Atravessando o Saara!

Estávamos preparados e a adrenalina estava a mil, afinal de contas estávamos prestes a passar 3 dias no meio das dunas do Saara.

  
  

Nossa equipe estava formada: “Grace e Rob no Baloo”; “Rob e Natascha em sua Land Rover” e o “Herbert em sua Mercedes 190”. Estávamos preparados e a adrenalina estava a mil, afinal de contas estávamos prestes a passar 3 dias no meio das dunas do Saara.

Preparados para a aventura!

Encontramos com o Herbert em um posto, que havíamos combinado, a uns 80kms da fronteira. Comemos alguma coisa, abastecemos o tanque e nossos galões extras e trocamos nossos últimos Dirhams, antes de seguirmos rumo ao sul em direção ao tão esperado deserto!

No lado Marroquino, tudo ocorreu tranquilamente e em poucos minutos estávamos liberados, com passaportes carimbados, a caminho da fronteira da Mauritânia. Atravessamos a “terra de ninguém” com cautela, pois ainda existem minas espalhadas, que foram utilizadas na Guerra do Polisário a anos atrás. Este é provavelmente um dos trechos mais importantes do caminho, pois se você seguir a trilha errada . . .

A Grace não resistiu e subiu!

Após contornarmos algumas dunas e desatolarmos a Mercedes de um areião, chegamos à fronteira da Mauritânia, que era extremamente simples. Tentamos tirar uma foto, mas o policial ficou nervoso e não deixou, e depois teve a cara de pau de pedir um “cadeau” (presente)! Enfim, quando acabamos de fazer toda a burocracia e estávamos com a papelada toda em ordem, já estava escurecendo então resolvemos passar a noite ali mesmo, ao lado das guaritas.

Acordamos cedo e após um chá com biscoitos arrumamos tudo e partimos pelas “trilhas”. O fato de sabermos que estávamos dirigindo no meio do Deserto do Saara criava uma sensação única, e apesar de sabermos que ainda tinha muito caminho pela frente e que muita coisa poderia acontecer, estávamos felizes da vida e muito empolgados!

Seguimos o Herbert, sempre tentando verificar os pontos no GPS, e atravessamos muita areia, em “trilhas” quase inexistentes.

Cruzamos o trilho do trem, perto de um “vilarejo”, (algumas casas de barro, no meio do deserto, com alguns camelos ao redor) e depois resolvemos parar aos pés de umas dunas, e comermos algo.

Nós, uma fogueira e o Deserto

Não resistimos e subimos ao topo, apreciamos a imponência do Saara, e depois descemos rolando e TUDO ficou cheio de areia, incluindo nossos bolsos, orelhas, sapatos etc. Mas tudo isso não importava, pois nos divertimos muito e demos muita risada!

A estas alturas estávamos seguindo apenas os pontos no GPS e as marcações dos pneus do carro da frente. Às vezes parávamos para ver o caminho por onde havíamos passado e parecia inacreditável . . . e nessas horas éramos recordados que estávamos no meio do deserto, sem sinal de vida muito próximo, com quilômetros e quilômetros de areia para todos os lados.

Mesmo o Herbert, que já havia feito a travessia várias vezes, ocasionalmente se perdia, e tínhamos que dar meia volta e procurar o caminho certo. Em uma dessas vezes, a Mercedes ficou atolada em outro areião e tivemos que rebocá-la, pois apenas empurrando não estava dando. Foi uma tarefa fácil e com uma equipe legal e com alto astral, em pouco tempo estávamos no caminho certo novamente, procurando um lugar para passarmos a noite, pois estávamos cansados e já estava começando a escurecer.

Dessa vez o Baloo não escapou e atolou!

Achamos um “campsite” incrível, ao lado de duas dunas, com nada ao redor. Tentamos estacionar os carros de uma forma que bloqueasse o vento, para termos um canto legal para ficarmos, sem muita areia nos olhos . . . não foi totalmente eficaz mas valeu a tentativa! Comemos macarrão com atum (com direito a uma saladinha e até vinho tinto), ao lado de uma fogueira (alguém tinha pensando antes e havia trazido um pouco de madeira no carro), com um céu lindo, estrelado! Algo ESPECIAL! Curtimos o momento e fomos dormir satisfeitos.

