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Expedição ao Aconcágua - Argentina

Durante 18 dias vivi uma grande aventura para conseguir chegar ao topo das Américas, o monte Aconcágua com 6.962 msnm.

27 de Janeiro de 2009.
Publicado por Adilson Moralez  

Trekking até Confluência

Trekking até Confluência - Foto: Adilson Moralez

O monte Aconcágua está localizado na cordilheira dos Andes - Argentina - no parque provincial Aconcágua. Com 6.962 msnm é a maior montanha das Américas, ou ainda a maior montanha do mundo, fora da cordilheira do Himalaia. O Aconcágua, que na língua quíchua significa ‘sentinela branca’, faz parte do circuito dos 7 cumes. Onde é eleita a maior montanha de cada continente:

• Everest – Ásia – 8.850;
• Aconcágua – América – 6.962;
• Denali (Mount McKinley) – Alaska – 6.194;
• Kilimanjaro – África – 5.895;
• Elbrus – Europa – 5.642;
• Vinson– Antártica – 4.897;
• Carstensz Pyramid – Australasia - 4.884;

Apesar de estar há apenas 180 km de Mendoza e de ter uma invejável infra-estrutura de segurança e resgate, o Aconcágua é uma montanha muito desafiadora devido à sua posição geográfica (baixa latitude). O clima dos Andes é muito duro acima dos 5.000 msnm a temperatura pode chegar facilmente abaixo de -20 ºC com ventos superiores a 100 Km/h. Isso explica o baixo índice de sucesso das expedições. Em média, apenas 30% dos montanhistas conseguem atingir o cume durante a temporada - dezembro a março.

Existem várias vias de acesso: normal, polacos, falsa polacos, face sul, etc. Sendo que a rota normal é a mais procurada, por se tratar de uma via de trekking e que não exige conhecimentos técnicos de escalada. Porém, justamente aí está o perigo, pois muitas pessoas subestimam a montanha e se expõem a riscos desnecessários.

Meu roteiro

Hosteria em Penitente

Hosteria em Penitente
Foto: Adilson Moralez

Tudo começou em agosto de 2008 quando aceitei um convite para assistir a palestra do Rodrigo Raineri da Grade 6 sobre sua escalada no Everest. Aquelas imagens de montanha mexeram comigo e imediatamente comecei a buscar um destino para as minhas férias de final de ano. Após conversar com amigos e estudar bem as opções, minha decisão foi o Aconcágua e decidi fazê-lo com a própria Grade 6, baseado em recomendações e pelos 16 anos de experiência do Rodrigo Raineri na montanha.

Após uma série de problemas gerados pela crise econômica, conseguimos finalmente chegar a uma solução e o grupo foi composto por 9 pessoas, sendo 6 para o trekking até o campo base (Plaza de mulas) e 3 para a expedição (tentar o cume). A grande vantagem dessa união é que o próprio Rodrigo Raineri foi o guia do trekking e durante o trajeto nos dava dicas valiosas de segurança, hidratação, alimentação, etc. Para a expedição tivemos um excelente guia também: Pedro Bergamin. Uma pessoa muito calma, experiente em montanhismo e muito comprometido com segurança.

• Expedição até o cume: Eu, Adelino e Pedro (guia);
• Trekking até campo base (Carlão, Nanci, Laura, Mônica, Graziela e Rodrigo (guia);

A chegada do grupo em Mendoza foi no dia 26/12/08 e nos dedicamos a arrumar as mochilas, retirar a permissão de entrada no parque e comprar a alimentação para o trekking e dias de acampamentos avançado na montanha. Partimos à tarde para Penitentes onde dormimos na hosteria Ayelen a 2.800 msnm.

1º dia – 28/12/08 Trekking até Confluência – 3400 msnm

Grupo na entrada do parque

Grupo na entrada do parque
Foto: Adilson Moralez

Aqui já começamos a aventura e após o café da manhã fomos levados até a portaria do Parque Provincial Aconcágua. Lá, foi feito o registro de cada integrante que recebe uma ficha que deverá mantê-la consigo para as devidas anotações médicas e controle de devolução de lixo e excrementos (para quem for tentar o cume).

