A criação do mundo, ao vivo, na Chapada Diamantina

Visitar qualquer uma das centenas de atrações naturais da região do Parque Nacional da Chapada Diamantina é como pisar, ao vivo, numa parte da própria criação do mundo.

  
  

Apresentação

Morrão

Visitar qualquer uma das centenas de atrações naturais da região do Parque Nacional da Chapada Diamantina é como pisar, ao vivo, numa parte da própria criação do mundo. Ali, na região central da Bahia, a 400 km do litoral, há pelo menos 600 milhões de anos o sertão era mar. O mar virou sertão mesmo quando um choque entre placas tectônicas atingiu as entranhas do planeta e fez surgir na região uma paisagem única. São centenas de cachoeiras, poços, rios, vales, altiplanos, canyons, grutas, cavernas, campos gerais e trilhas para o trekking de tirar o fôlego. Lá está, por exemplo, uma das maiores cachoeiras que se tem notícia no Brasil: a Cachoeira da Fumaça com seu assustador paredão de pedra de 380 metros de altura.

È surpreendente a quantidade e a variedade da vida em seu ecossistema. Contrariando o chavão do `nordeste da seca` ali há água em abundância. Água pura, direta da fonte, muitas vezes de cor avermelhada, causada pela decantação das folhas do tanino. Aves, répteis, batráquios, roedores e até onças freqüentam essas paragens idílicas. Tudo isso protegido, na maioria, dentro dos 152 mil hectares do Parque nacional da Chapada Diamantina, criado em 1985. Esse patrimônio natural resistiu ao ciclo do garimpo do diamante que transformou toda a região de Lençóis, Xique-Xique de Igatú e Andaraí em enormes queijos suíços, com buracos e pedras por todos os lados.

O ecoturismo tem sido uma alternativa de desenvolvimento viável para a economia da Chapada Diamantina há dez anos. Ainda não existem grandes correntes de turismo predador na região embora grandes grupos de excursão do nordeste tenham Lençóis como destino. O custo de vida é baixo, comparado ao do sudeste. Ainda se consegue comida e hospedagem boa e barata por lá. Os índices de violência e criminalidade também são quase inexistentes. Não existe uma rede organizada para explorar o turista. O roteiro que eu fiz em uma semana mostra todos os principais atrativos da região sem andar muito a pé. É ideal para quem quer descansar curtindo a natureza.

Primeiro dia

Morro do Pai Inácio

Logo no primeiro dia os dorminhocos como eu percebem que não vão ter moleza na Chapada Diamantina. O vôo da Pantanal sai de Congonhas todos os domingos, às oito da matina. A partir daí você nunca mais vai acordar tarde enquanto estiver por lá.

Ainda grogue de sono, precisei de um pouco de jeito para acomodar meus quase dois metros de altura no ATR-320, um turbohélice de quarenta e poucos lugares. Mas se o espaço é pequeno o chocolate branco da kopenhagen que é dado junto com as refeições vai deixar saudades!

Uma hora depois, escala em Belo Horinzonte. E daí para a frente mais duas horas e pouco , direto até Lençóis, a `capital da chapada`, aonde cheguei na hora do almoço. Fui recebido no aeroporto e encaminhado para o hotel. No quesito hospedagem há várias alternativas para escolher. Por isso as pessoas acabam ficando separadas. Eu fiquei em um hotel numa parte central, mas bastante tranqüila da cidade.

Fazia muito calor e o plano era o de tomar uma ducha e duas horas depois subir em um dos cartões postais da Chapada Diamantina: o Morro do Pai Inácio que fica há 30 km de Lençóis, ás margens da BR 242. Uma caminhada leve de 20 minutos por escadas naturais de pedra esculpidas em suas encostas íngremes, leva aos cerca de mil metros de altitude e dá direito a 360 graus de uma vista panorâmica muito linda, coisa de cinema! Vi o sol se pôr enquanto o guia local contava a lenda do escravo Inácio que se apaixonou por sua senhora e sumiu do mapa pulando de guarda-chuva do tal morro.

Voltei para o centro de Lençóis no começo da noite e fui literalmente procurar minha turma para saber o que me esperava pela manhã. Descobri que íamos fazer um roteiro básico, o `roteiro das tias`, assim chamado porque é uma espécie de showroom da chapada. Dura 6 dias, passa pelos principais atrativos da região, tem trilhas mais que moderadas mas não dispensa a mordomia do resgate em jipe e o conforto de dormir em camas e poder se servir de banheiros. Jantamos uma pizza de palma - um tipo de cactus - feita na pedra e fomos dormir.

