Trilha Raiz da Serra / Paranapiacaba - Cubatão

Vinte e quatro aventureiros foram brindados com um lindo dia ensolarado. A maioria participou pela segunda vez, após a travessia de São Francisco Xavier a Monte Verde

  
  

1. Apresentação

Marcio e Claudia

A apresentação foi na Rua Nelson Fernandes, ao lado do Terminal da EMTU no Jabaquara. Vinte e quatro aventureiros foram brindados com um lindo dia ensolarado. A maioria participou pela segunda vez, após a travessia de São Francisco Xavier a Monte Verde, prova de que a gente não sabe viver sem um sofrimento básico.

O grupo é contagiante, mantém a animação e alegria em alta a todo momento, divertidos e muito bem humorados para aquela hora da manhã. Um pequeno milagre acontece que não sabemos de onde vêm. Afinal, após uma jornada inteira de trabalho, 24 aventureiros madrugaram para nos brindar com sua participação e doações à Fraternidade Irmã Clara, instituição filantrópica que escolhemos para ajudar.

2. Animação

Marcio e Claudia

Às 7h15, rumamos para Paranapiacaba. A dinâmica desta vez foi a de duplas se dirigirem à frente no microônibus e um apresentar o outro. A graça de tudo mesmo foi as pessoas que não se conheciam e tentavam apresentar a outra da forma como conseguiam. Alguns foram bem espertinhos, fazendo uma breve sondagem ao vizinho antes da exposição. Teve gente que conseguiu informações que talvez nem imaginávamos saber em uma situação de profundo conhecimento sobre o amigo. Cômico mesmo é o modo como a Bia conta sobre os nomes da família dela. Como é mesmo, Bia? Conta de novo para nós, vai! Assim que a dupla terminava de apresentar, oferecíamos trufões com recheios sortidos (maracujá, cereja, avelã, pimenta...). Tinha gente que ficava com um olho na trufa e o outro no pessoal. Foi garantia de muita risada até chegar na parte alta na cidade "De Onde se Vê o Mar".

3. Preparativos

Marcio e Claudia

Já próximo da entrada da trilha, encontramos com o Vagner e o Leandro, monitores ambientais da região. As pessoas se trocaram no vestiário, acertamos os últimos detalhes, fizemos um breve alongamento e pé na mata!

Antes de iniciarmos a trilha, subimos em um mirante feito de madeira. Lá de cima é possível avistar o vale por onde desceríamos a seguir. O dia estava bonito. A parte baixa do vale encontrava-se esfumaçada pela neblina, fenômeno que colaborou para a beleza do local, dando ainda mais vontade de se tirar fotografias.

Marcio e Claudia

4. A Caminhada

Marcio e Claudia

No início, a mata ao redor da trilha foi maltratada, despida de decência por indivíduos que certamente nada tem a ver com a preservação do pouco que ainda resta para nos deslumbrarmos. Continuamos caminhando e a mata estava mais fechada, bonita, verdejante. O monitor parou em determinados pontos para explicar sobre como é pródiga a Mãe Natureza através do mutualismo entre a flora e a fauna.

Algumas plantas, por exemplo, se beneficiam da ação de formigas que nelas forrageiam e expulsam os eventuais intrusos herbívoros, garantindo a sobrevivência da árvore e o alimento da formiga. Estas formigas seguram os cupins com as mandíbulas. Na maioria das vezes, após os movimentos do inseto serem paralisados, as formigas o transportam para fora da planta. Ainda aprendemos que por ser uma floresta úmida na Serra de Paranapiacaba, verifica-se espécies florestais como a Vochysia selloi que é endêmica no estado.

Marcio e Claudia

Outra surpresa foi observar uma larva que habita nos invólucros criados por folhas que são ricos em nutrientes. "O nome da árvore é Manacá da Serra (árvore pequena, que oferece floração branca, que vai rosando até cair, parecida com a Quaresmeira). O nome do processo é Simbiose, também chamada de Mutualismo (ajuda mútua). O besouro ou (...não lembro qual o outro inseto - borboleta? vespa?...) põe ovos na folha. A planta os identifica e promove a construção de um casulo à volta dos ovinhos. A larva nasce ("Bigato" = embrião na língua indígena) e vive lá dentro, protegida e rodeada por alimento. O casulo cresce junto com ela, até que ela sofre um processo de Metamorfose e transforma-se em inseto voador, que vai polinizar a planta." Com a contribuição da nossa amiga Marta, fica mais fácil lembrarmos dos fatos, não é verdade?! Até nestas horas entendemos o quanto as caminhadas ecológicas são valorosas para adquirir e permutar conhecimento, desenvolver e solidificar genuínas relações de amizade.

