Blogs > Caminhando pela Vida > Boletins >Pico da Serra do Tabuleiro: uma caminhada fascinanteNeste celestial e iluminado dia, fomos abençoados por termos tido a oportunidade rara e preciosa nesta vida de compartilharmos com pessoas muito especiais a caminhada em uma das mais exuberantes trilhas da região. Mergulhe conosco nesta jornada.15 de Agosto de 2009. Publicado por Caminhando pela Vida Combinamos de nos encontrarmos às 6h30 no estacionamento em frente ao trapiche da Beira-Mar. De modo a integrar e numa atitude ecologicamente correta, os bravos trilheiros se dividiram em dois carros, seguindo viagem para Santo Amaro da Imperatriz, a 50 km de Florianópolis. O início da trilha é logo após o Café do Tabuleiro, entrando em um portal. De lá, fizemos um bom alongamento, pois 18 quilômetros de desafios que exigem o equilíbrio da mente com o corpo nos esperavam. Iniciamos então a caminhada rumo ao cume da Serra do Tabuleiro que está a 1.220 metros de altitude em relação ao nível do mar. A subida começou íngreme, exigindo grande esforço até chegarmos a uma cabana que serve de ponto de apoio para produção de produtos orgânicos. Paramos para tomar uma água, respirar com mais tranqüilidade e recompor o ritmo do coração. Estes momentos de parada foram de muita gratidão, pois tivemos a oportunidade de conversar e conhecermos melhor as pessoas, já que, na medida do possível, poupávamos energia para a subida constante. E continuamos. A partir de um certo trecho, era possível visualizar uma linda e fina, tênue camada de nuvem preenchendo vales e deslizando por sobre a Serra do Mar, tingindo de branco o azul profundo do céu. O cenário era completado por uma cálida luz que parecia formar uma lente, proporcionando admiráveis tonalidades ora avermelhadas, esverdeadas e azuladas, como se a percepção fosse de uma suave e translúcida capa moldando-se por sobre as sinuosas e sólidas formas, cobrindo aquelas exuberantes cadeias de montanhas de cores magnificentes e inspiradoras. ![]() Nuvens-algoodão confortando nossos olhos com uma radiante e alva nuance de montanha nevada - Foto: Caminhando pela Vida Durante a trilha, adentramos em ecossistemas de Floresta Pluvial Atlântica, Matinha Nebular e Campos de Altitude, com direito à admiração das belezas e espinhos de arbustos, bromélias, samambaias e capins cortantes. Em certos momentos, árvores altas gentilmente permitiam que a luz dourada do Sol enfeitasse a trilha, descortinando um espetáculo gracioso de efeitos visuais desconcertantes no caminho e nas cadeias de montanhas que abraçam as cidades de Santo Amaro da Imperatriz, Palhoça, São José e Florianópolis. ![]() O colorido que pulsa a exuberância da vida na mata (está dentro de nós) - Foto: Caminhando pela Vida A forte subida no início fez com que reduzíssemos o ritmo, ingerindo muito líquido. Ficamos imensamente agradecidos quando uma barra energética à base de chocolate, daquelas específicas para competições ciclísticas, foi cedida gentilmente pelo bravo aventureiro e aniversariante do dia, o Geraldo. ![]() Parada para admirar, conversar e compartilhar: o que faz a caminhada ser o que é denomina-se integração - Foto: Caminhando pela Vida Revigorados, seguimos na caminhada. Após a subida inicial, o esforço foi amenizado devido à redução da inclinação. Paramos mais umas duas vezes para descansar um pouco, partilhar com os amigos os lanches (cenoura, tomate seco, amendoim, bolo de legumes, passas, entre outros) e desfrutar da paisagem do pico do Tabuleiro à frente e, ao redor e abaixo, morros verdejantes acolhendo cidades e vilarejos. ![]() Observem a mata que abre as cortinas e aponta o holofote para o nosso objetivo, numa profunda reverência a este imponente espátculo da Natureza - Foto: Caminhando pela Vida No último terço do percurso, raízes e troncos de árvores presentearam os trilheiros com escadas e corrimões para a subida que voltaria a ficar inclinada. Foram 4 horas e 20 minutos de esforço até a chegada do grande prêmio. ![]() Cadeia de montanhas que protegem cidades e vilarejos, que exibem verdejante formosura - Foto: Caminhando pela Vida Lá em cima, ventos doces e refrescantes massageavam o capim dourado, adornando o caminho bem diante de nossos olhos, fazendo o corpo se sentir livre, como se estivesse passeando descompromissadamente por algum típico cenário campestre europeu. Realmente ali, a subida pesada se tornara um delicioso passeio pelo campo. ![]() Emoção e agradecimento por caminharmos integrados a este majestoso cenário, que nos presenteia com o doce gingado da vegetação dourada - Foto: Caminhando pela Vida Quanta gratidão pela oportunidade rara de estarmos em plena comunhão com os elementos ar, fogo, terra e água, sentindo no rosto o frescor da aventura e na alma, uma inabalável sensação de bem-estar e amorosidade. ![]() Observe como a Natureza nos brinda nesta imagem com um gradiente de tons, do azul celestial aos toques sutis do despertar-violeta - Foto: Caminhando pela Vida Sentamos para nos confraternizarmos, estendo canga e toalha sobre a grama, colocando pão integral caseiro, bolo de limão, pêra e papoula, compartilhando ainda chocolates brasileiros e estrangeiros (especialíssimos!!!), com 55 e 70% de concentração de cacau, wasabi, gengibre, pimenta, avelã, além de sanduíches com salada e requeijão caseiro com manjericão (podemos fornecer a receita), laranja-vinho da região de Presidente Getúlio, maçãs, tangerinas, entre outras delícias integrais e orgânicas. ![]() Confraternização e bate-papo descontraído em um áureo cenário, lá em cima - Foto: Caminhando pela Vida Descemos a trilha em