Parque Nacional Mole e a Costa Dourada de Gana

Seguimos direto para o Parque Nacional Mole, onde acabamos ficando quase uma semana de tanto que gostamos.

  
  
No campsite

Atravessamos a fronteira sem nenhum problema, e depois de algum tempo penando com o nosso Francês, foi um alívio poder nos comunicar em inglês novamente. O único problema foi ter que agüentar o ego do Rob, pois Gana era uma colônia Britânica, e logo que atravessamos a fronteira notamos grandes diferenças (para melhor), começando com as estradas que além de estarem em melhores condições tinham marcações e até “guard-rail”! Enfim . . . estávamos contentes de estarmos em um lugar com uma infra-estrutura melhor.

Seguimos direto para o Parque Nacional Mole, onde acabamos ficando quase uma semana de tanto que gostamos. O camping era situado em um lugar privilegiadíssimo, com uma vista para o lago que recebia visitas diárias de diversos elefantes e antílopes. Quando ficava muito quente bastava andar até a piscina e dar um mergulho para se refrescar, pois fazia um calor de 40°C! Mas não estamos reclamando, muito pelo contrário, estava uma delícia!
Conhecemos muita gente legal, dentre eles a “Família Suíça” (o casal e seus três filhos) que também estavam a caminho da África do Sul, viajando em um ex-caminhão do exército, super resistente e bem equipado. A Sarah, uma Irlandesa que estava “mochilando” pela África, muito divertida e simpática, e acabou viajando conosco por uns dias. Havia também vários estudantes que estavam envolvidos em ONGs realizando temporadas de trabalhos voluntários.

O babuíno analisando o território

Além de relaxarmos bastante, e trabalharmos um pouco, fizemos uma caminhada pelo parque. Durante a caminhada vimos alguns antílopes, macacos e vários elefantes tomando banho no lago. De volta ao campsite tínhamos que ficar bem espertos com os macacos, que tendo qualquer oportunidade resolviam atacar, para saírem com alguma coisa que para eles parecia ser comestível. O truque era manter um estoque de pedrinhas para se defender, ou quando eles se aproximavam fingir que tínhamos um estilingue – na maioria das vezes somente com o movimento eles fugiam!

Um dia, por volta das 6:00 am, a Família Suíça veio nos acordar falando “Rápido, levantem! Tem um elefante bem aqui!”. Ainda meio dormindo, não acreditamos no que estávamos ouvindo, mas logo que abrimos à barraca e vimos o elefante a menos de 20m de nós, demos um pulo e logo estávamos andando pelo campsite tirando fotos.

Por pouco não

Que louco! Agora o mais incrível foi quando o elefante começou a andar em direção ao nosso carro e a árvore que havíamos escolhido como sombra. . . O pior é que a Grace tinha ido até o carro para trocar o filme da máquina e de repente viu o elefante do lado do carro, apesar de surpresa ela continuou tirando fotos, torcendo para que ele não resolvesse chegar muito mais perto! Ele estava com fome e resolveu “beliscar” um pouco das folhas da “nossa” árvore.

Foi muito legal ver como ele estica sua tromba e sem o maior esforço quebra os galhos e come, numa boa. O bicho tem força! Por sorte ele não quis experimentar um pouco do Baloo ou da nossa barraca. . . ao invés disso, ele resolveu dar uma passadinha perto da piscina, e levou consigo uma platéia enorme! Foi o maior evento e nem é preciso dizer que nos divertimos muito. Foi demais, afinal de contas não é todo dia que somos acordados por um elefante!

Depois desses dias bem sossegados, seguimos a caminho da costa para curtirmos um pouco da praia e conhecer os famosos fortes desta região.

Grace e Sarah

Deixamos os elefantes do Parque Nacional Mole e seguimos rumo ao sul, com destino à costa. No caminho paramos em Kumasi – a Capital Ashanti – onde passamos duas noites, também onde encontramos a Família Suíça e a Sarah novamente. De Kumasi em diante a Sarah viajou conosco, o que foi bem legal, pois nos demos muito bem.

Seguimos para Elmina, onde mais uma vez encontramos a Família Suíça, enquanto procurávamos um lugar para acampar. Acabamos nos juntando e achamos um lugar super gostoso (“Alberta’s Place”) bem na beira da praia. Negociamos um bom preço com a gerente Rebecca (que foi muito atenciosa) e acabamos ficando lá alguns dias.
Aproveitamos para lavar nossa roupa e “trabalhar” um pouco! A Grace, que trabalhava lá, cozinhava muito bem e aproveitamos para saborear uma deliciosa lagosta que ela preparou, além de outros pratos, é claro. A Família Suíça partiu antes que nós, mas cruzamos com eles de novo quando fomos visitar o Forte St.George
Foi muito interessante a visita ao forte, apesar de sombria e chocante, faz parte da história. A condição em que os escravos viviam e eram tratados era espantoso, isso sem nem mencionar o negócio todo. Visitamos também o Forte St.Jago e vimos um pouco da cidade de Elmina, que tem um porto muito movimentado, bem agitado, com pessoas e barcos por toda parte. Aqui nos despedimos da Sarah, que seguiu para Accra, e nós seguimos para o Oeste, onde visitamos Dixcove e Busua.

Jogando conversa fora - nós, a Sarah e a Família Suíça

Pretendíamos ficar uma noite no forte em Dixcove, pois havíamos lido que era possível, mas quando chegamos lá vimos que não era nada disso! Enfim, fomos para a Praia Busua onde achamos o “Alaska Beach Resort”, de frente para o mar, um lugar bem sossegado onde ficamos mais alguns dias. Trabalhamos mais um pouco e curtimos a praia também . . . que vida dura! Ah! Não podemos esquecer-nos de mencionar o “Daniel Pancakes”, onde comemos panquecas deliciosas.