A entrada do parque é linda e já mereceu muitas fotos, principalmente da laguna Horcones, com a bela vista do Aconcágua coberto de gelo ao fundo. A caminhada de 20 km até o primeiro acampamento, Confluência, foi bem tranqüila e levamos 4,5 h. Nossa instalação foi numa barraca comunitária com direito a cama de campanha para maior conforto. O jantar e café foram elaborados pela Eugênica, responsável pelo acampamento. A recomendação era beber muito líquido para facilitar a aclimatação. Portanto, suco e chá foram as bebidas mais consumidas.

2º dia – 29/12/08 - Trekking até Plaza Francia – 4200 msnm

Trekking até Plaza Francia

Trekking até Plaza Francia
Foto: Adilson Moralez

Este dia é dedicado à aclimatação e para isso devemos subir algumas centenas de metros e retornar para dormir na mesma altitude. O programa foi uma aproximação a Plaza Francia para ver a incrível parede da face sul. O cume estava encoberto e não deu para ver em detalhes sua grandiosidade. Também tivemos uma mudança de tempo com um princípio de nevasca. Após retornar para Confluência fomos fazer o 1º exame médico. Eu apresentei bons resultados: pressão arterial 12:8, 99 bpm e oxigenação no sangue em 91%.

Aqui se tem a primeira vantagem da infra-estrutura do parque, caso você não esteja em condições os guarda-parques não liberam sua subida.

3º dia – 30/12/08 – Trekking até Plaza de mulas – 4370 msnm

Trekking até Plaza de Mulas

Trekking até Plaza de Mulas
Foto: Adilson Moralez

Este dia é considerado o 2º mais difícil da expedição, pois se trata de um trekking de 24 km, onde se gasta em média 9 horas de caminhada saindo de 3.300 msnm e chegando a 4.370 msnm.

A paisagem é maravilhosa e de uma grandiosidade incrível nos fazendo sentir minúsculos diante da natureza. Após cerca de uma hora chega-se à Playa Ancha, onde a trilha se alarga muito, fazendo jus ao nome. Durante todo o trajeto cruza-se o rio Horcones (de degelo) várias vezes e a dificuldade nisso varia de ano a ano. No nosso caso as águas estavam baixas e não causaram transtornos. Para os pontos mais difíceis existem pontes. Neste trajeto também se cruza com dezenas de expedições e tropas de mulas que abastecem o acampamento e o hotel refúgio. Bem, só neste trajeto fiz dezenas de imagens.

Na chegada há duas opções: Cuesta Brava para quem vai ao acampamento e Cuesta Amarilla para quem vai para o hotel refúgio. Ambas têm uma inclinação bem forte em relação à trilha, mas o prazer de ver o destino próximo compensa o sacrifício. A costa Marija pode estar instransponível dependendo do volume do rio ou da espessura do glaciar.

4º dia – 31/12/08 - Descanso no Hotel refúgio Plaza de mulas

Hotel Refúgio Plaza de Mulas

Hotel Refúgio Plaza de Mulas
Foto: Adilson Moralez

Confortavelmente instalados no refúgio o dia seria dedicado à hidratação e descanso, ou seja, ficar o dia todo sentado em torno do aquecedor tomando chá e suco. Aproveitei o dia para fotografar o local e o glaciar em frente. À tarde aproveitamos para treinar a montagem da barraca North Face V25 e preparar a comida que seria transportada até Plaza Canadá no dia seguinte.

O refúgio é uma construção robusta em madeira e aço feita para resistir aos rigores do inverno do local. Considerando que está no meio do nada, oferece um excelente conforto como telefone público via satélite, acesso internet, banheiros, aquecedor, energia elétrica (gerador das 20 às 22h), ótimas refeições e o melhor de todos: um excelente atendimento por parte do proprietário (Eduardo Ibarra) e funcionários (Anita, Anabela, Ramon, Rodrigo...)

Como era noite de reveillon, tivemos ceia com direito a champanhe e tudo mais.

