Últimas emoções no Marrocos

Havíamos lido e ouvido sobre a Garganta do Todra e estávamos ansiosos para conhecê-la.

  
  
Entrada da Garganta de Todra

Havíamos lido e ouvido sobre a Garganta do Todra e estávamos ansiosos para conhecê-la. Chegando lá achamos um camping bem estruturado e agradável e foi lá mesmo que resolvemos ficar. Como ainda estava cedo, aproveitamos para fazer algumas coisas no carro, lavar um pouco de roupa e apenas relaxar, tomando sol.

Nossa intenção era de atravessar para a Garganta do Dades, por uma estradinha que se juntava a Garganta do Todra, porém logo descobrimos que a estrada estava em péssimas condições e não seria possível atravessa-la. Percorremos então pela estrada que atravessa o Todra e depois retornamos pelo mesmo caminho, para seguirmos adiante e apreciarmos a Garganta do Dades, que achamos mais impressionante e formosa do que o Todra, até mesmo tendo que cruzar um pouco de neve em algumas partes das Montanhas Atlas.

Na Garganta do Dades

Ah! Enquanto tentávamos achar a travessia (do Todra para o Dades), tivemos um pequeno incidente . . . fomos rodeados por diversos meninos, que se penduraram no carro e queriam, a todo custo, nos mostrar o caminho certo. Depois de algumas tentativas, resolvemos que não queríamos que ninguém nos “guiasse” e falamos para todos descerem do carro. Depois de um tempinho, já na estrada, nos demos conta que nossa bandeira do Brasil (que fica pendurada na escada traseira) não estava mais lá. Ficamos furiosos e voltamos para onde os meninos estavam e logo falamos “Onde está nossa bandeira?” (no nosso péssimo francês), mas eles perceberam que não estávamos contentes pelo tom de voz. Enfim, depois de um tempo discutindo e falando o quão estávamos indignados; e um menino falava com o outro, que falava com o outro; nossa bandeirinha apareceu! Valeu! Recuperamos nossa bandeira e seguimos nosso rumo!

Montanhas Atlas

Nossa próxima parada foi Marrakech onde chegamos no final da tarde, no dia da final da Copa África – Marrocos vs. Tunísia. Infelizmente Marrocos perdeu o jogo, mas o povo estava festejando mesmo assim. Algumas ruas estavam interditadas e o trânsito estava ruim, então achamos um restaurantezinho e ficamos por lá um tempo. Quando as coisas tinham se acalmado, fomos procurar um camping, nos aforas da cidade. Montamos a barraca e arrumamos as coisas, e depois resolvemos jogar um pouco de futebol com umas crianças que estavam no camping.

Estávamos ansiosos para conhecer a famosa praça “Jemaa el Fna”, e fomos para a cidade fazer nosso “tour”. Vimos a Mesquita “Koutoubia” e seguimos para ver a famosa praça, que por ainda estar cedo, não estava lotada. Porém, tinham várias rodas de gente, com pessoas fazendo seus shows no centro, alguns com as famosas “cobras dançantes”, e outros eram apenas discursos. De toda forma, havia bastante agito nos arredores, isso sem falar nas várias barraquinhas vendendo comes e bebes, além das mulheres que faziam “tatuagem de hena”. A Cynthia acabou fazendo uma na mão, e pagou apenas 10 dirham (Drh.10 = 1€ = RS$4) sendo que a mulher começou cobrando 100 dirham (Drh.100 = 10€ = RS$40). Que barganha!

Marrakech

Passamos por diversas lojas vendendo uma grande variedade de especiarias, com cores vivas e cheiros fortes. Acabamos estocando nosso “kit de especiarias” e a Cynthia comprou a mistura de ervas com que se faz o “tagine”. Depois visitamos o Palácio "Al Bahia" e depois passamos brevemente pelo Palácio Real. Tudo muito curioso e com característica típica árabe. Visitamos também o “Centro de Artesanatos” que tinha de tudo, em apenas um lugar – muito interessante!

Retornamos para a praça “Jemaa el Fna”, agora já estava de noite, e mal reconhecemos o lugar. Achávamos que estávamos em outra praça, sério mesmo! Primeiramente, havia uma multidão de pessoas, milhões de rodas com seus shows sendo feitos e o mais interessante de tudo: fileiras e mais fileiras de barracas servindo comidas. Uma ao lado da outra, identificadas por números, com bufes repletos de cores e variedades, com banquinhos em frente para se sentar e comer.

