Desbravando Berlim

Chegou o grande dia. O domingo estava reservado para o que há de clássico para se conhecer em Berlim. Se, antes de sabermos mais sobre as histórias do tempo em que a capital alemã passou dividida pelo “Muro da Vergonha”, agora que já passamos

  
  

Chegou o grande dia. O domingo estava reservado para o que há de clássico para se conhecer em Berlim. Se, antes de sabermos mais sobre as histórias do tempo em que a capital alemã passou dividida pelo “Muro da Vergonha”, agora que já passamos pelo museu, queremos ver de perto o que restou dos 65 quilômetros da cortina de concreto construída em apenas um final de semana.

Resto do muro de Berlim e ao fundo a parte da cidade que era comunista

Resto do muro de Berlim e ao fundo a parte da cidade que era comunista

Ainda sem muita noção das dimensões dos mapas europeus, já que ainda nos baseamos nas referências e distâncias brasileiras, acreditávamos que o muro ficava há algumas quadras da estação de metrô. Assim que subimos as escadas, demos de cara com ele, ali todo pichado, firme e presente como uma triste lembrança. Ao longo de três quadras, pequenos trechos do muro continuam em pé. O maior deles parece estar disfarçado no meio de restos de construção. Em volta, prédios que passam por uma reforma e máquinas paradas davam ao lugar uma aparência de abandono.

Parte da cidade que sempre foi capitalista

Parte da cidade que sempre foi capitalista

Apesar de já terem se passado 13 anos desde a noite de 9 de novembro de 1989 - quando a população de Berlim armada de martelos e picaretas tirava lascas do muro como se quisesse derrubá-lo -, as diferenças ainda são bastante nítidas entre os lados oeste (ocidental) e leste (oriental) da cidade. Os enormes guindastes e as contínuas obras indicam que muito está sendo melhorado, mas a forte característica do lado dominado pelos comunistas permanece. O limite físico não existe mais, mas a cidade continua a crescer em ritmos distintos.

Eurotrip visitando o Portal de Brandemburgo

Eurotrip visitando o Portal de Brandemburgo

Dali mesmo, depois de um rápido lanche sob a neve insistente, avistamos a cúpula de vidro do Reichstag - o parlamento alemão. Seguimos para lá. No caminho, conhecemos o que daqui a alguns anos, quando estiver pronto, será um memorial em homenagem aos judeus mortos na Europa. Os erros cometidos em tempos em que o fanatismo e a megalomania falavam mais alto aos poucos vão sendo reconhecidos e de alguma maneira se manifesta o sentimento de culpa e se procura mostrar o arrependimento.

Vista do Reichstag, sede do parlamento em Berlim

Vista do Reichstag, sede do parlamento em Berlim

A poucas quadras do Reichstag, passamos por outro grande símbolo berlinense. Dezenas de turistas procuravam quase o mesmo ângulo para a tradicional foto em frente ao Portão de Brandemburgo. É claro que não podíamos deixar de fazer o mesmo, aproveitando os poucos instantes de sol, logo seguido de mais neve. Depois das fotos, uma nova parada. Desta vez Patrícia e Cláudia queriam telefonar para a família e falar sobre o passeio. No Brasil, passava pouco das oito horas da manhã de domingo. Alguns minutos no telefone e partimos para a longa fila que se formava na porta principal do Reichstag.

Rainha Nefertiti, obra mais fotografada do Museu Egípcio

Rainha Nefertiti, obra mais fotografada do Museu Egípcio

Enfrentamos o frio e esperamos por uma hora até entrarmos no prédio construído entre 1884 e 1984 para abrigar, na época, a sede da República de Weimar. Todos os visitantes são revistados e passam por detectores de metais. Alguns minutos depois, um elevador enorme leva todos até a base da cúpula de vidro - o domo elíptico foi inaugurado em 1999 - de onde, percorrendo a passarela interna em forma de caracol, se tem uma vista panorâmica da cidade, com seus principais pontos turísticos.

Longe dali, outros dois atrativos nos esperavam. No caminho até o metrô, a neve voltou a cair, desta vez mais forte. Ficava até difícil conversar com tanto gelo caindo e batendo no nosso rosto, às vezes era preciso desviar do vento e evitar que ficássemos com os gorros dos casacos cheios dos floquinhos brancos. Que diversão! Próximas paradas: Museu Egípcio e o Schloss Charlottenburg (ver Dicas de Viagem). Por estes, passamos mais rápido. Estávamos cansadas de tanto caminhar, afinal saímos cedo de casa e já eram quase seis horas da tarde. Mais algumas estações e, repletas da história viva de Berlim, chegamos ao nosso estacionamento para mais uma noite sob os portais do Estádio Olímpico.

  
  

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