Trilha do Ouro – PN Serra da Bocaina - SP/RJ

O Parque Nacional da Serra da Bocaina foi criado em 1971, abrangendo terras dos municípios de Paraty, Angra dos Reis, São José do Barreiro, Areias, Cunha e Ubatuba, com área de 110 mil hectares.

  
  

Apresentação

Parque Nacional Serra da Bocaina

Para aproveitar o feriado do Dia do Trabalho, fomos junto à agência e operadora Namaste fazer um dos principais circuitos da Trilha do Ouro, no Parque Nacional da Serra da Bocaina, localizado entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

Cogumelo

O Parque Nacional da Serra da Bocaina foi criado em 1971, abrangendo terras dos municípios de Parati, Angra dos Reis, São José do Barreiro, Areias, Cunha e Ubatuba, com área de 110 mil hectares. Sua paisagem, fauna e flora, na Serra do Mar, varia de enseada com praias, uma ilha oceânica (Ilha do Tesouro) na região de Trindade, despenhadeiros, grotões e vales profundos com bordas recortadas, atingindo os campos de altitude em cotas superiores a 1800 metros. Há muitos rios, com belíssimas cachoeiras de águas frias e cristalinas. A principal bacia hidrográfica é a do Rio Mambucaba. Nasce no parque um dos formadores do Rio Paraíba do Sul, o Rio Paraitinga.

Desta forma, o parque resguarda uma importante biodiversidade vegetal e animal, hoje ameaçada de extinção. Infelizmente, como na maioria dos parques brasileiros, ainda há muitas pessoas morando por lá, vivendo inclusive da caça. Outro detalhe de doer o coração é a quantidade de mulas e gado caminhando pelas trilhas e pelos pastos que ainda existem dentro da unidade. Estes animais acabam com o solo, provocam erosão, abrem trilhas, espantam a fauna, além de infestar os caminhos de estrume; o resultado vocês verão no decorrer da reportagem.

Denúncia! Moradores locais com animais na trilha

Saindo de São Paulo na quarta-feira à noite, seguimos para São José do Barreiro, a cidade que é porta de entrada do Parque Nacional. O acesso é feito pela Rodovia Presidente Dutra, entrando-se na cidade de Queluz-SP, seguindo até Areias e finalmente para São José do Barreiro, num percurso de 35 km de estrada asfaltada.

Entrada do parque

Dormimos em uma pousada simples e, após o café começamos os passeios em carros 4x4.

Primeiro dia

Cachoeira Sto.Izidro

De São José do Barreiro, seguimos pela SP 221 por mais 27 km até o parque, em estrada de terra com precária conservação. Próxima à entrada está uma trilha que leva à Cachoeira Santo Izidro, com 75 metros de queda. Estava um vento gelado e só os mais corajosos se aventuraram a entrar - saíram felizes!

Inicio da trilha

Seguimos viagem nos veículos off-road passeando pela estrada de terra dentro do parque, curtindo o visual até a Fazenda Barreirinha, ponto final da estrada. A fazenda, um lugar bem simples de moradores tradicionais do parque ainda não indenizados, funciona normalmente, como se não estivesse em uma unidade de conservação. A comida estava ótima, demos uns cinco minutos e iniciamos nossa caminhada. Encontramos outros aventureiros que, ao contrário do nosso grupo, tinham caminhado até ali desde a entrada do parque - para eles a Fazenda Barreirinha seria o local do primeiro acampamento.

Chegando no acampamento

A tarde estava linda e caminhamos 8 km até a casa de uma família, também tradicional da região. Acampamos na beira do rio, onde metade do grupo tomou banho. Estava muito frio, e a outra metade preferiu fazer fila e tomar banho na casa, que tinha um chuveiro com água morna esquentada pelo fogão à lenha.

Fizemos uma fogueira e aguardamos o jantar, também feito no fogão à lenha. Estava simplesmente divino, como o céu estrelado, e o barulho do rio próximo à barraca. A essa altura o grupo, com um total de 20 pessoas, já estava integrado. O Julio (passageiro) surgiu com garrafas de vinho e queijo da mochila, não tinha violão, então ficamos num bate-papo, cada um na sua, com algo em comum: estávamos na Bocaina!

