Parque Nacional Kakadu e o Red Centre

Deixamos Darwin e seguimos para o Parque Nacional Kakadu com expectativas altas...

  
  
Chegando no parque

Deixamos Darwin e seguimos para o Parque Nacional Kakadu com expectativas altas, mas por estarmos ainda no final da temporada de chuvas não estávamos muito confiantes que as coisas seriam como esperávamos. No caminho achamos um campsite legal e barato então acabamos ficando lá uns dias para “colocar a casa em ordem”.

Chegando ao Kakadu logo percebemos que o nível de água ainda estava alto, e tivemos que atravessar alguns rios no caminho, porem pelo menos a maioria das estradas estavam abertas. No entanto as cachoeiras estavam fechadas por motivos de segurança devido ao nível da água e a presença dos crocodilos. Foi uma pena, pois um dos lugares que queríamos muito conhecer no Kakadu era “Jim Jim Falls” que estava fechada.

Vista da pedra Ubirr

O parque tem uma série de campsites, alguns pagos e outros gratuitos, todos muito bem mantidos. Nós escolhemos um gratuito (que surpresa!) e acampamos ao lado do “Yellow Waters”, onde fomos atacados por muitos pernilongos!

O engraçado foi ouvir uma das pessoas que também estava acampando lá ir embora de madrugada. Encontramos com eles depois, e eles disseram que não agüentavam mais os bichos então partiram.
Pelo menos não fomos apenas nós que ficamos irritados com a situação!

Enfim, o campsite era muito bonito, mas devido ao clima bem abafado e por ser ao lado do rio, os bichos fizeram a festa.

Lightning Man

De manhã visitamos “Ubirr”, onde tivemos uma vista linda de todo o platô e vimos um pouco de arte aborígine. Depois fomos conhecer “Nourlangie Rock”, famosa pela arte aborígine encontrada há anos atrás. Andamos pela “Galeria Anbangbang” aonde vimos o famoso “Lightning Man” dentre outras pinturas em pedra.

Foi interessante, mas continuamos com muitas perguntas em nossas mentes a respeito dos aborígines e toda sua arte.

Vista da pedra Nourlangie

Tendo visitado o que pudemos do Kakadu, estava na hora de retornarmos para Katherine e então prosseguir a caminho de Alice Springs e a famosa “Ayers Rock”. Tínhamos por volta de 2000km de muito asfalto para percorrer, com quase nada no caminho!

Tendo passado por Katherine novamente e passado uma noite lá, prosseguimos pela “Stuart Highway” até Alice Springs. Passamos por Daly Waters, Tennant Creek e Devils Marbles tendo acampando em diversos “rest areas” no caminho.

Ficamos mesmo impressionados com a qualidade destes campings, pois a maioria tinha mesinha, churrasqueira, água e até banheiro.

Devils Marbles

Chegando a Alice Springs visitamos o centro de informações e além de descobrirmos várias coisas sobre a região e Ayers Rock em si, achamos um camping legal onde acabamos ficando por alguns dias. Este camping era bem agitado e estava razoavelmente cheio. Conhecemos várias pessoas, inclusive uns brasileiros que faziam parte do Rotary Club, que estavam de passagem. Todo final de tarde, antes do pôr-do-sol, kangurus vinham na beira do camping e podíamos dar comida para eles. Era bem divertido e diferente, afinal de contas não é todo dia que vemos kangurus assim de perto.

Descansados e cheios de energia saímos para explorar a região da Serra “West McDonnel” e depois o “Kings Canyon”, para eventualmente chegarmos a tão esperada “Ayers Rock”. Fomos primeiro ao “Palm Valley” que gostamos bastante, apesar da “estrada de acesso” ser um pouco rochosa e precisarmos engatar a reduzida e o bloqueio para prevenirmos qualquer problema.

Alimentando o canguru

No dia seguinte percorremos a “Namatjira Drive” passando por diversos pontos turísticos. “Ellery Creek”, “Serpentine Gorge”, “Red Ochre” e “Ormintson Gorge” são alguns deles, todos muito bonitos e diferentes. Havíamos decidido fazer o “Mereenie Loop”, saindo de “Glen Helen Gorge” até “Kings Canyon”, que passa por terra Aborígine e é necessário adquirir um “passe”.

Obtivemos a autorização necessária e percorremos os 250km de estrada de terra, com boa parte sendo de costela de vaca (para nosso aborrecimento), até chegarmos ao “Kings Canyon”. Esperávamos passar por alguns vilarejos aborígines e termos a oportunidade de conhecer um pouco mais dessa cultura, mas não vimos nada nem ninguém durante o trajeto.

Encontramos brasileiros

Em “Kings Canyon” fazia um calor absurdo, mas o local era deslumbrante. Resolvemos fazer a caminhada ao redor da orla, o que nos levou por volta de 2 horas. As vistas lá de cima eram extraordinárias, com quedas drásticas e cores exuberantes. Em uma parte da caminhada você tem que atravessar o cânion, e por ser um declive íngreme tem uma escadaria de madeira que é um pouco perturbador dentre tanta natureza, porém necessário. Apesar de estarmos bem cansados no final da caminhada adoramos o “Kings Canyon” e nos sentimos privilegiados de termos visitado este lugar.

