Chegamos a cidade da universidade mais antiga de Portugal...

Antes de chegarmos a Coimbra, tivemos mais um dia de trabalho na cidade do Porto. Fabiula ficou no carro por motivos de segurança e aproveitou o tempo para ir preparando novas reportagens de turismo sobre os lugares por onde estamos passando. Claudia e Pa

  
  

Antes de chegarmos a Coimbra, tivemos mais um dia de trabalho na cidade do Porto. Fabiula ficou no carro por motivos de segurança e aproveitou o tempo para ir preparando novas reportagens de turismo sobre os lugares por onde estamos passando. Claudia e Patrícia seguiram para o primeiro compromisso: uma entrevista no jornal O Primeiro de Janeiro. As duas tiveram de apressar o passo para não chegarem atrasadas ao encontro por causa do transporte público que não é tão eficiente como em outros países europeus.

Detalhe do painel de azulejos na estação central da cidade do Porto

Detalhe do painel de azulejos na estação central da cidade do Porto

A `corrida` deu certo, chegaram a tempo e antes mesmo do jornalista aparecer na redação. A conversa com Nuno seguiu por mais de uma hora. Explicamos sobre o projeto, falamos da importância que o turismo representa para Foz do Iguaçu e revelamos algumas das aventuras da expedição. Nuno quis saber sobre o jornalismo no Brasil, sobre a nossa visão jornalística do governo de Lula (mesmo à distância), sobre o que achávamos da imprensa portuguesa. Falamos ainda sobre literatura, comportamento e sobre a cidade do Porto. Assim que a matéria for publicada, Nuno se comprometeu em nos enviar um e-mail para que possamos checar pela internet na página do jornal.

Algumas ruas são tão estreitas que os prédios históricos quase se tocam

Algumas ruas são tão estreitas que os prédios históricos quase se tocam

Nuno já esteve no Brasil, mas confessou que não esperava ver o que viu. Foi em busca de um país tropical, mas escolheu São Paulo para as férias. Não viu nada ou muito pouco do tropicalismo, o que o deixou um pouco decepcionado. Encontrou uma cidade cheia de prédios e de pessoas muito apressadas. `O único que parecia ter tempo para observar as coisas era eu`, comentou ele.

Barcos rabelos, antigas embarcações usadas no transporte do vinho do Porto

Barcos rabelos, antigas embarcações usadas no transporte do vinho do Porto

A conversa foi bastante interessante, aproveitamos para saber um pouco mais sobre o que os portugueses pensam do Brasil. Trocamos e-mails e nos despedimos. Mas, antes de seguirmos para as visitas às agências, paramos em uma padaria para provar os tradicionais pastéis de Belém... bem diferente dos nossos, este pastel é um doce, mais parecido com uma empadinha recheada de um creminho de nata, uma delícia!

Ponte Dom Luís I projetada por assistentes de Gustave Eiffel

Ponte Dom Luís I projetada por assistentes de Gustave Eiffel

Logo na primeira agência, percebemos que estávamos na hora do almoço dos portugueses (que graças a Deus, não se estende até as quatro horas da tarde como a `siesta` dos espanhóis, que vai até 16h e 16h30).

Bares típicos na Ribeira, as roupas no varal fazem parte do tradicional cartão postal

Bares típicos na Ribeira, as roupas no varal fazem parte do tradicional cartão postal

Aproveitamos o tempo para descer até a Ribeira, um bairro que como o nome já diz fica na beira do rio Douro. As casas coloridas e os restaurantes típicos tomam conta da Praça da Ribeira, um dos pontos turísticos mais freqüentados do Porto. Avistamos a Ponte de Dom Luís I toda em ferro, projetada pelos assistentes de Gustave Eiffel (1886).

Do outro lado do rio, a Vila Nova de Gaia é o centro da produção do vinho do Porto. Reúne armazéns de várias empresas. Nas margens do rio Douro, estão atracados alguns barcos rabelos, antigas e estreitas embarcações que eram usadas para transportar o vinho do Porto das vinícolas (conhecidas como quintas) até os armazéns.

Caminhando pela cidade, é possível encontrar também as ruínas de antigas fortificações que salvaram Porto da invasão das tropas de Napoleão Bonaparte, o que fez com que a cidade ficasse conhecida como a Cidade Invicta. Casas especializadas na venda do vinho do Porto, vinho verde e do famoso Dão também não faltam, assim como confeitarias que oferecem os deliciosos pastéis de Belém nas vitrines.

Entremos em duas dessas lojas, chamadas de vinotecas, pra conhecer um pouco da arte do vinho do porto. A bebida foi `descoberta` no século 17, quando mercadores britânicos adicionaram água ardente ao vinho para que ele resistisse às longas viagens e não azedasse. Com uma funcionária de uma das lojas, conversamos sobre o vinho e também sobre a condição de vida dos portugueses.

Para ela, a entrada de Portugal para a Comunidade Européia só trouxe benefícios no setor comercial, `o povo só perdeu com isso`, disse. O preço dos produtos dobrou e os salários permaneceram no mesmo patamar; o padrão de vida das pessoas passou a cair vertiginosamente. `Nunca vi tanto desemprego, nem tantas casas à venda como agora, as pessoas não têm mais dinheiro para pagar as suas dívidas`, lamentou.

A pobreza que encontramos aqui realmente nos surpreendeu. Portugal destoa do resto da Europa. Os países do Leste Europeu nos parecem ser bem menos pobres do que a terra de Camões. Uma greve geral está marcada para o final do ano que vem. Os organizadores querem parar o país e frear a onda de desemprego, que segundo um canal de televisão chega a 100 mil pessoas só na região da cidade do Porto.

Bem, já era hora de fazer as visitas às agências que havíamos programado. Realizado o trabalho, voltamos pra casa, embaixo de chuva só para variar!!! No jantar, Cláudia preparou um prato português: caldo verde (feito à base de batatas, paio e couve). Estava uma delícia, isso sem contar o vinho verde que acompanhou o jantar...

  
  

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