Ubatuba - Trilha Saco da Banana

Ubatuba (palavra de origem indígena Tupi-Guarani, composta pelos vocábulos uba e tuba, o que quer dizer Uba - uma cana silvestre ou canoa e Tuba – local onde havia um canavial ou muitas canoas):

  
  
Marcio e Claudia

Ubatuba (palavra de origem indígena Tupi-Guarani, composta pelos vocábulos uba e tuba, o que quer dizer Uba - uma cana silvestre ou canoa e Tuba – local onde havia um canavial ou muitas canoas): Dez horas do dia 8 de outubro; iniciávamos a caminhada um quilômetro antes do ponto combinado. Oba, "ganhamos uma praia"! O motivo de ter que caminhar um pouco mais? O microônibus não conseguia chegar à praia de Caçandoca devido às péssimas condições da estrada. Ainda bem, conhecemos um lugar lindíssimo, a Praia do Pulso.

O dia nublado aliviou um pouco o calor nos 18km que percorreríamos. Encontramos plantas nativas e as introduzidas indevidamente, como enormes pinheiros e áreas devastadas, em parte devido à extração não autorizada de palmitos. Encontramos pitangas, morangos silvestres, além de plantações de mandioca - o guia Rodrigo contou a história dos russos que morreram na Ilha de Anchieta ao comer mandiocas selvagens sem o devido preparo - para subsistência dos que residem em área de quilomba. Também não faltaram 'causos' como o de um pirata famoso e jóias enterradas na Ilha Anchieta.

Marcio e Claudia

Paramos para apreciar o belo cenário produzido pelas bananeiras e comer algumas de suas criações. Chegamos no alto do morro para comprar doces de banana, com canela, com gengibre, de tudo quanto era jeito. Logo de cara encontramos a famosa cachorrinha com furo no focinho e dois filhotinhos mamando... Que visual tem a casa dele, hein?!

A caminhada continuou e novas histórias. Estávamos pisando em área onde viveram as tribos de índios guerreiros, os Tupinambás. Foram os primeiros habitantes de Ubatuba e que provavelmente abriram as picadas na mata pela qual estávamos percorrendo. Também foram excelentes canoeiros, utilizando técnicas de construções de pequenas embarcações feitas de troncos de árvores nativas da região. Viviam em comunhão com a natureza, assim como em paz com os índios do planalto até a chegada dos portugueses e franceses, que tentaram escravizá-los e colonizar o povoado. Foi aí que os Tupinambás e Tupiniquins (da região de São Vicente) organizaram-se, formando a "Confederação dos Tamoios" e passaram a enfrentar os portugueses (Tamoios é uma palavra da língua falada pelos Tupinambás, que significa "o mais antigo, o dono da terra", portanto a Confederação era a união dos índios, verdadeiros donos da terra).

Marcio e Claudia

"Eis os versos que outrora, ó Mãe Santíssima,
te prometi em voto,
Enquanto entre tamoios conjurados,
pobre refém, tratava as suspiradas pazes,
tua graça me acolheu
em teu materno manto
e teu poder me protege intatos corpo e alma."

"A mundana soberba
Entumece um coração orgulhoso
E a paixão violenta anuvia-lhe os olhos.
Ele não te contempla, ó Virgem,
Envolvida nesse ninho fulgurante de luz
e no clarão de tua eterna virgindade
Não admite que pudesses ficar com voto o teu coração,
pisando triunfante o disco variável da lua.
Não crê que de seu tálamo pudesse sair o sol radiante
Sem rangerem as portas nos seus gozos."

Trecho do Poema da Bem Aventurada
Virgem Maria Mãe de Deus
Padre José Anchieta

Marcio e Claudia

Os padres José de Anchieta e Manoel da Nóbrega chegaram à região com a missão de pacificá-los. Anchieta tornou-se prisioneiro dos índios, permanecendo por quatro meses, enquanto Nóbrega voltava a São Vicente para finalizar o tratado de paz, que seria firmado em 14 de Setembro de 1563, denominado "Paz de Iperoig". Nesta ocasião, Anchieta escreveu o "Poema à Virgem" na praia de Iperoig, constituído de 5.732 versos.

Com a paz firmada, o Governador Geral do Rio de Janeiro, Salvador Corrêa de Sá e Benevides, seguiu com a colonização da região. Enviou os primeiros moradores para garantir a posse da terra para a Coroa Portuguesa. O povoado se emancipou político-administrativamente, elevando-se à categoria de Vila em 28 de outubro de 1637, com o nome de Vila Nova da Exaltação à Santa Cruz do Salvador de Ubatuba.

Marcio e Claudia

Na trilha, flores singulares, cogumelos, samambaias e bromélias poderiam ser vistas. Pássaros nos rodeavam, cantando por todo o canto. As praias lá de cima produziam visuais deslumbrantes, momentos ideais para se tirar fotos. E o que o trilheiro mais gosta: boas subidas e descidas!!! Ao chegarmos na praia Saco da Banana, nos acomodamos para lanchar e tomar um ótimo banho. Seguimos viagem, visitando a Praia do Simão/Frade.

Chegamos por volta das 18h na praia de Tabatinga. Tomamos um banho, uns trataram de traçar uma bela tigela de açaí, outros pastéis, sucos refrescantes, a cervejinha merecida e muitos sorrisos estampados no rosto. Valeu gente e até a próxima!

Marcio e Claudia

Localização: Distante 262 km da capital de São Paulo. Limita-se ao norte com Paraty, ao sul com Caraguatatuba (SP), à oeste com Cunha, São Luiz do Paraitinga e Natividade da Serra (SP) e à Leste com Oceano Atlântico. Situa-se no litoral Norte do Estado de São Paulo. Clima tropical úmido.

  
  

Publicado por em