Dia de visitas em Paris

Enquanto Cláudia e Fabiula foram fazer uma visita oficial na Embaixada do Brasil em Paris, Patrícia ficou em casa escrevendo alguns diários atrasados. Rosilena Peres, responsável pelo Setor de Turismo no Departamento Comercial, nos recebeu muito bem. Ela

  
  

Enquanto Cláudia e Fabiula foram fazer uma visita oficial na Embaixada do Brasil em Paris, Patrícia ficou em casa escrevendo alguns diários atrasados. Rosilena Peres, responsável pelo Setor de Turismo no Departamento Comercial, nos recebeu muito bem. Ela nos repassou uma lista de agências de turismo que trabalham com o Brasil - importante para o nosso trabalho de divulgação de Foz de Iguaçu - e algumas publicações em Francês sobre turismo no Brasil. Com todas as informações em mãos, voltaram para o carro buscar Patrícia para as visitas turísticas programadas para o restante do dia.

O sebo ao lado do rio Sena, uma ótima opção para comprar livros antigos

O sebo ao lado do rio Sena, uma ótima opção para comprar livros antigos

Passamos a maior parte da tarde visitando igrejas. Como aqui em Paris a maioria dos lugares são encantadores, o caminho é sempre uma festa para os olhos e vale a pena andar de ônibus ao invés de metrô, que apesar de ter uma malha muito boa, “esconde” a bela paisagem da cidade. A primeira parada foi na Pont Neuf, que apesar do nome (Ponte Nova) é a mais antiga da cidade, construída em 1578. Quem gosta de livros e antiguidades não deve deixar de visitar a área da ponte, um sebo a céu aberto fica às margens do rio Sena.

Os belíssimos vitrais da Saint-Chapelle com seus 15 metros de altura

Os belíssimos vitrais da Saint-Chapelle com seus 15 metros de altura

No caminho para a Nôtre-Dame percebemos uma movimentação de policiais na rua. Eles foram evacuando a área de uma esquina em frente a dois bares. Por coincidência, do outro lado da rua estava o Palácio da Justiça, um prato cheio para a nossa imaginação que começou a criar asas. No início achamos que fosse algum assalto, depois passamos para seqüestro e várias hipóteses foram surgindo... Paramos para ver no que ia dar aquilo tudo. Além de nós, várias pessoas tiveram a mesma curiosidade. Percebemos que parecia ser um esquadrão antibombas. Não demorou muito e vimos o alvo de tanta movimentação: uma moto estacionada. Eles detonaram o bagageiro da moto, mas pelo jeito não encontraram nada... Como diria Shakespeare, “muito barulho por nada”. Seguimos então para as visitas.

A famosa igreja de Nôtre-Dame, berço da história francesa

A famosa igreja de Nôtre-Dame, berço da história francesa

O Palácio de Justiça fica no mesmo pátio da Saint-Chapelle. Considerada uma das obras primas da arquitetura ocidental, esta igreja era chamada na Idade Média de “portão para o céu”. A igreja foi construída em tempo recorde para a época, no século 13, em apenas 33 meses, segundo o guia Lonely Planet. Tudo isso para receber o que eles acreditavam ser a “coroa de espinhos” usada por Jesus Cristo durante o Calvário e outras relíquias religiosas. O objeto sagrado teria sido comprado de um imperador bizantino pelo rei Luiz IX.

A fachada romano-bizantina da Sacré-Coeur

A fachada romano-bizantina da Sacré-Coeur

A igreja é formada por duas partes. A capela inferior foi dedicada a Virgem Maria e era destinada aos servos e pessoas comuns, enquanto que a superior era exclusiva dos reis e membros da corte. O acesso à parte superior é por uma estreita escadaria em espiral. Ao chegar em cima, o visitante tem a bela visão de enormes vitrais que circundam a capela. Com 15 metros de altura, eles relatam mais de mil passagens bíblicas do Novo e Antigo Testamento. Uma rosácea com 86 painéis representa o Apocalipse. Durante a Revolução Francesa a coroa e outros objetos desapareceram e a capela foi bastante danificada, sendo até transformada em depósito de farinha. Um século mais tarde, em 1846, ela foi restaurada e recuperou o seu esplendor.

Mais um belo entardecer na Torre Eifell, visto do “quintal de casa”

Mais um belo entardecer na Torre Eifell, visto do “quintal de casa”

Seguindo nossa peregrinação pelas igrejas, fomos para a famosa Nôtre-Dame, a igreja que inspirou Victor Hugo a escrever o clássico “Nôtre-Dame de Paris”. O livro conta a história de Quasimodo – o corcunda de Nôtre-Dame - e a cigana Esmeralda. Construída no lugar de um templo romano em 1163, quando foi lançada a pedra fundamental, a igreja serviu de berço para grandes eventos da história de Paris como a coroação de Napoleão Bonaparte em 1804 e o funeral do presidente Charles de Gaulle, em 1970.

A última parada do dia foi em Montmartre, bairro dos artistas, para visitarmos a Sacré-Coeur, igreja do Sagrado Coração de Jesus. Sua arquitetura romano-bizantina chama a atenção, já que é bem diferente das outras da cidade. A basílica foi construída para pagar uma promessa feita por Alexandre Rohault de Fleury, no início da Guerra Franco-Prussiana em 1870. Ele prometeu construir a igreja caso a França escapasse do iminente massacre alemão. Apesar do cerco a Paris, a invasão não ocorreu e as obras começaram cinco anos mais tarde. Um dos tesouros da Sacré-Coeur é a estátua “Virgem Maria e o menino” do escultor francês P. Brunet.

Na volta para casa, fomos surpreendidas por uma multa. Pois é, Paris está lotada de turistas e muitos motorhomes como o nosso invadem a cidade nesta época. Durante o mês de agosto a maioria das áreas regulamentadas de estacionamento não cobra tarifa. Antes de estacionarmos perguntamos a dois policiais por um local que não fosse proibido para motorhomes, já que vimos muitas placas sinalizando a infração. Finalmente escolhemos uma área livre de pagamentos e sem nenhuma placa proibitiva, mas nem com toda esta preocupação escapamos ilesas da furiosa “caneteada” dos policias parisienses.

  
  

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