5º dia – 01/01/09 - Transporte de comida para Plaza Canadá – 4800 msnm

Transporte até Plaza Canadá

Transporte até Plaza Canadá
Foto: Adilson Moralez

Como parte do processo de aclimatação e para facilitar a logística dedicamos o dia para levar metade da comida que usaríamos nos acampamentos avançados até Plaza Canadá. Antes da subida passamos para a segunda inspeção médica e fomos aprovados. A subida até Canadá é bem acentuada e ali já adotamos o que se chama: passo da montanha. Ou seja, passos bem curtos, lentos e constantes.

A comida foi acomodada em um saco plástico e deixada “escondida” entre algumas pedras. A descida é bem mais tranqüila e em pouco tempo estávamos de volta ao refúgio para a nossa rotina: tomar chá à beira do aquecedor.

6º dia – 02/01/09 – Descanso no refúgio

Acampamento Plaza de Mulas

Acampamento Plaza de Mulas
Foto: Adilson Moralez

O dia foi dedicado a descanso e hidratação. Para quebrar o tédio fui conhecer em detalhes o acampamento Plaza de mulas e ver como é a vida por lá. Fiz várias fotos e alguns clipes de sua rotina. Interessantíssimo ver o movimento por lá com suas barracas restaurantes, telefone via satélite e até acesso internet. A parte cômica do dia foi tirar fotos com os guarda-parques que insistiam em dizer que me parecia com seu chefe.

A tarde foi dedicada para teste dos fogareiros e arrumação da mochila para o dia seguinte.

7º dia – 03/01/09 – Transporte até Nido de Condores – 5400 msnm

Transporte até Nido de Condores

Transporte até Nido de Condores
Foto: Adilson Moralez

O dia foi bastante duro, pois partimos às 9h sob um frio de 0 ºC, com a segunda parte da comida na mochila. Passamos por Plaza Canadá onde pegamos parte da comida que lá estava. A partir de Canadá a subida ficou mais difícil e cansativa, mas com o aparecimento do sol a temperatura já estava em 8 ºC. Chegamos a Nido às 14:20h e deixamos toda a comida num saco plástico ao lado do trailer dos guarda-parques. Voltamos rápido, pois o tempo já estava virando e a previsão não era muito boa para a tarde. Mesmo assim, ainda havia muita gente subindo.

Ao final da tarde retornamos à nossa rotina ao redor do aquecedor, tomando chá e conversando com as pessoas de outras expedições sobre a logística a ser utilizada no ataque ao cume.

8º dia – 04/01/09 – Descanso no refúgio

Treinamento com crampom

Treinamento com crampom
Foto: Adilson Moralez

Esse foi o primeiro dia de descanso antes da subida final para os acampamentos avançados. Para aproveitar o tempo fomos testar os crampons no glaciar em frente ao refúgio. Aproveitei para gravar alguns vídeos e fotografar a aula. Neste dia conversamos muito com um grupo de Campinas formados pelo Paulinho, Décio, Casella, Eduardo, Juarez e Adriano e começamos a discutir a logística nos acampamentos avançados.

Hoje tivemos uma notícia muito triste: um alpinista alemão havia morrido na via Polacos após uma queda.

9º dia – 05/01/09 – Descanso no refúgio

Descanso no refúgio

Descanso no refúgio
Foto: Adilson Moralez

Este foi mais um dia de descanso e nos despedimos de nossos amigos de Campinas que já partiram para Nido de Condores. Aproveitamos a tarde para desmontar nossa barraca e arrumar a mochila para o dia seguinte. A temperatura caiu bastante e só nos restou ficar ao lado do aquecedor se hidratando. Por volta das 19h caiu uma nevasca que deixou tudo branco. Não resisti e fui gravar um clipe informativo lá fora.

10º dia – 06/01/09 – Subida final para Nido de Condores – 5400 msnm

Acampamento em Nido de Condores

Acampamento em Nido de Condores
Foto: Adilson Moralez

Hoje o dia foi bem duro. Quando pesei minha mochila com 19kg sem água, não acreditei. Com um rearranjo consegui eliminar 2kg e transferir 2kg para nosso carregador Facundo (mediante 20 US$ adicionais) e acabei ficando com 17kg incluindo água.

