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Os Cânions de Aparados da Serra

Os rochedos afiados formam o maior cânion do Brasil, Itambezinho, que significa pedra afiada em tupi-guarani.

25 de Fevereiro de 2003. Publicado por Equipe EcoViagem  

Apresentação

Pedra Afiada e Malacara

Pedra Afiada e Malacara
Foto: Marcelo Maestrelli

A região de Aparados da Serra abriga algumas das paisagens mais impressionantes do país. Os rochedos afiados formam o maior cânion do Brasil, Itambezinho, que significa `pedra afiada` em tupi-guarani. O nome Aparados da Serra vem da forma dos penhascos que parecem ter sido aparados por um escultor, um verdadeiro monumento natural.

A borda superior dos cânions pertence ao Rio Grande do Sul, enquanto que a parte baixa é de Santa Catarina. Ficamos hospedados em Praia Grande-SC, no Refúgio Ecológico Pedra Afiada, a convite das agências Caá-etê e Pedra Afiada Adventures.

Primeiro dia

Canion Malacara Mirante do Refugio

Canion Malacara Mirante do Refugio
Foto: Claudia Silveira

O Pedra Afiada está simplesmente instalado de frente para o cânion do Malacara. Assim que chegamos, em torno do meio-dia, subimos no mirante, o céu estava limpinho e tiramos muitas fotos. O acesso da BR-101 é fácil e bem sinalizado. A estrada para chegar ao Refúgio é de terra.

Fomos bem recebidos e acomodados. O Refúgio é aconchegante, encantador, colorido, alegre, com uso sustentado de energia. Está localizado no chamado Fundão da cidade, que faz a divisa entre SC e RS.

Refugio Ecológico Pedra Afiada

Refugio Ecológico Pedra Afiada
Foto: Claudia Silveira

Antigamente, os cânions eram vistos como rachaduras amedrontadoras e, por isso, existe a história de uma mulher, D. Vicença, que não temia o Fundão, vivia neste reduto de vida selvagem. O Malacara era o `Buraco de Vicença`, uma mulher cheia de fibra, valente, que vestia bombacha e bota, andava a cavalo e usava pistola. Após sua morte, surgiu uma substituta, Rosinha, que apesar do nome e nenhum parentesco com Vicença, herdou sua valentia, causando temor para o pessoal da região.

Trilha no rio Malacara

Trilha no rio Malacara
Foto: Marcelo Maestrelli

Após o almoço, Jean (proprietário do Pedra Afiada) sugeriu que fôssemos à piscina natural do Rio Malacara, que passa ao lado do Refúgio. Caminhamos por uma hora pelas pedras dentro do rio com o sol forte. A água geladinha nos pés garantia a sensação extraordinária de seguir a trilha em direção ao Malacara.

Piscina natural

Piscina natural
Foto: Claudia Silveira

Chegamos à piscina natural com 3 metros de profundidade, não havia mais ninguém por ali. Um ventinho gostoso e a massagem das pequenas quedas d`água no poço revigoraram todas as nossas energias e nos sentimos mais do que bem recebidos para nossos dias na região!

Além da água deliciosa, a mata ao redor preenchia nossos olhos de cores, enquanto o Malacara parecia zelar por nós! Mais uma hora de caminhada para a volta...

No final da tarde fomos conhecer o centro de Praia Grande que, aliás, não é praia e nem grande, mas possui este nome graças à grande praia de seixos rolados que se formou pela mudança de curso do rio Mampituba, que divide Praia Grande (SC) de Mampituba (RS).


Segundo dia

Canyon Fortaleza

Canyon Fortaleza
Foto: Marcelo Maestrelli

Após o café, falamos com Jean e decidimos a nossa programação. O tempo em Aparados, principalmente no verão, é muito instável devido às inversões térmicas. Como a parte baixa está próxima do nível do mar, a massa de ar quente se choca com a de ar frio que vem do alto da serra e, de uma hora para outra, fecha tudo e chove.

