Domingo de Ramos na Catedral de Sal

Diferente do que estamos acostumadas no Brasil, aqui na Polônia o sal não é marinho, ele é extraído de uma mina em Wieliczka. Desde 1290, quando foi descoberta, a mina vem sendo explorada pelos polacos e é a maior da Europa ainda em operação. Na época, o

  
  

Diferente do que estamos acostumadas no Brasil, aqui na Polônia o sal não é marinho, ele é extraído de uma mina em Wieliczka. Desde 1290, quando foi descoberta, a mina vem sendo explorada pelos polacos e é a maior da Europa ainda em operação. Na época, o produto era considerado mais precioso do que o próprio ouro. A mina – tombada pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade - é um dos pontos turísticos mais visitados do país, recebe por ano cerca de 75 mil turistas. Hoje nós vamos fazer parte desta estatística.

Catedral feita de sal a 110 metros de profundidade

Catedral feita de sal a 110 metros de profundidade

Na entrada não se tem idéia de como é o lugar. Como são muitos os corredores subterrâneos – cerca de 22 mil quilômetros de túneis -, aconselha-se sempre a visita com um guia. Estávamos acompanhadas do Ulisses (aquele nosso amigo de Hilversum-Holanda) e do Fabrício que foi nosso intérprete. Logo na descida, o guia nos informou o número do grupo e fez uma piada, dizendo que se alguém se perdesse não haveria problema, em uma semana a pessoa poderia ser resgatada.

Eurotrip no interior da mina de sal

Eurotrip no interior da mina de sal

Logo na entrada da mina, descemos 360 degraus num cubículo emparedado, um martírio para quem tem claustrofobia. Cláudia ficou um pouco enjoada, mas logo melhorou, ao contrário das panturrilhas que ficaram doendo milhares... Ainda no começo do passeio o guia aconselha para que se respire fundo, pois segundo ele o ar da mina é medicinal podendo até prolongar os anos de vida de uma pessoa. A mina é impressionante, são 327 metros de profundidade, mas os turistas vão ao máximo de 110. Um hospital para tratamento de doenças respiratórias foi montado aos 200 metros.

A equipe com o amigo Ulisses em Wieliczka

A equipe com o amigo Ulisses em Wieliczka

O interessante é que tudo lá em baixo é de sal. As paredes, o chão, algumas escadas e muitas esculturas foram feitas por diversos artistas plásticos e até mesmo alguns mineiros. Na construção da mina, muitas pessoas morreram em acidentes, o guia não soube informar um número. Para ver os cristais de sal é só encostar uma luz e, o que antes parecia ser apenas uma parede rochosa, fica transparente. Incentivados pelo próprio guia a provar o sal das paredes, muitos passam o dedo e o levam à boca, já os mais afoitos passam a língua mesmo, Cláudia foi uma delas.

Claudia provando se o que o guia falava era realmente verdade

Claudia provando se o que o guia falava era realmente verdade

Pensar que se está tão abaixo da superfície às vezes dá um certo medinho, principalmente quando se acaba a luz. Foi o que aconteceu conosco. Paramos para fazer algumas fotos e acabamos nos distanciando do grupo. Para o nosso azar, bem nessa hora houve um blackout na mina. Fabiula foi a que mais gritou! Saímos correndo pelos corredores à procura do nosso grupo e ficamos aliviadas quando o reencontramos.

Durante o passeio passamos por diversos pontos bonitos. Lá embaixo existem várias capelas, mas a mais bonita, sem dúvida, é a principal. São esculturas, lustres, altar... enfim, tudo o que tem numa igreja católica que nós conhecemos, mas tudo é feito de sal. A igreja também pode ser alugada para casamentos e recepções.

A visita durou umas duas horas, na volta para Cracóvia fomos levar o nosso amigo Ulisses ao aeroporto.

  
  

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