- Você tem este livro?

Época de opulência e de loiras glamourosas

- Tenho um único exemplar da edição impressa há 20 anos, em 1988. Na época, o Conde Honório Álvares Penteado entusiasmou-se pelo assunto e auxiliou na viabilização financeira do projeto editorial.

Um verdadeiro deleite para os que apreciam automóveis antigos

- Um dos personagens do livro, certamente o principal, foi o vencedor na categoria de 40 CV. “No Parque Antártica a multidão explode entusiasmo. Aguardava a Lorraine-Dietrich. Mas o carro que está cruzando a linha de chegada é um Fiat. O Fiat de Sílvio Penteado. São 14h 46’05’’. Ele tinha partido às 13h 16’. Portanto levou 1h 30’05’’ para fazer o Circuito de Itapecerica. Uma performance extraordinária. É o homem mais rápido do Brasil, pois tinha percorrido 75 quilômetros desenvolvendo a média horária de 50 quilômetros. O seu Fiat de 40 CV levou um minuto e 50 segundos de vantagem sobre o Lorraine-Dietrich de 60 CV dirigido por Jorge Haentjens. É um carro mais veloz que a motocicleta Griffon de Eduardo Nielsen, que completa o Circuito em 1h 54’48’’.
Gastão de Almeida, que tinha superado o problema no reservatório de óleo, chega às 14h 57’45’’. Seu tempo de percurso é de 1h 57’45’’.

O Vigilante Carlos, verdadeiro sucesso de mídia

Jordano Laport obtém o melhor tempo na Categoria C, cobrindo o percurso em 1h 45’04’’. Na Categoria B, embora com o Delage, uma voiturette de 8-9 CV, Antônio Prado Júnior completa a prova no tempo de 2h 00’48’’.” Leia o livro e você terá uma idéia do tempo que levava para ir de Rio a São Paulo (36 dias), e o quanto devia ser espetacular este Brasil de antanho. Pelo livro você terá também uma idéia do que foi uma cidade tradicional como São Paulo. A Confeitaria Castelões, por exemplo, nos dá uma idéia da vida pacata e formal desta cidade no alto da serra.

- Não houve nenhuma comemoração em homenagem aos 100 anos da Primeira Corrida na América do Sul?

Personalidades são homenageadas no evento comemorativo

- Domingo passado, dia 27 de julho, o Automóvel Clube do Brasil buscou sensibilizar os paulistanos por meio de um belíssimo passeio de automóveis antigos, que percorreram ruas e avenidas num dia ensolarado deste inverno caloroso.

- Fiquei um pouco decepcionado com a falta de público ao evento. Nós sabemos que no Brasil as montadoras internacionais não medem esforços para investir em plantas e fábricas, motivando assim o brasileiro a adquirir seu próprio automóvel visando, em princípio, facilitar a sua locomoção regional e nacionalmente. Entretanto, quando surge uma verdadeira oportunidade como essa, percebemos o grande desinteresse por aspectos culturais deste país. Como justificamos a falta de patrocínio e a ausência de empresas como a Fiat, Peugeot e a Renault, que em tese seriam as principais interessadas em que este evento fosse um verdadeiro sucesso e propiciasse um retorno institucional de grande envergadura?

Arte e qualidade aliados à tecnologia daqueles tempos

- Tem razão! Ao mesmo tempo, não consigo tampouco compreender a falta de público registrada naquela manhã, tendo em vista que o brasileiro tem como grandes paixões o futebol, a música, a televisão e o seu automóvel. O que aconteceu?

A pouca frequência ao evento traduz falta de interesse pela nossa história<br />

- A assessoria de imprensa conseguiu ser bastante competente e a mensagem foi veiculada através de alguns veículos importantes, porém, algumas falhas também comprometeram a apresentação: 1) o microfone falhou; 2) os banheiros químicos chegaram praticamente no final do evento; 3) vários pilotos homenageados não compareceram para receber esta homenagem. Por quê?

- Acho que tenho a resposta. Faltou trabalhar de maneira séria a motivação dos habitantes para que se informassem e descobrissem o quão fantásticas foram a descida à Serra do Mar, a descoberta do Circuito de Itapecerica, a Primeira Corrida e, sobretudo, ter conhecimento dos personagens importantes que, de atoleiro em atoleiro, percorriam horas a fio para desbravar terras brasileiras pelo meio de locomoção que viria a mudar o futuro dessa nação, que adotou o transporte rodoviário como o grande trunfo de sua produção industrial.
brasileiros. Por pura incompetência e falta de interesse pelos aspectos importantes que formam a historia de uma nação: o Brasil optou por ser um dos principais e mais importantes produtores de carros do Planeta, porém, ao mesmo tempo, subestima a sua própria história.

  
  

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