Cantos e Encantos de Itacaré - BA

Praias desertas com acesso somente por trilhas, cachoeiras, coqueirais e plantações de cacau compõem, junto à construções históricas e à cultura regional, um ambiente perfeito para a prática do Ecoturismo - Aqui é Itacaré.

  
  

Apresentação

Praia de Hawaizinho

A convite da Venturas e Aventuras fomos à Itacaré passar a semana do Carnaval e conhecer alguns dos mistérios da Bahia.

Toda esta região está incluída na Área de Proteção Ambiental Itacaré-Serra Grande.

Igreja de São Miguel séc. XVIII

O litoral baiano, chamado de Costa do Cacau, abriga um preservado trecho de Floresta Atlântica de relevo montanhoso.

Praias desertas com acesso somente por trilhas, cachoeiras, coqueirais e plantações de cacau compõem, junto à construções históricas e à cultura regional, um ambiente perfeito para a prática do Ecoturismo. Anteriormente freqüentada principalmente por surfistas, Itacaré conta hoje com mais de 60 pousadas, alguns hotéis e diversos restaurantes.

O crescimento da cidade e o enfoque para o turismo começou a apenas 5 anos, quando a estrada de acesso por Ilhéus foi asfaltada. O desenvolvimento acelerado, que lota a cidade nos feriados, está ameaçando sua paz e preservação.

Em relação às belezas naturais, a consciência de preservação está sendo cada vez mais disseminada. A APA de Itacaré-Serra Grande está envolvida no Programa Floresta Viva, que visa trazer alternativas econômicas sustentáveis para o pequeno produtor rural. Assim, o IESB (Instituto Sócio-Ambiental do Sul da Bahia) e o Programa Melhores Práticas para o Ecoturismo, do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade, estão colaborando para a melhoria das trilhas da região, aumentando a segurança e minimizando os impactos ambientais.

Primeiro dia

Praia da concha

Saímos cedo de São Paulo e fomos direto para Ilhéus, num vôo que dura cerca de 2 horas. Recebidos pela agência Itacaré Ecoturismo, logo pegamos um transfer. Até Itacaré, são 65 km de Estrada Parque, a BA 001, que já é um primeiro passeio, dando uma noção das belezas naturais que iríamos encontrar. Instalamo-nos na Pousada Papa Terra.

O sol estava muito forte, e aproveitamos nossa tarde livre para caminhar pela cidade rumo às praias mais próximas.

Chegada na Prainha

Passamos pelas Praias Urbanas da Concha, Resende, Tiririca, da Ribeira (apenas a alguns minutos a pé do centro) e, desta última, pegamos uma trilha de aproximadamente 45 minutos até a Prainha. A trilha é, em sua maior parte, fechada pela Floresta Atlântica, muito gostosa de fazer! Tem umas boas subidas! Devido a praia encontrar-se numa área de RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural), paga-se uma taxa de R$ 3,00 para entrar.

Apesar do sol ter dado uma trégua, a Prainha parecia brilhar, e a brisa leve nos transmitia uma única expressão: Sorria, você está na Bahia! E de pensar que de manhã estávamos em SP...

Prainha

A Prainha costuma ser mais deserta mas, como era Carnaval, estava um pouco mais cheia. Nada, porém, que incomodasse, muito pelo contrário: era gostoso ver um pessoal bonito, jovem, nem que fossem de espírito, porque o astral no ar era de muita paz e, ao mesmo tempo, disposição! O mar forte, mais indicado para os surfistas, não impediu um mergulho e, como quase tudo na Bahia, a água também é quente!

À noite, encontramos o grupo para um city tour e, como bons paulistas, jantamos uma pizza.

Segundo dia

Praia de Jeribucaçú

Nosso destino neste dia era a Praia de Jeribucaçú. Logo de manhã, partimos com o grupo rumo a esta praia com nome de origem Guarani, que significa `jacaré de boca grande`. Essa praia também fica dentro de uma área particular, a Fazenda Quatro Marias, tendo-se de pagar mais R$ 3,00 para entrar e usufruir das duas praias, da trilha e da cachoeira da usina.

