Muita burocracia na América Central

Que dia! Estivemos prester a bater um recorde dentro de outro: rodar em 5 países diferentes em apenas um dia. Na verdade, não sei se existe tal recorde, mas queríamos realizar esta façanha e... quase conseguimos - não fosse pelas ridícula e abusiva burocr

  
  

Que dia! Estivemos prester a bater um recorde dentro de outro: rodar em 5 países diferentes em apenas um dia. Na verdade, não sei se existe tal recorde, mas queríamos realizar esta façanha e... quase conseguimos - não fosse pelas ridícula e abusiva burocracia de um "país" que se chama El Salvador. Deixamos a Guatemala bem cedo nesta sexta-feira e ao chegar no lado salvadorenho da fronteira fomos logo abordados por pelo menos umas duas dúzias de "tramitadores", o equivalente a nossos despachantes. Quase todos são menores de idade e bem agressivos para ganhar um cliente. Ainda mais se tiver um carro tão bonito. Por experiência própria, sabia que não conseguiríamos nada sem eles, mas como contratar todos de uma vez? Acabaram vindo 5 para nos assesorar. Não que isso resolvesse, pois a burocracia é infindável. Imigração, aduana, cópias, inspeção, mais um pouco de tudo isso e mais e mais. Resultado: perdemos 3 horas com tanta palhaçada. Para ninguém pensar que houve alguma incompetência, a realidade está clara nas feições desanimadas dos centenas de caminhoneiros que sentam, muitas vezes por dias, com suas cargas naquele local. Parece que por ser um país tão assolado pela pobreza, querem frear a economia de seus vizinhos centro-americanos, e o recorde de uma dupla brasileira. Calma, o desabafo ainda não terminou. Rodamos sem parar pelas estradas salvadorenhas - não estão nada mal, apenas em alguns trechos há muito buraco - costeando o Pacífico, com belos visuais de praias e ondas. Um mergulho até que ia bem. Mas tínhamos em mente chegar na fronteira com Honduras até as 18 horas, para dar tempo de cruzar os 165 quilômetros do país, pegar a fronteira de saída aberta (fecha às 21 hs), entrar na Nicarágua e seguir viagem noite adentro. Mas deu errado, mais uma vez graças à ridícula burocracia de El Salvador. Estamos reféns do país, no exato momento que escrevo este relato. Como eu que fiz todo o trâmite na entrada, sob um calor úmido de mais de 30 graus, muita sujeira, muitas abordagens, enquanto o Cacá sentava no Forester com o ar condicionado ligado, agora foi minha vez de ficar no carro. Mas já faz mais de duas horas que estamos aqui e não podemos deixar o país, por causa de uma grande besteira. Até a calma costumaz de meu parceiro está se esgotando. Vejam só: na entrada no país, perguntaram nosso destino. Tentei Patagônia, Argentina, Brasil, mas nada disso fazia a moça que prenchia nossos formulários entender nosso objetivo. Assim tentei Honduras, o destino mais próximo que tínhamos. Aí foi fácil entender. Pois, pasmem, agora não nos deixam sair do país, pois não podemos provar que vamos ficar em Honduras por pelo menos 3 dias. Sei que de alguma forma vamos resolver isso e logo escrevo o desfecho.

Atravessando Honduras

Atravessando Honduras

10 horas mais tarde:

Seguindo viagem

Seguindo viagem

Sinto o clamor de nossos amigos que acompanham nosso diário de bordo: onde estão vocês ???? Demorou quase 3 horas para saírmos de El Salvador - melhor nem contar certas coisas, pois ninguém iria acreditar, é surreal - e chegamos ao lado hondurenho. É só cruzar uma ponte, mas parecia tão longe, tão impossível. Por incrível que pareça, contrariando todas as previsões, o trâmite da entrada em Honduras demorou apenas uns 20 minutos. Nossos planos de chegar à Nicarágua foi para o brejo, mas conseguimos uma marca interessante: estivemos em 4 países num período de 24 horas: México, Guatemala, El Salvador e Honduras. Já eram 20hs30 e não alcançaríamos a fronteira aberta. Assim, seguimos por uma estrada bem esburacada - a pior até agora - em direção a fronteira nicaraguense, para "tramitarmos" pela manhã. A única cidade de porte razoável que há no caminho chama-se Choluteca. Precisávamos de algum local para comer, dormir algumas horas e guardar o Forester com segurança. Nunca poderíamos imaginar que, bem na nossa frente, nessa estrada, surgiria a entrada de um hotel-fazenda, pouco antes de chega a Choluteca. Cá estamos, Cacá ainda dormindo, eu tomando um caprichado "desajuno", quem sabe até um banho de piscina. Antes de dormir - ou melhor, capotar - ainda jantamos pescado e spaguetti. Precisávamos de tudo isso e estamos bem adiantados em nosso cronograma de viagem. Também, estamos remontando uma estratégia de fronteiras, para não perdermos tempo em locais nada agradáveis. Assim, resolvemos sair do hotel logo às 10hs da manhã (13hs no Brasil), entrar na Nicarágua, rodar direto até Costa Rica e depois contamos o resto. Nosso amigo e parceiro Jorge Nieckele está no Panamá preparando nosso embarque para Cartagena, na Colômbia, previsto para segunda-feira de manhã. Também preparando a revisão do Forester na concessionária da Subaru local, que teria de ser feita em pleno domingo.

Muitos estão perguntando como é a convivência de nós dois dentro de um espaço tão pequeno por um período tão longo. Agora estamos preparando nossa partida do nosso ninho de descanso, então isto fica para depois.

Continuem acompanhando.

  
  

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