Lavras Novas (MG) - destino desconhecido

Lavras Novas está localizada em Minas Gerais, há 12 quilômetros de Ouro Preto, a 113 de Belo Horizonte e a 630 quilômetros de São Paulo.

  
  

A Viagem

Fiquei curiosa para conhecer o roteiro de Lavras Novas, oferecido pela Andaluzs Adventures - operadora de ecoturismo de São Paulo, pois nunca havia ouvido falar neste local e pelas características parecia ser bem interessante.

Lavras Novas está localizada em Minas Gerais, há 12 quilômetros de Ouro Preto, a 113 de Belo Horizonte e a 630 quilômetros de São Paulo. Numa viagem de 10 horas é possível chegar nesse paraíso perdido. Os últimos 11 quilômetros são de estrada de terra e com muitas curvas.

O centro da cidadezinha tem um pouco mais de 500 metros de rua de pedras, onde há bares, restaurantes, mercearia, lojinhas com artesanato local, e claro, a pracinha e a igreja. Há diversas pousadas nas ruas paralelas e nas transversais, muitas delas com muito conforto.

O centro de Lavras Novas é ótimo para quem quer fugir da agitação das grandes cidades, a vida é tranqüila, não há guardadores de carros e nem pedintes. À noite pode-se curtir MPB, forró ou mesmo rock n´roll.

A história de Lavras Novas tem diversas versões, mas ao certo sabe-se que o povoado desenvolveu-se no século XVIII, já que por volta do ano de 1740 a capela dedicada à Nossa Senhora dos Prazeres havia sido construída com a Irmandade em pleno funcionamento. A mineração sobreviveu até 1780 quando houve a grande crise do ouro que provocou o abandono da vila pelos mineradores, permanecendo apenas os descendentes de escravos, provavelmente livres ou libertos.

Saímos de São Paulo, do metrô Sta. Cruz, às 21h20 no dia 05 de julho de 2002 - depois de dez horas e meia de viagem chegamos na Pousada do Bró em Lavras Novas. A viagem foi cansativa, porém tranqüila, a madrugada fez muito frio, senti falta dos meus cobertores, o que foi esquecido quando chegávamos em Lavras. A estradinha era sinuosa, íngreme, constituída de terra vermelha. O sol começava a nascer e nos aquecer.

Primeiro dia

Depois de uma noite mal dormida (e também quem consegue dormir direto dentro de um ônibus), fui correndo para o chuveiro, a maioria dos colegas de viagem correram para o café-da-manhã. Para minha alegria o chuveiro era uma ducha que todos sonham ter em casa, muita água e com opção de escolher a temperatura que quiser. Sabia que não poderia ficar ali curtindo, tinha que tomar café e andar muito durante todo o dia. Fui para o salão do café-da-manhã; nas paredes foram instaladas `janelas` gigantes em que era possível apreciar toda a paisagem de fora. O visual era maravilhoso, montanhas e mais montanhas, verdinhas, como se fosse um gigante tapete verde.

Depois do café seguimos a programação, quem nos acompanhou foi o Haroldo - dono da pousada. Durante a caminhada ele nos contava as histórias da cidade e falava de sua geografia. A caminhada rumo à Serra do Trovão foi tranqüila, passamos pela Pedra do Macaco, fizemos uma parada no topo da montanha (1700 metros de altitude) para apreciar a vista. Em dias claros, como o que tivemos, foi possível avistar 360 graus num raio de até 300 quilômetros (Serra do Caraça, Serra da Boicana, Serra do Itabirito, Serra da Chapada, Serra de Ouro Branco, Serra do Cápua, Serra do Caparão e o Parque Itacolomi). A formação rochosa de calcário formava caminhos esbranquiçados com pedras encobertas por uma vegetação rasteira.

Devido às formações da Serra do Trovão, que é excelente para prática de rapel, embora necessite agendar com antecedência através da pousada, com no mínimo um grupo de 4 pessoas - pois é executado por uma equipe de Belo Horizonte - iniciamos a descida pelo Vale das Pedras.

A vista era a Serra da Chapada e um vilarejo, batizado de Vila Chapada, onde faríamos nosso lanche.

A Vila da Chapada é um sub-distrito localizada a 9 quilômetros do centro de Lavras Novas. No mesmo estilo, só que ainda menor, as ruas são de terra e não tem mais que 500 metros de extensão. O vilarejo tem aproximadamente 65 moradores, 7 deles entre 5 e 12 anos e os demais, jovens e idosos. Há uma igreja do ano de 1883, poucas casas e uns três bares. Numa dessas casas é possível comprar cachaças de vários sabores, licores, tomate seco, torresmo, conserva de alho, geléias e berinjela assada.

