Conhecendo Barcelona pelas mãos de Gaudí

A capital da Catalunha é uma cidade cheia de surpresas. Chegando aqui é fácil perceber o motivo pelo qual dizem que Barcelona rivaliza com Madri o posto de cidade mais importante da Espanha em cultura, esporte e comércio. A segunda-feira era o último dia

  
  

A capital da Catalunha é uma cidade cheia de surpresas. Chegando aqui é fácil perceber o motivo pelo qual dizem que Barcelona rivaliza com Madri o posto de cidade mais importante da Espanha em cultura, esporte e comércio. A segunda-feira era o último dia do feriado da Constituição e a cidade fervia. Filas circundavam os monumentos, praças cheias de pais e crianças aproveitando o sol neste dia frio e as principais avenidas intransitáveis.

A igreja Sagrada Família tornou-se o projeto de vida do arquiteto catalão Antoni Gaudí

A igreja Sagrada Família tornou-se o projeto de vida do arquiteto catalão Antoni Gaudí

Las Ramblas, por exemplo, emoldurada por enormes árvores e cercada por restaurantes, bares, cafés e casarões - considerada uma das avenidas mais famosas da Espanha -, mais parecia um formigueiro. Aproveitamos o feriado para conhecer a cidade que possui um dos portos mais movimentados do Mediterrâneo e que mantém construções que são um testemunho da explosão artística do modernismo no início do século XX.

O colorido dos campanários em mosaico veneziano

O colorido dos campanários em mosaico veneziano

Começamos pelo edifício mais enigmático da cidade e que leva a assinatura de Antoni Gaudí (1852 - 1926): o Temple Expiatori de la Sagrada Família. A igreja está cercada de guindastes que lembram que a obra iniciada em 1882 ainda não está concluída. O arquiteto catalão recebeu a incumbência de seguir com a construção de uma igreja gótica um ano depois do início da edificação. Gaudí modificou o projeto que se tornou a obra de sua vida. Quando ele morreu, aos 74 anos, apenas uma torre da fachada da Natividade estava pronta. Hoje oito já estão erguidas. Há quem diga que a igreja estará concluída em meados de 2020. A construção é impressionante pela genialidade e parece um pouco com os castelos de areia que as crianças fazem sem compromisso na beira da praia.

À beira do Mediterrâneo, espanhóis e turistas aproveitam o sol, numa tarde fria de outono

À beira do Mediterrâneo, espanhóis e turistas aproveitam o sol, numa tarde fria de outono

A fachada da Natividade apresenta cenas do nascimento e da infância de Jesus Cristo, enquanto a fachada oposta, a da Paixão, apresenta Cristo crucificado. Esta última foi concluída em 1980. Por apresentar figuras angulosas, talvez sinistras, é polêmica. Na cruz, Jesus aparece nu. Os campanários são belíssimos, possuem mosaicos venezianos. No total, serão 18 agulhas, uma para cada apóstolo, quatro para os evangelistas, uma para Nossa Senhora e a maior, com 170 metros de altura, para Jesus Cristo. Hoje existem oito. Gaudí está enterrado na cripta da igreja.

As ruelas perfumadas do Bairro Gótico

As ruelas perfumadas do Bairro Gótico

Obras do arquiteto catalão estão espalhadas por toda Barcelona. Gaudí foi fundamental para a renovação da arquitetura no final do séc. XIX e início do séc. XX na Europa. Ele viveu na época de consolidação industrial da Catalunha e teve seus melhores clientes entre a burguesia barcelonesa e a igreja. O industrial Eusebi Güell foi um dos principais clientes e mecenas. Na região de Las Ramblas fica o Palau Güell, uma mansão em estilo neogótico que trouxe fama a Gaudí.

La Pedreira, a máxima expressão arquitetônica de Gaudí

La Pedreira, a máxima expressão arquitetônica de Gaudí

Seguindo a Passeig de Gràcia, chegamos até a Casa Milà, conhecida como “La Pedreira”. De frente, se vê a fachada ondulada, mas no telhado encontra-se uma das partes mais interessantes do prédio: as chaminés, uma diferente da outra. Ainda lá do alto é possível verificar os pátios criados por Gaudí para garantir que todos os apartamentos recebessem iluminação. A obra foi encomendada pelo industrial Pere Milà e sua esposa.

No térreo, pegamos um elevador que nos levou até o Espai Gaudí, um espaço que permite conhecer a vida do arquiteto, seu contexto histórico e cultural e as inovações técnicas de sua arquitetura através de fotografias, maquetes e audiovisuais. Daí, subimos para o telhado, onde ficam as belíssimas chaminés. Na última parte da visita, o visitante é levado a um apartamento decorado onde se pode conhecer o modo de vida de uma família burguesa de Barcelona nas primeiras décadas do séc. XX.

Podemos observar também a decoração projetada por Gaudí para o interior do apartamento. Muito interessante!!! Ninguém mais vive no edifício. Hoje em La Pedreira ficam as sedes de quatro fundações e da Obra Social da Caixa Catalunya, instituição que adquiriu o prédio em 1986, restaurou-o e o abriu ao público como centro cultural dez anos depois.

Não sei se você se lembra, mas quando estivemos em Viena, na Áustria, fomos dar uma olhada na HundertwasserHaus, um edifício muito louco que tem como um dos destaque as janelas diferentes. O pintor Hundertwasser projetou o prédio com oito tipos de janelas e tinha a preocupação de integrar o homem à natureza. O edifício é bem colorido, principalmente de roxo, azul, amarelo, branco e cinza. Alguns o comparam a obras do arquiteto catalão Antoni Gaudí. Na época, não tínhamos parâmetros para comparações, agora podemos dizer que há sim alguma semelhança. Mas não mais do que isso.

Demos ainda uma caminhada pelo Bairro Gótico, o verdadeiro centro histórico de Barcelona. A parte mais antiga da cidade é um labirinto. Lugar onde ficam alguns dos prédios administrativos, como a prefeitura. Também aqui ficam a catedral gótica e o palácio real, onde Cristóvão Colombo foi recebido pelos monarcas na sua volta do Novo Mundo, em 1492. Cláudia achou o bairro um pouco parecido com Veneza. Só faltam os canais, disse ela. Pode ser! O charme fica por conta dos cafés, bares e panificadoras. O perfume de suas iguarias invade as ruelas e fica difícil resistir.

Enfim, Barcelona é um charme!

  
  

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Dione Cleide Carrion Rodrigues

Dione Cleide Carrion Rodrigues

18/02/2009 00:02:19
Simplesmente espetacular, um gênio, sem dúvida alguma, de uma criatividade excepcional, obras belíssimas que nos fazem perguntar-nos com seria viver dentro delas. Simplesmente belíssimas.