Descobrindo a Índia

Após termos passado em torno de 10 meses viajando pela África, chegar à Índia foi um choque cultural, porém muito interessante e completamente diferente.

  
  

Após termos passado em torno de 10 meses viajando pela África, chegar à Índia foi um choque cultural, porém muito interessante e completamente diferente. Desde o início quando pousamos em Mumbai às duas da manhã, ficamos abismados com a quantidade de pessoas presente.

Gateway of India

Depois vimos que não foi só no aeroporto, a cidade toda estava super ativa, um contraste incrível dos países Africanos, especialmente neste horário! Desde então nos demos conta, fisicamente, de que a Índia é mesmo um país com uma população altíssima, não importando o local ou horário!

Bom, chegamos a Mumbai no dia 4 de Novembro, com expectativas de pegar nosso carro no dia 8, conforme o previsto. Foi então que estourou a bomba e ao entrarmos em contato com o pessoal da P&O tivemos a "grande" noticia de que nosso carro não estava lá! Como assim? Por quê? O que aconteceu? Estávamos furiosos com a noticia!

Para encurtar a historia, o porto estava com problemas de sobrecarga e não tinha espaço suficiente para descarregar todos os containers do navio para o dock. Sendo assim, 200 containers (um deles o nosso!) ficaram no navio, o qual seguiu seu trajeto . . . para o Oriente Médio! Pensando de forma irônica, nós havíamos resolvido evitar o Oriente Médio devido a toda a situação por lá, mas parece que o Baloo não teve escolha e acabou visitando a região mesmo assim!

Hotel Taj Mahal

Tentando manter a calma e pensar positivo tentávamos ver esse lado da historia, mas a realidade foi que ficamos "presos" em Mumbai, sem nosso carro nem nossas coisas (afinal de conta vivemos ao redor do carro - é nossa casa!) por um período de um mês!

Sem noção! E para piorar ainda mais a situação, uma empresa multinacional como a P&O, que por incrível que pareça diz "considerar o cliente em primeiro lugar", não mexeu um pauzinho se quer para nos ajudar e melhorar nossa situação, pelo contrario, conseguiu piorar ainda mais as coisas com sua ineficiência, mau serviço e péssima ética profissional.

Ficamos realmente chocados com a maneira em que fomos tratados e não recomendaríamos P&O Índia para ninguém! Enquanto esperávamos a volta do carro, conhecemos bem Mumbai, comemos vários currys e percorremos a região de Colaba (onde estávamos ficando) dos pés a cabeça. Visitamos a "Gateway of India", o famoso hotel "Taj Mahal" e o museu "Prince of Wales" dentre outras coisas. E aguardamos pacientemente . . . Foi então que conhecemos o Apurva e a Romasha, através de outros amigos nossos.

Eles nos ajudaram bastante e depois que finalmente (foi mesmo uma ladainha e mais uma vez uma atitude chocante por parte da P&O) conseguimos sair do porto com nosso carro, acabamos passando mais alguns dias em Mumbai, na casa do Apurva e sua familia. Nos divertimos bastante, conhecemos muita gente, e aprendermos um pouco mais sobre a cultura Indiana e seus costumes. Muito obrigado por tudo Lali, Apurva e Romasha.

Museu Prince of Wales

Estávamos fascinados e chocados ao mesmo tempo com a Índia e toda sua cultura, mas estávamos empolgados, cheios de energia, prontos para explorar o país. Nos despedimos dos nossos novos amigos e seguimos rumo ao Norte . . . cheios de expectativas.

Nosso primeiro destino foi o Parque Nacional Sasan Gir, onde vivem os últimos leões asiáticos! Após termos passado algumas noites a caminho, chegamos à cidade de Sasan Gir e lá investigamos a respeito do parque, alem de conhecermos o impressionante "Centro de Visitantes", com uma exibição exemplar e muito interessante.

Com sorte, por ser temporada baixa, conseguimos acampar nos recintos de um "lodge" e de lá organizamos nossos safáris em busca de leões. Infelizmente eles não autorizavam que fossemos com nosso próprio veiculo então reservamos um dos jipinhos com motorista e guia (conforme necessário) e no dia seguinte saímos cedinho para explorar a reserva.

Tivemos muita sorte e vimos três leoas caçando . . . e após a revira-volta vimos uma das leoas com um veadinho na boca, carregando-o para um lugar mais seguro e sossegado! Na verdade este safári não foi um dos mais tranqüilos e serenos, pois havia umas dez pessoas no local (mais os guias e motoristas), todos falando para sairmos do carro e seguirmos as leoas a pé.

