´Bonito´ Pantanal

Saí de São Paulo numa sexta-feira do mês de setembro, disposta a realizar uma verdadeira maratona: conhecer as regiões de Bonito e Pantanal em apenas 5 dias!

  
  

Apresentação

Parque das Cachoeiras

Saí de São Paulo numa sexta-feira do mês de setembro, disposta a realizar uma verdadeira maratona: conhecer as regiões de Bonito e Pantanal em apenas 5 dias!

Bonito é um verdadeiro paraíso das águas! Rios cristalinos e cheios dos mais diversos tipos de peixes que nadam livremente por toda a região, deixando boquiabertos os mais experientes viajantes... Além de muitas cachoeiras, grutas e animais que tornam o local ainda mais... Bonito!

Já no Pantanal, o visual nesta época do ano é mais seco. Devido a pouca quantidade de chuva, as águas dos rios abaixam e deixam à mostra toda a planície pantaneira, onde homens e animais podem transitar livremente a pé, a cavalo ou mesmo em automóveis. Cervos, veados, quatis, macacos, jacarés, araras, tuiuiús, gaviões e, com muita sorte, até mesmo onças, podem ser avistadas durante os passeios pelo Pantanal.

A maioria dos roteiros que conjugam as 2 regiões têm duração mínima de uma semana, mas como eu dispunha de apenas 5 dias, resolvi aproveitá-los intensamente...

Primeiro dia

Seqüência de mini Cachoeiras

Meu vôo chegou em Campo Grande por volta das 10h30 da manhã. Atrasei meu relógio uma hora, por causa da diferença do fuso horário. (o que é ótimo para quem está querendo ganhar tempo!). Segui viagem com destino a Bonito, num percurso de aproximadamente 3 horas e meia. A viagem é bem tranqüila, com estrada totalmente asfaltada e passando por algumas pequenas cidades, onde é possível realizar paradas.

Arara

Cheguei em Bonito por volta das 13h00 e fui almoçar num dos restaurantes localizados na avenida central. Nesta avenida, estão localizados quase todos os serviços que a cidade oferece, a maioria deles voltados para o turismo, já que esta é uma das principais atividades da região. Depois do almoço, segui para a pousada para deixar minha bagagem e como já estava um pouco tarde e todos os passeios em Bonito são distantes da cidade, fiz um passeio rápido a algumas cachoeiras da região, só para me habituar ao cenário local.

Lá, além de cachoeiras, pude encontrar animais nativos como araras, tucanos, macacos e (claro!) muitos peixes. Antes de voltar para a pousada, um delicioso jantar: Pintado grelhado com molho de camarão.

Apesar de ser proibida em Bonito, a pesca é muito praticada nas imediações e por isso, os pratos típicos regionais são em sua grande maioria preparados à base de peixes de rio, como o Pintado, o Dourado e o Pacu.

Para quem não gosta de peixe, também há muita variedade de carnes, já que o Mato Grosso do Sul é um dos estados que mais produz carne bovina no país.

Para finalizar o dia, uma rápida volta pelo centro da cidade para ver o movimento noturno, com direito a uma paradinha no tradicional Bar Taboa, onde é servida a aguardente típica da cidade (de mesmo nome), fabricada à base de mel, canela e guaraná em pó. Forte, porém deliciosa.

Segundo dia

Saída para o passeio de bote

O despertador me acordou bem cedo e, às 7h00 já estava tomando um farto café da manhã. Passei na cidade para alugar uma máquina aquática, já que a maioria das `paisagens` em Bonito está debaixo d`água. Hoje em dia, existem muitos lugares que alugam estas máquinas: lojas de equipamentos fotográficos, agências de turismo e até mesmo na recepção de alguns passeios.

Mergulho no Rio Sucuri

O passeio na parte da manhã seria a descida de bote no Rio Formoso, um passeio leve com uma pequena pitada de aventura. Durante o trajeto, é possível escutar o som das águas correndo e da mata que circunda o rio, com muitos animais nativos. Passamos por 3 cachoeiras e 2 corredeiras, onde o sossego do passeio é interrompido pelo deslize do bote e pelas eventuais `guerrinhas` de água entre o pessoal do outros botes que encontramos.

