Blogs > Equipe EcoViagem > Viagens Nacionais >Milho Verde - O aconchegante clima MineiroRuas de terra, casinhas de adobe coloridas, cavalos pastando, galinhas, fumaça saindo pelas chaminés dos fogões a lenha: em Milho Verde, vilarejo do município de Serro, com nome curioso e muitos encantos, impera o aconchegante clima mineiro.21 de Dezembro de 2004. Publicado por Equipe EcoViagem Apresentação![]() Milho Verde ainda mantém as ruas de areia e um delicioso clima mineiro Texto:Mônica Canejo Ruas de terra, casinhas de adobe coloridas, cavalos pastando, galinhas, fumaça saindo pelas chaminés dos fogões a lenha: em Milho Verde, vilarejo do município de Serro, com nome curioso e muitos encantos, impera o aconchegante clima mineiro. ![]() Casas de adobe e ao fundo a bela Serra do Espinhaço lembram músicas de Milton Nascimento Aliás, tão mineiro que a capela símbolo do lugar tem sua foto estampando o encarte do cd Geraes, do também mineiríssimo Milton Nascimento. Cercado pela serra azulada, tranqüilidade é a primeira coisa a se notar. Na cozinha da Pousada da Lourdes, um obrigatório fogão a lenha exibe os quitutes tradicionais: frango ao molho pardo, angu, couve mineira, carne de porco. E dona Lourdes vai avisando: `aqui é assim, cada um se serve como quiser`. A hospedagem é simples, a comida tradicional, o ambiente aconchegante: como é tudo em Milho Verde. Cachoeiras![]() Em meio a Serra do Espinhaço, Cachoeira do Lajedo merece destaque A bela Serra do Espinhaço e as várias cachoeiras são motivos mais que suficientes para quem busca sossego junto à natureza e atrai os que gostam de andar a pé, de bicicleta, a cavalo, ou simplesmente de um bom banho de água pura. ![]() Cachoeira do Lajedo: lugar para descansar nas inúmeras piscinas naturais Na cachoeira do Lajeado, por exemplo, a água escura e avermelhada, característica da região, escorre por uma laje de pedras que mantém sua temperatura bem agradável. ![]() Cachoeira do Moinho: uma das mais belas de Milho Verde Entre as curiosas formações rochosas, existem diversas piscinas naturais, e, caminhando pelas pedras, pode-se chegar à cachoeira do Carijó. Já na Cachoeira do Moinho, o cenário é modificado pelas construções antigamente utilizadas para moagem de fubá. ![]() Cachoeira do Piolho, uma das mais próximas do vilarejo Existem ainda a cachoeira do Piolho, no riacho de mesmo nome, e a Lagoa Azul. Todas a menos de 4 km da vila. Trilhas![]() A cada 100 metros descendo o rio, novas cachoeiras vão se formando Quem quer conhecer a Serra do Espinhaço de perto, pode se aventurar pelas trilhas a pé ou de bicicleta. Ou alugar cavalos com os próprios moradores, que fazem do animal um corriqueiro meio de transporte. ![]() Rio Jequitinhonha um dos mais importantes de MG nasce a poucos KM de Milho Verde De perto, pode-se ver que o tom cinza azulado é dado pelas muitas rochas que cobrem suas encostas arenosas e observar a vegetação baixa e peculiar, com a presença de delicadas sempre-vivas, características que dão à região o nome de campo rupestre. Vale a pena também enfrentar o caminho montanhoso que leva a próxima vila, São Gonçalo do Rio das Pedras, também muito bonito, e visitar o rio Jequitinhonha, que nasce perto e é o mais importante de toda a região. História![]() Crianças brincam na praça da Igreja do Rosário Mas Milho Verde não é só para encher os olhos de belezas naturais: é também importante ponto no circuito das cidades históricas. Localizada na região do alto Jequitinhonha, entre as destacadas cidades de Serro e Diamantina, o vilarejo é uma dos trechos mais importantes dos que compõe o Circuito da Estrada Real. Antiga via que levava ouro e diamante do interior do país até o litoral, a Estrada Real passa hoje por um projeto de revitalização turística, que inclui desde melhorias nas estradas até incentivos a micro e pequenas empresas. Com participação dos governos federais, estaduais e municipais, o projeto tem expectativa de atrair cerca de 2,5 milhões de turistas anualmente para esta que era caminho obrigatório para tropeiros que muitas vezes pernoitavam nesta então promissora vila do arraial de Santo Antônio do Bom Retiro do Serro Frio, atual cidade do Serro. Oficialmente elevada a distrito de Serro apenas em 1868, sabe-se que já era mencionada como vila desde 1711. Seus primeiros habitantes chegaram atraídos pela presença abundante de ouro e diamante. E, se você ainda está curioso para saber de onde vem o seu divertido nome, saiba que vem justamente de um proprietário de lavras locais, o português Manoel Rodrigues Milho Verde. A proibição pela Coroa Portuguesa da extração de minérios por moradores acabou obrigando-os a se dedicar à agricultura ou a deixar o lugar. Um posto fiscal e quartel - o que batizou a atual Rua do Quartel - foi montado no local para fiscalizar a entrada e saída de mercadorias. É claro que estas medidas não foram suficientes para impedir o comércio ilegal das pedras, mas, mesmo assim, acabou levando o distrito à estagnação, quase como se estivesse parado no tempo. Já a capela do Rosário, símbolo