BR 319

Deixamos Manaus para trás ao cruzarmos o Rio Amazonas e iniciarmos o duvidoso trajeto pela BR319.

  
  
Challenging Your Dreams

Deixamos Manaus para trás ao cruzarmos o Rio Amazonas e iniciarmos o duvidoso trajeto pela BR319. Ao mesmo tempo estávamos apreensivos e empolgados! Havíamos escutado diversas estórias sobre esse trecho . . . algumas tranqüilas e outras preocupantes. Não tinha jeito, havia chegado a hora de vermos as condições das pontes, torcendo para não termos que retornar e recorrer a mais um trajeto de barco pelo Rio Madeira.

Nos preparamos para o pior, estocando a despensa com enlatados, abastecendo o tanque de água até a boca e levando também um galão de diesel extra para garantir. Pode parecer exagero, mas estávamos sozinhos e caso chegássemos a uma das últimas pontes e a mesma estivesse totalmente quebrada, teríamos que dar meia volta e re-fazer o percurso. Não queríamos ser pegos desprevenidos!

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Após cruzarmos a primeira balsa, tendo passado por Castanho, vimos à placa indicando “AM-BR319″ e “Porto Velho 765 km”, era o início! Enquanto esperávamos a balsa através do Rio Tupana, aproveitamos para fazer um lanche. Até aqui, tudo estava bem tranqüilo, mas em pouco tempo já percebemos que não ia ser fácil, pois a estrada foi piorando e as pontes aparecendo.

Cruzamos com uns caminhões que estavam trabalhando na obra das pontes anteriores e conversamos brevemente com eles. Perguntamos sobre a situação das pontes no caminho e, sarcasticamente, eles responderam “Estão muito ruins e nós quebramos algumas no caminho!”. Que notícia boa heim, era melhor não ter perguntado!

Seguimos bem irrequietos, mas para nossa sorte as primeiras pontes tinham apenas uma falha ou outra para desviar, mas a estrutura estava sólida, sem sérios problemas. Essa tranqüilidade não durou muito e aos poucos foram surgindo pontes completamente destruídas. Tivemos que “re-construir” algumas pontes, especialmente as entradas e saídas, pois devido às madeiras soltas e pregos expostos, perigava danificar seriamente o carro. Por isso, sempre parávamos, descíamos do carro, analisávamos a situação e “ajeitávamos” o que fosse necessário. E sempre, um de nós ficava fora do carro direcionando quem estivesse dirigindo.

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Nosso primeiro susto foi ao chegar à ponte que estava pendurada por um fio de aço! Os caminhoneiros haviam nos alertado dessa situação, mas a sensação de ouvir o causo e ver ao vivo é completamente outra. O que fazer? Seguir nosso plano de ataque . . . verificamos tudo e fomos com fé e concentração. Apesar do nervoso e a mão suando frio, deu tudo certo!

Na travessia das pontes você tem que ter total controle do veículo, pois cada movimento é mínimo e não pode haver erro porque senão o pneu pode cair no buraco e o carro ficar preso. Às vezes atravessávamos em 1ª marcha reduzida! Ao mesmo tempo, existe a teoria de acelerar caso a ponte comece a desabar . . . mas como fazer isso em 1ª reduzida? Um grande dilema! Dependendo da ponte conseguíamos vencer esse problema com mais facilidade, mas às vezes era simplesmente colocar o cinto de segurança e rezar.

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Pegamos também um pouco de chuva, o que não nos ajudou muito, pois os pneus já estavam bem desgastados. Ou seja, mesmo com tudo acionado, sambávamos adoidado e tivemos que reduzir ainda mais nossa velocidade, que já era de 15 km/h em média! Além disso, era bom saber que caso acontecesse alguma coisa, a cada 40 km tinha uma torre da Embratel, que teoricamente é quem mantém a estrada. Se bem que uma vez tentamos falar com alguém da torre, pois já estava escurecendo e cogitamos dormir por ali, mas ninguém respondeu ou apareceu . . . ou seja, não sabemos até que ponto elas podem ser consideradas um “ponto de apoio”! Mas não tivemos problemas e encontramos lugares bacanas fora da estrada onde acampamos tranquilos.

Graças a Deus conseguimos atravessar todas as pontes e depois de quatro dias chegamos ao outro lado intacto, mas a cada travessia eram alguns quilos perdidos do nervoso que passamos. Em alguns casos, após a ponte tínhamos que parar para relaxar um pouco. A tensão foi grande, mas a felicidade também! Foi uma experiência e tanto e quando chegamos ao final da “intransitável” BR319 comemoramos com orgulho.

  
  

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