Canoagem no Rio Jaguareguava - SP

Pelas águas claras do Rio Jaguareguava, em Bertioga, litoral paulista, um passeio de canoa pode ser um jeito divertido de praticar exercício.

  
  

Apresentação

Na trilha, helicôneas e bromélias eram as representantes floridas da Mata Atlântica

Pelas águas claras do Rio Jaguareguava, em Bertioga, litoral paulista, um passeio de canoa pode ser um jeito divertido de praticar exercício.

Ou pode ser uma forma de entrar em contato com a natureza e se integrar a ela.

Depende só de como você encara!

Feriado

Antes de remar, um pouco de exercícios a beira do Rio Jaguareguava

A idéia era aproveitar o feriado de um só dia de uma forma diferente. Que tal praticar um pouco de canoagem em Bertioga? Mas, bastaram os primeiros cinco minutos com o instrutor de canoagem Victor Hilsdorf para perceber que seria muito mais que isto.

Em frente ao Rio Jaguareguava, o grupo, formado quase que exclusivamente por mulheres, começou a atividade com uma aula de tupi. É que Victor fez questão de explicar que o nome do rio era uma junção de duas palavras que significava o ‘lugar onde o jaguar vem beber água”. Depois de aprendermos que estávamos bem aonde a ‘onça bebe água’, já sabíamos que o dia seria uma aula de meio ambiente. Victor também deu uma rápida aula sobre a história da canoagem.

Você sabia, por exemplo, que a canoa é o primeiro meio de transporte que se tem notícia? Pois é. Há cerca de 6.000 anos os índios a criaram para pescar, caçar em outras paragens ou descobrir novos lugares para se fixar. Esquimós as faziam com peles de foca; no Brasil, é muito comum a canoa feita de um só tronco; já no pacífico existem as chamadas canoas havaianas, ideais para driblar as ondas. As que usaríamos eram do tipo canadense, invenção de índios da América do Norte. No nosso caso, nem pele de foca, nem tronco de árvore: eram feitas em fibra de vidro.

Uma mão fica aqui, a outra ali: hora de aprender a segurar o remo

Depois de uma série de alongamento, para preparar o corpo para o exercício, uma outra aula, desta vez sobre as funções dos canoeiros. A pessoa que vai à frente é quem dita o ritmo e suas remadas devem ser acompanhadas pelos outros dois. Quem vai atrás é o guia ou timoneiro. Parando o remo de um dos lados, travando a água, o guia determina para que lado a canoa deve se virar, quando isto for preciso.

Quem vai na frente dita o ritmo, atrás vai o timoneiro. E o do meio ajuda.

Quem vai no meio, bem, quem vai no meio só tem o trabalho de entrar em sintonia com os outros. Achou fácil? É preciso ainda segurar o remo do jeito certo. Uma mão aqui, outra ali, vira assim, mexe assado. Um pouco difícil para alguns, mas nada que exija muitas habilidades ou pré-requisitos. Depois que todos pegam o jeito, é hora de entrar na água.

Alguns até estranharam os primeiros movimentos, mas rapidamente o grupo todo parecia em harmonia, seguindo rio acima.

Passeio

Rio abaixo: a ajuda da corrente torna a atividade ainda mais fácil

A canoagem é, desde 1930, um esporte olímpico. Mas ninguém estava, neste dia, com pretensões atléticas. Afinal, foi um passeio tranqüilo e vagaroso, com direito a muitos momentos contemplativos.

Victor explicava as diferenças entre as margens do rio. Quando a água vem com força pelo lado direito, tira parte da terra e cria um barranco. Mais para frente, deposita esta terra no lado oposto. Por isto as margens se dividem entre as de barranco de um lado e de praias no outro. É este movimento da água que também determina sua transparência.

As canoas utilizadas eram as do tipo canadense, para duas ou três pessoas

Uma paradinha na canoa para olhar para baixo: aqui, o rio parece um pouco turvo. Isto é sinal da presença de argila, que se mistura à água. Remamos mais um pouco e paramos novamente: aqui, o rio começa a se tornar cristalino. Sinal que o sedimento predominante é a areia. Mais pesada que a argila, a areia se deposita no fundo, mantendo as águas mais claras. Mas não é só para baixo que olhamos.

Belas plantas nas margens, como as bromélias, abundantes na região

Victor nos chama a atenção para o alto de uma ou outra árvore. Lá estão as bromélias floridas, de diferentes tipos, que se espalham presas a troncos e galhos. Nosso instrutor explica que, como as folhas das bromélias formam-se como copos, acumulando água e resíduos orgânicos, elas servem de fonte de alimento para muitos insetos. Estes, por sua vez, alimentam outros pequenos animais, que alimentam outros maiores...

Enfim, cada bromélia é como um micro ecossistema completo. Moral da história: nem pense em levar para casa uma muda! Além de crime perante a lei, é um atentado contra muitas vidas.

Mais para frente, outra espécie importante da região: a umbaúba. Alta, com suas folhas verdes por cima e prateadas por baixo, ela é o alimento predileto do bicho preguiça. Mas a história não para por aí. Para que a preguiça não coma demais e deixe a árvore fragilizada, a natureza deu um jeito de ajudar.