Saímos do Refúgio em direção à Cambará do Sul, que é a cidade onde estão as entradas da parte alta dos dois Parques. A estrada de 38km é de terra e muito bonita, com paisagens belíssimas durante a subida da serra. Diferente de Praia Grande, o clima em Cambará é bem mais frio. É também uma cidade pequena, e muito bonitinha, possui mais de 15 pousadas entre urbanas e rurais para atender o turista. Visitamos o centro cultural que possui informações turísticas e uma exposição fotográfica muito legal.

Finalmente chegamos ao Cânion Fortaleza, onde o carro é deixado em um ponto a 20 minutos de caminhada até a borda do cânion. O tempo já estava instável, muitas nuvens encobriam e descobriam as formações, mas a imponência e a beleza das rachaduras de 900m de profundidade nos arrepiaram mesmo sem as mais belas fotos, rendendo mais de hora de contemplação.

Canyon Fortaleza

Canyon Fortaleza
Foto: Claudia Silveira

É também no Cânion Fotaleza que está a Pedra do Segredo, uma misteriosa rocha de 5 metros de altura, suspensa por uma pequena base que não está no seu centro. A impressão que dá ao chegar nela, é que a qualquer momento ela pode cair. Mas isto não ocorre devido ao fato de ter sido esculpida pelo processo de erosão, e não ter rolado e parado naquele ponto.

Pedra do Segredo

Pedra do Segredo
Foto: Secretaria de Turismo de Cambará do Sul

Fizemos esta trilha mas, infelizmente, a neblina não colaborou para fotos. Por isso a Secretaria de Turismo de Cambará do Sul nos emprestou uma foto da Pedra do Segredo em um dia de sol, que não foi o nosso caso!


Terceiro dia

Bóia Cross

Bóia Cross
Foto: Claudia Silveira

Logo após o café, fomos ao Rio Mampituba, em Praia Grande, para fazer um bóia-cross. Foram 2 horas de descida, o rio estava calmo, o que proporcionou um passeio muito gostoso entre propriedades rurais que estão no entorno e áreas de mata nativa.

Cachoeira dos Borges

Cachoeira dos Borges
Foto: Marcelo Maestrelli

Cruzamos para o outro lado do Rio Mampituba, e em cerca de 40 minutos deixamos o carro e iniciamos a trilha, acompanhados pela Renata e o proprietário do terreno. A trilha era bem fechada e cheia de vida, com muitas flores e árvores da Floresta Ombrófila densa. Após 30 minutos pela mata chegamos à queda de 70 metros.

Pedra Branca

Pedra Branca
Foto: Marcelo Maestrelli

Um lugar especial! Quando chegamos debaixo da cachoeira um arco-íris formava-se ao seu redor, era lindo, nos divertimos. Passamos um bom tempo aproveitando a água e o visual. Depois de um lanchinho, continuamos nosso passeio. Voltamos pela mesma trilha, pegamos o carro e seguimos em direção à Pedra Branca. No alto da serra, a Pedra Branca serviu de refúgio para muitos escravos que serviam às antigas fazendas, e é por isso que a população negra existente na região encontra-se neste entorno.

Paramos no vale da Pedra Branca para nadar no rio, tirar fotos da ponte pênsil, onde o ângulo é muito bom, mas, diga-se de passagem... a ponte está caindo aos pedaços, eu (Claudia) quase não fui!

À noite fomos convidados por Aurélio, vice-prefeito de Cambará, para conhecermos um novo empreendimento da região, totalmente inédito no Brasil: o Parador da Montanha. Tivemos a oportunidade de conhecer e usufruir de uma estadia em uma barraca térmica instalada com muito requinte nas margens do Rio Camarinhas.

Além da visita, a simpatia do sr. Sadi nos surpreendeu na chegada. Fomos conhecer as instalações (a casa de banho, deck e restaurante) e conduzidos à nossa barraca. A proposta é de um típico acampamento, mas com luxo e muito conforto. Simplesmente o MÁXIMO! Muito bom gosto na decoração, no tempero e na criatividade, fizeram deste estabelecimento uma curiosa e incrível hospedagem. Adoramos!

