A triste lembrança de Auschwitz e Birkenau

Convidamos Fabrício e Mauro para um café da manhã no motorhome antes da partida para os famosos campos de concentração de Auschwitz e Birkenau. Tínhamos pela frente 75 quilômetros até a primeira parada. Esperávamos fazer toda a visita em duas ou três hora

  
  

Convidamos Fabrício e Mauro para um café da manhã no motorhome antes da partida para os famosos campos de concentração de Auschwitz e Birkenau. Tínhamos pela frente 75 quilômetros até a primeira parada. Esperávamos fazer toda a visita em duas ou três horas no máximo. Vão ver que sem guia o “passeio” e a aula de conhecimento levam algumas horas a mais. Quando voltamos a Cracóvia, já se passava das oito e meia da noite.

Entrada do campo de Auschwitz

Entrada do campo de Auschwitz

Mais do que ver objetos antigos, ler depoimentos de sobreviventes e conhecer melhor a história do lugar, o mais impressionante e atraente é ter a chance de “viver” aquele ambiente ainda impregnado de todo tipo de sentimento. A visita começou por Auschwitz (Oświęcim, em polaco), usado desde 1940 pelos nazistas. Primeiramente, o campo serviu para abrigar presos políticos da Polônia, em seguida se transformou em um campo internacional.

Vagão nos trilhos que levavam a Birkenau

Vagão nos trilhos que levavam a Birkenau

Um filme de 20 minutos mostra a chegada do exército russo ao campo, depois de ter sido abandonado pelos alemães. No rosto dos prisioneiros libertados, não havia expressões de alegria ou alívio. O terror e o sofrimento pareciam ter imprimido na face de cada um a imagem da desesperança e do medo. Eram adultos debilitados pela fome e por doenças e crianças, na maioria nascidas no campo e usadas em experiências médicas de Joseph Mengele.

Reprodução de uma fotografia que mostra os prisioneiros tomando banho assim que chegavam

Reprodução de uma fotografia que mostra os prisioneiros tomando banho assim que chegavam

Passar pelo portão com a inscrição sarcástica “Arbeit Macht Frei” (o trabalho liberta) foi tristemente emocionante. Oświęcim era um antigo quartel abandonado pelo exército da Polônia. Nos pavilhões, onde se confinavam os prisioneiros, estão expostas montanhas de malas, sapatos, roupas, óculos e escovas das pessoas que chegaram ao campo e que em pouco tempo seriam mortas.

Tecidos feitos com cabelo das pessoas mortas nos campos

Tecidos feitos com cabelo das pessoas mortas nos campos

Uma das salas mais impressionantes é a que guarda os fios de cabelo das pessoas assassinadas em Auschwitz. Mas a quantidade de cabelo exposta é infinitamente menor ao número de prisioneiros, isso porque os nazistas aproveitavam esse material e o vendiam para a indústria têxtil alemã. Cabelos de prisioneiros foram transformados em roupa durante a Segunda Guerra.

Crianças ciganas vítimas do doutor Mengele

Crianças ciganas vítimas do doutor Mengele

Nos corredores dos pavilhões, fotografias das pessoas que estiveram presas em Auschwitz. Embaixo de cada retrato, o nome e a profissão das pessoas, a data de entrada e de morte de cada uma delas. Os registros mostram a forma cruel com que as pessoas eram tratadas. Muitas não eram condenadas à morte nas câmaras de gás, mas morriam de fome, devido ao trabalho exaustivo e as más condições sanitárias.

No bloco usado pelos alemães para as experiências médicas, fotografias de pessoas submetidas aos testes. Mulheres que chegaram ao campo com peso entre 60 e 70 quilos e tempos depois estavam com menos de 30 quilos. O campo de Auschwitz não era classificado como de extermínio, por isso a câmara de gás e o crematório eram até certo ponto pequenos, se comparado aos de Birkenau.

Mesmo sob um regime de segurança máxima, alguns prisioneiros obtiveram sucesso em fugas espetaculares. A história deles também pode ser vista nos arquivos do campo. São alguns poucos momentos de alegria em meio a tanto horror.

A três quilômetros de Auschwitz, fica outro campo que fazia parte do mesmo complexo: Birkenau. Pouco sobrou do campo, porque antes de fugir os nazistas queimaram e explodiram o que puderam para deixar a menor quantidade de vestígios possível. Os barracões que ainda estão em pé são de madeira e bem maiores que os de Auschwitz. Os trilhos do trem traziam os prisioneiros até bem perto dos quatro crematórios e câmaras de gás gigantescos.

De 70 a 75% das pessoas que chegavam, iam imediatamente para a morte nas câmaras. No fim dos trilhos, um imenso monumento homenageia os mortos no campo. O que impressiona também é a grandiosidade do campo, são 175 hectares. Caminhando pelas ruínas, pudemos rever a história, imaginar o sofrimento das pessoas que aqui morreram.

As leituras, as visitas e as conversas que tivemos durante as visitas nos fizeram compreender mais sobre a guerra. Entender que além dos seis milhões de judeus, milhões de outras pessoas como ciganos, polacos e eslavos foram submetidos à mesma crueldade.

  
  

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