Aventuras no Petar - SP

O Parque Estadual Turístico do Alto do Ribeira, mais conhecido como PETAR, está localizado nas escarpas da serra de Paranapiacaba, sul do estado de São Paulo, junto aos municípios de Apiaí e Iporanga.

  
  

Apresentação

Mata virgem

Mata virgem
Foto: Paula Sarcinella

O Parque Estadual Turístico do Alto do Ribeira, mais conhecido como PETAR, está localizado nas escarpas da serra de Paranapiacaba, sul do estado de São Paulo, junto aos municípios de Apiaí e Iporanga. Com área de 35 mil hectares, abriga valioso patrimônio natural, faunístico, florístico e arqueo-paleontológico.

Caverna Ouro Grosso

Caverna Ouro Grosso
Foto: Divulgação

É uma das mais preservadas coberturas vegetais da Mata Atlântica, abrigando florestas virgens, vales e montanhas intocadas, rios e cachoeiras de águas cristalinas, além de mais de 300 cavernas. O PETAR foi criado em 1958 e atualmente é administrado pelo instituto florestal, que cuida da infra estrutura implantada.

Desenvolveu-se como pólo ecoturístico por possuir geografia privilegiada, que permite a prática de diversas atividades de lazer e aventura na natureza, como trekking, espeleologia (exploração de grutas e cavernas), rapel, escalada, acqua ride, etc.

Primeiro dia / Um trekking inesperado

Visual da Pousada

Visual da Pousada
Foto: Paula Sarcinella

Fomos acordados por volta das 8h00 pelo pessoal da Pousada das Cavernas. Ao sair para ver como estava o dia, fui surpreendida pela visão maravilhosa dos morros de mata atlântica que nos rodeavam. As revoadas de pássaros davam seu show à parte. A beleza da paisagem, o frescor do ar puro e a tranqüilidade do ambiente deram ânimo para enfrentar o longo dia que teríamos pela frente (eu principalmente!).

Tomei um café da manhã reforçado e muito gostoso. Parecia que estava adivinhando o que iria acontecer... O grupo iria dividir-se em dois: uns passariam o dia conhecendo as cavernas e cachoeiras do núcleo Santana. Os mais radicais passariam por uma pequena trilha até o alto da Caverna da Laje Branca, onde fariam um rapel alucinante de 140 metros! Eu estava nesse grupo.

A trilha até o rapel era maravilhosa, Mata Atlântica pura! Logo no início, porém, fiquei um pouco para trás, para tirar umas fotos e `ir ao banheiro`. Até aí, tudo bem... Mas logo em seguida havia uma bifurcação: um caminho entrava na mata mais fechada e outro continuava na trilha mais aberta. Pela lógica, continuei no caminho aberto em que estava, que foi a opção errada. Conclusão: duas horas e meia a mais de caminhada!

O caminho estava cheio de borboletas

O caminho estava cheio de borboletas
Foto: Paula Sarcinella

Óbvio que o vacilo foi meu, fiquei propositalmente um pouco pra trás. Quando resolvi voltar e entrar na outra trilha da bifurcação, encontrei dois hippies que me explicaram direitinho como chegar no `singelo` rapel (que eu, aliás, nunca havia feito!). Chegando lá, o pessoal estava super preocupado, mandaram outro guia me procurar, mas no fim deu tudo certo.

Cheguei a tempo de fazer o rapel e, passado o susto, achamos muito engraçada aquela situação. Eu até que gostei de ter me perdido pois, enquanto o pessoal ficou esperando sentado para fazer o rapel, eu caminhei por um lugar belíssimo, sempre acompanhada por maravilhosas borboletas.

O Rapel

O rapel foi o primeiro de muitos!

O rapel foi o primeiro de muitos!
Foto: Chicão

Quando finalmente encontrei o pessoal, outro problema surgiu em minha mente: será que vou encarar os 140 metros de rapel, pendurada numa corda? O rapel era super seguro, feito para iniciantes e monitorado pelo Tenente Góes do Corpo de Bombeiros, que já havia dado umas aulinhas teóricas e práticas para o pessoal.

Acabei ficando por último, e o Tenente, pacientemente, me deu uma `aula particular` antes da descida. Quem gosta de natureza (e tem um pouquinho de coragem) não pode deixar de fazer esse rapel na vida! É simplesmente incrível. A sensação é maravilhosa, e o espetáculo, indescritível. Só estando ali para saber.

Estalagmite em forma de

Estalagmite em forma de
Foto: Paula Sarcinella

Não dá para escolher o visual mais bonito: se era a imensa rocha branca com as estalactites penduradas a céu aberto, se era a vista panorâmica dos morros de mata virgem ou a vista aérea de todo aquele matagal lá embaixo.

A `aterrisagem` era bem na entrada da Caverna da Laje Branca, que logo fomos explorar (depois, é claro, de matar a fome com nosso lanche trilha e a sede na bica d`água natural). Exploramos todo o interior da caverna enquanto o nosso guia Alex ia mostrando e explicando suas formações. A rocha calcária era toda revestida por uma espécie de argila. O rio, apesar de não percorrer a caverna, formou salões imensos em seu interior, pois a invade em época de chuva.