Seguimos viagem, a caminho de Ayers Rock e a uns 50km de “Curtin Springs” onde acamparíamos, o carro simplesmente parou! Não sabíamos o que tinha acontecido, mas antes do carro morrer percebemos que o ponteiro da gasolina tava estranho, pois uma hora estava marcando tanque cheio e logo em seguida vazio.

Grace no Palm Valley

Assumimos que havia acabado o diesel, e enchemos o tanque com nosso galão. Nada do carro pegar. Imaginamos que tinha entrado ar no motor e resolvemos sangrar o sistema, mas ainda nada! Agora sim estávamos ficando preocupados! Já estava ficando tarde e escuro, e começamos a parar os carros que passavam e pedir se alguém podia nos rebocar até “Curtin Springs”, para que pudéssemos resolver o problema de manhã. Ficamos impressionados com a simpatia do pessoal, mas ninguém pode nos rebocar, pois estavam rebocando um trailer, barco, carreta ou eram carros pequenos.

Enfim, demos uma olhada no manual mais uma vez e resolvemos tentar sangrar o sistema todo, que envolvia liberar os pistões do motor em si. Não estávamos muito confiantes, mas tínhamos que pelo menos tentar, afinal de contas não tínhamos outra alternativa! A essas alturas do campeonato, a bateria já estava quase descarregada então não podíamos errar. Fizemos tudo corretamente e daí viramos a chave e . . . vruuummmm vruuummmm! Yeah yeah! O carro pegou e estávamos prontos para prosseguir viagem. Comemoramos tanto e até choramos de alegria com uma sensação enorme de conquista, pois já estávamos nos vendo abrindo a barraca e passando a noite ali mesmo. Chegamos em “Curtin Springs” exaustos e famintos e depois de um bom banho e de jantarmos, capotamos. Que dia!

A famosa Ayres Rock

Tinha chegado o dia de vermos a tão esperada e famosa “Ayers Rock”, ou “Uluru” como e chamado agora, e as expectativas estavam lá em cima, e não desapontou! A pedra é mesmo impressionante! Resolvemos visitar o centro cultural primeiro e depois percorremos o parque, que fica a uns 50km do centro.

Estávamos loucos para escalarmos a pedra, mas quando passamos pelo portão de entrada havia um aviso dizendo que estava fechada devido aos fortes ventos. Ficamos desapontados, mas esperaríamos a manhã seguinte. Rodamos o parque de carro e quando paramos no local onde se inicia a escalada, vimos que tinham pessoas subindo. Tinha sido liberado, e apesar de estarmos no momento mais quente do dia resolvemos subir também, pois não queríamos correr o risco de fecharem de novo!

Estava bem quente, mas estávamos determinados e logo começamos a subir. O vento ainda estava forte, mas o fato de ter uma corrente na primeira parte facilitava um pouco, mesmo assim a subida foi bem árdua.

Chegamos no topo!

Paramos na metade do caminho para tirarmos umas fotos (e descansarmos um pouco, claro!) e foi então que nos demos conta de que estávamos mesmo subindo Ayers Rock! E haja empolgação! Levamos por volta de uma hora para chegarmos ao topo e então comemoramos! Curtimos o visual, a brisa na cara e um tempo de descanso para então iniciarmos a descida. Foi demais e acabamos comprando o “certificado”! Turistas heim!

Seguimos para o lugar adequado e fomos esperar o pôr-do-sol para apreciarmos a troca de cores da pedra. Haviam muitos carros alinhados e milhares de pessoas esperando o momento, tanto quanto nós.

A pedra realmente troca de cor conforme o sol se põe e valeu a pena, mas o mais incrível de tudo foi a estrela cadente que vimos de repente, enquanto conversávamos com “nossos vizinhos”. Foi formidável, trocando do branco para o vermelho, azul e verde!

Todos juntos - Nós, o Baloo e a Ayres Rock

Acordamos bem cedo para vermos o nascer do sol na pedra, junto das outras milhares de pessoas lá presentes. Sentamos no teto do carro e esperamos o tempo passar e o sol nascer, clareando a pedra.

Foi bem tranqüilo e gostoso e ficamos lá até a lua se por e a pedra estar completamente iluminada. Depois fomos até as “Olgas” onde fizemos uma pequena caminhada. Curtimos demais Ayers Rock e não importa o que as pessoas digam, é mesmo um lugar inacreditável e muito especial.

A única coisa meio esquisita é toda a lenda e historia dos aborígines e suas crenças. Respeitamos, mas gostaríamos apenas de poder entender um pouco melhor, pois existem vários “segredos” na maioria de suas histórias.

Apesar de o Centro Cultural ser super bem feito com exposições exemplares, não se vê nenhum aborígine trabalhando na regiao, o que desapontou. Infelizmente a impressão que nós tivemos dos aborígines não foi das melhores, pois os que vimos eram aqueles largados nas cidades, ao lado dos bares, na maioria dos casos bêbados. Não tivemos a oportunidade de conhecer os aborígines que vivem bem em suas comunidades, pois todos exigem autorizações especiais para visitá-los. É difícil explicar e sem dúvida é um assunto bem polêmico, mas a verdade é que infelizmente tivemos uma má impressão deles e sua cultura.

Estava na hora de voltarmos para Alice Springs e deixar Ayers Rock para trás, mas levamos conosco ótimas lembranças e o sentimento de mais uma etapa conquistada! Daqui seguiríamos devolta para Tennant Creek para então seguirmos rumo Leste com destino a Cairns e a Grande Barreira.

  
  

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