Segundo dia

Poço do Diabo

Fui acordado pelo guia às sete da manhã. Logo depois tentava tomar meu breakfast junto com dezenas de adolescentes de dois colégios de Salvador que faziam excursão na Chapada. Sobrou pouco depois da passagem deles, mas ainda consegui provar alguma coisa típica como o bolinho da tapioca, o suco de graviola e a geléia de jaca.

Ás oito e dez o jipe passou para me pegar. Estava na hora de conhecer as cachoeiras do rio Mucugezinho e do Poço do Diabo.

Depois de viajar 20 km no asfalto, o jipe parou num bar de beira de estrada. Começava ali a trilha pelo vale do Mucugezinho, em terreno acidentado, pedregoso, com areia por todo canto. Depois de falar sobre o passado geológico da região, nosso guia mostrou dois espécimes clássicos da flora do lugar: o xique-xique e a clitorídea, ou `perereca de freira`. O xique-xique é um cactus com a cara de um velho que está sempre olhando para o poente e serve de bússola para o sertanejo. A clitorídea, como o nome diz, parece com a dita cuja.

Chegamos nas cachoeiras com um sol de rachar taquara na cabeça. Uma equipe tinha armado um rapel de 20 metros e uma tirolesa de 40 metros para quem quisesse fazer, pagando á parte. Com aquele calor eu só queria nadar no Poço do Diabo. Uma piscina natural funda, com a água cor de coca cola, de uns 30 metros quadrados, alimentada por um conjunto de cachoeiras altas, cheias de lugares para tomar uma boa ducha e que deságuam numa garganta apertada e profunda, esculpida num paredão de rocha. Êta coisa boa ficar ali debaixo da água!

Das cachoeiras peguei o jipe novamente para almoçar em Iraquara, a 75 km de Lençóis. Lá fica a Gruta da Pratinha, onde se paga dez reais para mergulhar durante 30 minutos, com snorkel, em águas cristalinas, a 24 graus de temperatura. O curioso é que mesmo com a água nessa temperatura todo mundo sai da gruta batendo o queixo de frio. Na primavera ainda entra a luz do sol nas grutas, o que dá uma cor azulada muito bonita na água. Há muitos peixes coloridos e até tartarugas na Pratinha. Alguns lugares são bem fundos. A água da gruta é a mesma do Lago da Pratinha, que fica ao lado. Quem não quiser mergulhar na gruta pode fazer tirolesa ou nadar nesse lago muito grande e cristalino, cheio de vitórias-régias, peixes e pedras com musgos de várias cores e formas. Um visual muito bonito pra ficar sapeando.

Quando o frio bateu fui me trocar e subi para o varandão onde rola o almoço tipo `serve-serve` de pratos típicos da chapada: o godó de banana, a palma refogada, feijão tropeiro, aipim frito e aquela pimenta de desempacar bode na serra...

Vários copos de suco de maracujá-bravo depois, parti com o grupo para a Lapa Doce, ali mesmo em Iraquara, uma enorme caverna onde no passado corria um rio. Durante cerca de duas horas andei por salões muito altos e compridos onde as estalactites e estalagmites estão em formação... um verdadeiro berçário de cristais em estado bruto. Numa das salas gigantescas o guia nos apresenta com sua lanterna o `monstro da Lapa Doce` que ele faz surgir dramaticamente das sombras de uma rocha.

Depois pede para que todos apaguem as lanternas e façam um minuto de silêncio total para `sentir a escuridão`... Depois das inevitáveis piadinhas a galera fica quieta e todos sentimos um frio na barriga. A escuridão daquele lugar é apavorante.

Saí da Gruta quando já estava de noite. No caminho de volta para o resgate do Jipe, um céu desses de planetário brilhava acima da minha cabeça. Tentamos encontrar o Cruzeiro do Sul e descobrimos que ninguém manja nada de astronomia. Perto do Jipe um bando de crianças insistia muito para eu comprar `quebra-queixos`, uma bala puxa-puxa de goiaba.

Depois de quase duas horas de viagem chegamos no hotel. Tomei uma bela ducha e fui dormir todo queimado de sol. Apesar de ter passado o protetor solar, minha orelha estava cheia de bolhas. O sol lá não é mole!

