O passeio de makoro e as visitas ao Moremi e Chobe, em Botsuana

Logo que cruzamos a fronteira, iniciamos a procura por um lugar para passarmos alguns dias, onde conseguiríamos fazer nosso tão esperado passeio de “makoro”.

  
  

Logo que cruzamos a fronteira, iniciamos a procura por um lugar para passarmos alguns dias, onde poderíamos conhecer um pouco mais do delta e onde conseguiríamos fazer nosso tão esperado passeio de “makoro”.

Este é o makoro

Após verificarmos alguns lugares, acabamos optando pelo “Guma Lagoon Camp” situado na boca do delta, a 13 km da estrada, em uma estrada “off-road”. Passamos por diversos areões e alguns trechos de água, que nos deixou um pouco tensos, mas o Baloo se saiu bem e nós chegamos lá sem maiores problemas!

Conversando com o Gui (dono) acabamos resolvendo passar uma noite acampando em uma das ilhas no meio do delta, e então preparamos nossas coisas para partirmos no dia seguinte. Ás 8 da manhã saímos com dois guias delta adentro, empolgados e ansiosos, para conhecer nosso “campsite” e explorar a ilha e seus arredores.

Chegando na ilha, a primeira coisa que vimos foram rastros de elefantes (fezes e pegadas) para todo lado. E esse seria o lugar onde passaríamos a noite! Montamos nossas barracas e resolvemos explorar a ilha, enquanto nossos guias “tiraram uma soneca”. Logo encontramos mais sinais provando que elefantes definitivamente passavam por aqui, pois havia árvores caídas e fezes para todo lado . . . que por sinal resolvemos “investigar” e fotografar!

Guma Lagoon Camp

Passado uns 20 minutos, e já tendo visto vários rastros de diversas espécies, decidimos voltar, pois nossos guias haviam nos alertado para ficarmos por perto. Foi então que ficamos bem nervosos pois não conseguíamos encontrar o caminho de volta! Ahhh! Foi uma sensação muito estranha e ridícula ao mesmo tempo pois sabíamos que estávamos muito perto do campsite, mas não conseguíamos achar a trilha certa.

A última coisa que queríamos era dar de cara com um “elefantinho”, e apenas o pensamento que estes e outros animais selvagens poderiam estar em qualquer parte, nos deixou um pouco apreensivos. Paramos, nos acalmamos e após algumas tentativas mais, achamos o caminho certo. Ufa, mas que deu um medinho deu!

De tarde saímos de “makoro” pelo delta, até chegarmos em outra ilha onde atracamos e exploramos a pé. Infelizmente (ou felizmente) não nos deparamos com nenhum leão, elefante ou outro animal selvagem de grande porte, mas o simples fato de saber que eles estavam por ai, e vendo diversas carcaças e pegadas por toda parte, dava ao mínimo uma sensação desigual.

No final do dia, retornamos para nosso campsite e jantamos peixe na brasa. Depois ficamos conversando ao redor do fogo, nos entretendo com os diversos ruídos . . . Foi divertido, mas estávamos tão ansiosos que não queríamos ir dormir e mesmo depois que nossos guias foram dormir ficamos por lá mais um tempo, apenas curtindo o momento, e de certa forma a adrenalina.

Rumo à ilha

Ninguém saiu da barraca durante a noite, então não podemos confirmar 100% se tivemos visitas, mas havia novas pegadas na areia de manhã . . . Desmontamos as barracas, arrumamos tudo e partimos de “makoro” pelo delta, para conhecer mais uma ilha e outras regiões deste lugar tão sereno e distinto, antes de retornarmos ao “Guma Lagoon Camp”. Adoramos esta experiência e com certeza será uma que guardaremos por um bom tempo, pois foi sem duvida muito especial. Quem sabe um dia voltaremos aqui.

Todo mundo havia nos dito que em Botsuana era necessário reservar os campings nos Parques Nacionais, caso contrário não seria possível visitá-los. Sendo assim seguimos rumo à Maun, para tentarmos esquematizar os próximos dias, reservando campings dentro do Moremi e Chobe.

Após varias tentativas em vão, pois “estava tudo lotado”, resolvemos ir para o Parque Nacional Moremi de qualquer maneira e “choramingar” no portão de entrada. Surpreendentemente, quando chegamos no “South Gate” do “Parque Nacional Moremi”,. e perguntamos para o guarda-parque se havia lugar para acamparmos, ele simplesmente sorriu e disse:“Sem problemas, vou lhes mostrar o local onde vocês devem acampar.” Não estávamos acreditando, pois havia apenas três sites ocupados, o que para um parque que está “totalmente lotado” parecia estar “totalmente vazio”.

Tentando remar um makoro

Enfim, felizes com o resultado da nossa persistência e a sorte que tivemos, aproveitamos o restante da tarde e saímos para conhecer um pouco do Moremi. Fomos até o “Third Bridge” e depois voltamos, porém pegando vários “desvios”, pois mesmo com mapa e GPS a bordo, nos perdemos diversas vezes.