O dia estava bem frio e partimos às 9h com 0 ºC. No início da subida com o surgimento do sol a temperatura subiu para 8 ºC, mas ainda estava muito difícil progredir devido ao peso. Só chegamos às 16:15h e sob uma terrível nevasca. Facundo, chegou pouco antes de nós e nos ajudou a montar a barraca rapidamente. Pegamos a comida, enchemos um saco de neve e fomos muito rápido para a barraca fazer água e preparar um chá e sopa para nos aquecer. No resto da tarde e início da noite tivemos uma terrível tempestade com fortes raios e trovões. O barulho da neve na barraca mais parecida chuva de granizo. Para piorar a situação acabei furando meu isolante therma-rest e a noite não foi das melhores.

Para aumentar nossa preocupação ouvíamos pelo rádio os guarda-parques falando em resgate na montanha. A informação não estava clara, mas havia um grupo de pessoas perdidas.

11º dia – 07/01/09 – Descanso em Nido de Condores

Helicóptero durante resgate em Nido de Condores

Helicóptero durante resgate em Nido de Condores
Foto: Adilson Moralez

Hoje o dia foi dedicado para descanso, hidratação e aclimatação. Apesar de termos acordado 7:30h não deu para sair da barraca antes das 9:30h, hora que o sol nos atingia e aquecia um pouco. O acampamento estava completamente branco pela nevasca do dia anterior e aos poucos todos iam saindo das barracas para se aquecer e começar o dia.

O helicóptero não parava de ir e vir e nossa preocupação só aumentava, pois algo muito grave estava acontecendo. Isso se confirmou quando tentamos contratar um carregador para Berlin e fomos informados que todos estavam alocados no resgate.

À tarde encontramos nossos amigos de Campinas que agora estavam só em três: Paulinho, Décio e Eduardo. Pois o Casella, Juarez e Adriano haviam retornado. Junto com eles estava o Guilherme do Rio e desta forma, decidimos unir forças formando um grupo de 7 pessoas para o ataque ao cume.

12º dia – 08/01/09 – Subida para Berlim – 6000 msnm

Trekking até acampamento Berlim

Trekking até acampamento Berlim
Foto: Adilson Moralez

Acordamos tranqüilos e quando o sol já estava quente desmontamos a barraca, fizemos um almoço rápido e partimos às 12:30 h. Porém, após uma hora de caminhada o tempo virou novamente e veio outra nevasca. Ao chegar em Berlim tudo estava coberto de gelo e continuava nevando e ventando forte, dificultando a montagem da barraca.

Tivemos que acampar sobre o gelo e proteger bem o fundo da barraca com os isolantes para garantir uma boa noite de sono. Pelo menos já tinha conseguido consertar meu isolante que havia furado. Usamos a mesma técnica do dia anterior, entrando rapidamente na barraca já com o saco de neve para fazer água e se aquecer.

Nessa tarde encontramos com o Eduardo Ibarra (proprietário do refúgio), que havia subido para ajudar no resgate. Aí conseguimos a informação de um grupo de italianos que havia se perdido no retorno do cume. Continuamos ouvindo pelo rádio o drama dos guardas no resgate deles. Ficamos impressionados de ver a solidariedade dos guardas, carregadores e do Eduardo na mobilização para salvar os italianos.

13º dia – 09/01/09 – Descanso em Berlim

Acampamento Berlim

Acampamento Berlim
Foto: Adilson Moralez

Acordamos tranqüilos e só deu para sair da barraca após as 10h quando o sol já havia aquecido o ambiente. A neve estava alta lá fora e aproveitei para explorar os arredores enquanto derretíamos gelo para fazer água. Nesta tarde a italiana foi resgatada e passou pelo acampamento sendo socorrida pelos guarda-parques. Essa situação toda mexeu muito com a gente e todos nós ficamos muito apreensivos sobre a situação na montanha.

14º dia – 10/01/09 – Cume – 6962 msnm

Cume do Aconcágua - 6.962 msnm

Cume do Aconcágua - 6.962 msnm
Foto: Pedro Bergamin

Bem, hoje foi o dia D. Acordamos às 3h e começamos os preparativos: fazer água, preparar chá e se vestir. Como estávamos em 3 na barraca ficou difícil se mover e não podíamos correr o risco de esquecer nada. A temperatura dentro da barraca era de -10 ºC, muito bom para um dia de cume. Já com as roupas o mínimo de roupa saímos da barraca para completar a vestimenta: colocar os crampons, cobre-luvas, polainas, etc. Até pensei em fazer algumas fotos, mas a situação e as luvas não permitiam.