estado de graça, na presença vívida da mãe de todas as mães, a Natureza. Caminhamos por três horas no retorno. Fizemos uma breve parada no Café do Tabuleiro para tomar uma tigela de açaí, chá, café, entre outros, infelizmente, sem direito ao guaraná Pureza tão pretendido por um dos trilheiros. Ainda comemos uns salgados, pamonha com queijo e fomos conhecer a lojinha de cerâmica em espaço anexo. Foram doze horas de atividade, alegria, desafios, em plena integração e equilíbrio com a Natureza, com o amor, o corpo, a mente, a alma, as pessoas que fizeram parte e com quem tivemos conexões no decorrer do dia. Neste celestial e iluminado 15 de agosto de 2009, fomos abençoados por termos tido a oportunidade preciosa nesta vida de compartilharmos com pessoas muito especiais a esplêndida experiência desta caminhada em uma das mais incríveis e exuberantes trilhas de Santa Catarina. Fomos presenteados com um visual sem igual, daqueles que jamais esqueceremos em nossas vidas. Somos gratos pela benção de estarmos na companhia de pessoas muito queridas neste dia absolutamente divino. O amor pode ser encontrado sutilmente na semente de cada elemento que compõe este majestoso Universo. Basta observar e mergulhar conscientemente no momento presente. ![]() Já na Beira-Mar, indo para casa, agradecidos e pensando na próxima atividade - Foto: Caminhando pela Vida MotivaçãoQue a motivação ao divulgar esta caminhada possa inspirar nas pessoas a busca pelo revelar sobre quanto importante é nos conectarmos com nossa essência de amor, paz e carinho em todas as instâncias de nossa relativa vida, estando em perfeita integração com o meio em que dependemos para viver, em plena comunhão com as pessoas que se relacionam nele e em precisa sincronia com a nossa paz interior. O mundo externo está em guerra. Se o nosso mundo, o interno, estiver em perfeita harmonia e estado inabalável de paz, o mundo externo será influenciado por este e naturalmente se transformará. Quando não damos voz a nossas emoções aflitivas, que estão sempre baseadas no apego - apego que está sempre ligado ao medo de ilusoriamente deixarmos de existir, na raiva e na ignorância por não percebermos quão frágil e impermanente nossa vida humana é -, quando transcendemos o julgamento, o pré-conceito e o pensamento, repletos de interpretações errôneas, surpreendentemente vazios em si, distorcidos e desprovidos da verdade única, ao atravessarmos as margens da dor e do prazer, conectados à nossa essência natural de serenidade, imersos no momento presente, fluirá o rio da vida. Algumas pessoas perfazem trilhas, correm, correm, correm e não vêem nada. Outras, antes mesmo de começar a se alongar, já se sentem plenas, preenchidas e satisfeitas, apenas com os preparativos, a entrada da trilha e os amigos - aqueles mesmos que nem sabem que virão no caminhar a se tornar amigos. Por quê? Porque estão vivendo o momento presente, saboreando cada imagem, cada cor, cada nuance, cada abraço, cada sorriso, cada luz, prateada da chuva ou dourada do sol, cada gesto, seja ele amistoso, ansioso, comunicativo ou silencioso, cada som... Entram em contato com seus sentidos, puramente pela via da consciência Todo-Abrangente e não pelos pensamentos que julgarão entre bom e ruim. Interessante observar que quando a mente se nega a fluir com a vida, a perceber todas as impermanências e sutilezas que se apresentam até nós com gratidão e contentamento, é que encalha nas margens, então vindo a se tornar um problema. Daí advém as queixas, a ansiedade, o medo, a insegurança... Pronto, não há mais nada o que aproveitar da trilha, nem a chance rara e preciosa de conhecer a essência amorosa, criativa, grandiosa e útil das pessoas. Quando não desejamos, fluímos com o movimento da mente, indo além dos pensamentos, observamos como e quando as coisas acontecem, afinal nós não somos o que acontece, contudo a quem acontece. Esta é uma visão clareada além do pensamento, uma descoberta da consciência por Sri Nisargadatta Maharaj. Ele, a partir da realização, vai mais adiante: “O desejo é a recordação do prazer, e o medo é a recordação da dor. Ambos não deixam a mente descansar. Os momentos de prazer são meras pausas na corrente da dor. Como pode a mente ser feliz?” (...) “A mente inclusiva é o amor em ação, batalhando contra as circunstâncias, inicialmente frustrada, finalmente vitoriosa. (...) O amor constrói a ponte entre o espírito e o corpo. (...) A mente cria o abismo, o coração o cruza.” (...) “O mundo real está além do alcance da mente; nós o vemos através da rede de nossos desejos divididos entre dor e prazer, bom e mau, interno e externo. Para ver o universo como ele é, você deve passar além da rede. Não é difícil fazê-lo, porque a rede está cheia de buracos.” (...) “A verdadeira felicidade não se pode encontrar nas coisas que mudam e passam. O prazer e a dor se alternam inexoravelmente. A felicidade procede do ser e só pode ser achada no ser. (...) É como o reflexo da Lua na água movida pelo vento. O vento do desejo move a mente, e o “eu”, que não é senão um reflexo do ser na mente, parece mutável. Mas estas idéias de movimento, de inquietude, de prazer e dor estão todas na mente. O ser está além da mente, consciente mas desapegado.” Então, com a motivação de inspirar mais e mais pessoas a se integrarem com a sua essência, com a essência das demais pessoas, com a essência da Natureza que, em verdade, sentimos ser a essência de todo o Universo, é que divulgamos estas abençoadas e únicas atividades. Veja mais informações em www.qualidadedevida.vai.la |
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