Botucatu/SP - Bons ares e aventura

Para quem quer a adrenalina dos esportes radicais, Botucatu, bem no centro do estado de São Paulo, reserva uma grande surpresa.

  
  

Apresentação

Passeios entre fazendas seculares é outro atrativo

Fazendas seculares, praças tranqüilas e o clima ameno do interior parecem ideais para quem não quer muita agitação. Mas, para quem quer a adrenalina dos esportes radicais, Botucatu, bem no centro do estado de São Paulo, reserva uma grande surpresa: na cidade estão localizadas dezenas de cachoeiras, além de uma belíssima encosta que possibilita trilhas, caminhadas, escaladas, ciclismo e atrai jipeiros de várias partes do país.

Botucatu na língua tupi significa bons ares. Não é à-toa: a cidade é famosa pelo clima, pelas antigas fazendas do ciclo do café e, apesar de pouca gente saber, por ter inspirado uma das mais célebres canções regionais brasileiras, a Tristeza do Jeca, de Angelino de Oliveira, imortalizada na voz de Tonico e Tinoco (aquela que diz “Nesta viola eu canto e gemo de verdade/Cada toada representa uma saudade”). Mas esta é outra história.

Há 240 km da capital paulista, Botucatu vem descobrindo nos esportes de aventura uma ótima opção para atrair milhares de turistas todos anos, geralmente interessados em fazer o estresse e a agitação da cidade caírem por água abaixo.

Gigante que dorme

Visto de um dos mirantes, o Gigante Adormecido impressiona

Um dos pontos mais famosos é o Mirante do Gigante. Por uma estrada de terra, se chega a uma parte mais elevada, rodeada por pastos, de onde se pode observar uma grande formação que lembra, e muito, a figura de um homem deitado. É o Gigante Adormecido, e chegar até lá é uma das tarefas preferidas dos jipeiros. O roteiro, que passa por uma região de encostas conhecida como Cuesta, virou hábito, se ampliou e acabou se tornando uma das competições esportivas mais importantes da região, o Enduro da Cuesta, que tem sua provas válidas para os Campeonatos Paulista e Brasileiro dessa modalidade esportiva.

Trilhas de jeep levam ao Mirante das Três Pedras

Com inúmeras trilhas, a Cuesta vem atraindo desde jipeiros viciados em adrenalina, sempre em busca de trilhas mais radicais, até visitantes menos aventureiros que chegam de carro ou, muitas vezes, de bicicleta. Para os pilotos, a competição é considerada uma das mais atraentes do país justamente por causa da paisagem e das condições topográficas. Com muitas curvas, a estrada tem uma vista belíssima, e atravessa riachos, pastos e, até, rampas cheias de cascalho.

Escalada

Pedra do Falo: ótima para escaladas

De perto, o Gigante Adormecido vai perdendo sua semelhança com os humanos, mas não deixa de fascinar por sua imponência em meio a paisagem. Uma imensa formação rochosa de aspecto, digamos, fálico, que alguns chamam de Pedra do Falo, faz parte do conjunto que leva o nome de Três Pedras, e que à distância são os pés do gigante.

Outro ponto imperdível é o mirante das Três Pedras

Do ponto onde se deixa o carro até a base das pedras já se pode fazer uma boa caminhada, mas o local oferece opções mais ousadas, como a escalada das pedras com equipamento ou mesmo sem, o free-style, desde que em companhia de guias experientes.

Histórias

Como não poderia deixar de ser, um lugar tão peculiar gerou muitas estórias. Entre elas, a de que o local, em épocas pré-coloniais, teria servido de templo ao misterioso povo xumério. Existem inclusive um longo estudo, feito por um frei capuchinho chamado Fidélis da Motta, a respeito da ligação deste povo com a cidade.

Segundo ele, a cidade foi habitada por ele em tempos remotos e ainda mantém muitos indícios, como o próprio nome, que em xumério significa ` terra da serpente`. Outros dizem que a pedra que está no meio, com 200 m de extensão, 40 de largura e 50 de altura, seria nada mais, nada menos, a residência do próprio diabo. Tem ainda o lagarto que voa, as bolas de fogo, o bezerro de ouro, pouso de naves extra-terrestres... por via das dúvidas, é melhor não dormir por lá.

Canionismo

A repórter Mônica Canejo aventura-se na descida da Marta

Mas se você acha que escalada e estórias fantásticas não são suficientes, o canionismo é uma das melhores opções de Botucatu. Esta prática, cada vez mais difundida no Brasil, consiste em unir técnicas de alpinismo para se explorar rios. É o famoso `descer cachoeira`, e, em Botucatu, locais ideais não faltam. Alguns estudiosos chegam a afirmar que o conjunto de lençóis subterrâneos da cidade é um dos mais extensos do mundo, chegando até à Patagônia. Isto, aliado ao relevo acidentado, explicaria a abundância de quedas d`água.

Canionista desce a cachoeira da Marta: adrenalina e nada de frio

Na queda da Marta, onde se costumam fazer os batismos dos canionistas, é preciso fazer primeiro uma trilha a pé para se chegar ao alto. Como esta queda tem uma parede em ângulo reto com o solo, ela é bastante adequada para descida de rapel: com as cordas bem fixas no alto, a pessoa coloca um equipamento chamado cadeirinha - na verdade, uma espécie de cinto que se prende também às coxas- e desliza pela corda, dando pequenos pulos.