Os botes acomodam até 12 pessoas cada um e não é necessário remar, porque um remador acompanha e guia todo o passeio. Mas para quem quiser, existem alguns remos extras que podem ser utilizados para ajudar nosso amigo remador. Paramos um pouco para nadar na parte mais profunda do rio. Mesmo quem não tem muita intimidade com a água pode ser arriscar, já que todos usam colete salva vidas. O passeio prosseguiu até a chegada na Ilha do Padre. Como o próprio nome diz, trata-se de um pequeno pedaço de terra que pertence a um padre da região. Lá é possível encontrar vestiários, banheiros, lanchonete e muitos animais nativos, além de algumas pequenas trilhas para avistar as quedas d`água que se formam ao longo do Rio Formoso.

Mergulho no Rio Sucuri

A próxima aventura seria o mergulho no Rio Sucuri. Estava ansiosa para chegar na fazenda onde fica a nascente do rio e cair logo na água, já que há tanto tempo ouço as mais empolgantes histórias dos mergulhos em Bonito. A estrutura da fazenda é muito boa e atende completamente ao visitante. Existem banheiros amplos, inclusive com chuveiro quente, restaurante e lanchonete, diversos equipamentos para mergulho e uma grande área de lazer com piscina, redário e quadriciclos motorizados, para quem quiser curtir um pouco mais do local.

Antes do mergulho, houve um delicioso almoço no restaurante e uma breve `siesta` no redário, para logo após nos equiparmos com a roupa de neoprene, o colete, a máscara de mergulho e o snorkel. Estes equipamentos são obrigatórios e necessários para o mergulho no Rio Sucuri. A roupa de neoprene geralmente não está inclusa no valor do pacote e tem o custo de R$ 8,00. Além de auxiliar na flutuação, ela também protege do frio, mantendo o corpo aquecido.

Subimos no caminhão da fazenda e fomos até a nascente do rio. Chegando lá, entramos numa canoa para avançar os 200 primeiros metros até chegar numa pequena balsa flutuante e, enfim, cair na água. O grupo pode ter no máximo 8 pessoas e o guia acompanha na canoa durante todo o mergulho. A primeira impressão que se tem ao ver o fundo do rio é de que se está em outro mundo... É extremamente claro e os peixes nadam tranqüilos em volta da gente. As plantas subaquáticas dançam lentamente acompanhando o movimento das águas. Realmente é fascinante! Na verdade, não se trata de um mergulho, e sim uma flutuação. A correnteza do rio vai nos levando e não é necessário nadar, nem sequer fazer esforço, apenas ficar com os braços abertos boiando e curtindo o visual debaixo d`água.

O Rio Sucuri possui muitas plantas subaquáticas e alguns trechos bem rasos, por isso é importante manter o corpo bem esticado para não levantar a areia do fundo do rio, prejudicando assim a visibilidade da água para os que vêm atrás. São 1.800 metros de flutuação até o ponto final, onde há uma escada e uma pequena trilha até chegar no caminhão que nos leva de volta para a fazenda. Na chegada, chocolate quente e alguns docinhos nos esperam para aquecer o corpo. A volta para a pousada é tranqüila e o cansaço de um dia cheio de atividades ajuda o sono vencer.

Terceiro dia

Gruta do Lago Azul

Às 7h00 da manhã, já estava na estrada para a Gruta do Lago Azul. Da entrada da caverna, é possível avistar diversos espeleotemas, que ganham as mais diversas formas e nomes. Usando um pouco de imaginação e a ajuda dos guias locais que já conhecem todas de cor e salteado, é possível avistar as mais surpreendentes figuras.

Conforme vai se descendo os mais de 200 graus em direção ao fundo da gruta, o lago que existe no fundo vai se tornando mais e mais azul. Até 1992 as pessoas podiam se banhar no lago e nos períodos de maior movimentação, a gruta se tornava um verdadeiro balneário, o que agredia muito todo o ecossistema local.

Neste mesmo ano, foram descobertos no fundo do lago, fósseis de mamíferos pré-históricos como o tigre dente de sabre e a preguiça gigante. Desde então, não é permitido nadar nem sequer tocar nas águas. Atualmente, somente espeleomergulhadores credenciados podem fazer expedições a título de pesquisa.