Quarto dia

Parador da Montanha

Parador da Montanha
Foto: Parador da Montanha

Acordamos no Parador da Montanha, o céu estava limpinho, já saímos tirando fotos. Após o café, o tempo já estava completamente fechado, ficamos pasmos!

Encontramos o nosso grupo de 10 pessoas que estava com o Pedra Afiada Advetures para visitarmos juntos o Parque Nacional Aparados da Serra. Paramos no centro de visitantes para ver fotos, mapas e receber as orientações. Iniciamos a Trilha do Vértice com 1,4 km ao todo, bem tranqüila, passando por bosques de araucárias, onde o guia nos deu explicações, contou curiosidades e enfatizou que hoje restam apenas 10% da cobertura florestal original de araucárias.

Cachoeira das Andorinhas

Cachoeira das Andorinhas
Foto: Marcelo Maestrelli

Mais à frente, pudemos ver a vegetação chamada de vassoura, e soubemos que esta planta originou o nome de Serra do Faxinal, já que as pessoas costumavam utilizar a planta para fazer vassouras e fazer a faxina. Chegamos ao mirante da cachoeira do Véu de Noiva, que possui 720m de altura! Estava um pouco seca, já que seu volume depende das chuvas. Mesmo assim ela é surpreendente! Em seguida, fomos à Cachoeira das Andorinhas, que possui este nome pelo volume de andorinhas que entram e saem do vão das rochas. Demais!

Mirante Itambezinho

Mirante Itambezinho
Foto: Marcelo Maestrelli

Seguimos para a Trilha do Cotovelo, são 6 km de ida e volta. Após 3 km chegamos ao mirante do cotovelo, na beirada do Cânion do Itambezinho, onde tivemos uma visão geral da área: são 5800 m de extensão e 720 m de profundidade. Ele junta-se aos cânions no Parque Nacional Serra Geral. Sem palavras, é demais, muito lindo!!!

Itambezinho

Itambezinho
Foto: Marcelo Maestrelli

No final da trilha o grupo todo sentou-se numa pedra e fizemos um minuto de silêncio proposto pelo guia para ouvirmos os sons da natureza... Ah, que bom. Fotos, sorrisos, euforia, não queríamos mais ir embora. Mas o guia nem teve tanto problema - ao anunciar o almoço que nos esperava, a fome guiou todos de volta para o carro.

Em Praia Grande, comemos muito bem no restaurante Marina. A maioria dos passageiros era vegetariana (inclusive eu - Claudia) e fizeram um almoço especial, estava ótimo.

O calor estava sugestivo para um sorvetinho, todos toparam.... depois dessa, ninguém queria saber de mais nada, aliás queria: banho, cama, rede, o sossego do Refúgio! Fomos correndo para lá!

Quinto dia

Inicio da Trilha do Rio do Boi

Inicio da Trilha do Rio do Boi
Foto: Marcelo Maestrelli

O dia amanheceu ensolarado e o grupo estava animado para a trilha do Rio do Boi. Tomamos café, pegamos os lanches de trilha e nos mandamos.

O Rio do Boi é o que corta o Cânion do Itaimbezinho, e recebe também as águas das cachoeiras do Véu de Noiva e das Andorinhas, que vimos no dia anterior na parte alta do cânion. O nome do rio é por causa da quantidade de bois que caíam no cânion e depois apareciam mortos nas corredeiras do rio... coisa de antigamente, pois hoje em dia não tem mais gado na parte alta por causa dos parques.

Escorrega

Escorrega
Foto: Marcelo Maestrelli

Após um bom alongamento ao lado da guarita de fiscalização do Ibama, iniciamos a caminhada por uma trilha em meio à mata e em 30 minutos chegamos ao Rio do Boi - largo e cheio de pedras. Dali para frente não tinha mais trilha e seguiríamos por dentro do rio até as encostas altas do cânion.