O cachorro Átila observa os momentos finais de um canioning

Então, são 38 m até o poço, com muita água gelada caindo na cara! Usar uma roupa térmica ajuda, mas a adrenalina é tanta que frio é uma coisa que só se sente quando a descida acabou. Quem nunca praticou o rapel ou não tem o equipamento adequado, pode procurar um dos grupos de ecoturismo da cidade, que oferecem cursos de final de semana.

Cachoeiras

Trilhas entre as raízes para se chegar a Marta II

Seguindo o rio formado pela Marta por mais quinze minutos, se chega a uma segunda queda, conhecida como Marta II, um pouco mais baixa mas igualmente bonita. A trilha segue quase toda por dentro da água, até que chega a um ponto onde a única opção é uma espécie de escada formada por raízes de árvores. Isso acaba assustando os menos familiarizados com trilhas. Com 20 m de altura, é muito pouco visitada, já que a maioria das pessoas limita-se a se divertir na primeira queda.

Na Marta II, que não é indicada para o rapel, a água cai em zigue-zague e é ótima para se refrescar nas duchas e no poço que se formam com a descida da água.

Banho na cachoeira Marta II

Seguindo o curso do rio, ainda se encontra mais 5 cachoeiras: três neste rio e mais duas subindo a bifurcação após a segunda cachoeira. Descendo de novo, chega-se na cachoeira da antiga usina Indiana, que desce por uma parede de pedra, numa bela formação. Pode-se ainda ir até o Véu de Noiva, que tem estrutura para receber turista e sempre atrai bastante gente aos finais de semana.

Na Marta o estresse vai por água abaixo, com direito a arco-iris

Mas uma cachoeira que não pode deixar de ser visitada é a da Pavuna, considerada por muitos como a mais bela da cidade. Localizada no quilômetro 264 da rodovia Marechal Rondon, sentido Bauru, a entrada da Pavuna fica numa fazenda particular, mas os proprietários, de olho na promessa de lucro do turismo, recebem bem os visitantes e já pensam em melhorar o acesso. Por enquanto, é preciso enfrentar uma trilha bastante íngreme e escorregadia morro abaixo. Com pedras soltas, deve-se descer uma pessoa de cada vez. Por toda a descida dá para se ouvir o barulho da água caindo, mas só quando ela acaba se pode realmente ter noção da grandiosidade da cachoeira da Pavuna. Com cerca de 80m de altura, ela é formada por várias quedas. Como a volta vai ser uma subida pesada, o melhor é ir sem pressa e aproveitar para curtir a tranqüilidade desta cachoeira isolada.

Estrutura

Durante as trilhas, as três pedras vistas de outro ângulo

O ecoturismo ainda é muito recente na cidade, e muitas coisas ainda estão sendo descobertas. Para o turista, o melhor é buscar uma agência especializada ou se informar com os moradores. Opções não faltam para os que apreciam uma forte emoção. E, para quem não gosta de aventura, ainda resta o consolo: a cidade também é boa para quem só quer tomar um sorvete na pracinha.

Como chegar

De São Paulo segue-se pela Rodovia Castelo Branco (SP-280) até a Rodovia João Hipólito Martins. A estrada liga a Castelo à Marechal Rondon (SP-300). De lá até Botucatu são mais 22 Km.

Serviços

Ecotrilha
(14) 6821 - 1244 begin_of_the_skype_highlighting              (14) 6821 - 1244      end_of_the_skype_highlighting

Nomad
(11) 6822 - 6988

Jeep Clube de Botucatu
(14) 6921 - 1121

Botucatur
(14) 3882 - 5001

Tribo Cuesta
(14) 3882 - 1315

Pousada Casa Somé
(14) 3815 - 1739

Pousada Arco-íris
www.1000magias.com.br/eventos
(14) 3882 - 7438

Bekassin Botucatu Hotel
www.bekassin.com.br
(14) 6822 - 2925

  
  

Publicado por em

Neide Ninin

Neide Ninin

30/07/2010 13:03:42
Olhando essas paisagens temos a certeza que pouco conhecemos do interior do nosso país. A referência de Botucatu é a Unesp, mas descobre-se sua exuberancia.
Pedalamos na região de Campinas, um dia; aparecemos por aí!!!
"Sozinho vou mais rápido, em grupo vamos mais longe"....

Glézia

Glézia

27/04/2010 14:51:00
Fantástico,principalmente o que possa ser feito pelas próprias mãos de Deus...Só não acho muito legal vcs, ocultarem o local exato que essas obras maravilhosas se encontram.Refiro-me particularmente á Terra do verdadeiro Berço do Gigante onde poderemos também visualizar e desfrutar da beleza ímpar das três pedras e sua história mística escrita em obra pelo autor Frei Fidélis,sendo publicada e intitulada: Os filhos de Sumé e o Morro Maldito. Essa parte mística pode ser observada na Biblioteca Municipal de São Paulo.Ali se encontram detalhes riquissímos sobre a lenda do Gigante e sobre a sua localização territorial: Bofete-SP. Nesse passeio que vcs muito bem ilustraram enxergaremos o gigante destacando-se como melhor vista na opinião de alguns. .

Giovani

Giovani

20/04/2010 16:44:25
Linda...simpesmente linda.