Chega de moleza . . . estava na hora de seguirmos para Tema, onde iríamos organizar o envio do carro de barco para Durban, na África do Sul. Nossa intenção inicial era de dirigir pela África Central, passando por Níger, Chade, Sudão, Etiópia e então Quênia. Infelizmente, devido a todos os problemas no Sudão (a guerra em Darfur), e a situação geral nesta região, fez com que este percurso não fosse viável.

Praia Elmina

Consideramos também a possibilidade de passarmos por Nigéria, Camarões, Gabão, Congo, Congo (RDC), Angola e então Namíbia, mas a situação nestes países não é tranqüila, fora as condições das estradas que são muito precárias, se é que existentes! Depois de estudarmos as possibilidades e analisarmos a situação financeira (sabendo que os vistos para diversos destes países não são nem um pouco baratos), além do risco envolvido, decidimos que a melhor coisa a se fazer era colocar o carro em um container e pegarmos um avião para África do Sul.

Passamos em Accra, pesquisamos alguns preços de passagens aéreas e seguimos para Tema. Já havíamos contatado algumas empresas marítimas via internet e obtido alguns orçamentos e informações gerais. Mesmo assim, já que estávamos lá, visitamos outras empresas e conseguimos mais alguns preços. Quase fechamos negócio com uma empresa quando eles nos disseram que o navio estava lotado. Argh! Continuamos pesquisando e acabamos negociando com a P&O Nedlloyd, que além de ter oferecido o melhor preço, foi a mais eficiente e profissional. Contratamos os serviços da agência Toti-Berg Freight Services Ltd., no qual o Mr.Willi Addae, foi simplesmente excepcional. Tendo confirmado tudo certinho e marcado a data de saída do navio, e a data em que colocaríamos o Baloo no container, estávamos mais tranqüilos e então resolvemos aproveitar nossa última semana em Gana, relaxando.

Forte St George

Fomos até a Praia Ada, que nos decepcionou bastante, então ficamos apenas uma noite. Depois seguimos para a região do Lago Volta e Akosombo, onde tivemos sorte de encontrarmos o lugar ideal. Conhecemos o Papa e a Dorothy, donos do “Akosombo Lodge”, e resolvemos ficar ali mesmo. Eles ainda estavam construindo, mas já estavam funcionando, um lugar muito bonito com vista do rio e uma paisagem linda.

Curtimos nossa última semana em Gana, sossegados e em um lugar com estilo, apesar de ser bem além do nosso “budget”! Arrumamos nossas mochilas, lavamos o carro, esvaziamos a geladeira, verificamos a bateria etc. Enfim, colocamos tudo em ordem e deixamos o carro pronto para entrar no container. Além disso, relaxamos bastante e tentamos atualizar nossa “papelada”, trabalhamos no site e iniciamos (mais uma vez) nossa campanha “fitness”.

Praia Busua

Sem dúvida nenhuma estamos precisando! Mesmo porque o Papa cozinha muito bem, e não resistimos a experimentar o tradicional prato ganês (tilapia com banku), além dos deliciosos camarões! Passamos uma semana bem agradável em Akosombo, onde pudemos conhecer um pouco mais sobre a vida em Gana e seus costumes, pois conversamos bastante com o Papa e a Dorothy.

Estava na hora de nos separarmos temporariamente do Baloo, então fomos para Tema, e mais uma vez seguimos todo o processo de “empacotar o container”. Tudo correu muito bem e em apenas algumas horas estava tudo feito e nosso “Carnet de Passage” carimbado. Ficamos em Tema por quase uma semana, pois estávamos esperando o documento (“Bill of Lading”) ficar pronto, antes de partirmos. Estávamos ficando em um hotelzinho gostoso (“Seli Lodge”), com um jardinzinho legal, onde pudemos continuar com nosso “fitness campaign” e também trabalhar um pouco mais no site.
O navio adiou a data de partida e com isso nosso documento atrasou, mas por sorte ficou pronto a tempo, pois já havíamos comprado nossas passagens de avião para o dia 28, e o “Bill of Lading” ficou pronto no dia 26. De Tema, pegamos um táxi para Accra, onde tínhamos combinado de nos encontrar com o Rob e Natascha (com quem cruzamos o Saara).

Apreciando a paisagem

Como nos atrasamos e não havíamos conseguido checar e-mail, temíamos que não os encontraríamos, mas por sorte nos topamos na internet e então fomos jantar fora. Foi tão legal encontrá-los novamente e conversar sobre as aventuras passadas e os planos adiante. Foi uma noite bem legal!

Acordamos cedo e fomos para o aeroporto . . . onde embarcamos e nos despedimos da África Oeste! Viajar por esta região da África foi muito interessante, porém um pouco cansativo às vezes. A África Oeste tem uma cultura única com suas casinhas de barro e todo um artesanato peculiar, mas por outro lado, infelizmente tem muita miséria e pobreza. É muito triste ver a situação em que a maioria vive e as condições de vida deles. Tendo dito isso, em situações como essas, vemos o quanto um simples sorriso pode ser marcante.

Embarcando o Baloo

É claro que tem muito mais do que isso para ser dito sobre esta região do mundo, e que cada um tem suas visões e opiniões . . . Gostamos muito desta experiência, e adoramos a aventura, além de termos aprendido demais, mas também tivemos alguns momentos tensos e trabalhosos.

Seguimos em frente, prontos para iniciarmos uma nova etapa . . . a região Sul da África!

  
  

Publicado por em

Luana

Luana

25/08/2009 13:47:46
e massa choquei amei ...

Grace Downey e Robert Ager

Grace Downey e Robert Ager

Obrigada pelo seu comentario Luana. Que bom que curtiu! = )