O caminho até Bamako

Durante nossa procura para a estrada rumo a Bamako, ainda em Kita, um cara bateu no carro e falou “Vocês são turistas?

  
  
Atravessando o rio pelos trilhos para chegar em Mahina

Seguimos a caminho de Bafoulabé, percorrendo estradas de terra em estado razoável, com alguns pedaços piores que outros. Não havia muito movimento nas estradas e passamos apenas por alguns vilarejos, de onde de repente crianças apareciam e estendiam as mãos pedindo “cadeaux” (presentes). É uma situação difícil, pois é claro que queríamos poder ajudar, mas achamos que dando “cadeaux” não resolverá o problema. Às vezes parávamos e conversávamos com algumas crianças, mas antes mesmo de nos darmos conta surgiam milhares de outras crianças que rodeavam o carro, tornando nossa partida muito difícil. Em alguns vilarejos as crianças eram agressivas e tentavam se pendurar no carro, além de pedirem alguma coisa.

As condições destes vilarejos são muito precárias e você se depara com lixo por toda parte; crianças andando nuas; água é adquirida de poços ou bombas manuais; casas são de barro e a única coisa à venda era carvão e madeira. . . Mesmo com tudo isso o mais incrível é ver a felicidade de algumas pessoas quando elas recebem um simples aceno, e de cara vemos o sorriso em seus rostos. Sem dúvida nenhuma esse trajeto todo fez com que refletíssemos muito e pensássemos em maneiras de poder ajudar esse povo, que realmente vive uma vida muito simples.

Acampando em Kiffa

Chegamos em Mahina, uma pequena cidade ao lado de Bafoulabé, e aproveitamos para comprar pão para fazermos sanduíches, pois estávamos com muita fome. Haviam nos dito que poderíamos atravessar o Rio Senegal pela ponte do trilho de trem e devíamos apenas verificar se não estava vindo trem naquele momento.

Infelizmente, mais uma vez em Mali, havia pessoas tentando tirar dinheiro de nós a todo custo, e em pouco tempo já estávamos rodeados de gente para nos cobrar e intimidar. Acabamos pagando uma taxa simbólica para cruzarmos a ponte, mas pelo menos assim sabíamos que estávamos no caminho certo. Confessamos que foi uma sensação estranha atravessar uma ponte com uma roda no meio dos trilhos do trem e a outra do outro lado. Não perdemos tempo atravessando esta ponte!

'Costela de Vaca'

Depois de Mahina a estrada ficou enorme e bem demarcada, porém com muita “costela de vaca”. Tivemos que verificar nosso amortecedor novamente (desta vez o do outro lado) e trocamos a borracha e ruela também. Resolvemos dirigir até Kita para passarmos a noite, pois no nosso livro guia dizia que era um lugar legal para passar a noite . . . grande equívoco!

Chegamos em Kita por volta das 10pm e já estava escuro. Encontramos um dos dois lugares recomendados e depois de termos visto os quartos optamos por acampar na nossa barraca, no estacionamento, assim vocês podem ter uma idéia de como era o lugar! Estávamos morrendo de fome então fomos comer alguma coisa . . . nem vale a pena descrever o local, mas apenas diremos que o fato do lugar estar bem escuro e de não conseguir ver muito bem o que estávamos comendo era uma “grande vantagem”.

O pior ainda estava por vir quando voltamos ao “Raleais Turistique” e estava tendo a maior festa (com caixas de som estouradas) e a cada minuto o local parecia mais um bordel do que qualquer outra coisa . . . A gota d’água foi quando estávamos estacionando o carro para podermos abrir a barraca e de repente saiu uma ratazana enorme de trás de uma mureta . . . entramos no carro e fomos embora, mesmo sendo por volta das 11pm, lá nós não ficaríamos!

Feliz Aniversário, Grace!

Durante nossa procura para a estrada rumo a Bamako, ainda em Kita, um cara bateu no carro e falou “Vocês são turistas? Estão procurando um lugar para ficar?”. Resolvemos dar uma chance e verificar o “Camping Administratif”, de onde o rapaz havia vindo. A estas alturas do campeonato, concordamos que este local estava ótimo e resolvemos ficar por lá mesmo. Pelo menos estava mais silencioso e não tinha ratos andando pelo terreno!

Partimos cedo no dia seguinte e eventualmente chegamos à Bamako, onde nossa busca de lugares para ficar começou. Vimos alguns campings e hotéis e acabamos ficando em um hotelzinho para descansarmos. Durante nossa estadia em Bamako re-estocamos nossa despensa, pegamos nossos vistos para Burkina Faso e comemoramos o aniversário da Grace.

Ah! Em Bamako, fomos parados pela policia, e novamente eles tentaram nos intimidar e dizer que havíamos cometido uma infração e que devíamos pagar uma multa . . . Como não havíamos feito nada de errado, ficamos discutindo com o policial por uma boa meia-hora, até que ele desistiu e até falou dando risada “Vocês não são meus amigos. Vocês não querem me dar um presente.” Arghh!

  
  

Publicado por em