Blogs > Equipe EcoViagem > Viagens Nacionais >Urubici e Parque Nacional São Joaquim - SCA convite da Agência Expedições Corvo Branco, fomos à Urubici - SC, para conhecer a diversidade de atividades que a região oferece.11 de Fevereiro de 2003. Publicado por Equipe EcoViagem Apresentação![]() Fim de tarde no Cânion Espraiado A convite da Agência Expedições Corvo Branco, fomos à Urubici - SC, para conhecer a diversidade de atividades que a região oferece. ![]() Fim de tarde em Urubici A Serra Geral Catarinense possui um ecossistema atípico do Brasil tropical. A região registrou as marcas de temperatura mais baixas do país. Montanhas com eventuais nevadas, natureza preservada, campos de altitude e uma geografia acidentada são ideais para trekking e esportes de aventura. ![]() Urubici está na base das encostas do Parque Nacional de São Joaquim. Com menos de 10.000 habitantes, possui cerca de 17 estabelecimentos de hospedagem entre pousadas, fazendas, hotéis e albergue, oferecendo as mais diferentes opções para quem quiser conhecer o Parque e a região. De Florianópolis são 170 km até Urubici, mais 30km de terra até o Refúgio de Montanha Rio Canoas, onde ficamos hospedados no albergue. Chegamos de noite, estava frio e toda beleza que podíamos enxergar estava no céu - lotado de estrelas! Primeiro dia![]() Morro da Igreja Acordamos surpresos com o visual! O dia amanheceu ensolarado ressaltando as cores da paisagem, estávamos encravados nas escarpas da montanha! Que clima maravilhoso! Fomos recebidos por Juan e Gisele, os proprietários do refúgio, e o Sandro, da Expedições Corvo Branco, os responsáveis pela programação dos nossos próximos dias. Depois de um maravilhoso café e prosa, vimos todos os mapas topográficos para nos situarmos. Fomos então para o Morro da Igreja, um dos pontos mais altos de Urubici, a 1822 m de altitude. Fomos de jipe por 15 km de terra, e mais 16 km de asfalto, que por sua vez é somente subida, bem íngreme, aonde aos poucos foram surgindo paisagens de cair o queixo! ![]() Pedra Furada Chegamos de carro no mirante, de onde se tem a melhor vista para a Pedra Furada. Esta já é uma área do Parque Nacional de São Joaquim, mas não há controle de visitação. Deste mesmo ponto podíamos observar, melhor com os binóculos, as dunas e o mar na região de Laguna. Passamos um bom tempo por lá aproveitando o céu aberto e a paisagem. De noite, Juan e Sandro nos convidaram para um show de slides na Pousada do Refúgio. Altas fotos da região, dos cânions, da neve, da fauna, flora, e do trekking que faríamos no dia seguinte! Fomos dormir ansiosos para nosso acampamento na borda do cânion. Segundo dia![]() Caminhando pelas encostas do cânion Logo pela manhã, o sol anunciava o dia espetacular que nos esperava. Saímos cedo do refúgio acompanhados por Mathias (da Corvo Branco) e seguimos em direção ao Cânion do Espraiado. A primeira parte da trilha era somente subida, a paisagem se alternava entre vales, mata densa e o alto das montanhas, encantando-nos com a diversidade da natureza! ![]() Besouro no meu braço Após 3h30 atingimos o alto das encostas do cânion. Nossa, que deslumbre! A imensidão dos campos de altitude era impressionante; dava vontade de sair correndo e rolar no chão. As margens dos paredões com mais de 700 metros eram o limite entre a trilha e o abismo, a energia de estar naquele ponto trouxe uma euforia que qualquer coisa nos fazia gargalhar! Um exemplo foi o besouro azul turquesa, que amigavelmente subia por meus braços e posava para fotos! ![]() Cachoeira Cânion do Espraiado É incrível notar as diferentes formações rochosas que se integram à vegetação nativa de araucárias, urtigões e xaxins. De repente, nos deparamos com o destino de todas aquelas nascentes de água que cruzamos o tempo todo: gigantescas cachoeiras despencavam no cânion. Deste ponto já víamos o pessoal montando as barracas onde iríamos ficar. ![]() Nosso acampamento Após 6h30 de caminhada (claro que com vaaaarias paradas), chegamos ao acampamento à beira do Espraiado, e encontramos com mais três casais que faziam parte do nosso grupo e chegaram até ali por um trajeto mais light. Para nossa surpresa, tínhamos dentre o grupo uma companhia super especial, uma criança de um ano, que estava curtindo demais o passeio, sem resmungar, achando