O silêncio vai aumentando à medida que vamos nos aproximando do lago, tamanha a admiração de todos. É realmente indescritível! O azul da água é muito intenso e a sua transparência faz parecer que a profundidade não é tão grande como realmente se estima, cerca de 70 metros, isso porque a verdadeira profundidade do lago ainda não foi descoberta. Todos arriscam fotografar o azul do lago, porém devido a pouca claridade, poucos conseguem registrar o verdadeiro cenário que se tem ali em fotos. Mas da lembrança, certamente ninguém consegue apagar.

Trilha antes do mergulho no Rio da Prata

Pegamos a estrada rumo ao Recanto Ecológico Rio da Prata. Chegando na fazenda, um delicioso almoço preparado em panelas de barro nos esperava. Almoçamos rápido e pegamos todo o equipamento necessário para o mais esperado dos mergulhos. A flutuação tem início no Rio Olho d`água, que deságua no Rio da Prata, considerado o principal rio para flutuação em Bonito. O automóvel nos leva até o ponto onde o mergulho terminará e de lá, percorremos a pé uma trilha de aproximadamente 3 km pela mata ciliar do rio. No caminho é possível avistar aves e outros animais que ali vivem enquanto o guia dá explicações sobre a fauna e a flora da região.

Grupo antes do mergulho no Rio da Prata

Chegando à nascente do rio, uma pausa para a tradicional foto e uma voltinha para adaptação. Aí é só se deixar levar pela correnteza... A transparência das águas e a quantidade de peixes impressionam mesmo quem já fez uma flutuação anteriormente.

São vários os cardumes de diferentes espécies de peixe nadando tranqüilamente à sua volta. O guia também faz a flutuação acompanhando o grupo, que pode ter no máximo 8 pessoas.

Mergulho no Rio da Prata

Um dos pontos altos do mergulho é uma fonte de água que brota do fundo do rio. A água sai da terra com tanta força que mexe com toda a areia em volta, dando a impressão de que está fervendo. Para os mais experientes, é possível fazer uma apnéia até tocar este `fervedouro`. O rio possui alguns obstáculos para o mergulho, onde é preciso sair da água, percorrer uma pequena trilha e depois continuar a nadar, o que torna o passeio ainda mais interessante.

Ao final do passeio, de volta para a fazenda, abasteci minha mochila com alguns salgadinhos e bebidas, pois tinha uma longa viagem de 4 horas pela frente rumo ao Refugio Ecológico Caiman, no Pantanal. A viagem foi tranqüila por estrada asfaltada até a cidade de Miranda e a partir dali mais alguns quilômetros em estrada de terra até a portaria da fazenda. Daí para a Pousada Cordilheira, onde seria a hospedagem, são mais 44 quilômetros. Mesmo completamente exausta, antes de dormir não resisti a um bate papo com os guias locais, Fininho e Rodrigo, extremamente cordiais e amáveis.

Quarto dia

Cavalgada

O Refúgio Ecológico Caiman é uma imensa fazenda de 53 mil hectares em pleno Pantanal Sul Mato-grossense. A principal atividade da fazenda é a pecuária, mas há cerca de 15 anos, o proprietário decidiu também adotar a atividade turística, construindo a Pousada Sede, próxima a vila de moradores da fazenda. Com o aumento dos visitantes, foram construídas ao longo destes anos mais 3 pousadas: a Piúva, a 1 quilômetro da Sede, a Baiazinha a 9 e a Cordilheira a 14. Todas possuem poucos apartamentos e foram construídas em estilos de decoração diferentes, de extremo bom gosto.

Amanheci com a luz do sol entrando no quarto e um passarinho cantando na minha varanda. Através da janela, já pude observar a paisagem do Pantanal, com vários animais transitando próximo à pousada. Bela maneira de se começar o dia!

Jacarés

Depois do café da manhã, a primeira atividade do dia seria uma cavalgada de reconhecimento pelas redondezas. Durante o passeio, é possível conhecer as áreas mais selvagens do Pantanal. Passamos por lagos cheios de jacarés, ninhos de tuiuiús e de araras azuis, entre famílias de quatis e macacos que cruzavam nosso caminho.