Jemaa el Fna

Demos uma volta na praça, fazendo zig-zag dentre as barracas de comida, apenas curiosos para tentar ver tudo! Conforme passávamos em frente a uma barraquinha, imediatamente vinha um rapaz em nossa direção querendo nos convencer que a barraquinha dele era a melhor, e foi assim durante nosso trajeto todo. Era engraçado pois eles diziam “Não se esqueçam, somos numero 22!” ou “Aqui é melhor, número 55”.

Acabamos voltando para a barraquinha “22”, e sentamos para jantar. Tentamos pedir as coisas tradicionais e absorver o máximo que podíamos daquele momento. Parecia que estávamos em uma festa . . . muita comida, muitas pessoas, muito barulho e muita diversão. Realmente mais uma experiência diferente, divertidíssima!

No final da noite, voltamos para o camping e fomos dormir. No dia seguinte partiríamos para Casablanca.

Chegando em Casablanca, percorremos a cidade tentando achar um hotelzinho para ficarmos, visto que seria a última noite da Cynthia conosco. Após buscarmos sem muito êxito pois tudo era caro, tivemos que abrir mão e acabamos voltando para um dos que havíamos visto inicialmente. Comemos uma pizza e aproveitamos a última noite juntos.

Café da manhã de despedida para a Cynthia

Na manhã seguinte, após o café da manhã, levamos a Cynthia para o aeroporto para nos despedirmos. Este tempo todo com a Cynthia foi simplesmente demais, e foi muito legal poder compartilhar um pouco do CYD com mais amigos. No aeroporto . . . foi difícil dizer tchau. Valeuzão Cy! Foi demais passar este tempo com você e matar um pouco a saudades. Obrigadão por tudo!

Voltamos para o centro e encontramos um camping, onde passamos os próximos dias, esperando nosso visto para Mauritânia ficar pronto. Com o visto na mão, seguimos a caminho de Agadir, tendo passado uma noite em Essaouira, na costa.

Durante nossa estadia em Agadir resolvemos comprar um fogãozinho novo, e finalmente resolvemos de uma vez por todas nossa situação de gás, e nossa cozinha estava 100% novamente. Até comemos peixe fresco e fizemos um “pudim de leite” para comemorar!

O camping onde ficamos era um típico “camping de inverno” repleto de Europeus com seus “motor-homes”, fugindo dos invernos em seus países e curtindo o sol. Tínhamos vizinhos franceses e alemães, muito simpáticos, que passam suas férias no Marrocos, há 10 anos. Conhecemos até um casal Brasileiro e também nos reencontramos com o Jean-Fabiénne e sua mulher Lucette (um casal francês viajando em uma Kombi convertida) que havíamos conhecido em Meknes.

Encontramos nossos amigos holandeses

O mais engraçado foi encontrar com o Rob e a Natascha em Agadir, um casal Holandês com quem estávamos trocando e-mails já fazia um tempo. Estávamos em uma internet e eles apareceram perguntando “Vocês são o Rob e a Grace?”. Não estávamos acreditando! Muito legal! Combinamos de nos encontrar no camping à noite para conversarmos mais. Eles também estão a caminho da África do Sul, em uma Land Rover toda equipada. A noite foi longa e muito divertida, trocando idéias e discutindo possíveis roteiros, com mapas e livros a mão. Nos despedimos e fomos dormir, tendo combinado de nos encontrarmos mais para frente, para cruzarmos o deserto em comboio.

Depois de termos passado uma semana em Agadir, e tendo feito os últimos ajustes necessários, antes de enfrentarmos a travessia do deserto, seguimos rumo ao sul, a caminho de Boujdour. Nos encontramos com o Rob e a Natascha e seguimos juntos para Dakhla, onde conhecemos outros viajantes e conversamos mais sobre a travessia até Nouakchott.

Estávamos questionando a necessidade de pegar ou não um guia para fazermos o cruzamento . . . Após pesquisarmos preços e possibilidades, acabamos conhecendo o Herbert, um Holandês que já fez esta travessia diversas vezes e estava disposto a juntar-se a nós e ser nosso “guia”. Ele estava dirigindo uma Mercedes 190 para vender em Mali. Tendo concordado, todos estavam satisfeitos pois nós havíamos conseguido o que precisávamos: “um guia” e economizaríamos bastante, e ele teria o apoio necessário caso ele atolasse: duas Land Rovers! He he he!

Após um delicioso “tagine de peixe”, partimos na manhã seguinte a caminho da Mauritânia e mais uma grande aventura: a travessia do “Deserto do Saara”!

  
  

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