Berlim e suas histórias...

Faltavam-nos ainda 230 quilômetros para que chegássemos a Berlim. A estrada sem muito movimento e o dia claro de sol estavam perfeitos para a viagem. Tínhamos percorrido apenas 50 quilômetros quando vimos na beira da estrada uma placa que indicava a direç

  
  

Faltavam-nos ainda 230 quilômetros para que chegássemos a Berlim. A estrada sem muito movimento e o dia claro de sol estavam perfeitos para a viagem. Tínhamos percorrido apenas 50 quilômetros quando vimos na beira da estrada uma placa que indicava a direção para um castelo. Nem pensamos duas vezes. O nosso destino era Berlim, mas um pequeno atraso não iria fazer diferença, já que não tínhamos compromissos marcados para a tarde de quinta-feira.

Fachada do Castelo de Ludwigslust

Fachada do Castelo de Ludwigslust

Uma estrada estreita nos levou até uma cidadezinha chamada Ludwigslust. As placas pouco ajudaram e tivemos de pedir informações no caminho. Foi então que nos deparamos com uma pixação que nos deixou um pouco preocupadas. Entre outras palavras estava escrito: NAZIS. Depois de uma observação mais atenta verificamos embaixo dessa palavra o símbolo anarquista (um A cruzado com um círculo em volta) e percebemos que o objetivo não era exaltar o nazismo mas repudia-lo. Ainda bem...

Sala de concertos do castelo

Sala de concertos do castelo

Seguimos mais algumas quadras e encontramos o belo castelo: Schloss Ludwigslust. Construído entre 1731 e 1734, por ordem do Duque Christian II Ludwig, o local está preservado até os dias de hoje. Foi o primeiro castelo que conhecemos nesta viagem. Apenas o primeiro andar está aberto a visitação. Não havia nenhuma placa informando sobre a proibição de usar máquinas fotográficas, por isso aproveitamos para registrar o local. Isso até que um alemão nos chamou atenção aos gritos. Um jeito pouco polido, principalmente se tratando de turistas. Em meio a obras de arte, armas, louças e móveis da época, são possíveis encontrar infiltrações, rachaduras e uma aparente falta de manutenção. Mesmo assim a visita vale a pena. Do lado de fora, caminhamos pelos imensos jardins e fotografamos a vontade, aqui não havia restrições.

Muro pixado em repudio aos nazistas

Muro pixado em repudio aos nazistas

Voltamos para a estrada. Estávamos agora bem perto de Berlim. A cidade nos fascina por vários motivos. Fabiula, de origem alemã, sempre sonhou em conhecer a capital do país de seus ascendentes. Cláudia e Patrícia queriam ver de perto o que restou do Muro de Berlim. Chegamos à cidade embaixo de uma chuva de granizo. As primeiras ruas que percorremos não nos deram boa impressão. Os prédios eram velhos e cinzentos. Talvez aqui fosse, antes de 1989, a parte comunista de Berlim.

Chuva de granizo na chegada a Berlim

Chuva de granizo na chegada a Berlim

Seguimos uma avenida larga e imensa. Berlim começou a mudar, a ficar mais moderna. Quando menos esperávamos ficamos frente-a-frente com o símbolo da cidade: o Portão de Brandemburgo. Chovia muito, mas o céu não poderia estar mais lindo... Ao fundo, o Anjo que ficou conhecido através do filme “Tão Longe, Tão Perto”, do alemão Wim Wenders, e do clip da música “Stay”, da banda irlandesa U2.

Portal de Brandemburgo

Portal de Brandemburgo

Passamos pela frente de imponentes prédios e, à procura de um lugar seguro para dormir, estacionamos em frente ao Estádio Olímpico de Berlim. O estádio que hoje está em reforma foi sede da primeira Olimpíada da Alemanha, em 1936. Na ocasião, Hitler que comandava o Terceiro Reich se negou a entregar uma medalha a um atleta negro que venceu uma das competições de atletismo. Para ele, que defendia a supremacia da raça ariana, era uma afronta a vitória de um atleta negro. O estádio também foi palco dos filmes da cineasta alemã Leni Riefensthal, responsável pela propaganda nazista e exaltação dos propósitos de purificação de Hitler.

O dia realmente foi emocionante, mas isso é apenas o começo. Teremos ainda outros quatro dias para conhecer melhor a cidade e sua história.

  
  

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