Dezembro chega com bastante frio

Acordamos cedo para aproveitar bem a manhã antes do início da siesta espanhola. Quando saímos de casa sentimos que fazia bastante frio, mas não imaginávamos o quanto. No caminho a pé até a estação do metrô íamos tentando adivinhar a temperatura, chutamos

  
  

Acordamos cedo para aproveitar bem a manhã antes do início da siesta espanhola. Quando saímos de casa sentimos que fazia bastante frio, mas não imaginávamos o quanto. No caminho a pé até a estação do metrô íamos tentando adivinhar a temperatura, chutamos 6 ou 8 graus, mas o termômetro marcava apenas 4. À medida em que caminhávamos no centro da cidade vimos termômetros marcando 3 graus em pleno sol das onze da manhã. A baixa temperatura não é tão má se não venta, o problema é quando começa a soprar um vento frio que entra pelas tramas da roupa.

Patrícia, Joel Sampaio e Hildebrando Barboza na Embaixada do Brasil

Patrícia, Joel Sampaio e Hildebrando Barboza na Embaixada do Brasil

Aqui na Espanha mesmo já existem várias regiões com neve. Ao contrário de outros anos em que a neve caía apenas acima de 1200 metros, este ano já tem neve a 750 metros. Estamos um pouco receosas de pegar gelo na estrada, o que a torna muito lisa e perigosa. O problema é que apenas olhando não dá para perceber se existe ou não gelo na pista, só quando o carro começa a ficar escorregadio é que notamos o efeito da geada que se formou durante a manhã. Agora não temos mais como fugir do frio, nosso caminho é em direção a Barcelona e a costa azul da França, onde as temperaturas já estão mais baixas do que aqui em Madri.

O termômetro marcando 4 graus, testemunha do frio que chega a Madri

O termômetro marcando 4 graus, testemunha do frio que chega a Madri

Com esse frio a nossa ida para Andorra começa a ficar mais difícil. Soubemos que as pistas de ski do pequeno país já estão lotadas, ou seja, a neve já tomou conta de tudo, um problema pra gente que pretende economizar no máximo o gás para a calefação. Outra razão é a obrigatoriedade de usar correntes nos pneus, uma prática que ainda não temos. Todos nos dizem que não é nenhum bicho de sete cabeças, mas há de se ter um pouco de paciência e cautela.

Emma Suárez da agência Praia Viajes

Emma Suárez da agência Praia Viajes

Fomos até a embaixada mais uma vez para ver o que o nosso amigo Hildebrando havia conseguido pra gente. Agendamos mais uma visita na agência de turismo Praia Viajes, que leva muitos espanhóis anualmente para o Brasil. Segundo Emma Suárez, a falta de segurança no Brasil não é problema para quem viaja com eles. Já no momento da venda do pacote turístico ela dá várias dicas de como se portar e conta que nunca nenhum espanhol que viajou com eles teve algum problema de assalto no Brasil.

Detalhe de um chafariz no centro da cidade

Detalhe de um chafariz no centro da cidade

A agente conta que já viajou 15 vezes o Rio de Janeiro e nunca teve problemas, mas aqui em Madri foi assaltada 4 vezes. Ainda segundo Emma, o problema mais grave do Brasil é a exploração do turismo sexual, uma vergonha para todos nós brasileiros. É preciso que as autoridades tomem alguma atitude para mudar esta triste realidade do nosso país, como é o caso de crianças exploradas de maneira tão cruel por estrangeiros e pelos próprios brasileiros.

Belos monumentos que ficam no nosso caminho até a estação de metrô Moncloa aqui em Madri

Belos monumentos que ficam no nosso caminho até a estação de metrô Moncloa aqui em Madri

Uma notícia hoje aqui em Madri nos deixou um pouco preocupadas também. São os freqüentes ataques a estudantes estrangeiros praticados por skinheads espanhóis. Só no mês passado 16 estudantes foram vítimas de agressões físicas, todas nas proximidades de Casas Mayores (casas de estudantes universitários e pós-graduados), assim como a Casa do Brasil onde estamos. A última agressão ocorreu na sexta-feira passada a um sul-americano, o país de origem do estudante não foi revelado.

O movimento neonazista na Espanha vem crescendo e infelizmente conta com o apoio de partidos políticos. Como estamos lendo um livro de um jornalista que se infiltrou durante um ano no movimento para pesquisar o dia-a-dia destas pessoas, tentamos evitar aqui em Madri circular por algumas áreas reveladas no livro como sendo redutos de skinheads. Segundo o jornalista, a região do estádio de futebol Santiago Barnabéu, do Real Madri, é a área mais perigosa da cidade, neste sentido é claro.

Depois de realizarmos algumas visitas voltamos já no início da noite para a Casa do Brasil. Tentamos conhecer finalmente o nosso anfitrião, o senho Cássio, diretor da Casa, mas trocamos apenas algumas palavras no corredor e ele teve que seguir para uma cerimônia que estava acontecendo ali mesmo no prédio e o nosso encontro ficou para amanhã.

Depois do jantar ficamos um pouco na sala de estar da casa e conhecemos vários residentes brasileiros que estão fazendo doutorado por aqui. Rafael é curitibano e foi o primeiro a conversar conosco, depois nos apresentou a seus colegas que foram chegando aos poucos. O gaúcho Marcelo é o responsável pelo cinema na casa. Entregamos a ele um cd-rom de Foz que deve ser rodado na abertura dos filmes, mais uma maneira de promover a nossa cidade, já que a maioria dos estudantes por aqui é da Espanha.

Conhecemos ainda o Alex que estava chegando de uma viagem a Sevilha. No final da noite todos nos fizeram uma breve visita para conhecer o motorhome. Para fechar a noite, assistimos ao filme “A Era do Gelo”, um presente de nosso amigo Hildebrando.

  
  

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