Terceiro dia

Cachoeira da Fumaça

Como já estava virando hábito o guia me acordou pontualmente ás sete da manhã. O desafio de hoje era subir no topo de Cachoeira da Fumaça, uma trilha bem puxada de 7 km em terreno bem acidentado e escaladas fortes, que exige bastante alongamento e um certo preparo físico. A trilha parte do Vale do Capão, de um local onde há vendinhas e pousadas. Uma guarita do Ibama registra a entrada e a saída de todos na trilha e pede uns trocados para ajudar na conservação. Conforme o grupo de trekkers a trilha pode ser vencida em 3 horas. Entrar na trilha cedo garante mais conforto. O sol é realmente muito forte depois das dez da manhã e até umas cinco da tarde. A primeira parte da trilha é a subida na encosta da montanha. É íngreme, vários trechos com pedras soltas, escaladas, etc... Jimmy, um cachorro vira latas que acompanha meu grupo parece um atleta pulando de pedra em pedra. Para os humanos o melhor é usar aquelas calças que viram bermudas. Às vezes aparece um monte de capim chamado capim navalha. Adivinha o que ele faz com a sua perna? Depois de uma hora e meia a trilha alcança um altiplano e fica bem mais fácil para caminhar.

Antes de chegarmos ao topo da pedra de onde se pode deitar e rastejar até a boca do precipício de 380 metros da garganta da Cachoeira da Fumaça, cruzamos um riacho caudaloso e tranqüilo de águas avermelhadas da cor do tanino. Esse riacho é a água que vai virar fumaça na cachoeira alguns metros lá na frente.

Esgueirando por um caminho de pedras traiçoeiras chego na boca da Cachoeira mais alta do Brasil. A água do riacho escorre pela fenda. A alucinante queda no canyon de 380 metros de altura encontra o vento ascendente e como mágica a água sobe para o céu provocando chuva localizada.Ou então cai virando fumaça no buraco sem fim. Fico algum tempo olhando sem reação. De repente ouço a voz do guia chamando para ver o poço da cachoeira lá de cima. Do outro lado do riacho, tipo uns 50 metros, uma rocha encravada na montanha está suspensa como um trampolim sobre o abismo. Para ver o poço da cachoeira 380 metros lá embaixo você só tem que respirar fundo e rastejar até a borda. Uma foto desse ângulo é imperdível. Não se preocupe com a segurança. Durante o tempo todo o guia vai estar pegando no seu pé, literalmente.

Tantas emoções dão uma fome de onça. Nessa hora é sempre bom ter um lanche de trilha caprichado na mochila. O meu tinha laranja, mexerica, suco de goiaba, castanhas, quebra- queixo, bombom, sanduíche de frango e sanduíche de queijo. Ah, tinha um ovo cozido também. Todo mundo comia a clara e dava a gema para o cachorro Jimmy. Era pra ser uma homenagem ao guitarrista do Led Zeppelin, Jimmy Page, que tem uma casa em Lençóis. Depois de tanto ovo o apelido do cachorro virou Jimmy Peido. Já viu né!

Encontrei muitos grupos lá em cima, na hora do lanche. Muitos holandeses... três garotas falando francês tiveram uma atitude típica de terceiro mundo: escreveram na pedra seus nomes e a data. Ninguém falou nada pra elas. Tive muita vontade de dar uma esculachada. Poxa vida, todo mundo tomando a maior conta, recolhendo lixo de trilha, enterrando restos, etc e elas vão lá e dão uma dessas!

Depois de comer, beber e descansar, o caminho de volta tinha que ser feito. Os mesmos 7 km com o sol da tarde na cabeça pareciam 20 km.

Cheguei em Lençóis no finalzinho da tarde bastante cansado, mas satisfeito com o passeio. Estava todo mundo no Bar Grisante, na praça principal, tomando uma cerveja ou um suco de pitanga. Nem saímos de lá para jantar. Dez horas já estava dormindo.

Quarto dia

Adivinha quem me acordou às sete horas da manhã? Meu guia né. Tava esperando quem? `Gisele Bündchen`?

O jipe atrasou um pouco mas antes das oito e meia eu já estava a bordo, a caminho do povoado de Remanso, remanescente de um quilombo e porto de saída para uma outra face da Chapada Diamantina: o pantanal.

A expedição fluvial acaba numa trilha bem aberta, antiga estrada de garimpeiros por onde se anda cerca de uma hora até a Cachoeira do Rio Roncador e suas várias piscinas naturais esculpidas pela água nas pedras em tons de amarelo e salmão

O almoço é feito na casa de moradores locais, na sede de uma antiga fazenda. Depois do prato fundo, descanso merecido nas redes armadas debaixo da mangueira frondosa.