Finalmente às 4:30 h os 7 estavam prontos (Eu, Pedro, Adelino, Paulinho, Edu, Décio e Guilherme) e partimos em direção ao nosso objetivo. No caminho foi possível ver o acampamento cólera, de onde mais pessoas estavam se preparando para sair. A lua estava cheia e iluminava todo nosso caminho, quase que dispensando o head lamp. De início, até senti calor, mas próximo do amanhecer a temperatura caiu um pouco mais.

Quando a lua começou a se pôr avermelhada no horizonte o sol já surgia do outro lado proporcionando um show sem igual para um dia tão especial. Neste momento, eu, Pedro e Adelino já estávamos chegando à Independência – 6.400 msnm. O restante do grupo vinha mais lentamente e acabamos nos distanciando.

Neste ponto, o Adelino decidiu retornar, pois estava em seu limite físico. Eu também estava exausto, mas tinha que seguir adiante e a partir deste ponto segui usando o psicológico para impulsionar o corpo, pois o desgaste era enorme.
Quando entramos no “gran acarreo” um forte vento jogava neve no rosto, aumentando ainda mais a dificuldade. Os poucos passos eram dados entre intervalos enormes para descanso. O Pedro caminhava à frente e eu me esforçava muito para manter o ritmo.

Durante pequenas pausas, eu descansava o corpo sobre os bastões e ao fechar os olhos, automaticamente entrava num estado de sonolência e delírio que duravam alguns segundos. Era uma mistura de realidade, sonho e até mesmo delírio. Interessante saber que este fato também foi reportado por vários membros do grupo.

Algumas horas mais de subida e paramos para descansar, comer e se hidratar na “cueva”, uma parede de rocha que forma um pequeno abrigo. O que viria a seguir é um dos pontos mais temidos da ascensão: a “canaleta”. Um trecho bem íngreme e no nosso caso com o agravante de cerca de 30 cm de neve. Nossa sorte é que havia um chileno na nossa frente que ia abrindo o caminho.

Como ele estava bem adiantado fez o cume e já voltava quando nos deu a péssima notícia que havia um corpo no cume. Mais tarde fomos saber que se tratava de um inglês que havia sofrido um ataque cardíaco logo após atingir o cume e seu corpo aguardava o resgate de helicóptero, quando o tempo permitisse. Isto definitivamente nos abalou muito.

Finalmente, às 12:52 h, após oito horas e meia de caminhada eu e o Pedro chegamos ao topo das Américas: o cume do Monte Aconcágua. A princípio estava tão exausto que não conseguia raciocinar e priorizar o que fazer. Quando caímos na real, nos abraçamos, choramos, e nos parabenizamos pelo grande feito.

Estávamos apenas os dois no cume, pois nossos companheiros vinham mais lentamente, e tivemos dificuldades para fazer fotos juntos. Fizemos dois vídeos bem emocionados para registrar nossos agradecimentos pela conquista e já mais descansados fiz uma bateria de fotos da cordilheira, da cruz no cume, da face sul e nossas, individualmente.

Mantendo o bom senso, ficamos cerca de 30 min e começamos a longa e cansativa descida. No caminho encontramos nossos amigos, além de muitas pessoas em seus passos lentos. Em cerca de duas horas já estávamos no conforto de nossa barraca novamente com uma enorme sensação de dever cumprido. Passamos o resto do dia descansando e esperando nossos companheiros que finalmente chegaram ao final da tarde.

Visual do cume
Gran Acarreo
Face sul vista do cume

15º dia – 11/01/09 – Retorno ao refúgio

Descendo até o refúgio Plaza de Mulas

Descendo até o refúgio Plaza de Mulas
Foto: Adilson Moralez

Para minha surpresa, este foi um dia extremamente duro, pois tivemos que descer com a carga total: barraca, lixo, saco de caca, comida, benzina e tudo mais. Minha mochila estava com 22 kg e o trajeto foi bem longo. Após várias e longas horas finalmente chegamos a Plaza de mulas, onde o Pedro, que caminhava na frente, nos fez uma surpresa pagando 15 US$ por uma Sprite de 1,5 litro. Foi o refrigerante mais caro e saboroso que tomei na vida.