Praia do Arruda

Acompanhados pelos guias Aristides e Meia-Noite, seguimos a pé por uma antiga estrada por cerca de 40 minutos, chegando à famosa Jeribucaçú com um impressionante visual. Era cedo e a praia ainda estava deserta. A cor do mar, em contraste com os coqueiros, pedras e areia, fazia com que todos mal se comunicassem, era cada um com sua câmera correndo para lá e para cá em busca dos melhores ângulos.

Capoeira na Praia

Apesar de loucos por um banho, os guias nos sugeriram conhecer primeiro a vizinha Praia do Arruda, que não é ideal para o banho, pois é cheia de corais e peixinhos.

No final dessa praia, há um mirante voltado para a continuação da costa, onde não há praias, apenas mata, pedras e mar - lindo demais!

Trilha por dentro do Mangue

Daí sim, com o sol da Bahia derretendo nossos miolos, e o cansaço da caminhada vindo à tona, voltamos à Jeribucaçu e nos atiramos no mar. Para os acostumados ao mar gelado, a água parecia não refrescar muito; mesmo assim ninguém queria sair do embalo das ondas azuis e cristalinas.

Enquanto tomávamos um lanche, flagramos os guias jogando Capoeira, e não hesitamos em fotografar a cultura baiana rolando naturalmente em forma de brincadeira e alto astral.

Após o lanche, rumamos para a próxima parada: Cachoeira da Usina. Começamos a caminhada atravessando um mangue. A lama escura, o cheiro forte e as poças de barro quente não agradaram no início, mas logo começaram as piadas e risadas quando alguém atolava e lambusava seu pé na lama. A paisagem também colaborou, com caranguejos vermelhos enfeitando o caminho.

Caranguejo Aratú

Passado o mangue, a trilha por dentro da Floresta Atlântica permitiu visualizarmos árvores centenárias, bromélias e orquídeas, o que propiciou muitos momentos de parada para a interpretação da natureza vinda de Meia-Noite, o nosso guia.

Cachoeira da Usina

Atravessamos o Rio Jeribucaçu duas vezes e, depois de 1 hora e meia, chegamos à Cachoeira da Usina onde, em 1942, foi fundada uma usina geradora de energia de Itacaré, na época áurea do cacau.

Hoje a usina está desativada, mas a cachoeira continua bela em meio à mata densa. Paramos para nos refrescar em seus 25 metros de queda e caminhamos pelos últimos 20 minutos até a saída da fazenda.

Exaustos, aguardamos pela Van no barzinho da entrada da fazenda, regados de água de côco e melancia, geladinhos! À noite, fomos jantar na avenida principal, onde existem muitas opções, mas uma especialidade é garantida em qualquer lugar de Itacaré: o peixinho frito na hora e a boa pimenta baiana.

Terceiro dia

Cachoeira do Tejuípe

Começamos nosso ensolarado dia sob as águas da Cachoeira do Tejuípe, que está localizada em uma área particular e possui um restaurante para atender aos turistas. Em seguida, caminhamos por uma trilha entre a mata e o rio, chegando na `cachoeirinha`. As duas cachoeiras que visitamos são excelentes para banho, uma temperatura perfeita!

Praia de Hawaizinho Vista de Cima

O local começou a encher de gente e seguimos para a Praia do Hawaizinho. A trilha para essa praia fica a 15 km de Itacaré, e são apenas 10 minutos até o lindíssimo Hawaizinho 1, bem freqüentado por surfistas. Prosseguimos com a caminhada até o Hawaizinho 2, a praia vizinha. Entre as duas, fotografamos o coqueiro mais excêntrico que havíamos visto até então. Chegando ao final da trilha, ficamos todos maravilhados com a beleza das cores e composições do cenário - fotos, fotos e mais fotos - banho de mar e lanche; recarregamos as energias para continuarmos o passeio.

Piscinas Naturais na Trilha

Retornando o percurso, iniciamos outra trilha de 25 minutos, respirando muito verde, que nos preparou para mais um cinematográfico astral e visual de Itacaré: a Praia da Engenhoca, a preferida pelos surfistas. Um rio cruza a praia logo no seu início, garantindo o banho de água doce.