Nossa parada foi atrás da igreja, comemos o lanche trazido pelo pessoal da pousada, descansamos e seguimos rumo à Cachoeira do Castelinho. A trilha começa ao lado direito da igreja e tem acesso de carro até a metade do caminho, onde há um camping e um bar. São 40 minutos de caminhada, mas apenas os últimos 100 metros são íngremes. Há placas indicando a cachoeira, na bifurcação virar a direita e passar pela porteira, onde começa a descida e já é possível ver a cachoeira e a bela piscina natural.

O sol já estava fraco e poucas pessoas entraram na água. Soube depois na cidade que tem como subir o riozinho, onde há muitos pocinhos e uma pequena caverna com quedas d´água, há muitas pedras no local, o que dificulta a caminhada, mas pela descrição compensa. Na volta, chegando no vilarejo o ônibus nos esperava para levarmos à Cachoeira do Falcão.

A Cachoeira do Falcão é ainda mais bonita, vale a descida bem íngreme de uns 8 minutos, a cachoeira forma uma enorme piscina natural com o fundo de areia e também um banco de areia, parecendo uma prainha. A parte próxima à queda é bem funda; não aconselho, mas algumas pessoas pularam de cima da pedra.

Voltamos para a pousada, cansados, mas felizes e revigorados com tantos banhos naquelas maravilhosas piscinas naturais.

Segundo dia

Quem estivesse cansado, tinha a opção de ficar na pousada e aprender um pouco da culinária mineira, mas o pessoal queria mesmo era andar e na volta comer o prato.

Partimos a pé para a Bacia do Custódio, uma represa da empresa ALCAN - Alumínio do Brasil.

Soube que estavam querendo fechar o acesso, pois algumas pessoas passam o dia e deixam restos de alimentos, poluem a represa e ainda jogam sujeiras no chão.

Em aproximadamente uma hora e meia chegamos, mas há acesso para carro, o que facilita a ida de muitas pessoas para o local. Havia pelo menos mais dez pessoas, fora o nosso grupo. O sol não estava muito quente, o que fez com que somente meia dúzia de corajosos entrassem na água. A água é limpa, o gramado bem cuidado, vale passar horas ali embaixo das árvores lendo um livro ou simplesmente não fazendo nada.

Depois do descanso, mergulhos e lanchinhos, seguimos para a Cachoeira dos Três Pingos. É só pegar o caminho de volta e na metade da subida há uma placa indicando à direita o local. Em apenas 5 minutos de descida, chegamos. A cachoeira forma três duchas maravilhosas para hidromassagem. O sol desta vez ajudava e encorajava todos a entrarem e se divertirem. Havia algumas pessoas no local, como o acesso para carro é fácil o pessoal passava e via a placa e ia pela curiosidade, inclusive não estavam com roupas de banho. Pude perceber que o turismo ecológico ainda é muito pouco explorado, nas cachoeiras onde não se tem acesso para carro, havia apenas o nosso grupo, e mesmo aquelas que davam acesso à carros, as pessoas estavam despreparadas para encontrar aquele belíssimo atrativo natural, ninguém de tênis, roupas confortáveis, e sim sandálias, até de salto e roupas de noite!

Tínhamos marcado com o motorista na saída da cachoeira, mas ele se atrasou, será que ficou na aula de culinária? Esperamos uns 50 minutos, para passar o tempo, sentamos todos numa pedra e contávamos piadas, além de devorar os últimos lanchinhos. Duas pessoas, ainda com fôlego, preferiram ir a pé. Avistávamos o caminho para a cidade que era só subida, preferi esperar o ônibus e escutar as piadas, além de aproveitar e conhecer melhor o grupo.

Quando chegamos na pousada, parte do pessoal foi tomar banho e a maioria foi direto para o salão almoçar; o prato principal - feijão tropeiro. Depois de tanta comilança alguém ainda sugeriu irmos à cidade. Todos gostaram da idéia, mas só se fossemos de ônibus, mesmo sendo apenas10 minutos de caminhada. Lá fomos nós às compras. Há apenas duas lojinhas na cidade, isso mesmo duas lojinhas, uma no começo da rua e outra no fim. Mas vale entrar para ver o artesanato local, o que me chamou atenção foram os preços, muito bons (veja depois nas Dicas do autor).

As mulheres procuravam com que gastar e os homens preocupados se ia haver forró na cidade naquela noite. O forró ao vivo acontece somente aos sábados no Peixaria´s Bar, das 22h às 2h. Depois de muita insistência, o pessoal do bar ligou para o sanfoneiro e foi marcado o forró para aquela noite. Logo após a chegada de algumas pessoas do nosso grupo, o pessoal da cidade foi sabendo que haveria forró na Peixaria e logo lotou. Pena que na manhã seguinte havia muito o que andar e aproveitar os atrativos naturais, o que fez com que antes da meia-noite já estivessem de volta a pousada.