Caminhando por dentro do rio

Caminhando por dentro do rio
Foto: Marcelo Maestrelli

Mais meia hora por dentro do rio e chegamos no `Escorrega`. O sol estava forte e já estávamos suados... o Jean nos mostrou como fazer e logo já estávamos todos prontos para experimentar o rala-coxa - digo, o `escorrega`... foi muito legal!

Cachoeira dentro do Cânion

Cachoeira dentro do Cânion
Foto: Marcelo Maestrelli

Refrescados e `adrenados`, nos vestimos continuamos a caminhada. Ajuda aqui, ajuda ali.... o grupo seguiu unido e todo mundo ajudava todo mundo nos lances mais difícieis.

Tínhamos que caminhar pelas pedras e pelo leito do rio. A impressão era de que estávamos entrando no coração da montanha. Muitas energias positivas... Estávamos todos muito felizes cada um vencendo seus limites, mas ao mesmo tempo todos unidos e interagindo com a natureza à nossa volta.

Caminhamos neste super astral por cerca de mais duas horas. As pedras foram aumentando de tamanho e as paredes laterais do cânion foram ficando cada vez mais altas. Estávamos lá dentro! De repente.... UAAAU!!! Uma cachoeira despencava do alto da parede à nossa esquerda.

Queríamos parar ali, mas o Jean disse que deveríamos segui-lo. Logo na frente nos surpreendemos de novo: outra cachoeira maior ainda despencava do alto da parede à nossa direita. Demais! Fui o primeiro (Marcelo) a entrar debaixo da queda... Que delícia! Me reabasteci de energias positivas na cachoeira e de calorias comendo meu lanche de trilha enquanto admirava o lugar onde estava....

Já era meio de tarde e o tempo começou a fechar. Estávamos dentro do cânion e qualquer chuva na cabeceira poderia complicar a nossa volta. Tratamos de pegar as mochilas e começar o retorno pelo mesmo caminho.

Fechamos a viagem com chave de ouro!

Serviços

Caá-Etê Ecoturismo & Aventura
www.caa-ete.com.br
(51) 3338.3323
(51) 3338.1888
falecom@caa-ete.com.br

Refúgio Ecológico Pedra Afiada
Estrada da Vila Rosa s/n - Praia Grande/SC
www.caa-ete.com.br/pedraafiada
(48) 532.1059
repa@caa-ete.com.br

Parador Casa da Montanha
Cambará do Sul/RS
www.casadamontanha.com.br/parador
(54) 286.2544
(54) 9973.9320
adventures@casadamontanha.com.br

Dicas do Autores

Claudia e Marcelo

Claudia e Marcelo
Foto: Divulgação

Programe-se para visitar os parques nos dias certos, às segundas e terças-feiras o Parque Nacional Aparados da Serra não abre.

Ir de carro 4x4 é a melhor opção, pois as estradas são de terra e um carro de passeio pode `sofrer` um pouco.

De outubro a abril, as cachoeiras e piscinas naturais são mais agradáveis para banhos.

De julho a setembro é o auge do inverno, com freqüentes geadas e possibilidade de neve.

A melhor época para visualização dos cânions é de maio a julho, com algumas variações de ano para ano.

No verão o horário mais indicado para se ter boas paisagens do alto dos cânions é pela manhã, pois à tarde a massa de ar quente da parte baixa se encontra com o ar frio da parte alta e as nuvens começam a aparecer.

Por conta da diferença de altitude, Cambará do Sul tem uma temperatura cerca de 5 graus abaixo de Praia Grande.

Comentários

Glória Valle

 postado: 20/11/2008 22:00:54editar

muito legal, gostaria de saber se dá para fazer as trilhas somente a pé, vou passar 6 dias , o que vcs recomendam ,,,,,vou com um amigo, tem possilidade de encontrar mais pessoas para fazer as trilhas, tem pousadas no meio das trilhas , quero passar as noites com lua / fogueira etc. Quais as recomendações ?/

 

 

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