Havia muita gente bonita, côco gelado e lanches naturais sendo vendidos, surfistas no mar, uma brisa jovem e descontraída. Caminhamos, descansamos, nadamos e logo era hora de ir embora. Mesmo entrando no ritmo baiano, o tempo parecia voar. O dia foi intenso, com inúmeras paisagens, cores, cheiros, côcos, coqueiros, sol, suor, águas cristalinas... Tanta riqueza que a natureza traz e a Bahia faz você sintonizar, mergulhar neste encanto.

Quarto dia

A Caminho das Canoas

O sol estava intenso logo de manhã, indicando que o dia seria bem quente! Para nossa sorte, a programação do dia estava totalmente voltada para água e tranqüilidade. Saímos a pé da pousada até a Orla e, junto ao guia, saímos de canoa, rumo ao Rio de Contas - que vem da Chapada Diamantina e tem sua foz em Itacaré.

Remando no Rio de Contas

O grupo lotou três canoas, cada uma com um pescador local remando, e nós podíamos ajudar se a intenção fosse andar mais rápido - não que alguém estivesse com pressa, isso nunca!

No quarto dia já estávamos bem entrosados no ritmo baiano! Passeamos cerca de 40 minutos pelo rio, observando o mangue, os caranguejos e o silêncio da vida de quem sobrevive da pesca ou da caça de caranguejo.

Cachoeira Pancada Grande

Paramos para nadar no rio, com a temperatura naquele mesmo esquema: PERFEITA! Seguimos então para a Cachoeira de Pancada Grande, a maior das quedas de Itacaré, e a água mais gelada que experimentamos na região; naquele momento, porém, estava perfeita para o calor insano que estava no ar.

Almoço na beira do Rio

Depois de bem aproveitada, voltamos de canoa por alguns minutos até um restaurante à beira do Rio de Contas. Um ambiente muito gostoso, muitas redes entre as árvores, de frente para o rio, uma paz divina. Almoçamos por lá um fresquíssimo dourado com farofinha, pimenta, arroz e pirão, tudo feito na hora. O lugar era bem simples, mas ideal para quem quer estar no ambiente natural, em contato com a cultura local; a gastronomia com o verdadeiro sabor da Bahia!

Voltamos no final da tarde bastante descansados e combinamos com o grupo de `cair na night`, na ressaca de Carnaval em Itacaré. Como em quase toda a cidade da Bahia, no Carnaval, além do trio elétrico, são montados palcos para shows próximos da praia, e inúmeras barracas que vendem os drinks tradicionais. Fomos assistir a um show, dançamos os ritmos baianos e experimentamos o famoso Capeta (drink a base de pó de guaraná) para ficarmos cheios de energia e bem acordados.

Nascer da lua em Itacaré

Nossa intenção era ir ao forró, mas tudo em Itacaré acontece tarde, e o forró começa somente à 1h30 da manhã! Quando deu a hora fomos para a praia onde rola o forrozinho, o céu estava um desbunde de estrelas. Havia um trio cantando ao vivo e uma galera jovem dançando para valer. Todos entramos na dança, atravessando a madrugada.

Quinto dia

Costeirismo

O destino do dia era a Praia da Camboinha. Havia duas opções: ir direto com o ônibus através dos 18 km de estrada ou fazer uma caminhada, a trilha do Costão, margeando toda a encosta de Jeribucaçú até Camboinha. Um trekking de 3 horas e meia passando por sete praias. Junto de mais três candidatos e Meia-Noite (o guia), iniciamos os 6 Km com um alongamento na entrada da propriedade onde fica a praia de Jeribucaçú, que visitamos no segundo dia.

Piscina Natural

O tempo estava fechado e ,assim que chegamos na praia e subimos nas primeiras pedras do costão, começou a chover. Guardamos os equipamentos fotográficos e continuamos mesmo assim, pois Meia-Noite nos garantiu que não haveria problema. E, realmente, logo percebemos que ali as pedras não eram escorregadias. Além disso, a chuva passou e o sol chegou!

Praia da Engenhoca de Manhã Cedo

Em poucos minutos, o calor já estava novamente de matar, nos obrigando a parar em uma piscina natural para nos refrescar. Um cantinho muito especial, onde a água era totalmente cristalina, e as ondas batiam atrás de suas `paredes`, sem invadir a piscina, onde estávamos protegidos para um banho tranquilo.