A trilha de volta era linda e cansativa

A trilha de volta era linda e cansativa
Foto: Paula Sarcinella

Após todas essas belezas e adrenalina, fomos agraciados com a subida dos 140 metros de volta à trilha. Depois de ter me perdido e andado três horas e meia consecutivamente (a trilha correta não levava nem uma hora), explorar a Caverna da Laje Branca e fazer toda a subida de volta, meus pés pediam por clemência. De volta à pousada, mergulhamos num poço natural para refrescar e aliviar o cansaço. A água pura e gelada foi extremamente relaxante! Meus pés agradeceram.

Depois da deliciosa janta caseira, só tínhamos forças para admirar o céu, parte estrelado, parte iluminado pela lua cheia. Antes de dormir, na rede do chalé, ainda deu para ver umas estrelas cadentes. Passamos um dia realmente lindo e abençoado, do início ao fim!

Segundo dia

Bromélia

Bromélia
Foto: Paula Sarcinella

No segundo dia estava prevista uma visita à Caverna Alambary, seguida de um bóia-cross. Quando acordei, porém, percebi que não teria condições de fazer o passeio na caverna, pois meus pés doíam muito e estavam cheios de bolhas, resultado de meu trekking não planejado. Pedi então para meu amigo Chicão relatar como foi o passeio:

Boias utilizadas no Boia Cross

Boias utilizadas no Boia Cross
Foto: Divulgação

`Quanto à caverna, no segundo dia, tinha uma trilha no início de uns 30min. Entramos por um lado seco da caverna e, conforme nos afastávamos da entrada, sua visão (da entrada) ficava mais bonita, formando várias figuras com as sombras.

Logo depois veio o Abortinho, (que queh isso, meu deus?) uma passagem estreita entre as rochas, uma pequena abertura, um buraco, pra descer escorregando. Fui o primeiro, digo, o segundo (o guia foi na frente), diziam que era teste, se eu passasse todos passavam (agüenta gozação...).

Após todos passarem, não sem alguns berros e muito medo, apesar de ser tranqüilo, seguimos o caminho para a parte molhada da caverna, um trecho onde eu ficava na ponta dos pés, só com a cabeça pra fora d`água, a poucos centímetros do teto. Muito bom!!! Que delícia de água gelada!

O Grupo integrou-se rapidamente

O Grupo integrou-se rapidamente
Foto: Paula Sarcinella

Pena que depois disso a caverna acabou, então voltamos para a pousada e saímos para o bóia-cross, que apesar do baixo volume do rio, foi muito gostoso, com direito a vários encalhes e alguns momentos de adrenalina.`

Enquanto o pessoal explorava a Alambary, eu fui com outro pessoal fazer o bóia-cross, que era mais perto e não exigiria tanto de meus detonados pezinhos. Apesar de dar algumas topadas, pois o rio estava muito baixo, o passeio, sem dúvida, valeu a pena. O trajeto pelo rio é lindo, em alguns momentos ficávamos cercados por um corredor de mata, boiando tranqüilamente, só curtindo o visual.

Em outros, porém, a velocidade da correnteza e a nossa adrenalina aumentavam, tínhamos que remar que nem desesperados para desviar das pedras, o que às vezes era inevitável, e gerava algumas quedas, encalhes e muitas gargalhadas. Não poderíamos ter nos despedido de lá de melhor maneira!

Voltando à pousada, comemos um delicioso almoço, ainda molhados do rio. Logo depois, nos preparamos para ir embora. Não fiquei triste por meus pés estarem doendo e não conhecer a caverna com o pessoal, pelo contrário, encarei isso como uma desculpa para voltar àquele lugar maravilhoso!

Serviços

Pousada das Cavernas - Iporanga - PETAR
www.pousadadascavernas.com.br
(11) 5543-3082
(11) 9787-6161
paula@pousadadascavernas.com.br

Dicas da autora

Não esqueça protetor solar e repelente. Você fica um bom tempo parado no mato esperando a sua vez de descer no rapel e, enquanto isso, as mutucas e borrachudos fazem a festa! Leve lanternas pequenas e potentes para as cavernas, de preferência daquele tipo que você pode prender no capacete e não precisa ficar carregando.

Para o bóia-cross, leve uma roupa leve, mas que cubra sua barriga e braços, que podem ficar assados dependendo de seu esforço e desempenho no passeio.

Leve sempre sapatos que não escorreguem e, principalmente, bem confortáveis. Seus pés agradecerão.

Se resolver ficar para trás, para fazer xixi, tirar fotos ou qualquer outra coisa, lembre-se sempre de avisar o guia do grupo.

  
  

Publicado por em

Jose wiliam Pereira

Jose wiliam Pereira

25/07/2009 20:29:18
Acho muito legal quero ir lá, gostaria de saber se há campings por lá e sucessos ai...