De Nouakchott a Kayes

Aproveitamos para descansar um pouco, conversar com outros viajantes e “recarregar nossas energias”, pois sabíamos que esta próxima etapa não seria fácil.

  
  

Passamos três dias em Nouakchott (no meio de uma tempestade de areia), onde conseguimos nosso visto para Mali e demos uma geral no carro, que estava lotado de areia! Aproveitamos para descansar um pouco, conversar com outros viajantes e “recarregar nossas energias”, pois sabíamos que esta próxima etapa não seria fácil.

Ao lado da Baobab

Em Nouakchott, conhecemos o Griff e a Lisa, que também estavam viajando de Land Rover e tinham vindo de Mali. Conversamos bastante e eles nos deram várias dicas e algumas coordenadas de GPS. Após avaliarmos nossas possibilidades e discutirmos o que seria melhor, decidimos fazer o caminho via Kiffa até Kayes, cruzando a fronteira em Hamoud/Aourou. Sabíamos que o trajeto seria feito todo em “trilha” e esperávamos levar em torno de 3 dias para chegarmos lá.

Todas as vias que cruzam da Mauritânia para Mali, são “trilhas” em condições precárias. Não existe uma estrada boa que vá de Nouakchott até Bamako (as duas capitais). Porém existe uma estrada nova muito boa, de asfalto, que vai de Nouakchott até Nema. Ouvimos dizer que eles estão com planos de dar continuidade a esta estrada fazendo com que ela vá até Bamako, mas ninguém sabe quando?

Prontos para a próxima fase . . . abastecemos e lá fomos nós! A primeira etapa até Kiffa foi tranqüila, pois pegamos à estrada nova de asfalto. Escolhemos um “campsite” na beira da estrada, ao lado de uma árvore Baobab, onde cozinhamos nosso jantar e apreciamos a lua que estava radiante!

Em Kiffa, fizemos nossa papelada burocrática e então seguimos adiante, de olho no GPS verificando sempre se estávamos indo na direção certa. No inicio a “trilha” estava bem demarcada e não tínhamos muitas dificuldades em segui-la. Estávamos cheios de energia e empolgados com mais esta aventura, porém às vezes um pouco tensos.

Seguindo a trilha

Nosso maior problema era quando chegávamos aos vilarejos e tínhamos que contorná-los, sem saber exatamente se devíamos seguir para a direita ou esquerda?! Inevitavelmente, acabávamos escolhendo o lado errado em algumas situações e depois de percorrermos alguns quilômetros, tínhamos que dar meia volta e tentar novamente.

Teve uma vez que foi particularmente ruim! Passamos o vilarejo e decidimos pegar a bifurcação para a esquerda, seguindo nosso GPS. Percorremos por uns 25kms, percebíamos que a estrada estava piorando, mas estávamos convencidos que era o caminho certo pois a flecha no nosso GPS estava 100% na direção em que estávamos indo. Esse é o problema com GPS – ele traça o percurso em “linha reta” para o local de destino, porém na “vida real” existem vales, rochas, montanhas etc., que é necessário contornar, para então chegar ao seu destino. Sabemos disso, mas no momento em que o GPS é o seu meio de orientação, você acaba esquecendo desses “míseros detalhes”!

Vilarejo típico da região

Nosso GPS estava marcando que faltava apenas 8km até nosso próximo destino. Visto que já havíamos percorrido 25, insistíamos em ir adiante, tendo que contornar rochas e passar dentre arbustos – que besteira! O pior foi quando, de repente, ouvimos um barulho muito esquisito no carro . . . na hora ficamos pasmos e pensamos “Só faltava essa agora!”. Graças a Deus, era apenas um galho que tinha ficado preso embaixo do carro. Depois dessa, resolvemos dar meia volta e fizemos um “back track”, seguindo exatamente o percurso que havíamos feito, para que não nos perdêssemos. Chegando no vilarejo, perguntamos qual era o caminho para Aourou, um rapaz entrou no carro e nos mostrou o caminho certo, e logo estávamos na “trilha” novamente. Agora sim, estávamos mais tranqüilos e prontos para acamparmos! Que susto!

O fato de não cruzarmos com nenhum outro carro durante todo o percurso, e de sabermos que estávamos “no meio do nada” sozinhos, nos deixava um pouco apreensivos, porém, o restante da travessia foi tranqüila com apenas alguns rios para cruzarmos. Felizmente eles estavam secos, pois se estivessem cheios seriam bem difíceis de atravessar. Passamos por diversos vilarejos (com suas típicas casinhas de barro e telhado de sape), vimos muito gado e bodes pelo caminho, e também alguns camelos. Esta região do “Sahel” (que divide a savana do deserto) é muito quente e seca, com muita areia e pouca vegetação, mas pelo menos tem algumas árvores e o clássico arbusto.

Atravessando um rio...seco!

Tendo chegado em Aourou (o primeiro povoado oficialmente em Mali) falamos com a policia, que anotou todos nossos dados, e seguimos a caminho de Kayes, ainda em “trilhas”. Não víamos a hora de chegarmos a um pouco de civilização e comer um bom “bife com batata frita”!

  
  

Publicado por em