Camboinha Vista de Cima

Atravessamos uma parte bem estreita entre o mar e as pedras, saltamos alguns penhascos, e seguimos sempre com concentração e adrenalina simplesmente por estarmos ali: os seis, o mar e as pedras. Chegamos então na Engenhoca, praia visitada no terceiro dia. Banho de mar, côco gelado, a simpatia do vendedor de côco que rendeu num bom papo até recuperarmos as energias, e seguimos pela trilha para Hawaizinho, também visitada no terceiro dia.

Jantar despedida

O sol não estava tão devido às nuvens, evitando que nos canssácemos demais no trajeto. Passamos Hawaizinho 1 e continuamos pela costa até Hawaizinho 2, na nossa opinião, uma das praias mais preciosas de Itacaré. Como sempre, estava deserta. Sentamos nas pedras que pareciam estar esperando por nós, na forma de vários bancos. Ali tomamos nosso lanche. Mais banho de mar e, enfim, o último trecho, até Camboinha. Neste momento, fomos por trilha até começar a visualizar Camboinha e Itacarezinho de Cima, as praias mais extensas de Itacaré.

Camboinha é demais, possui várias cabanas onde é possível comer muito bem, e onde se encontra muita gente bonita, surfistas, duas bicas de água doce e, como em todo o trajeto, um marzão azul em temperatura fora de sério, chamando por você!

Encontramos o grupo que foi direto de ônibus e por lá ficamos, estirados na areia, aproveitando ao máximo a `terrinha`.

Para a despedida da galera, foi organizado um jantar encomendado por cozinheiras da vizinhança dos guias. O jantar ocorreu em um bairro tradicional, no galpão em que são ministradas as aulas de capoeira. Aproveitamos para fazer um show de slides com as fotos da viagem, nosso amigo Fernando tocou violão, alguns jogaram capoeira e todos trocamos os contatos. Tudo isso regado a muita moqueca de peixe, catado de siri, farinha e pimenta. Boas lembranças, bons momentos, muitas fotos e aperto da saudade que sentiremos deste cantinho da Bahia, abençoado por coqueiros, águas cristalinas e calor humano.

Serviços

Venturas e Aventuras
www.venturas.com.br
(11) 3872-0362
venturas@venturas.com.br

Itacaré Ecoturismo
www.itacare-ecotur.com.br
(73) 251-2224
iecotur@uol.com.br

Pousada Papa Terra
www.papaterra.com.br
(73) 251-2252
papaterr@uol.com.br

Dicas dos autores

Marcelo e Claudia

Não deixe de visitar as praias distantes da cidade, são imperdíveis! O ideal é estar em um grupo para garantir os transfers e muitas amizades.

Em Itacaré faz calor o ano todo, porém de julho à agosto chove muito, ficando difícil de fazer os passeios. Por outro lado, é a melhor época para a prática do surf.

No Reveillon e Carnaval a cidade fica muito cheia, bom para quem quer agito, mas ruim para quem quer conhecer a verdadeira tranqüilidade de Itacaré.

Existem várias opções de Hospedagem e Alimentação na cidade; desde as mais simples até as mais requintadas.

Você vai encontrar de tudo para comer bem: comida baiana, pizza, menu de um chefe que mistura a culinária baiana com Tailandeza, como é o exemplo do Restaurante `Dedo de Moça`, e a típica comida mineira encontrada no Restaurante `Ziriguidum`.

Ao pedir o seu prato em um restaurante, tenha paciência. Peça uma bebida, converse com os amigos, cultive seu bom humor e não se estresse se a comida demorar para ser servida.

O melhor calçado para todas as atividades por lá é a papete.

Ao pedir sucos e tomar sorvetes em estabelecimentos simples, verifique a origem da água.

Consulte nosso Guia Completo de Itacaré!

  
  

Publicado por em

Patricia

Patricia

26/01/2009 15:46:52
pessoal gostaria de saber se a primeira quinzena de março é bom para visitar itacaré?

Valdemar

Valdemar

15/01/2009 03:06:42
oi somos de sao paulo e gostariamos de saber quando será o canaval fora de época de itácare