tudo uma maravilha! ![]() Boa Companhia Lanchamos, arrumamos tudo e finalizamos o dia com um banho de rio. À noite o pessoal da Corvo Branco preparou um macarrão e um feijãozinho! Conversamos, demos risadas e paramos para contemplar o presente da noite: o céu aberto, CHEIO DE ESTRELAS... E assim, fomos dormir, sob as estrelas, em cima do cânion, ao som da cachoeira... Terceiro dia![]() Às 5 da manhã Começamos o dia muito cedo: às 5h30 da manhã o pessoal já estava se movimentando para sair, o combinado era ver o dia amanhecer tomando café no ponto mais alto da encosta. Enchemos as mochilas de comida, nos agasalhamos bem, e começamos a caminhada ainda com algumas estrelas no céu. ![]() Cânion do Espraiado Para chegar onde queríamos, contornamos toda a encosta do cânion pelo outro lado que havíamos chegado no dia anterior. Após cerca de 1h, chegamos no local do café onde pudemos visualizar 360o de paisagens maravilhosas e, enquanto o sol subia e esquentava, tomávamos nosso café. Foi um espetáculo que assistimos de camarote! ![]() Caminhada de volta A descida para o acampamento foi tranqüila, desarrumamos tudo e nos reunimos para um segundo café. O pessoal gosta de comer bem! Colocamos as mochilas nas costas e seguimos para o lugar onde o grupo que veio no dia anterior havia deixado os jipes. A próxima parada do passeio foi um mirante, onde está uma antena desativada. Poderíamos esticar um pouco o trekking e caminhar por mais três horas até lá, mas preferimos ir de jipe junto com o grupo, pois o sol estava rachando. ![]() Alto do Cânion do Espraiado Dali pudemos observar quase todo o trajeto feito no dia anterior, pode-se completar esta travessia passando mais uma noite em um ponto ainda mais alto do qual tomamos café, onde o nascer do sol é ainda mais espetacular. Já cansados entramos no Jipe e voltamos ao Refúgio Rio Canoas. No fim da tarde fomos à cidade de Urubici para jantar no Hotel Fazenda Serra do Panelão, comida feita no fogão à lenha, uma delícia! Quarto dia![]() Passeio de Jipe pelo P.N. São Joaquim Neste dia a programação esteve concentrada nos Jipes 4X4 da Corvo Branco. Saímos de manhã com o grupo em dois 4x4 equipados com Ducks(bote inflável para uma ou duas pessoas), em direção ao Parque Nacional São Joaquim. Foram 30 Km de Urubici a Vacas Gordas, onde está localizada uma das entradas do Parque. Percorremos um total de 30 km só de estrada de terra por dentro do Parque, um off-road incrementado por belas paisagens. Esta área do Parque possui muitos moradores ainda não indenizados, vários deles são fazendeiros, isto quer dizer que há gado solto na estrada e por toda área de preservação a estrada é de livre acesso - só tem que ter paciência com as porteiras, que são muitas... ![]() Parque Nacional de Jipe Passamos por diversos bosques de araucárias, o principal motivo da criação do Parque já que, em virtude do desmatamento, tornaram-se raros em território nacional. Na hora do almoço, paramos em uma fazenda e entramos para visitar a cachoeira, uma pequena queda do Rio Pelotas. ![]() Duck no Parque Nacional São Joaquim Além de deliciosos banhos, descemos a cachoeira de duck e aproveitamos muito aquele lugar mágico: o dia estava quente e a vibração das águas do Pelotas mais a adrenalina da quedinha nos deixaram pilhados e ao mesmo tempo inspirados para uma meditação nas pedras. ![]() Serra do Rio do Rastro Depois do lanche na sombra de algumas araucárias, entramos nos Jipes para a volta. Saímos por outro acesso ao Parque, já em Bom Jardim da Serra. Passamos por um mirante da Serra do Rio do Rastro, um trecho da rodovia SC-438 que, partindo de Tubarão, próximo ao litoral de SC, passa por Orleans, Lauro Müller, Bom Jardim da Serra e São Joaquim, chegando até Lages - é considerada uma das mais belas estradas do Brasil. Quinto dia![]() Jipe subindo a Serra do Corvo Branco O último dia foi para fechar com chave de ouro! Saímos de Jipe até a Serra do Corvo Branco, passamos por uma porteirinha e seguimos por uma estrada que parecia não ser estrada, mas o Jipe nos surpreendeu e mandou bem na subida - que era bem íngreme! Deixamos o Jipe já no alto do cânion e começamos a caminhada margeando suas encostas, até iniciarmos a descida por uma trilha na mata fechada. ![]() Trilha na mata Descemos por uma