Segundo dia

Amanhecer ao lado do rio

O programa principal do dia é a famosa Trilha do Ouro, um caminho utilizado por escravos para transportar o ouro de Minas Gerias para o litoral do Rio de Janeiro e daí para Portugal. O primeiro registro escrito que se tem desse caminho é de 1596, quando Martim Correia de Sá teria adentrado esta trilha com 2000 índios e 700 brancos, supostamente em guerra contra os Tupinambás. A trilha toda tem um total de 1.200 km de estrada calçada, que uniam Diamantina, na Bahia, a Paraty, no Rio; um trabalho de engenharia portuguesa e mão-de-obra escrava.

Depois de um delicioso café cheio de receitas caseiras de pães e bolo, saímos para conhecer a Cachoeira dos Veados, com cerca de 180 metros de altura em suas 3 quedas. Um `desbunde`!

Na volta, arrumamos tudo, e partimos para a trilha. Tínhamos 16 km pela frente, já era meio-dia e o tempo fechou. Resultado: CHUVA, muita chuva, e acabamos por fazer o caminho todo com chuva, ou ao menos garoa. Uma lamaceira só! A trilha é repleta de pedras que, na verdade, são o calçamento original feito pelos escravos no século XVIII, e tínhamos que tomar muito cuidado para não escorregar, o que era inevitável. No final, já estávamos competindo: quem levou mais tombos??

Cachoeira dos Veados

Mesmo debaixo de tanta água, podíamos observar a Mata Atlântica exuberante, que em alguns pontos no final da trilha já era substituída por plantações de Banana e desmatamento - trabalho dos posseiros... Existem inúmeros pontos com água para tomar banho e descansar, mas não foi o nosso caso. No final de 4 horas e meia, estávamos a apenas 800 metros, segundo o guia (não sei não!!!), do final da trilha! A chuva parou, ficamos relaxando, tomamos lanche e seguimos por um trecho maravilhoso, todo de mata primária. No final da tarde chegamos ao ônibus.

Inicio da Trilha do Ouro

Após cerca de 15 km chegamos na praia de Mambucaba, ponto final para os viajantes do passado. Ficamos hospedados na Pousada Vila Histórica de Mambucaba, no município de Angra dos Reis. Após o banho, o grande ocorrido: 50 carrapatos encontrados no Marcelo, e mais uns 20 em mim! Como coça!!! Este é o resultado de tanto gado na região do parque: carrapatos para todo o lado! Jantamos uma maravilhosa moqueca no Vilarejo de Mambucaba, depois ainda rolou um som ao vivo e o grupo, ainda mais integrado, ficou no pique até de madrugada!

Terceiro dia

Praia de Mambucaba

O dia amanheceu com muito sol. Após o café, corremos à praia para ver o mar, pisar na areia.... Tiramos algumas fotos e seguimos viagem.

Parada rápida para ver o mar

Nosso próximo destino: Bananal, a aproximadamente 120 km de Mambucaba. Ainda na Serra da Bocaina, chegamos à Pousada Volterra, um lugar tranqüilo, com aspecto de fazenda antiga. Quando chegamos já era de tarde, almoçamos um delicioso `Coq Au Vin` (Frango ao molho de Vinho), feito pelo Jorge, proprietário da pousada e mestre na cozinha.

Pousada Volterra

Acabou ficando tarde para um dos passeios programados, e então fomos apenas conhecer a cidade de Bananal, aparentemente pequena e calma... Mas nem tanto! Em poucos minutos já estávamos sabendo de um casamento na cidade, e de todas as fofocas que envolviam o mesmo! Estávamos no interior!! Um sarro! Visitamos a Pharmacia Popular (1830), em Bananal, a mais antiga farmácia em funcionamento no Brasil.

Igreja de Bananal

Foi gostoso, um dia light, ou melhor, tranqüilo, porque comemos muito bem e quase não caminhamos! Voltamos e organizamos um happy-hour, tomamos vinho, conversamos muito, dançamos..., todos participaram, o grupo parecia se conhecer há anos! À noite o Jorge aprontou mais uma surpresa: Truta à luz de velas, um luxo! Céu estrelado, frio, tranqüilidade. Fomos dormir muito bem.

Quarto dia

Estação Ecológica Bananal

Acordamos mais cedo para dar tempo de visitar a Estação Ecológica de Bananal antes de voltar para São Paulo. Os 884 hectares da estação estão a uma altitude que varia de 1200 a 1900 metros. Assim, no inverno, a temperatura pode chegar a 0º, enquanto que no verão, ultrapassa os 30º. Isso contribui para que a região seja um mosaico de ambientes muito especiais. Fizemos uma trilha fácil, com cerca de 300 metros, até a Cachoeira Sete Quedas. No caminho existem placas de interpretação ambiental e muitas bromélias.