Típicos indianos

Apesar de sabermos que não era o correto e muito menos o ideal, ninguém resistiu e em poucos minutos estávamos todos a pé, afastados do carro, seguindo os animais. Foi incrível, mas ao mesmo tempo constrangedor, pois parecia que o pessoal não estava apreciando o momento.

Mas valeu, afinal de contas havíamos visto alguns dos últimos leões asiáticos existentes . . . e de muito perto, talvez até mais do que gostaríamos ou deveríamos! De volta no nosso acampamento, não houve um só momento pacato, pois a atenção que nós e o carro causávamos era inevitável.

Tentávamos fazer nossas coisas e organizar tudo sem interrupções, mas isso era impossível. Se não eram os funcionários do hotel, eram seus amigos ou os amigos dos amigos e assim por diante. Por um lado ficávamos contentes e empolgados com o interesse do pessoal, mas por outro lado apreciaríamos um pouco mais de privacidade.

Mais uma vez, nos demos conta que se aqui em Sasan Gir, no meio do nada, havia muita gente, imaginávamos como seria em lugares super turísticos? Enfim, passamos três noites curtindo o local e colocando tudo em ordem, antes de deixarmos Gujarat e seguirmos rumo a Rajasthan.

Parque Nacional Sasan Gir

Nossa primeira parada em Rajasthan foi Udaipur, onde após termos nos metido no meio da cidade com suas ruas estreitas (o que não foi o ideal), e termos visto alguns hoteizinhos por lá, acabamos ficando em um outro lugar perto da Lagoa "Fateh Sagar", onde havia um "estacionamento" seguro para o carro. Acabou sendo um hotel muito gostoso com uma vista bem legal, por um preço razoável, um pouco mais do que estimávamos pagar.

Por estarmos na "temporada alta de casamentos", Udaipur estava lotado e comemorações estavam acontecendo por toda parte. Passeatas, bandas, elefantes, música, flores . . . um pouco de tudo! A vista do terraço do nosso hotel dava para um terreno aberto onde ocorriam casórios, e todas as noites tinha um casamento acontecendo, e nós estávamos com a vista de "camarote"!

Foi super interessante, pois vimos várias tradições diferentes, dependendo da região de onde cada casal vinha. Por exemplo, a tradição de um casamento entre pessoas de Rajasthan é bem distinta; o noivo chega montado em um cavalo, todo vestido de branco, rodeado de outras pessoas tendo feito uma cavalgada pela cidade. A noiva chega com sua familia, antes do noivo, também rodeada de familiares e então espera horas até o noivo chegar.

Em busca de animais selvagens

Em outra região, a noiva é quem tem uma chegada triunfante, sendo carregada e rodeada por familiares e amigos, após ter marchado pela cidade. Apesar das diferenças, algumas coisas são iguais; sempre tem um monte de gente, muita comida, música, cores e presentes.

Enquanto todos os convidados estão se divertindo, os noivos têm que ficar um tempão realizando as diversas cerimônias tradicionais e depois ficam em uma espécie de altar cumprimentando todos os convidados.

A cerimônia toda é bastante longa e animada, e para nós foi muito legal poder presenciar (mesmo que de longe e de um terraço) toda essa tradição e cultura. Udaipur é conhecido por suas artes, pinturas e artesanato e é um lugar bem turístico, repleto de lojinhas. Passeamos bastante pelas ruelas de Udaipur, visitamos alguns ateliês e vimos vários artesãos trabalhando, e no final não resistimos e acabamos comprando alguns "souvenirs".

Em Udaipur

Em Udaipur também tem vários palácios e templos, o "Lake Palace" sendo o mais famoso, situado no meio da Lagoa Pichola. Infelizmente, a lagoa estava bem vazia (quase seca) então um pouco da magia deste lugar (que por sinal chamam de "Veneza do Oriente") havia desaparecido, mas mesmo assim gostamos bastante de Udaipur.

Em Udaipur também tem vários palácios e templos, o "Lake Palace" sendo o mais famoso, situado no meio da Lagoa Pichola. Infelizmente, a lagoa estava bem vazia (quase seca) então um pouco da magia deste lugar (que por sinal chamam de "Veneza do Oriente") havia desaparecido, mas mesmo assim gostamos bastante de Udaipur.

Seguimos a caminho de Jodhpur, mas paramos antes em Ranakpur para conhecermos o "Templo Chaumukha" situado na Serra Aravalli. É um templo "Jane" que foi construído em 1439 (porem tinha acabado de ser restaurado e estava intacto, parecendo novo) com uma estrutura de 1444 pilares.

Lake Palace

É um lugar extraordinariamente pacífico e muito impressionante com um trabalho e entalhe incrível feito no mármore. Chegando a Jodhpur (a "Cidade Azul") encontramos um lugar fora da cidade antiga, onde pudemos estacionar o carro seguramente. No dia seguinte pegamos um "tuc-tuc" até a cidade e perambulamos pelas ruas.