Lá pelas 4 da tarde o jipe aparece para levar meu grupo para Xique Xique de Igatú, antiga vila de garimpeiros a 114 km de Lençóis. Teve mais de 10 mil moradores quando o diamante jorrava de suas encostas, no século 19. Hoje tem apenas 400. O abandono transformou a cidade feita de pedras em ruínas e por isso a vila é chamada de `Machu Pichu` da Chapada. Longe de assustar turistas, suas ruínas tem um charme que atrai. Antes do anoitecer ainda tive tempo de passear pela cidade para tirar umas fotos. Na porta de um estabelecimento comercial fechado - o comércio abre a hora que quer ou na hora em que chega freguês - uma placa curiosa pede: `entra aqui e compre alguma coisa. ass: Amarildo`.

Volto para a pousada a tempo de tomar uma bela ducha na piscina natural e me preparar para a janta e as sobremesas da Rita. Hoje é dia de mousse de maracujá. Dez da noite ligo o ventilador do teto na velocidade mínima e caio no sono.

Quinto dia

Vale do Pati

O guia nem precisou me acordar. Sete da manhã já estava de pé, tomando uma ducha na piscina natural da pousada. O dia amanhece com sol, depois o tempo nubla e volta a abrir depois das onze da manhã.

Aproveitamos o refresco do sol para sair de Igatú em direção a Rampa do Caim, uma trilha de 6 km que atravessa a caatinga em região de antigos garimpos e dá vista para os vales do Pati, do Cotinguiba e do Rio Paraguaçu, no coração do Parque Nacional. Durante o percurso muito calor e paradas estratégicas nas tocas de garimpeiros para tomar água e lanche de trilha.

As grutas e tocas são muitas e impressionantes. Aprendi onde procurar o cascalho do diamante, como os garimpeiros canalizavam água da chuva para lavar as pedras... Com o olho afiado o guia até achou um cristal bonito na trilha. Ele diz que é muito mais comum achar pulseiras e correntinhas de turista na trilha do que diamante. Mas que procurando bem ainda acha a tal pedra. A vista dos vales é muito linda. Mesmo com as fogueiras criminosas que estão ardendo no Parque. O passeio dura o dia todo. Voltamos para Igatú só no final da tarde e exaustos. Depois da janta não há muito o que fazer na Vila. Uma sinuca no botequim ou um forró pra turista agitam a noite até lá pelas onze. Depois, cama.

Sexto dia

Poço Encantado

Cruzo com o guia as sete da manhã tomando o café da manhã na pousada. Depois da refeição vamos partir para Itaetê, uns 50 km de Andaraí que é vizinha de Xique Xique de Igatú. Lá estão duas atrações imperdíveis, principalmente para quem as visita de abril a setembro: O Poço Azul e o Poço Encantado.

No Poço Encantado nessa época, das 9 da manhã até as duas da tarde, um raio generoso de sol bate na água cristalina e produz um extraordinário efeito de reflexos azulados. A caverna de mais de cem metros de extensão e 50 de largura, chega a ter 60 metros de profundidade.

Antigamente era permitido mergulhar ali, mas hoje em dia isso já não é mais possível para não desequilibrar o Ph da água. O responsável pela caverna só tem permissão para entrar na água 4 vezes por ano para decantar a `nata` de calcário que se forma na superfície do lago. Uma escadaria longa e íngreme que sai de um bar de beira de estrada, onde se pode tropeçar em sapos cururu do tamanho de um cachorro de madame, leva até a pequena entrada da gruta. Se quiser fotografar é melhor levar tripé ou flash potente. Uma vez dentro da caverna ainda é preciso descer com bastante cuidado umas escadarias rústicas até chegar na `boca` da cratera. A visão do raio de sol e as paredes da caverna refletindo na água é demais.

Antes do almoço ainda dá tempo de partir para Nova Redenção e mergulhar no Poço Azul. Numa propriedade particular disputada a tapa pelos herdeiros do patriarca recentemente morto fica o Poço Azul. Lá também existe um raio de luz que deixa a água azul. Sua parte mais funda tem cerca de 18 metros. Em uma de suas várias galerias subterrâneas, a cerca de 30 metros de profundidade foram encontradas ossadas de 3 preguiças gigantes, bicho pré-histórico que viveu na região. A área para mergulhar não é muito grande, mas a sensação é muito legal. O acesso se dá por uma escadaria íngreme fácil de vencer.

