De Rio Gallegos às pinguineiras de Camarones

Levantar acampamento. Já estamos craques nisso. Passeamos por Rio Gallegos , uma voltinha rápida em busca de um bom posto para abastecimento (os da rede estatal YPF são muito bons, assim como os da rede Copec no Chile), abastecemos, recebemos a lavadinha

  
  

Levantar acampamento. Já estamos craques nisso.
Passeamos por Rio Gallegos , uma voltinha rápida em busca de um bom posto para abastecimento (os da rede estatal YPF são muito bons, assim como os da rede Copec no Chile), abastecemos, recebemos a lavadinha de pára-brisas tradicional e fomos embora. Após andarmos algumas quadras em direção à rodovia, nos entreolhamos e perguntamos - Está faltando alguma coisa não esta? Esse carro está diferente.......
- CADÊ A LISA ????
Pânico geral. Meia volta em local proibido no meio da avenida principal de Rio Gallegos. Advertência dos transeuntes, gesticulando – NAVALHA!!!
Voltamos ao posto e a encontramos desesperada com uma carinha de ESQUECERAM DE MIM , com as orelhinhas em pé procurando por nós. O frentista achou muita graça de ver a cena. Riu a valer de ver gente se desculpando com a cadela.
Com toda a `bagagem` a bordo agora , voltamos a estrada para aquelas intermináveis retas monótonas, com aquele calor escaldante. Tinha hora que a gente fazia piada como se fossemos os personagens dos desenhos animados BIP-BIP e o Coiote. Nossos companheiros mais comuns no trajeto eram os guanacos e os nhandus, alguns muito ousados e desafiadores bem no meio da estrada.
Fizemos um abastecimento em Comandante Luiz Piedra Buena, demos uma voltinha pela cidade (simpática) e fomos para Puerto San Julian onde encontramos no mapa a referencia de uma Loberia. Achamos que seria uma boa pedida para aquele dia quente e para lá nos dirigimos por uma estradinha de rípio por 6 km até atingirmos a praia. Lá só encontramos pedras em vez de areia, um mar de um azul maravilhoso e uma família num carrinho velho e com o pneu furado e sem um macaco para substituí-lo. Acho que chegamos na hora certa e que o santo dos caras era muito forte por que o lugar é muito deserto. Emprestamos a ferramenta aos sortudos e atrelamos num animado papo sobre atrações naturais e opções de lazer. Eles nos mostraram ali na frente, na praia a 100m de nós, algo que nunca veríamos por conta. As famosas TONINHAS. Um tipo de golfinho pequeno , de cor preta e manchas brancas no ventre. Estavam bem próximos da rebentação que com a maré enchendo quase não tinha ondas. Os bichinhos são um pouco tímidos de forma que vimos apenas uns 4 por ali, sem fazer grandes aparições. O que nos impressionou positivamente foi a diversidade de seixos que formam a praia. Em vez de areia como estamos acostumados , a praia é todinha de bilhões de pedrinhas arredondadas com cores maravilhosas que fariam qualquer artesão pirar. Ficamos catando algumas para guarda-las como recordação e rapidamente juntamos umas 50. Olhamos um para o outro e falamos - Peso demais, espaço de menos. Vamos reduzir nossos souvernirs. Ficamos com umas 10.
Retornamos a estrada e procuramos mais um pouco por outros pontos onde os Lobos Marinhos poderiam estar mas só encontramos alguns turistas , na mesma posição que os procurados lobos marinhos, tomando sol sobre os seixos. Chegamos a conclusão que veranear na Argentina não é fácil afinal os caras não tem areia nas praias, a água é fria , e você ainda pode ser atacado por uma Orca confundido como se fosse um pingüim ou uma foca.
Retornamos a Ruta 3 até chegarmos a Comodoro Rivadávia, cidade grande com prédios altos e trânsito de retorno dos balneários vizinhos como o de Rada Tilly que fica a 11 kms do local. Procuramos por um camping e no posto onde abastecemos nos indicaram um que ficaria a 5 km a frente pela mesma rodovia. Na estrada andamos por 5, 10 , 15, 50 km e nada de camping. Fotografamos mais um por do sol lindíssimo e andamos mais um pouquinho. Nesse dia fizemos nada menos que 1060 km de estrada. No total já eram 10.077 km rodados. Ufa!!!
Chegamos a entrar numa vila às margens da rodovia mas que era de funcionários de uma fábrica e não encontramos uma alma viva nas ruas. Quase montamos acampamento numa pracinha por ali mesmo , mas ...retornamos a rodovia para rodarmos mais um pouquinho até Camarones que fica 70 Kms para fora da Ruta 3. No caminho só encontramos lebres e corujas e o percurso parecia não ter fim. Nosso combustível já estava acabando e a próxima cidade só a 200 km pela Ruta 3. Foi um alívio quando avistamos as luzes do vilarejo e ainda faltavam bem uns 20 km. Chegamos direto num camping municipal e nos indicaram um bom local para armarmos nossa barraca o que fizemos rapidamente. Banho e cama. Já era mais de meia noite.

  
  

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José augusto de araújo

José augusto de araújo

20/09/2008 09:06:49
Estive em Rio gallegos em março de 2008 estava fazendo muito frio, passei 24 horas sem muita opçao de passear.concordo com tudo que foi dito.