do vilarejo, continua a encantar os visitantes. Erguida no século XIX, muito provavelmente por escravos, até hoje é palco de uma das mais tradicionais festas da cidade, a festa do Rosário, que acontece durante a semana santa. E no resto do ano o gramado à sua frente é utilizado como campo de futebol e reúne boa parte dos moradores, tanto crianças quanto adultos. Personagens![]() Visão da Serra do Espinhaço com a Tromba Danta, formação curiosa da região Do legado cultural desta época, uma das heranças mais significativas é a presença dos negros. Chegados para o garimpo nesta região tão distante do contato com notícias de sua terra ancestral, acabaram por adotar o catolicismo. Ou melhor, reinventar o catolicismo, num misto de ritos cristãos e africanos. Até hoje é possível encontrar resquícios desta tradição. Seu Crispim, 59 anos, morador de Ausentes, espécie de bairro de Milho Verde, carrega na memória palavras de um ritual há muito tempo em desuso, a `encomenda` da alma. Ele explica que quando uma pessoa morria na roça, familiares e amigos se reuniam para beber e dançar, enquanto o encomendador ia recitando e cantando versos que misturam palavras em português e em dialetos africanos, pedindo a Deus que recebesse bem a alma que seguia. Depois de bem cantado, o corpo era carregado em um tronco e, se estivesse pesado, os integrantes do cortejo batiam com varas para que ficasse leve. Era então entregue no cemitério que fica ao lado da Capela de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Hoje, as pessoas são levadas para a cidade e o ritual não é mais realizado. Mas seu Crispim acrescenta, para nos despreocupar: `mas olha, quem andou certo, fazendo o bem, tem o caminho do céu limpo`. Estrutura![]() As águas transparentes e avermelhadas encantam o turista Milho Verde começa agora a se preparar para receber os turistas. Desde a década de 80, quando hippies descobriram o lugar, o número de visitantes cresce ano a ano, muitos deles estrangeiros, especialmente alemães. Outros, vindos de cidades grandes, acabam ficando, seduzidos pela vida simples. Já os nativos se dividem: alguns se preocupam com os problemas que o turismo pode trazer, como o excesso de lixo e a especulação imobiliária, enquanto outros preferem aderir à atividade, a mais rentável no vilarejo. As poucas pousadas costumam ser uma extensão da casa dos proprietários, rústicas e simples, porém aconchegante. Quem prefere, pode utilizar os campings ou alugar casas. Para se comer, pode-se procurar as próprias pousadas, que costumam ter o almoço incluso na diária (R$ 20,00 por pessoa, em média), ou os bares e vendas, ricos em iguarias regionais. No bar Armazém, por exemplo, são cerca de 100 garrafas de cachaça com diferentes ervas; já o bar do Adir, serve um delicioso sanduíche de queijo do Serro; queijo também para os pastéis do bar do Adelmo. Só não se esqueça que o ambiente é praticamente rural: a partir das 22:00h pode ficar difícil encontrar estabelecimentos abertos. Aproveite para entrar no clima, durma e acorde cedo, aproveitando a luz do sol para visitar as cachoeiras, a noite estrelada para uma fogueira e deixe o tempo seguir sem pressa. Antes de partir, aproveite para conhecer as cidades vizinhas de Diamantina, patrimônio histórico da humanidade, e a charmosa Serro. E, se sentir muitas saudades quando voltar para casa, ouça algumas músicas de Milton Nascimento. Você vai perceber que elas, muitas vezes, falam de coisas que só compreende quem teve o prazer de conhecer Minas Gerais. Informações GeraisPosto telefônico de Milho Verde: (38) 3531-2007 ONGs ligadas ao ecoturismo: FUNIVALE - Associação Universitária do Vale do Jequitinhonha Telefax: (38) 3541-1116 Endereço: Rua Campo das Flores, 96 - São Gonçalo do Rio das Pedras Prefeitura Municipal do Serro: (38) 3541-1368 Secretaria Municipal de Turismo de Serro: Telefone: (38) 3541-1368 - ramal 223 Endereço:Praça João Pinheiro, 154 - Centro E-mail: prefeituraserro@ig.com.br
Terminal Rodoviário de Serro: Telefone:(38) 3541-1366 Endereço: Praça Ângelo Miranda, S/N Distâncias: São Gonçalo do Rio das Pedras:7 km Serro: 27 km Diamantina: 31 km Conceição do Mato Dentro:87 km Belo Horizonte: 331 km Rio de Janeiro: 677 km Brasília: 750 km Vitória: 736 km São Paulo: 822 km Vias de acesso: MG-010 e BR-259 Bancos: Não existem agências nem postos bancários no distrito. Os mais próximos ficam na cidade de Serro. Onde FicarHotel Rancho Velho Endereço: Rua Direita, 100 Telefone: (38) 3541-1062 - Neuza Serviços: Café da manhã e comida típica mineira Pousada Luar do Rosário Endereço: Rua do Cruzeirinho, 77 Telefone: (38) 3541-4090 / 9967-7937 - Margot e Gaia Pousada e Restaurante Dona Lourdes Carmindo Telefone: (38) 3541-4019 / 9971-0338 Pousada do Mauro e Jacira Telefone: (38) 3541-4055 Serviços: Comida caseira no fogão de lenha Pousada Morais Telefone: (38) 9971-0280 Casas para alugar e área de camping Telefone: (38) 9971-0315 / 3541-4084 (com Roberto) Casas para alugar, Camping e Pousada do Mauro (38) 531-2007 |
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