No alto da umbaúba, mora um tipo de formiga. Quando a preguiça começa a subir muito e a arrancar muitas folhas, estas formigas a atacam. Enquanto estão protegendo sua casa, garantem a sobrevivência da árvore. E a umbaúba agradece.

Pic nic

Na hora do pic nic, um passeio pelas águas do rio foi bem vindo

Hora do lanche! Numa praiazinha de areia, ajudamos a virar uma das canoas para o pic nic! Sobre ela, frutas, biscoitos, torradas, sucos, queijos...

O dia estava nublado e parecia que logo viria chuva, mas houve quem aproveitasse para nadar um pouquinho. O rio é bem raso, em algumas partes foi preciso empurrar as canoas. Mas naquela parte aumentava um pouco sua profundidade e a transparência da água (sedimentos de areia, lembre-se!) a tornava bem atraente.

Mas também houve quem foi direto para a mesa, repor as energias e agradar o paladar. Fome saciada, corpo descansado, hora de voltar. E se a subida é tranqüila, a descida é ainda mais.

Victor continua suas aulas: aqueles buracos no barranco, por exemplo, são ninhos do Martim Pescador, uma espécie de pássaro. E estes bancos de areia já foram muito explorad os comercialmente. Barcaças entravam e voltavam para a cidade carregadas de muitos quilos de areia. Mas hoje isto já não acontece. A fiscalização e a conscientização da população regional impediram um verdadeiro desastre.

E a vegetação que vai mudando aos poucos. Lá em cima, a mata fechada, próxima ao pé da serra. Conforme vamos descendo, passamos pela chamada mata ciliar, típica de beira de rios. Tudo, é claro, variações dentro do ecossistema denominado Mata Atlântica.

Victor dando instruções: o instrutor nos conta um pouco sobre o local e a história da canoagem

A esta altura do campeonato, mais de uma pessoa já perguntou ao Victor qual sua formação. Biólogo, ecólogo, geólogo? Ele explica que começou a estudar Oceanografia e abandonou o curso, há muitos anos. Agora voltou a estudar e está cursando Gestão Ambiental. Mas o conhecimento que usa para explicar tantas coisas em tão pouco tempo é puro autodidatismo. Coisas de quem gosta do que faz.

Tobogã

Apesar da chuva, corajosos não faltaram para o banho de cachoeira

De volta a terra, seguimos de ônibus até a fazenda Cabuçu. Por uma trilha de cerca de três quilômetros, chegaríamos a uma cachoeira. A princípio, uma caminhada fácil. Caminho largo, aberto, ladeado pela mata, parte de uma antiga fazenda. Victor conta um pouco da história do lugar e nos chama a atenção para outras bromélias e para coloridas helicônias.

Mas, aos poucos, a trilha vai ficando mais difícil. Raízes de árvores e pedras servem de degraus. Ao lado, podemos ver, por entre as árvores, o riacho correndo. Tudo bem, não fosse a chuva e o frio que começam no meio do caminho.

Mesmo assim, vale a caminhada por entre a mata quase fechada até se chegar na cachoeira. Todos procuram um cantinho, debaixo de uma árvore, encostada numa pedra, onde se molhe menos.

Mas não é que tem quem se arrisque a enfrentar o frio para um banho? É que o rio desce por uma rocha grande e lisa que forma um verdadeiro escorregador. Victor sobe para prender uma corda. E os mais corajosos experimentam a brincadeira. Afinal, quem está na chuva é pra se molhar!

Por entre as árvores, enxergávamos o rio: promessa de cachoeira por perto

Daí pra frente, é o caminho de volta. A trilha, apesar de escorregadia, parece ainda mais tranqüila. Ou será que é efeito de, sem perceber, termos passado um dia inteiro praticando exercício?

Voltamos para casa cansados, com muitas informações novas registradas e a certeza de que, apesar de tudo, ainda somos parte da natureza. Enfim, o que importa “é não se sentir um intruso, mas interagir com a natureza”, como disse Victor antes de partirmos.

Serviços

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(11) 6955-0886
namaste@namastenatureza.com.br

Dicas da Autora

- Em Bertioga, no litoral paulista, chove muito, independente da época do ano. Portanto, não deixe de levar uma muda de roupa.

- Sapatos que suportam umidade também são necessários. Se possível, leve dois: um para a canoagem e outro pra caminhada.

- O exercício da canoagem, em si, não é muito puxado. Mas não deixe de fazer os alongamentos, evitam que você fique dolorido mais tarde.

- Aproveite cada minuto: usar uma prática esportiva como meio de comunicação com a natureza é um delicioso jeito de se sentir novamente parte dela.

  
  

Publicado por em

Lobo

Lobo

05/01/2009 22:23:57
um lugar magico moro perto, mas nao mostraram a metade dete paraiso.
estao destruindo a caichoeira da agua branca na torre 47 com materiais de macumba favor avizar os orgaos competente
fiz uma limpeza mas nao foi suficiente