Passamos pelos guarda-parques entregamos a caca e carimbamos a permissão. Mais 30 min de caminhada e finalmente chegamos ao aconchegante refúgio. Após um bom banho fizemos uma refeição quentinha e passamos o resto da tarde descansando e contando histórias ao redor do aquecedor.

À noite, após o jantar tivemos a clássica celebração com champanhe e vinho. O Pedro também mostrou seus dotes artísticos e ficamos até tarde cantando ao som de um violão.

16º dia – 12/01/09 – Retorno para Horcones

Retornando até a portaria do parque

Retornando até a portaria do parque
Foto: Adilson Moralez

Acordamos tranqüilos, arrumamos a mochila de ataque, que iria conosco, e a marinheira com toda a tralha que iria de mula. Partimos às 11:15h para percorrer os 35 km até Horcones, portaria do parque. Apesar de ser descida e estarmos leves o trajeto é bem cansativo. Mas como estávamos todos juntos, a descida foi muito prazerosa e passou rápido. Não pude deixar de fazer novas fotos neste trecho que tem paisagens surreais. Incrível o número de expedições que desciam e subiam, além das diversas tropas de mulas que passavam por nós.

Na portaria, demos baixa na permissão e tão logo as mulas chegaram fomos de van para Mendoza comemorar com um bom bife de chorizo e muita cerveja.


Confira o audiovisual dessa viagem

Conclusão

Apesar de todo esforço e cansaço, a viagem foi simplesmente maravilhosa e me senti extremamente feliz com o resultado. Conseguir chegar ao cume na primeira tentativa foi muito gratificante e mostra que fizemos bem nossa parte: treino, preparativos, aclimatação, logística, bom senso, hidratação e alimentação. Sem dúvida alguma, Deus através da natureza, fez sua parte nos dando um dia perfeito para o cume.

Dicas do autor


Adilson Moralez
adilson@ecofotos.com.br
www.ecofotos.com.br

• O Aconcágua é muito perigoso e jamais deve ser subestimado. Apesar da rota normal ser um trekking de altitude merece todo o respeito;
• Na semana que estiva lá, morreram 4 pessoas sendo que duas muito provavelmente padeceram, pois desrespeitaram as normas de segurança chegando ao cume muito tarde e foram pegas por tempestade;
• Caso não seja montanhista muito experiente a contratação de um guia ou empresa de suporte é fundamental;
• Cuidado com auto medicação. Em grandes altitudes os efeitos dos remédios mudam;
• Muita atenção com roupas e equipamentos, qualquer falha ou sub dimensionamento pode trazer sérias conseqüências;
• Fazendo tudo certinho a montanha certamente será uma fonte de prazeres e conquistas;
• Uma frase que ouvi na montanha e adorei: O cume é nossa casa;

Serviços

Grade 6
Av. Almeida Garret, 1687
Parque Taquaral
Campinas - SP
19-3241-9709

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Comentários

Rodrigo Raineri

 postado: 2/2/2009 22:11:59editar

Parabéns Adilson! Por tudo: pela força e perseverança na empreitada, pela organização, pelos registros e pelo respeito pela Natureza. Parabéns também por pisar o cume do Teto das Américas, o Sentinela de Pedra. Tenho certeza que as experiências, as lições aprendidas e as amizades, você ganhou para o resto da vida! Isto é o que trazemos das montanhas, lugar onde os homens "realmente vivem". Um forte abraço!

 

Flavio Melo

 postado: 4/2/2009 21:36:39editar

Adilson, parabéns, parabéns, parabéns! Fico enormemente feliz com a sua conquista. Ainda me lembro das nossas conversas em Itatiaia há quase 10 anos atrás, tentando resolver o tanque de gasolina furado no seu carro por uma pedra, enquanto voce falava de planos com fotografia de natureza, e de montanhas... e sonhos... E putz, olha voce realizando um dos maiores sonhos de um apaixonado por naturezas e montanhas. Cara, que fenomenal!!!!