Terceiro dia

Depois do café da manhã, decidimos se íamos a Cachoeira do Rapel. A pessoa que nos acompanhou tinha dúvidas quanto a segurança do pessoal, pois haveria alguns trechos de corda.

Depois de uma hora de caminhada, chegamos ao Pocinho, um lugar belíssimo, dois poços com águas límpidas, porém geladas, e com duas quedas que formam uma hidromassagem natural. O pessoal já se empolgou e quis ficar por ali, mas nada disso, tínhamos que ir até à Cachoeira do Rapel e só na volta comeríamos o lanche naquele local.

Então, com ajuda dos guias pulamos e seguimos por mais vinte minutos de caminhada, encontramos mais uma outra cachoeira, dava para entrar e ficar debaixo da queda, mas não formava uma piscina. Mais quinze minutos de caminhada numa mata fechada e muita descida, um riozinho, o qual tivemos que passar cada um por vez com ajuda, pois tivemos que pular este rio; subimos e na próxima descida usamos corda, um por vez novamente. Ficamos num patamar, mais corda, neste último trecho ficamos vendo as duas quedas da cachoeira que de fato era muito bonita e o cansaço estava compensado devido à beleza.

Descemos num trecho de aproximadamente 6 metros com corda, todos conseguiram descer sem problemas. Havia lugar para todos ficarem tranqüilos apreciando a beleza, fomos ver na ponta do rio que formava uma janela para as montanhas, último trecho era de descida, a maioria andávamos no plano e apreciávamos o visual. Apenas algumas pessoas foram até a ponta, tivemos que subir pela mata para chegar até lá, imaginávamos ver uma enorme queda, mas a cachoeira `quebrava` numas três partes, por isso não dava para ver, mas dali é feito um rapel, por isso o nome dela.

A volta sempre é mais fácil, apesar de estarmos mais cansados. Fizemos então, a tão esperada parada no Pocinho, o sol estava forte e a maioria entrou na água, comemos um lanchinho trazido da pousada (deve ter dado trabalho, fazer aquela trilha com lanches, suco e frutas).

De volta à pousada, depois do belo banho, fomos para a cidade de Ouro Preto, um passeio opcional para quem não conhecia a cidade que aniversariava. Chegamos na cidade, já estava escurecendo, a maioria das igrejas estavam fechadas e como havíamos marcado às 20h30 com o motorista, o pessoal se dispersou e tivemos que dar algumas voltas para encontrar algum lugar para nos acomodar, beber e comer algo. Fomos embora no horário combinado, enquanto muitos chegavam para o ver o show do grupo Terra Samba, que começaria em uma hora.

Já na pousada, todos foram direto ao jantar, eu já havia comido bastante, preferi ficar no quarto, já estava frio e eu precisava começar as minhas anotações.

Quarto dia

Acordamos mais cedo que o normal, marcamos de sair às 9hs, como já havíamos feito todo o roteiro oferecido pela agência, foi sugerido que fossemos conhecer a cachoeira dos Prazeres.

A trilha começa atrás da nossa pousada o que já encorajava a (quase) todos, desta vez ficaram três pessoas descansando. Foi combinado com uma pessoa que conhecia bem o caminho, mas infelizmente foi desmarcado minutos antes da partida. Seguimos então com uma pessoa da pousada, depois de meia hora caminhando, houve a primeira dúvida quanto ao local, direita, ou seguir em frente. Descemos à direita, voltamos tudo e seguimos em frente. Voltamos e ficamos parados esperando algum sinal de qual seria o melhor caminho. Como já era o nosso último dia e tínhamos que estar na pousada ao meio-dia para o almoço, apenas três pessoas insistiram e foram procurar a cachoeira (o guia da pousada, o guia da agência daqui de São Paulo e nosso fotógrafo).

Desistimos e voltamos, a maioria tinha que fazer as malas, tomar banho e almoçar, o que desanimou perder mais tempo tentado encontrá-la. Em quarenta minutos estávamos de volta, só depois de uma hora eles chegaram, cansados e famintos. Para alegria deles, acharam a cachoeira, para nossa tristeza, estivemos bem próximo à entrada da trilha, mas como é fechada e não há sinalização alguma não conseguimos ver. Ficamos então com as fotos, e o que pude concluir é que vale voltar e conhecê-la.

