Blogs > Challenging your Dreams > Brasil por Terra >Balsa Belém-MacapáQueríamos conhecer o estado do Amapá e havia diversas formas de cruzar até Macapá, mas como queríamos ir junto com o Snoopy, não foi nada fácil.
Em nosso percurso rumo ao norte, seguimos para Belém onde encontramos com nossos amigos Coronelson e a Auxiliadora. Acabamos ficando alguns dias por lá, aproveitando o tempo para conhecer um pouco da cidade, especialmente a Estação das Docas que ficou muito bacana após sua restauração. Fomos também convidados a um encontro do Jeep Clube do Pará e a um jantar delicioso com outros amigos jipeiros. Todos foram super atenciosos e nos receberam muito bem. Gostaríamos de deixar nossos agradecimentos a todos. E um muito obrigado especial aos nossos anfitriões. Valeu Pessoal! Queríamos conhecer o estado do Amapá e havia diversas formas de cruzar até Macapá, mas como queríamos ir junto com o Snoopy, não foi nada fácil. Após pesquisarmos bastante e receber sempre a resposta negativa, quase desistimos, mas conversando com um cara no porto finalmente encontramos uma opção. Nossa embarcação foi uma simples plataforma, sem muita estrutura, onde ficamos junto com os caminhões e seus caminhoneiros. Foi uma experiência e tanto! Dez da manhã e já estávamos no porto, de marmita e coca-cola na mão, esperando para embarcar e prontos para enfrentar os dois dias de travessia. O previsto era partirmos ao meio-dia, mas acabamos partindo apenas às seis da tarde. Ou seja, a aventura já começou ali mesmo, no porto, com um calor de 36 graus. Após algumas horas “estacionados” na balsa, finalmente partimos por volta das 19h00. Como na balsa não tinha estrutura nenhuma para passageiros, todos dormem em seus veículos, e nós simplesmente montamos nossa barraca entre os caminhões. O maior desafio foi conseguir dormir. Fora o calor intenso fomos “colocados estrategicamente” entre dois caminhões frigoríficos que de tempos em tempos ligavam seus “suaves” motores. Quando não era um, era o outro que estava ligado! Acho que pelas fotos dá para perceber nossas caras de cansaço. Mas enfim, sobrevivemos “tranquilamente”! O dia custa a passar quando se está na água, mas como para nós tudo aquilo era novidade, fomos conversando com todos e fazendo amizade, além de ouvir várias estórias do pessoal. A galera era super gente boa e por incrível que pareça tinham desde famílias com crianças até os homens sozinhos curtindo sua bebida. Ouvimos muitos “causos”! A única sombra que encontrávamos era embaixo das carretas dos caminhões, e com muita sorte surgia uma brisa . . . mas no geral o calor insuportável persistia. Almoçamos junto com o pessoal no “refeitório” que ficava na empurradeira. Banheiro . . . melhor nem falar muito, mas tomamos algumas duchas de água fria para nos refrescar um pouco. Se bem que você saia do chuveiro pingando de suor, pois parecia uma sauna de tão pequeno e abafado que ficava lá dento. Enfim, essa balsa tornou-se nossa casa por dois dias, e para alguns daqueles caminhoneiros trata-se de um trabalho e percurso freqüente. Achamos a experiência demais, mas não sei se agüentaríamos fazer isso diversas vezes. Além da “vida na balsa”, conhecemos e aprendemos bastante sobre a “vida no rio”. Olhamos as simples casas ribeirinhas e cada vez que passava uma embarcação as crianças saíam remando ao seu encontro, sempre com a esperança de receber alguma coisa. Às vezes as pessoas jogam sacolas com comida ou roupa para eles. Na hora que eles alcançam a sacola, é só felicidade, que irradia em seus rostos. É realmente outro mundo . . . mais uma lição aprendida! O outro extremo é ver as balsas cargueiras passando ao nosso lado com mercadorias diferenciadas tal como gado e madeira. É o meio de transporte por aqui! Isso foi apenas o começo de nossa experiência pelo Rio Amazonas . . .
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