Ao chegarmos na Prainha - uma pequena porção de areia e pedras, com o rio margeando nossos olhares fascinados com toda aquela exuberância -paramos por alguns minutos para nos refrescarmos nas águas transparentes do Rio Mogi. O Sol a pino produzia um encanto, refletindo diante de nossos olhos, águas de incríveis tonalidades esmeralda e dourada. De deixar o queixo cair. Alguns corajosos (nem tanto porque a água estava inacreditavelmente agradável para uma época fria como esta) fizeram de pequenas quedas d'água hidromassagens naturais para relaxar os músculos. Chuáaaaa... Instante mágico para abrir os braços, fechar os olhos e agradecer por aquele precioso presente.

Marcio e Claudia
Marcio e Claudia
Marcio e Claudia
Marcio e Claudia

5. Travessia do rio

Vamos lá? Calçamos os tênis e pé nas pedras! Isso mesmo, agora a caminhada é pelas pedras do rio, atravessando alguns trechos com a água no tornozelo, outros nas pernas e até alguns pequenos trechos na cintura. Mas nada que trouxesse algum risco às pessoas. Até porque contratamos dois guias especializados, além de duas pessoas experientes em assistir o pessoal na travessia. A segurança dos participantes mereceu especial atenção por parte organizadores que estavam com os números de telefones importantes em mãos, pontos mapeados com sinal de celular e haviam deixado a equipe de resgate da região de prontidão apenas por precaução. Todo este cuidado nos bastidores com a segurança foi uma forma de nos certificarmos que nossos amigos teriam toda tranqüilidade do mundo para caminhar conosco. E um pouco de adrenalina também não faz mal a ninguém, não é verdade?!

Marcio e Claudia

A solidariedade entre os trilheiros nos momentos mais complicados é o que faz a caminhada ser o que é: com o intuito de motivar, suscitar o sentimento de "você pode, você consegue", com os monitores e organizadores sempre respeitando o limite de cada um e auxiliando no que for preciso e quando solicitado, com o papel de estimular o espírito altruísta entre as pessoas, o de integrar, o de se preocupar, em um movimento de volta à essência humana do sentir-se responsável e querer olhar pelo próximo.

No final do dia, chegamos a uma estação ferroviária em Cubatão cansados, é verdade, mas realizados, felizes com a conquista desta descida na Serra do Mar de Paranapiacaba a Cubatão pelo Vale do Rio Mogi. Trocamos de roupa e calçado. Na volta, todos estavam exaustos mas ainda tinham algum gás para participar do sorteio-surpresa. Paramos 15 minutos no Rancho da Pamonha para uso de toilette e alimentação. Chegamos no Terminal Jabaquara por volta das 19h40.

Marcio e Claudia
Marcio e Claudia

6. Balanço

A reunião agora será em uma outra data para trocarmos experiências, falar do que apreciamos e não gostamos (visando melhorias), ver as fotos, o dvd gravado por um dos participantes que filmou a segunda e terceira edição do Caminhando pela Vida e preparar, todos juntos, um delicioso jantar indiano. Cada um é responsável por trazer um ingrediente, inclusive as batatas (não confundir com as doloridas batatas da perna). Todos deverão chegar próximo da hora do preparo. E o mestre Lee, amigo e também organizador, será o nosso comandante na cozinha. Agora, é esperar para ver, tanto o jantar como a próxima caminhada: certamente um sucesso como tem sido em todas as edições, graças ao grupo que é nota 1000! E é por isso que a gente sempre diz: FIC FELIZ CAMINHANDO!!!

7. Depoimentos

Marcio e Claudia

"Adorei o passeio. Foi muito bem organizado: contamos com dois guias locais, seguro-viagem, logística bem formulada. O que garantiu uma atmosfera tranqüila - muito bom humor, cooperação, conversas interessantes, foi bem divertido. O tempo ajudou bastante, e o local é maravilhoso. A cor da água do Rio Mogi é inacreditável - verde-garrafa, parece "retocada por computador, com efeitos especiais"!! Para quem acha que é exagero, é só conferir nas fotos!!!! O leito do rio é forrado por milhares de pedrinhas multicoloridas e de formatos exóticos, que nos maravilhavam a cada passo. Os tons eram os mais inesperados: verde, amarelo, azul, violeta, rosa, todos os nuances do cinza ao prata... Eu fiquei encantada! Brincamos nas pequenas cachoeiras, exercitamos nossas pernas na água e nossos reflexos driblando as pedras do caminho. Ainda por cima, houve surpresas para os participantes, com brinde na chegada e sorteio no final!! Foi tudo de bom!!! Por isso, quero deixar aqui os meus parabéns (merecidos) aos organizadores, com votos de mais sucesso sempre. E também espero que cada vez mais pessoas possam usufruir dessa atividade, formando novas amizades, curtindo a natureza, a convivência e a troca de experiências." Marta Carvalho - Paranapiacaba/Cubatão (30/07/2005).

  
  

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