 

aixa

 postado: 5/2/2009 14:08:13editar

gustaria saver o valor pa expe a argentina

Olá Aixa, recomendo você falar diretamente com a Grade 6 - www.grade6.com.br - 19-3241-9709

Maria Teresa Brigido

 postado: 5/2/2009 18:21:37editar

Adilson, você realizou esse grande sonho que tive em minha vida:estar no topo das Américas ! também amo o Aconcágua! Felicidades.

 

denise

 postado: 7/2/2009 23:18:26editar

Impressionante!!!!!Fico feliz ao escutá-lo, Denise

 

Ernesto Augusto Lovato

 postado: 10/2/2009 16:36:38editar

Somos do Cafe Regional do Vale - Cerro Azul Pr. onde voce veio com o grupo da Karin. Meus parabéns Adilson
pela perseverança, determinação e força de vontade que DEUS sempre ilumine os teus caminhos e guie teus passos.
aguardo teu contato

 

Goiano Martins Villela

 postado: 11/2/2009 12:51:42editar

Gostaria de fazer a escalada ao monte Aconcágua, entretanto, prezo por toda segurança possível.Apesar da rota normal ser um trekking de altitude, gostaria de uma equipe especializada. Alguém sabe de grupo de expedições profissional especializado.

Atenciosamente,

Goiano

Goiano
Essa foi minha primeira preocupação ao escolher uma empresa para me acessorar. Por isso recomendo a Grade 6 - www.grade6.com.br. Presenciei muitas pessoas por lá fazendo por conta e passaram por vários problemas.
Boa expedição

Mauricio Miranda

 postado: 11/2/2009 14:06:36editar

E ai grande,
Gostei da sua matéria.Tenho 50 anos, sou advogado e há muito faço escaladas em serras e morros da minha região.Meu sonho é poder um dia participar de uma aventura como a sua.Sou amante e defensor da natureza e dos seus recursos e tenho como hobby também, longas caminhadas.Um dia chego onde voce esteve. Parabéns.

 

Maria Lúcia

 postado: 22/2/2011 21:15:21editar

Olá Adilson!
Que aventura espetacular, parabéns. Sei que foi a realização de um sonho inesquecivel. Fico imaginando o espetaculo que é olhar o mundo de cima do ponto mais alto das américas e o segundo mais alto do mundo. Showwwwww.
Maria Lúcia

Olá Maria Lúcia
Obrigado pela visita e pela mensagem.
Apenas uma pequena correção o 2 maior do mundo é K2 que fica no Himalia.
Valeu - abraços

JUNIOR

 postado: 20/6/2012 11:07:47editar

OLÁ:TENHO 39 ANOS E ESTOU PRETENDENDO COMEÇAR A ME AVENTURAR POR ESSES LUGARES INCRÍVEIS, ESPECIALMENTE MONTANHAS, E AINDA ESTE ANO PRETENDO IR AO ACONCÁGUA OU A LUGAR PARECIDO(MEU PRESENTE DE ANIVERSARIO), MAS TENHO DÚVIDAS E RECEIOS, POIS NUNCA VIAJEI PARA LUGARES ASSIM, E POR ISSO NAO TENHO NENHUMA EXPERIENCIA. O QUE VOCES TÊM A DIZER PARA "MARINHEIROS" DE PRIMEIRA VIAGEM? QUAIS AS RECOMENSAÇOES MAIS IMPORTANTES? AGUARDO RESPOSTA.

Olá Junior, tudo bem?
Bem, minha recomendação é começar com montanhas menores e mais fáceis. O Aconcágua não é para iniciantes, a não ser que queira ir até o campo base apenas (4300 m). Minha sugestão é começar com a cordilheira real na Bolívia, ou alguns vulcões no Equador. Recomendo bater um papo com o pessoal da www.grade6.com.br que irão lhe dar toda a orientação e montar um plano de montanhas a fazer até que esteja pronto para encarar o Aconcágua.
Grande abraço e boas escaladas


 

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