Inicialmente ficamos muito chocados e desapontados com a sujeira em Jodhpur, pois literalmente tinha gente sentando ao lado de merda de vaca, mas a beleza do "Forte Meherangarh" continua nos chamando a atenção e abafando tudo isso.

A "Cidade Azul" vista lá de cima é incrível, e o "tour" pelo forte todo foi demais - adoramos o forte! No final do dia, fomos comer algo em um dos milhares de restaurantes "rooftop" onde curtimos o pôr-do-sol. Experimentamos o "thali", que consiste em um "bandejão" com um pouquinho de tudo: arroz, dhal, aloo ghobi, sopa, chapati e um doce para terminar.

A Cidade Azul

Teoricamente, você pode ir pedindo mais de qualquer coisa que quiser, até dizer chega, mas percebemos que eles não oferecem essa opção para os turistas. Enfim, foi uma experiência legal e até comemos "thali" em outras ocasiões. Depois de Jodhpur, seguimos para Jaipur (a "Cidade Rosa", se bem que é mais salmão!) e vimos à famosa fachada do "Palace of the Winds". Visitamos também o "City Palace" onde nos deparamos pela primeira vez com os "snake charmers".

Além disso, andar pela cidade foi uma aventura por si só, com milhares de coisas acontecendo ao seu redor: vendedores te seguindo, carros por todo lado, lojinhas com tudo pendurado e cores exuberantes, uma barulheira só, o lixo espalhado, a arquitetura fascinante, os "tuc-tucs" e por ai vai . . . De lá seguimos para o Parque Nacional Ranthambore, nossa próxima e última parada em Rajasthan, onde iniciamos nossa busca pelos belos tigres asiáticos. Depois de termos visitado três cidades bem turísticas na Índia, precisávamos mesmo de um pouco de natureza. Infelizmente a única maneira de visitar o parque é através do meio de transporte deles: "canter" (uma espécie de ônibus) ou "gypsy" (um jipinho).

Tendo dito isso, descobrimos que é quase impossível conseguir um "gypsy", pois todos estão pré-alugados por agências de turismo (uma máfia só), ou seja, a opção mais viável era mesmo o "canter", e lá fomos nós. Adoramos o parque e acabamos ficando na região por três noites e fizemos três safáris, mas infelizmente não vimos tigres, embora outras pessoas tiveram a sorte em outros safáris. Continuaremos a busca . . . Estava na hora de conhecermos o grande marco da Índia: o "Taj Mahal".

  
  

Publicado por em

Sara Ferreira

Sara Ferreira

27/09/2009 11:31:45
Olá eu sou a Sara Ferreira. Gostaria de saber quanto mais ou menos eu poderia gastar para ir á Ìndia ao Taj Mahal, em almoçar e jantares nessa zona durante uma semana. (em é claro)

Grace Downey e Robert Ager

Grace Downey e Robert Ager

Olá Sara, Depende muito do estilo de viagem que você fizer. Na Índia você pode gastar uma fortuna, mas também pode gastar quase nada, tem para todos os bolsos. Boa sorte! Beijos e Abraços, Grace e Robert
Rosangela Castro

Rosangela Castro

05/05/2009 11:15:48
oi pessoal tb??? eu gostei muito de suas viagens...tenho algumas perguntas...Como vcs. fazem para patrocinar tantas oportunidades de viagens?? como vcs. começaram? vcs ganham salário para as viagens?oou são vcs. que pagam tudo sozinhos??? e sobre a viagem á India sobre o Taj Mahal... vcs entraram dentro dele? poderam tirar foto? ele é bonito por dentro como é por fora?, desculpe tantas perguntas é que sou muito curiosa e gostaria de conhecer alguns lugares do mundo mas não tenho condições...mas isso não me empede em nada de conhece-lo atravez de vcs. pela internet, né...gostaria muito de matar estas curiosidades
um beijão pra vcs e até a próxima

Grace Downey e Robert Ager

Grace Downey e Robert Ager

Ola Rosangela, Obrigada pela mensagem. Ficamos contentes que voce esteja viajando conosco atraves do site. Nao sei se sabe, mas lancamos tambem um livro que tem bastante informacao e muitas fotos, inclusive do Taj Mahal! = ) Dentro do Taj Mahal e bonito sim, mas infelizmente nao se pode tirar fotos. E por fota, nem se fala . . . como sempre se ve nas fotos, o lugar e maravilhoso. Boa Sorte com suas Aventuras. Beijos e Abracos, Grace e Robert