Djenné e o País Dogon

Seguimos rumo à Mopti para conhecermos o País Dogon e toda sua cultura e tradição

  
  

Deixamos Bamako e seguimos rumo à Mopti para conhecermos o “País Dogon” e toda sua cultura e tradições, que havíamos lido e ouvido muito a respeito. As expectativas eram grandes e já tinham nos alertado quanto aos “preços para turistas” então estávamos preparados.

Maior mesquita de barro do mundo

Resolvemos parar em Djenné para conhecermos a famosa mesquita de lá. É a maior mesquita de barro do mundo e é mesmo algo impressionante, mas infelizmente não se pode visitá-la por dentro. Atravessamos a balsa e chegamos na grande praça e logo avistamos a mesquita. Em pouquíssimo tempo já estávamos rodeados por pessoas querendo nos oferecer tours pela cidade e seus serviços de guia. Conversamos um pouco com o pessoal e depois seguimos sozinhos para percorrermos a cidade, que é muito pequena.

Nossa próxima parada foi Sevaré, o ponto de partida para conhecer o “País Dogon”. Pesquisamos bastante, pois é necessário ter um guia com você para conhecer os diversos vilarejos, pelo menos era isso que haviam nos dito. Depois percebemos que você pode fazer todo o trajeto independente, de carro ou a pé!

Vista de Djiguibombo

Enfim, depois de conversarmos com algumas pessoas (infelizmente mais uma vez, todas elas tentando ganhar dinheiro de nós) resolvemos seguir sozinhos até Djiguibombo (um dos vilarejos Dogon, no caminho para Burkina Faso) e de lá organizaríamos um guia local. Tomamos essa decisão pois achamos que seria mais legal conhecer o “País Dogon” com um guia local, além de pensarmos que seria mais barato também. Grande ilusão!

Infelizmente nossa experiência com nosso guia não foi nada agradável e ficamos mais irritados ainda com Mali e a atitude das pessoas perante os turistas.

Apesar da indignação não deixamos de fazer o passeio e conhecemos alguns vilarejos Dogon, dentre eles Djiguibombo, Kani-Kambulé, Telí e Endé. Chegamos de carro em Djiguibombo onde organizamos nosso passeio e combinamos tudo com nosso guia. Dormimos lá e na manhã seguinte partimos com o plano de passar uma noite em Endé, mas acabamos voltando no mesmo dia.

Caminhamos pela Falésia de Bandiagara, que é muito bonita, até chegarmos a Kani-Kambulé onde conhecemos o chefe do vilarejo, vimos a mesquita e seguimos rumo a Telí. Estava bem quente e devia estar em torno de 35°C, mas pelo menos a caminhada foi tranqüila, sem muitas subidas/descidas! Enchíamos nossas garrafas de água no poço de cada vilarejo e em poucos minutos já estava quente devido ao calor que fazia. Chegando em Telí fomos conhecer as “casinhas Dogon” que ficam na falésia propriamente . . .

Vista de Teli

Diz a lenda, que o povo nativo desta região habitava na própria falésia para se proteger de chuvas, visto que suas casas são feitas de barro, e por motivos de segurança também. Porém, com o tempo eles perceberam que a vida era muito difícil, pois tinham que carregar toda a água e mantimentos lá para cima diariamente.

Hoje eles moram na base da falésia, porém seguem com seu folclore tradicional. Todos os mantimentos são armazenados dentro de uma “despensa Dogon” que é dividida em quatro partes, contendo diversos legumes. O milho é armazenado em uma “despensa” separada e é considerada a “despensa masculina”, pois os homens cuidam do milho e as mulheres são encarregadas dos legumes. Vimos também vários “Togu-na” que são “casinhas” onde os chefes e as pessoas mais importantes do vilarejo, se reúnem para discutirem assuntos cautelosos que precisam ser resolvidos.

Sem dúvida nenhuma a vida que eles levam é muito simples e dura, e é admirável pensar como esse povo vivia antigamente, quando não havia nem mesmo poços de água e o transporte era quase que inexistente. O “País Dogon” é um grande marco turístico e tem muitas ONGs desenvolvendo projetos para ajudar esta parte do mundo.

Crianças em Endé

Infelizmente ainda tem muito a ser feito e questionamos se o apoio está chegando no lugar certo ou não? É uma pena pois a impressão que tivemos é que nós turistas somos vistos como uma cifra, uma maneira de ganhar dinheiro fácil, e isso parece que tem se desenvolvido muito rápido e pelo caminho errado.

Todas as pessoas com quem cruzávamos no nosso trajeto estendiam a mão e falavam “Ça-va bom-bom/cadeau/stylo . . .” e vinham correndo atrás de nós pedindo dinheiro ou presentes. É claro que gostaríamos de poder ajudar, mas acreditamos que isso só estará incentivando as pessoas a mendigar ao invés de fazer alguma coisa! É um tema bastante delicado e difícil de solucionar, e com certeza cada um tem sua opinião a respeito . . .

Enfim, apesar de termos ficado decepcionados com nossa visita pelo “País Dogon” foi muito interessante ver como eles viviam e conhecer um pouco mais dessa cultura tão distinta. O que mais nos tocou e fez desta visita uma experiência especial foi quando um menino nos acompanhou em Endé, enquanto fazíamos o “tour” pelo vilarejo, e sempre com um sorriso no rosto nos olhava.

Togu-na

Conversamos um pouco com ele e tiramos algumas fotos, mas o que nos deslumbrou mais foi quando ele chegou até nós, quando estávamos de partida, e nos deu um presente. Estávamos tão acostumados às pessoas pedirem presentes que ficamos super emocionados e como não tínhamos nada conosco, nem pudemos retribuir este gesto, mas o Amadou deixou sua marca e sempre que pensarmos no “País Dogon” lembraremos dele com muito carinho!

  
  

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