Serviços

Andaluzs Adventures - Turismo Ecológico
www.andaluzsadventures.com.br
(11) 5102-3883
5102-4542
info@andaluzsadeventures.com.br

Dicas da autora

Para quem quer fazer as trilhas ecológicas e conhecer as cachoeiras, deve-se informar na própria pousada, pois na cidade não há uma `agência` local e nem guias especializados;

Para praticar algum esporte de aventura, como: rapel, escalada, mergulho, canyoning e espeleologia, é necessário ligar e agendar na Pousada d´Bró, para um grupo de no mínimo de quatro pessoas;

No centro de Lavras Novas há música para todos os gostos. O melhor lugar para MBP é no Bar Villa Kokopelle, tem novidades todos os sábados, onde o cardápio é servido à luz de velas. Aceita reservas, já que cabem apenas 70 pessoas. Telefone (0xx31) 9961-1331.

O forró pega fogo das 22h às 2h aos sábado no Peixaria´s Bar, com música ao vivo, onde são servidos maravilhosas muquecas para quatro pessoas de Badejo - R$ 32,00, Robalo - R$ 32,00, Surubim - R$ 29,00, Porções de Camarão - R$ 18,00, Torresmo - R$ 6,00, Mandioca - R$ 5,00 e Pirão R$ 2,50. Telefones (0xx31) 3554-2028 / 9632-5268.

Aos adeptos do bom e velho rock n´roll, o bar Mar a Mais cobra R$ 5,00 de couvert para uma banda que toca covers de Led Zeppelin, Pink Floyd, Black Sabbath, entre outros. Aceita reserva e espera até às 22h30 quando as mesas são liberadas. Servem Camarão na Moranga - R$ 35,00 (p/ duas pessoas), Joelho de Porco defumado - R$ 25,00 (o kilo), Costelinha defumada com mandioca - R$ 13,00, Caldos diversos (feijão, verde, mandioca) - R$ 5,00 e Prato Feito - R$ 5,00.

Para quem quer algo mais exótico, na Vila Chapada, o Bar das Cobras, serve cachaças exóticas curtidas em bichos como besouros, aranhas, escorpiões e claro, cobras cascavel e jararaca do rabo branco consideradas duas das mais venenosas da nossa fauna. Ao som de blues, MPB, reggae, jazz e rock, nos dias com música ao vivo é cobrado couvert artístico que varia de R$ 2,00 à R$10,00. Telefones (31) 9608-6446 begin_of_the_skype_highlighting              (31) 9608-6446      end_of_the_skype_highlighting.

Vale trazer na bagagem o peso de uns tapetes e colchas de tear, além de muito bem feitos e coloridos, saem pela metade do preço das lojas de São Paulo - tapetes a partir de R$ 3,00 e colchas R$ 26,00 à venda em uma das lojinhas no centro de Lavras Novas.

  
  

Publicado por em

Mariana

Mariana

24/05/2010 12:26:33
Gosto muito de Lavras Novas, assim como gosto do Bichinho (Vitoriano Veloso) - MG. São lugares impressionantes que se a gente conta ninguém acredita. Só indo para comprovar.

Ketrim

Ketrim

13/05/2010 07:40:07
Olá Toni...
Fui em Lavras Novas, mas não encontrei vias de escalada, gostaria de saber se la tem vias p escalar...e se tiver me envie um mapa ou algo que posso localizar....
aguardo retorno.

Tata

Tata

01/09/2009 08:08:09
MINAS é tudo de bom amo Minas, assim como amo BRASIL

Toni Lee

Toni Lee

26/07/2009 22:34:47
Depois de ler esta narrativa e ver as fotos decidi colocar Lavras Novas em meu roteiro de viagem que já incluia Ouro Preto. É muito legal mesmo! Já estou preparando minha moto e a mochila. Agora é só pegar a estrada. Muito obrigado pela dica. Nota 10 pela matéria.
Valeu!

Equipe EcoViagem

Equipe EcoViagem

Olá Toni, O EcoViagem trabalha para levar sempre as melhores matérias aos viajantes. Desejamos á você uma ótima viagem!! Agradecemos o contato Equipe EcoViagem
Gaby

Gaby

05/06/2009 10:51:54
Que passeio maravilhoso vcs fizeram, na verdade sou nativa de Ouro Preto e moro aqui tb. Os nativos nao dão muito valor para essas coisas, mas eu amo lavras novas e passo quase todos os fins de semana acampada la, conheço muitas das cachoeiras e realmente sao maravilhosas!!! Mas as montanhas e a serra do trovão nunca fui por pura preguiça da caminhada, mas agora acho que vou me aventurar....Bjos e espero que voltem pois o turismo é de grande importancia para nossa regiao!

Nacir aislan diego da fonseca costa

Nacir aislan diego da fonseca costa

03/12/2008 17:43:40
depois de ver isso tudo! estou indo pra lavras novas agora! só podia ser distrito de ouro preto mesmo. um lindo lugar.vou me aventurar bastante valeu!