Fotografia – Desenhando com a luz!

O controle da luz que entra através da lente permite ao fotógrafo colocar na fotografia o seu estilo. Isso é feito no modo manual de operação da câmera.

  
  

O que é fotografia

Fotografia de fumaça de incenso, colorida com papel celofane diante do flash

A palavra fotografia vem do grego “fós” (luz) + “grafis” (pincel). Basicamente isso significa “desenhar com a luz”.
Existem outras definições, mas prefiro essa que apresenta a fotografia como uma ferramenta que permite ao fotógrafo desenhar com a luz.

Desenho feito com lanterna diante da câmera

Vejo a fotografia como forma de expressão dos sentimentos. Gosto de escrever, mas estou longe de ser um poeta. Já tentei pintar, mas descobri que não tenho o dom de Da Vinci ou Monet. Experimentei tocar violão... Não deu muito certo.
A fotografia é o caminho que descobri para expressar "meu lado artístico".
Essa definição é importante para aqueles que pretendem se aprofundar na técnica fotográfica e fazer algo mais que simples fotos de registro.
Ao compreender que a luz é o seu instrumento de trabalho, o fotógrafo busca dominá-la, conhecê-la a fundo, tornar-se seu amigo.
Belas fotos, que tocam a alma e impressionam a razão, são aquelas cuja luz é captada na medida certa e transmitida por meio de um registro bem feito.
O fotógrafo “vê a foto antes de fazê-la”. A luz da cena impressiona as células da retina ao mesmo tempo em que outros estímulos do ambiente impressionam outros órgãos dos sentidos.
A fotografia tem o desafio de transmitir não apenas as sensações visuais do momento, mas também as outras que compõem a cena registrada. Isso é “possível”!

Pôr-do-Sol na Praia do Itaguá, em Ubatuba

Ao contemplar uma imagem repleta de informações, nosso cérebro automaticamente busca compor a cena original completando-a com os possíveis estímulos que fariam parte da cena. Assim como paleontólogos buscam recriar animais do passado baseados em informações de animais do presente, nosso cérebro utiliza informações da memória para criar a cena em que tal foto foi feita.
Isso nos faz viajar! Isso é magia! Isso provoca sensações que vão além da impressão visual nos olhos.
Logo, compreender o funcionamento, o comportamento e os caprichos da luz possibilita ao fotógrafo produzir aquelas fotos que agradam e inspiram boas sensações.
Estou em busca desse conhecimento!

O controle da luz

O controle da luz por meio da abertura da lente e da velocidade do obturador pode ser comparado ao cuidado do pintor com seus pincéis e tintas.
Para criar reflexos e sombras em seus quadros, o artista escolhe cuidadosamente o pincel e as tintas, aplicando-as na obra conforme a imagem que tem da pintura em sua mente. Antes de se tornar real na tela a imagem já existia na mente do pintor.
O mesmo ocorre com a fotografia quando o fotógrafo deixa de usar o modo automático e assume a real autoria de suas imagens.
No modo automático a câmera efetua medições da quantidade de luz disponível e realiza ajustes de velocidade e abertura buscando registrar a imagem da maneira mais adequada, segundo seus parâmetros.
O modo automático garante boas fotos na maioria das vezes. O modo manual possibilita fazer “aquela foto” que você imagina em sua mente.
É preciso explorar e aprender a usar os recursos da câmera, testando, acertando e errando algumas vezes. Penso que vale a pena investir tempo nesse aprendizado!
No modo manual, o fotógrafo analisa as condições do ambiente, a luminosidade, a movimentação do que está sendo fotografado... seu objetivo com aquela foto!
Ao utilizar velocidade mais baixa (maior tempo de exposição), é possível criar belos efeitos como aqueles presentes em fotos noturnas nas quais as luzes dos veículos formam faixas coloridas.
Por outro lado, ao usar velocidades mais altas (menor tempo de exposição) é possível congelar o movimento de algo que está se movendo rapidamente.
Usando aberturas maiores na lente, que permitem a entrada de maior quantidade de luz na câmera, é possível destacar o objeto fotografado enquanto o segundo plano fica desfocado. Gosto de utilizar esse recurso!
Já ao utilizar aberturas menores, que permitem a entrada de menor quantidade de luz, consegue-se o foco em maiores profundidades da imagem. Nesse caso a fotografia toda fica nítida.
As fotos abaixo são exemplos de diferentes regulagens da câmera. Clique nas imagens para ver as configurações usadas em cada uma (EXIF). Na legenda são indicados o tempo de exposição (velocidade do obturador) e a abertura utilizados para obter os resultados desejados.