Não há sinalização nenhuma dentro do parque e existem muitas trilhas alem das marcadas no mapa. Além da perda de tempo e certo nervosismo, nos deparamos com alguns encontros inesperados com hippos. De qualquer maneira nos divertimos muito e nossa preocupação em retornar ao camping de noite foi à toa, pois não tinha ninguém lá quando chegamos.

Vimos muitos animais, porém lembraremos desse dia como o “festival das chitas” (como diria o Cláudio), pois vimos cinco chitas em um dia. Incrível!

No Parque Nacional Moremi

Ambos os parques Moremi e Chobe não tem cercas, sendo assim os animais rondam livremente, inclusive perambulando pelos campsites. Alias, logo que chegamos no campsite vimos uma hiena passando . . . e depois tivemos a “feliz idéia” de irmos catar lenha e saímos com lanternas, fazendo barulho (para espantar o leão que poderia estar por lá sabe!). Sem noção!

Foi então que ouvimos um cara falar “Vocês precisam de lenha? Eu tenho um pouco aqui, saiam daí, é perigoso!”. Foi então que nos demos conta do que estávamos fazendo, e agradecemos o sul-africano pela sua ajuda, tanto quanto pelo conselho.
Apenas um adendo, o campsite continuara com apenas 3 sites ocupados, o que nos fez concluir que os parques estavam sendo muito mal gerenciados. Por outro lado, tínhamos mais chance de conseguirmos acampar mais noites dentro do parque . . . e foi o que fizemos.

Um elefante em Moremi

A outra coisa que nos aborreceu foram as taxas exorbitantes cobradas, sendo que os campsites tinham pouquíssima infra-estrutura e você não recebe nem um panfleto ou mapa na entrada, tudo é cobrado a parte. É uma pena pois o local é incrível e a vida selvagem extraordinária, porém cada vez mais as pessoas estão se perguntando “Onde está indo todo o dinheiro?”

No dia seguinte, desmontamos acampamento e rodamos o parque, em direção ao “North Gate” onde acampamos a segunda noite. Visitamos várias partes do parque e vimos muita vida selvagem, além da vegetação que é muito interessante. Tentamos pegar uma trilha que de acordo com o mapa estava aberta, porém depois de 11km de “marcha lenta” tivemos que dar meia-volta quando chegamos em um pântano - não tinha jeito! Resolvemos cooperar com outros turistas e colocamos um sinal “fechando a trilha”.

O campsite no “North Gate” tinha uma grande vantagem: era bem aberto e podíamos ver os animais claramente passando a menos de 100m de nós. Mais uma vez vimos hienas passeando pelo campsite, o que nos deixou meio aflitos, especialmente o Cláudio que estava dormindo na barraca iglu no chão.

Parece loucura mas uma vez que escurecia, não andávamos sozinhos e ficávamos ao lado da fogueira, conforme o aconselhado. O Cláudio estava bem preocupado e dormiu com o facão ao seu lado todas as noites . . . ainda bem que ninguém resolveu dar as caras!

Muitos barulhos durante a noite, o que resultava em poucas horas de sono, mas no dia seguinte fomos até “Savuti”, famoso pelos elefantes que freqüentam o campsite. Inclusive, para combater o problema dos elefantes “invadirem” os banheiros/chuveiros em busca de água (inclusive enquanto as pessoas estavam tomando banho!), eles tiveram que construir uma “parede à prova de elefantes” em volta dos vestiários. Inexplicável, só vendo para crer!

Tivemos muita dificuldade em decidir qual seria o “layout do acampamento”, tendo em conta a localização da árvore, a torneira de água, o local da fogueira etc. e finalmente, depois de algumas adaptações, montamos as barracas e foi então que o Cláudio adotou o “Sr.Búfalo” como seu “guarda noturno”.

Parque Nacional Chobe

Nosso primeiro encontro foi quando o Rob e o Cláudio estavam a caminho do vestiário e a Grace estava preparando o jantar. Um elefante passou a menos de 5m deles e depois seguiu em direção ao nosso campsite. “Grace, tem um elefante indo em sua direção, guarda toda a comida dentro do carro!” Por sorte ele resolveu simplesmente passar reto, e então pudemos jantar tranquilamente.

Atravessamos pela Floresta Chobe em direção ao “Parque Nacional Chobe”, e desta vez fomos barrados pois estava mesmo tudo lotado. Prosseguimos para Kasane e encontramos um camping bem legal, até com nosso próprio banheiro (coisa raríssima em campings).

Passamos o dia seguinte percorrendo pelo parque, especialmente pelo “Chobe River Front” que é esplêndido, e onde vimos elefantes abundantemente, dentre outros animais. Curtimos o estilo “Safári Outdoors”, catamos lenha, fizemos pique nique, tiramos muitas fotos e curtimos ao máximo nosso último dia no Chobe.

Nossa próxima parada foi Victoria Falls, na Zâmbia . . .

  
  

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