Esta época é bem seca no Pantanal e esse ano a seca se agravou devido à falta de chuvas. A paisagem estava bem avermelhada, cor da poeira que cobria a maioria dos campos. Mas isso não tirava a beleza das paisagens, onde o horizonte quase se perde de vista e o sol tem um brilho diferente.

Jantar e bate papo são as atividades mais tradicionais no sossego noturno do Pantanal. Muitas são as histórias pantaneiras contadas pelos guias e moradores da região. Verdade ou não, cabe a cada um imaginar o que realmente acontece naquela imensidão de terra...

Quinto dia

Macaco

Acordei bem cedo para aproveitar as últimas horas no Pantanal. Saímos no caminhão para fazer um safári pelas pousadas do Refúgio Caiman. Pude ver tucanos, gaviões, quatis, veados, tuiuiús, araras, emas, macacos, cervos e obviamente muito gado e muito jacaré. É engraçado como nós que moramos nas grandes cidades, perdemos o contato com a natureza e nos surpreendemos com o comportamento dos animais ou mesmo não conseguimos nem identificar alguns deles. Os caimaners (nome dado aos guias locais) identificam cada um dos animais que aparecem e explicam alguma curiosidade sobre eles. Mais atentas, logo, logo, as pessoas começam a avistar e identificar euforicamente os animais, como crianças brincando de `adivinha o que é`.

Mesa posta para o churrasco

Depois do safári, voltamos para nossa pousada onde pudemos experimentar um churrasco típico pantaneiro. A cozinheira é fantástica e não consegui conter a minha gula diante de tantos pratos deliciosos. Aliás, ninguém conseguiu.

Fim do churrasco e início da viagem de volta. Com muita tristeza, me despedi de todos no Pantanal, mas com muita alegria voltei para casa, me sentindo privilegiada por ter conhecido 2 dos principais paraísos que o nosso país possui e com a certeza de que em breve retornarei. E da próxima vez, quem sabe, com mais tempo.

Serviços

Cia Nacional de Ecoturismo
www.ciaecoturismo.com.br
(11) 5571-2525 begin_of_the_skype_highlighting              (11) 5571-2525      end_of_the_skype_highlighting
comercial@ciaecoturismo.com.br

Dicas da autora

Tathiana Almeida

Tanto Bonito como o Pantanal podem ser visitados durante o ano todo. De acordo com a época do ano, algumas atividades se tornam mais interessantes que outras. De maio a outubro, as chuvas na região são escassas, o que torna as águas mais cristalinas para os mergulhos em Bonito e as planícies secas no Pantanal atraem maior quantidade de mamíferos. Fora deste período, as chuvas alagam o Pantanal, tornando as paisagens bem diferentes, a temperatura sobe e as cachoeiras podem ser mais aproveitadas em Bonito.

Para quem quer praticar ecoturismo com crianças, Pantanal e Bonito são ótimas opções, pois tem atividades leves e que fascinam desde crianças até idosos. Além disso, a conscientização e organização nos passeios, são verdadeiras aulas de ecologia para os pequenos.

Não use protetor nem repelente antes de fazer os mergulhos, pois você terá que tirá-los de qualquer maneira antes de entrar na água.

Procure fazer os mergulhos de manhã, quando a luz do sol favorece a visibilidade debaixo d`água.

Em alta temporada, para não correr o risco de perder algum passeio em Bonito, sempre faça reserva antecipada, pois todos eles têm um limite de pessoas por dia.

Leve sempre água mineral para os passeios. Em Bonito, apesar da água ser extremamente limpa, ela pode fazer mal devido a alta concentração de calcário e magnésio. No Pantanal, os rios correm pelas pastagens, tornando a água imprópria para o consumo.

Leve um binóculo e uma máquina fotográfica `potente` com vários filmes. Fique com sua máquina sempre pronta para bater a foto, pois só assim é possível registrar os momentos únicos e rápidos que acontecem no Pantanal.

  
  

Publicado por em

MORRYS MARDEM SOARES DE BRITO

MORRYS MARDEM SOARES DE BRITO

24/10/2009 15:02:15
É TÃO BONITO QUANTO O JALAPÃO!
CADA BELEZA TEM UM OLHAR UNICO, POR MAIS QUE SEJA VISTA VARIAS VEZES!!!!!!