Chutes de Guinea

Tivemos que enfrentar mais alguns trechos difíceis, mas resolvemos que devíamos persistir e conhecer as Chutes de Guinea!

  
  
Kayes

Chegando em Kayes, tivemos um pouco de “dor de cabeça” com alguns policiais, pois eles queriam que comprássemos o seguro obrigatório na agencia que eles haviam nos levado. Até ai tudo bem, porém o preço que eles estavam nos cotando era três vezes mais do que deveria ser! Falamos que iríamos procurar outras seguradoras e foi então que a coisa começou a “esquentar” e um dos policias disse que não poderíamos ir a lugar algum!

Resumindo: a situação ficou um pouco delicada (para não dizer ruim) e acabamos discutindo com ele até que ele se deu conta que não iria conseguir nenhuma propina nossa. O pior era que eles diziam “Não tem outra seguradora na cidade, vocês estarão perdendo seu tempo”. Ficamos bastante irritados com tudo isso, ainda mais tendo encontrado outra seguradora depois, que cobrou o preço correto e foi muito eficiente . . . que nervoso! Apenas um pequeno detalhe: tudo isso foi discutido em Francês . . . dá para imaginar?!

Não estávamos impressionados com Mali, e muito menos com a recepção da policia, mas estávamos contentes de termos concluído o percurso sem problemas e estarmos em um local com um pouco de civilização novamente. Passamos a noite em Kayes e na manhã seguinte iniciamos nossa jornada com destino as “Chutes de Guinea”, que nossos amigos (Griff e Lisa) haviam recomendado. A única coisa é que eles falaram que a trilha não era tão ruim . . .

Rio Senegal

Os primeiros quilômetros foram tranqüilos, em estrada de terra boa, acompanhando o Rio Senegal. Passamos por alguns trechos de areão e cruzamos apenas com alguns nativos da região andando pelos pastos, e o ocasional burrinho puxando sua charrete.

Era por volta das 4pm quando pegamos a trilha para Bafoulabé . . . e foi então que as coisas começaram a piorar. Tinham muitas rochas na trilha, que não era muito bem demarcada, além de haverem apenas pequenos vilarejos no caminho. Estávamos longe de qualquer contato, caso algo acontecesse! Começamos a questionar nossa decisão de termos vindo para cá sozinhos . . .

O fato de termos passado a bifurcação correta umas três vezes e já estar escurecendo nos preocupou um pouco, mas seguimos adiante até que finalmente encontramos o caminho certo. De acordo com o nosso GPS faltavam apenas 10km até as esperadas cataratas . . . mal sabíamos nós que chegaríamos até elas apenas no dia seguinte!

A trilha piorava a cada quilômetro, com trechos rochosos muito ruins, onde um de nós sempre tinha que descer do carro e guiar o outro que estava dirigindo, além de às vezes ter que remover algumas pedras. Quem disse que a trilha era tranqüila mesmo? Enfim, “quem sai na chuva é para se molhar”. Após termos cruzado alguns desses trechos e estarmos cada vez mais prontos para chegarmos, ouvimos um barulho estranho no carro.

“Chutes de Guinea”

Na hora, nem sabíamos o que pensar, pois nem queríamos imaginar como seria se fosse alguma coisa séria! Faltavam apenas 5km e foi muito tentador seguir adiante, porém já eram quase 6pm e estava escurecendo, e para ajudar havíamos acabado de chegar a mais um pedaço com muitas rochas e ligeiramente íngreme. Foi então que decidimos passar a noite ali mesmo. Estávamos cansados e um pouco tensos. Comemos alguma coisa e fomos dormir . . . resolveríamos o problema na manhã seguinte, descansados.

Nem precisamos dizer que não dormimos muito bem e por volta das 6am já estávamos embaixo do carro, com ferramentas para todo lado, tentando resolver o enigma. Por sorte descobrimos o problema e conseguimos concertá-lo. Nosso amortecedor havia perdido uma de suas borrachas e ruelas e estava batendo direto no metal, causando um barulho monstruoso, que para nós “leigos em pânico” parecia que o carro estava prestes a desmoronar. Ainda bem que foi apenas isso e que pudemos resolver o problema!

Com mais energia e entusiasmo, resolvemos que devíamos persistir e conhecer as “Chutes de Guinea”! Tivemos que enfrentar mais alguns trechos difíceis, mas chegamos inteiros e o Baloo estava pronto para um bom e merecido descanso. A primeira coisa que fizemos foi nos refrescar nas cataratas e tirar uma foto desta árdua conquista! O local era lindo e merecia uma estada de alguns dias, sem dúvida, e foi então que montamos acampamento, a uns 10 metros da água. Passamos três dias relaxando e curtindo o local . . . e quando ficava muito quente (fazia em torno de 40°C) bastava andar alguns metros e nos refrescar no rio.

Sabíamos que estávamos em um lugar inóspito, não só pelo caminho que havíamos percorrido, mas pelo simples fato de não termos visto ninguém durante nossa estadia. Foi apenas na última noite que chegou um casal Suíço, com uma Toyota Land Cruiser convertida, muito bem equipada.

O casal Suíço

Conversamos com eles e, para nossa sorte, eles já haviam estado nesta região há alguns anos atrás e conheciam a área. Explicamos para eles que estávamos pensando em retornar, para então percorrermos a outra estrada que teoricamente estava em melhor estado, e explicamos o que havia acontecido. Após muito papo, ele nos convenceu que seria melhor seguir adiante, ao invés de retornar, pois o trecho pior já tinha passado.

Pegamos algumas coordenadas de GPS com eles e fomos adiante, ainda um pouco tensos, porém com uma sensação de tranqüilidade pois se por acaso acontecesse alguma coisa, saberíamos que eles estariam vindo atrás dentro de alguns dias . . . he he he.

Eles estavam certos e o pior tinha ficado para trás mesmo e Bamako foi nossa próxima parada.

  
  

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