hora, em um trecho de floresta atlântica densa, até o topo da Cachoeira do Corvo Branco, de 85 metros de altura. Era ela que iríamos descer de rapel! O topo era na verdade um riozinho, só! Não podíamos ver nada do que nos esperava, só a vista para um vale lindo! Nos preparamos com os equipamentos necessários e, depois do primeiro guia, fui eu (Claudia)! A descida começou e eu continuava sem saber como era, depois de um degrau camarada, era possível ver... Nossa, que demais! A única opção nesta hora era descer e, com certeza, a melhor opção! ![]() Inicio do cascading Apesar do peso da corda molhada, o cascading foi inacreditável. A água na cabeça, o esforço e o visual faziam a adrenalina aumentar a cada metro que eu descia! O mais legal desse cascading é deparar-se com a formação rochosa da cachoeira, a primeira metade dela é de basalto e a outra de arenito, uma parte completamente diferente da outra, e você vê exatamente a divisão: o arenito, por ser muito mais sensível, adquiriu uma formação arredondada, parecido com uma cobertura esparramada num bolo! Após a descida de todos, seguimos por uma trilha à beira do rio entrando no vale que víamos lá de cima - a trilha era muito linda e nos levou até a estrada, onde o outro guia nos buscou com o Jipe da Corvo Branco. Que lugar especial! Você sente a natureza se manifestando em cada formação rochosa, cada rio, cada cachoeira, cada araucária e a cada temperatura. Com sol, neblina ou neve, Urubici é digna de ser visitada. Localização e Acesso![]() Fenda na Serra do Corvo Branco Urubici fica no planalto serrano catarinense, a 167km de Florianópolis, 515 km de Curitiba e 490 km de Porto Alegre. Nós saímos de Floripa, pegamos a BR-101 em direção sul e logo saímos à direita na BR-282 seguindo no sentido de Lages. Logo após Bom Retiro, entramos à esquerda na SC-430 sentido São Joaquim e chegamos em Urubici. Já era noite e tínhamos ainda que subir a serra, pois iríamos ficar hospedados no Refúgio Rio Canoas; então foram mais 30km de terra até lá - o Jipe mandou bem! Uma outra opção bastante interessante também é ir até Tubarão pela BR-101 e pegar a SC-438 sentido Serra do Corvo Branco, passando por Grão Pará, mas este caminho é melhor fazer durante o dia, pois, além de a estrada ser muito perigosa, o visual é incrível! A estrada segue em direção às encostas da Serra Geral e, quando começa a subir, fica bem estreita e precária, com curvas extremamente fechadas mescladas de subidas fortes por entre os paredões da Serra do Corvo Branco. ![]() No final da super subida tem um mirante de onde pode-se ter todo o visual da serra. Logo após este ponto a estrada corta o topo da Serra do Corvo Branco por uma fenda aberta pelos moradores da região utilizando-se de picaretas e dinamites antigas. A partir daí é só terra e descida até Urubici.. Muitos atrativos na região são distantes da cidade e só têm acesso por estradas de terra, portanto, o mais recomendado, é ir de jipe! ServiçosExpedições Corvo Branco Refúgio de Montanha Rio Canoas Dicas dos autores![]() Claudia e Marcelo Todo inverno tem neve em algum ponto na região. Vá preparado, informe-se com o pessoal da região, e boa sorte. Um veículo off-road é de extrema importância na região, já que muitos pontos só são acessíveis por estradas de terra. Se você não tiver equipamentos para acampamento e quiser experimentar passar uma noite em um hotel com muito mais que cinco estrelas, não se preocupe pq a Expedições Corvo Branco tem equipamento para locação. Mesmo no verão as noites são frias. Se você for acampar, vá preparado! Não deixe de procurar um guia se a intenção for fazer trekking nos cânions ou travessia, há lugares nos campos de altitude muito encharcados, além de abismos inesperados. Na verdade, em muitos trechos nem trilha existe, pois a região é pouco explorada. Existem pontos mais turísticos para os menos aventureiros que também são surpreendentemente maravilhosos, como a cachoeira do Avencal, com 100 m de altura, a dos Bugres, com 150 m, e a Véu de Noiva, com 25 m. Chegando na cidade, vá até o Centro de Informações ao Turista, ao lado da praça - o serviço é excelente e há informações de todos os atrativos turísticos e estabelecimentos de hospedagem e alimentação. |
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