Adeus a Sevilha, rumo a Córdoba

Servilha é realmente uma cidade que encanta. Suas ruelas são perfumadas, o aroma dos pratos da Andaluzia foge dos restaurantes e ganha a cidade. Sevilha é colorida, alegre. Mas chegou a hora de seguir viagem... Antes de pegar a estrada fizemos algumas ten

  
  

Servilha é realmente uma cidade que encanta. Suas ruelas são perfumadas, o aroma dos pratos da Andaluzia foge dos restaurantes e ganha a cidade. Sevilha é colorida, alegre. Mas chegou a hora de seguir viagem... Antes de pegar a estrada fizemos algumas tentativas de chegar a Isla de Cartuja, um complexo construído para a Expo 92.

Detalhes da caligrafia ornamental mourisca, nos Reales Alcázar

Detalhes da caligrafia ornamental mourisca, nos Reales Alcázar

Pelo que ficamos sabendo é um lugar bastante interessante, moderno e com bons restaurantes. Mas a escassez de placas indicando o lugar fez com que rodássemos um bom tempo sem conseguirmos chegar aonde queríamos. Desistimos de Cartuja, vamos a Córdoba.

Jardim amplo e arborizado do palácio cristão em Sevilha

Jardim amplo e arborizado do palácio cristão em Sevilha

Uma rodovia em bom estado de conservação permitiu uma viagem rápida e segura. Córdoba é do tamanho de metade de Sevilha, abriga cerca de 315 mil habitantes e tem como principal atração a bela mesquita com mais de dois hectares de área construída. Córdoba viveu seu apogeu no séc. X e foi a capital do Império Islâmico. Talvez o nome da cidade derive de Kartuba, termo fenício que significa cidade rica e preciosa.

A Praça do Triunfo, com a Catedral de Sevilha em destaque

A Praça do Triunfo, com a Catedral de Sevilha em destaque

Bem, procurávamos um lugar amplo para estacionar o carro e preparar o almoço. Conseguimos uma vaga em frente a um shopping center, num bairro da cidade. No supermercado, havia uma promoção de livros. Ficamos um bom tempo olhando os títulos novos e não resistimos, compramos dois: Diário de um Skin, de Antonio Salas, e Cara Roubada – Ter 20 anos em Kabul, de Latifa.

Eurotrip em Córdoba, com o centro histórico ao fundo

Eurotrip em Córdoba, com o centro histórico ao fundo

Os dois livros têm uma semelhança, ambos foram escritos em primeira pessoa. Latifa é uma adolescente afegã que vivia em Kabul durante a ocupação Talebã. Conta como foram terríveis os anos sob o domínio dos seguidores do Mulá Omar. Ela conseguiu se refugiar na França com sua família.

O outro livro é de um jornalista que se infiltra num grupo skinhead em Madri, na Espanha, durante um ano. Ele conta como é a organização do grupo, como pensam e como agem os seus integrantes. O autor usa um pseudônimo para não ser identificado. Os dois livros são muito interessantes!

Enquanto estávamos no shopping, aproveitamos para usar o banheiro. Mal sabíamos que passaríamos por maus bocados em breve. Fechamos a porta e demos uma volta na chave. Quem disse que depois conseguíamos abrir? Nada... ficamos ali as três naqueles intermináveis segundos de desespero. Mas, tendo na cabeça aquela velha máxima “muita calma nessa hora”, conseguimos nos destrancar. Ufa! Que sufoco. Parece que ali funciona mesmo é o “jeitinho espanhol” para abrir aquelas benditas portas.

Passado o susto, ali mesmo no shopping aproveitamos para perguntar a um segurança se aquele bairro era seguro e se poderíamos ficar ali mesmo. “A cidade é tranqüila, mas esse bairro não”, falou o funcionário.

Lá fomos nós então à procura de um lugar que parecesse seguro. Rodamos, rodamos e acabamos indo estacionar a quatro quilômetros da cidade, no estacionamento de um posto de combustíveis. O lugar era barulhentíssimo e, durante a madrugada, os funcionários do posto ligaram o rádio a todo volume. Não só eles ouviram música espanhola, nós também... Mas tudo bem, se Deus quiser, amanhã encontraremos um lugar mais silencioso para passar a noite.

  
  

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