Depois do mergulho, almoço no restaurante da família que explora o local. Palma, feijão tropeiro, aipim, etc. Cerveja e refrigerante é cobrado. Limonada feita na hora é de graça. Na hora de ir embora, se o rio está cheio passa-se de canoa. Se está baixo, engata-se a tração no jipe e pisa no acelerador. Uma trilha no areal assoreado pelo garimpo vai levar até Andaraí para um sorvete de tamarindo na sorveteria Apolo e depois até Mucugê, onde vamos passar a noite.

Mucugê é outra cidade importante da região. Fica a 150 km de Lençóis e tem algumas das atrações mais impressionantes da Chapada. Depois de me instalar no hotel e tomar um banho de piscina, saio para dar uma volta com meu grupo. A cidade é bem cuidada e movimentada. Um dos passeios mais acessíveis é o cemitério bizantino. Fica há uns 20 minutos de caminhada do centro. Um cemitério esculpido nas rochas, pintado de branco. De noite fica todo iluminado. Antes do jantar jogamos buraco no hotel. Depois a cama nos chama.

Sétimo dia

Cachoeira do Buracão

Depois do café da manhã, partimos de jipe para Ibicoara, distante cerca de 100 km de Mucugê. De lá vencemos 22 km de uma estrada de terra tipo off-road para chegar numa das mais incríveis atrações da Chapada Diamantina: A cachoeira do Buracão, no extremo sul do Parque. Uma trilha em vegetação de cerrado corta corredeiras até chegar, duas horas depois, num poço largo. Através desse poço entra-se por uma estreita garganta de canyon, com menos de dez metros de largura e altura de uns cem metros. Depois de nadar outros cem metros de comprimento chega-se até o Buracão propriamente dito: uma cachoeira de 100 metros de queda em paredão de pedra circular, muito largo, muito alto, com um lago muito grande no seu interior. Algumas pedras dos dois lados formam bancos para apreciar o visual e tomar um banho do vapor de água espalhado pelo vento que se forma lá dentro. O Buracão é uma atração descoberta há cerca de um ano. Muita gente ainda não conhece. Nem todas as operadoras e guias da região conhecem a trilha para chegar lá. A visita inclui uma olhada por cima da cachoeira também. O passeio durou o dia inteiro.

Dormimos nossa última noite em Mucugê. No dia seguinte acordei as oito da manhã para `ir ao shopping` que é como o guia chama a parada estratégica na toca do morcego para comprar pedras na beira da estrada. Duas horas enfadonhas de jipe depois, cheguei no aeroporto de Lençóis. O vôo da Pantanal para São Paulo parte aos domingos, meio dia e quarenta. O delicioso chocolate branco da kopenhagen me esperava a bordo.

Serviços

Venturas & Aventuras
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Dicas do autor

Paulo Priolli

Não existe a melhor época para visitar a Chapada. Cada época tem sua função. Para ver o raio de sol azular a água de poços e grutas a época certa é entre abril e setembro. Novembro, Dezembro e Janeiro chove muito e deixa as cachoeiras e rios cheios de água e as trilhas um barro só. Na primavera, tipo setembro e outubro, o tempo fica mais firme. Trilhas e acampamentos são beneficiados embora a água das cachoeiras possa sofrer uma baixa no nível de uma semana pra outra. Lá é nordeste, mas no inverno faz frio pra burro. O clima é de altitude.

Outra coisa: notas de dinheiro miúdo, de um e dois reais e moedas de centavos valem como ouro na Chapada. As coisas são baratas e ninguém tem troco. Não comente em voz alta que as coisas são baratas. Pode inflacionar o mercado.

O comércio funciona normalmente depois das cinco da tarde, quando os turistas estão voltando dos passeios. Antes desse horário a abertura das lojas é totalmente aleatório.

A energia elétrica na região é de 220 volts.

A água nas cidades e nas trilhas tem uma cor de coca cola, resultado da presença de tanino. Pode tomar sem susto se o guia mandar.

Tome cuidado com o lixo industrial que você gerar. Carregue no bolso ou na mochila até seu hotel ou um bar. Não produza lixo nas trilhas e locais de acampamento.

  
  

Publicado por em

Deli batista silva

Deli batista silva

01/03/2010 11:57:07
Cara, parabéns por ter tido a oportunidade de estar lá, neste lugar deslumbrante, por ter escrito muito bem sobre a Chapada.