Cachoeira Sete Quedas

Em seguida, fizemos mais um trecho da Trilha do Ouro, um dos mais importantes por ser também uma passagem original com pedágio. Conta-se que em 1728, dezesseis mil cabeças de homens, animais e escravos passaram pelo caminho, pagando pedágio de duas patacas e quatro vinténs por cada pessoa, e quatro patacas por cada animal.

Foi delicioso, já que essa trilha se encontra muito conservada. Passamos por bosques de Araucárias, um visual bem diferente do que vimos na descida da serra no segundo dia - fora os cogumelos gigantes, que não conseguíamos não fotografar... Chegamos então às primeiras quedas da Cachoeira Sete Quedas, que não estão mais na área da Estação Ecológica. Um Escorregador Natural divertiu a todos! A adrenalina era maior ainda por conta da água gelada!

Calçada da Trilha do Ouro em Bananal

Seguimos nosso caminho rumo à pousada em Bananal.

Vista de cima do escorregador

A estrada é linda, e o grupo estava ainda mais unido no final da viagem. Almo-jantamos (já eram 16h00) uma magnífica lasanha italiana e partimos de volta para casa.

Serviços

Namaste Natureza e Cia
www.namastenatureza.com.br
(11) 6955-0886 begin_of_the_skype_highlighting              (11) 6955-0886      end_of_the_skype_highlighting
namaste@namastenatureza.com.br

Dicas dos autores

Claudia e Marcelo

Cuidado com os carrapatos!!! Como existem muitos animais nas trilhas, não se arrisque deitando no chão em busca das melhores imagens dos cogumelos!

Informe-se antes de visitar o Parque Nacional da Bocaina. A entrada é gratuita e, para entrar de carro é necessário solicitar autorização.

Procure sempre um guia para fazer a Trilha do Ouro, pois existem muitas bifurcações e curiosidades e só um bom guia poderá fazer da caminhada um delicioso passeio.

O final da trilha ainda está distante da civilização, portanto, se for fazer tudo a pé, conte com isto. O ideal é combinar com um veículo para buscar o grupo neste ponto.

Protetor solar é fundamental. Use calçados confortáveis para fazer as trilhas.

Em Bananal peça para entrar na Pharmacia, e conheça o interior desta relíquia!

  
  

Publicado por em

Cesar

Cesar

05/01/2011 22:58:02
Boa noite gostaria de saber a respeito de valores agora pra janeiro

Rodrigo

Rodrigo

02/12/2009 21:39:42
Lugar fantastico !!! vale muito a pena conhecer !! mas para os aventureiros que pretendam conhecer esse lugar por favor: não deixem lixos nas trilhas e sempre façam as trilhas acompanhados de algum guia , ou alguma pessoa q conheca o local.

Adao

Adao

07/09/2009 09:37:02
trilha muito linda grau dificuldade medio trecho de acesso de S.J.Barreiro a portaria do IBAMA só c/ transporte especilizado, no terceiro dia o mais lindo e historico trecho onde ocorre grande numero de erros no caminho se estiver sem guia colha o maior numero de informações com os donos da pousada deixando eles esplicarem a sua maneira (não interfira para não induzi-los a erros) qdo acaba a verdadeira trilha são mais doze Km até a pista RIO-SANTOS se optar em ter um veiculo a sua espera lembre que estrada e ruim exigindo veiculo um tanto alto .para as pousadas não é preciso contato(impossivel)eles recebem a todos a dois anos paguei sessenta reais pelo bom jantar pouso com reforçados cobertores para combater o frio da serra .e café da manha. fiz duas vezes uma c/ condução esperando no final da trilha e outra voltei de onibus a SP pela REUNIDAS DE PARATY uma boa pois voltei dormindo a viagem toda.

Deise Cabral Melo

Deise Cabral Melo

12/09/2008 22:33:56
Pelas fotos, um lugar maravilhoso, por favor me tire uma duvida, é nesse caminho que encontra-se a cachoeira dos pretos?me informaram de um caminho de 100km q tem essa cachoeira entre tantas outras, mas não me recordo o nome!
Desde ja
Obrigada