Foto noturna da Avenida Vereador José Diniz / Exemplo de longa exposição / Tempo de exposição - 60s / Abertura - F22
Foto de uma gaivota voando / Exemplo de curtíssima exposição / Tempo de exposição - 1/800s / Abertura - F6.4
Foto de flor de Papoula / Exemplo de grande abertura e pequena profundidade de campo / Tempo de exposição - 1/100s / Abertura - F3.2
Foto de Urubu-rei / Exemplo de fotometria no animal, que deixa o fundo escuro / Tempo de exposição - 1/100s / Abertura - F5.6

A abertura da lente e a velocidade do obturador trabalham juntos para controlar a entrada de luz. A abertura representa a área da entrada e a velocidade do obturador representa o tempo em que o sensor da câmera, ou o filme, recebe a luz. A velocidade do obturador também é chamada de tempo de exposição.
É preciso encontrar o equilíbrio entre esses dois parâmetros para que a foto tenha a luminosidade desejada. Pouca luz resulta em fotos escuras e muita luz resulta em fotos “estouradas”. Nos dois casos ocorre perda de informações que poderiam aparecer na imagem.
A medição da quantidade de luz é chamada de fotometria. A câmera possui um instrumento que realiza essa medida, o fotômetro.
No modo automático essa informação é usada para definir a abertura e velocidade sem que o fotógrafo se preocupe com isso. No modo manual, o fotógrafo utiliza essa informação para escolher a abertura e velocidade segundo o resultado desejado na foto.
Algumas vezes o modo automático toma decisões que comprometem a qualidade da foto, pois, ao escolher valores médios para as configurações, o resultado pode ser imagens também “medianas”.
Gosto de fotos em que o tema está bastante iluminado, enquanto o seu redor está sombreado. Ao medir a luz no objeto em questão, escolhendo uma grande abertura e alta velocidade (baixo tempo de exposição), consigo fotos que parecem feitas em estúdio, pois o fundo fica desfocado e escuro.

Experimente para aprender

Confesso que ao comprar a primeira câmera logo a coloquei no modo automático e assim ficou por dois anos!
A mudança para o modo manual ocorreu apenas quando já estava bastante insatisfeito com os resultados. Ao realizar passeios fotográficos com os amigos mais experientes, as fotos deles eram muito mais bonitas que as minhas!
No início errei bastante, mas logo peguei o jeito e hoje raramente uso o modo automático.
E você? Como faz suas fotos? Que tal ousar e experimentar regulagens diferentes?
Pegue sua câmera e vá fotografar! Utilize uma velocidade suficiente para que a imagem não fique tremida e varie as aberturas. Verifique o resultado, analise e faça outros testes.
Encontre o tipo de fotos que você gosta! Encontre o seu estilo!
Um grande abraço.
Carlos Eduardo Godoy.
www.cecgodoy.pro.br
www.twitter.com/cecgodoy
www.flickr.com/cecgodoy

  
  

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Joel

Joel

26/08/2010 00:18:45
Olá, Godoy
Sou um apreciador de fotografia e estou "dando a cara a tapa" para aprender comprei uma Canon SX20 quem tem um bom zoom porém não troca as lentes mas no modo automático tira ótimas fotos, estou estudando a câmera para deixar o automático de lado, me inspiro em suas fotos. Gosto muito de suas dicas, você as escreve como se estive conversando com o leitor. Parabéns.

Carlos Eduardo Godoy

Carlos Eduardo Godoy

Oi Joel. Boa noite! Muito obrigado pela visita e comentários! Comecei com uma Canon S5IS, semelhante à sua. Aprendi muito com ela, mas apenas depois que deixei o automático de lado. Tenho certeza de que você logo estará dominando o modo manual. Abraços e boas fotos. Carlos Eduardo.
Marcos Castro

Marcos Castro

18/08/2010 13:50:21
Godoy,
Sensacional a foto da fumaça de incenso... Eu nunca ousei sair do modo automático da câmera, mas vou tentar! Parabéns pelo texto, e pelas fotos!

Carlos Eduardo Godoy

Carlos Eduardo Godoy

Oi Marcos. Muito obrigado pela visita e comentários! Sair do automático é o caminho para fazer fotos diferentes, como essa do incenso. Abraços. Godoy.