Até agora as Land Rovers tinham mostrado sua capacidade e não tinham tido problemas em atravessar as dunas. Porém no dia seguinte, enfrentamos uma “sessão de atolagem”! Estávamos percorrendo a trilha próximo da praia, quando de repente nos deparamos com um terreno de areia fofa e molhada . . . e antes que desse tempo de chegar à terra firme, as duas Land Rovers (com seus pesos monstruosos) estavam paradas - atoladas! Por incrível que pareça a Mercedes tinha patinado pela superfície (sendo bem mais leve) e conseguido chegar a um solo mais estável.

Parque Nacional “Banc d’Arguin”

Pás, “hi-lift jacks”, “sand tracks” e máquinas fotográficas a mão, iniciamos a empreitada de desatolar o Baloo. Enquanto isso o Rob e a Natascha faziam o mesmo, um pouco mais atrás. Nós estávamos bem mais atolados que eles então uma vez que eles conseguiram sair, eles vieram nos ajudar também.

Cavamos um monte inutilmente, pois depois percebemos que a melhor maneira de sairmos dessa era usando o macaco para elevar o carro. Tendo feito isso preenchemos o espaço embaixo das rodas e então colocamos as placas para termos mais fricção na hora de sair.
Após tentar sair rapidamente, e chegar ao local onde os outros carros estavam esperando, aprendemos que tínhamos que ir com mais calma, pois estava sendo em vão. Tivemos que fazer uma espécie de “trilha” com as placas, e devagarzinho dirigir em cima de uma placa, e depois na outra, e assim por diante, até sentir que estávamos em terreno mais estável. Parece simples mas foi um processo um tanto quanto longo, porém divertido, (acreditem se quiser) e levou em torno de duas horas.

Enfim, asfalto!

O pior foi quando achamos que estávamos bem, e quando vimos, o Baloo estava preso de novo! Desta vez, não estávamos atolados profundamente e foi bem mais fácil de sair. O pior foi voltar até o “buracão” e carregar tudo de volta! Por um lado estávamos contentes, pois “faz parte” atolar enquanto se atravessa o deserto. Temos que dizer isso né! Confessamos que se atolássemos uma vez mais, no calor de 40°C que fazia, não seria tão divertido não! Mas, depois deste momento, não tivemos mais problemas, apesar do trajeto continuar sendo bem exigente e difícil, além de um pouco tenso em algumas circunstanciais.

Passamos pelo Parque Nacional “Banc d’Arguin”, e após termos pagado nossa taxa de entrada, enfrentamos a famosa “travessia das dunas”. O Herbert foi na frente e dizia “Não poderei parar no meio, tenho que acelerar para não atolar, nos encontramos do outro lado.” Nós fazíamos o mesmo, torcendo para não ficarmos presos no meio do cruzamento. Encontrávamos do outro lado, nos juntávamos e partíamos para a próxima duna!

Todos nós atravessamos as dunas sem dificuldades e nosso próximo destino era “o asfalto”. Sabíamos que tinha uma estrada de asfalto em construção e que não estávamos muito longe dela, porém não tínhamos certeza onde ela estava! Seguimos em direção sudeste e torcíamos para que cruzássemos a tão esperada estrada. A estas alturas havíamos nos perdido do Herbert e não conseguíamos ver o Rob e a Natascha . . . estávamos um pouco preocupados, mas não podíamos parar!

Quando encontramos uma área de terra mais firme resolvemos parar e esperar o Rob e a Natascha. Esperamos por uma meia hora mais ou menos até que finalmente eles chegaram, ainda bem! Depois de conversarmos um pouco resolvemos seguir adiante e em menos de 10km (que não é tão pouco no meio de muita areia) avistamos o asfalto.

Em Nouakchott, com Griff e Lisa

Chegando lá comemoramos e olhando para trás, refletimos sobre o que havíamos acabado de conquistar! Estávamos eufóricos, e cansados também. Nos encontramos com o Herbert, calibramos os pneus e seguimos a caminho de Nouakchott.

Infelizmente, o tão esperado asfalto não durou muito e depois de uns 50 km estávamos de volta em estradas de terra, com muita “costela de vaca”! Chegamos em Nouakchott e fomos direto comer e beber alguma coisa. O Rob estava seco para tomar uma cerveja bem gelada, porém como a Mauritânia é uma República Islâmica, ele teve que se contentar com uma coca-cola. Depois fomos para o “Auberge Menata”, onde tomamos um bom banho e capotamos!

  
  

Publicado por em