Estamos deixando a Itália rumo à Suíça

Três dias em Milão talvez tenha sido suficiente para vermos o que precisávamos ver. Se faltou alguma coisa, na volta veremos. Estamos aceitando dicas. Estamos indo para a Suíça, nosso décimo país nesta viagem. Estamos ansiosas para ver as chamadas típicas

  
  

Três dias em Milão talvez tenha sido suficiente para vermos o que precisávamos ver. Se faltou alguma coisa, na volta veremos. Estamos aceitando dicas. Estamos indo para a Suíça, nosso décimo país nesta viagem. Estamos ansiosas para ver as chamadas típicas paisagens européias, com montanhas de picos nevados e belos vales com lagos de águas cristalinas. Será que estes lugares existem mesmo? Vamos conferir de pertinho.

Fronteira entre a Itália e a Suíça

Fronteira entre a Itália e a Suíça

Deixamos o estacionamento do posto de combustíveis, onde passamos as últimas noites, já perto do meio-dia à procura de um supermercado. Roda pra lá, roda pra cá e nada...tudo fechado. Por aqui pelo jeito não se trabalha muito aos domingos, são poucos os lugares que se encontra abertos. Vamos ter que deixar as compras para o outro lado da fronteira mesmo. Só esperamos que os preços por lá não sejam tão mais caros do que aqui. Apesar do franco suíço ser mais barato que o euro, nos disseram que na Suíça o custo de vida é bem mais alto do que na maior parte da Europa, assim como a Inglaterra.

Vista do lago na cidade de Lugano

Vista do lago na cidade de Lugano

Já na última cidade italiana antes da aduana, em Como, ficamos surpresas com a simpatia do lugar, construído na encosta de umas pequenas montanhas, com um lago lá embaixo. Parece que estamos no caminho certo. Logo à frente, passamos a tranqüila fronteira. Mas, nossos passaportes não foram carimbados em nenhuma das aduanas. Explicamos ao policial suíço que precisávamos dos carimbos para termos registrada a saída da Comunidade Européia, já que vamos passar um ano viajando. Ele nos explicou que este procedimento é feito agora apenas nos aeroportos e que não carimbam mais nada nas fronteiras secas. Mas nos tranqüilizou e disse que não haveria problema nenhum... vamos confiar!

O pequeno Pão de Açúcar

O pequeno Pão de Açúcar

Logo paramos para almoçar no estacionamento de um posto, para variar! No vai-e-vem de ônibus de turismo e carros que paravam ali, nossa bandeira chamou a atenção de um americano casado com uma brasileira. Ele se apresentou, perguntou se éramos mesmo brasileiras e logo trouxe a esposa. Conhecemos então Regina. Ela mora nos Estados Unidos há 25 anos e está viajando pela Europa com um grupo de turistas. É uma pena que pudemos conversar só um pouquinho... o ônibus dela já estava seguindo viagem e quase que ela fica se não fosse o marido vir busca-la. Esperamos nos falar mais vezes, ao menos por e-mail.

Escultura da igreja de Roma

Escultura da igreja de Roma

Seguimos nosso caminho também até Lugano, onde encontramos mais um lago. Como patas, paramos para aproveitar um pouco a paisagem. Sentamos um pouco perto da água, em um pequeno cais montado para alguns barcos, andamos por um parque, onde dezenas de pessoas aproveitavam o sol de domingo para relaxar no gramado. Paramos em uma barraca de sorvetes... uma perdição. Apesar de cada uma das três escolher um sabor diferente, fomos unânimes: este é o melhor sorvete que já tomamos até agora.

Túnel de 17 km, gigantesco...

Túnel de 17 km, gigantesco...

Sentamos em um banco para saborear o sorvete e apreciar a vista. Quando comentávamos sobre uma obra colocada na beira do lago, a senhora que estava sentada ao nosso lado nos explicou que aquela era a réplica de uma igreja construída em Roma por um arquitelo suíço. Detalhe: ela nos falou isso e entendemos muito bem. Nesta parte da Suíça se fala italiano. Será que estes dias na Itália já nos deixaram assim tão craques no idioma que já nem distinguimos um do outro? Em seguida, ela nos perguntou onde tínhamos comprado o sorvete... aí não tivemos dúvida, ela estava falando mesmo em português. Que surpresa! Ela nos explicou que havia morado no Brasil durante oito anos e que tinha voltado à Suíça há 20. Apesar do tempo, ela fala muito bem o português, como se tivesse voltado ontem da nossa querida terrinha. Vocês podem conhecê-la no “Brasil lá fora”. Ficamos ali conversando por uma meia hora e, pasmem, ela nos disse que do outro lado da rua, vendiam um sorvete ainda mais gostoso do que aquele que estávamos tomando...pode? Ida, a suíça de coração três quartos brasileiro, como ela mesma definiu, é muito agradável. Ela preserva muitas amizades no Brasil e elogiou o nosso jeito aberto. Coincidência ou não, estávamos sentadas bem em frente à parte do lago com vista para um morro conhecido por ali como “pequeno Pão de Açúcar”, muito parecido mesmo com o do Rio de Janeiro.

Ainda tínhamos estrada pela frente. Deixamos Lugano e seguimos em direção à Berna, a capital política do país. Mal sabíamos que pela frente teríamos que transpor a maior cadeia de montanhas da Suíça. Antes disso, atravessamos um dos maiores túneis da Europa. São 17 quilômetros por dentro da rocha, uma fantástica obra de engenharia. As placas vão marcando uma espécie de contagem regressiva dos quilômetros que ainda restam para o fim do túnel.

A poucos quilômetros dali, começamos a avistar alguns picos com neve. De onde estávamos, pareciam tão longe. Aos poucos foram se aproximando, aproximando, aproximando e quando vimos estávamos subindo tudo aquilo. A estrada estreita e cheia de curvas deixou a viagem um pouco tensa. Lá embaixo, só um precipício que crescia a cada nova curva. No carro, o silêncio só foi cortado quando Patrícia perguntou “alguém está rezando comigo?”. O sorriso nervoso das outras duas expedicionárias foi a resposta positiva.

Mais algumas curvas e alguns metros acima e finalmente a recompensa. Chegamos ao topo de uma das montanhas. A vista dali não deixou dúvidas, paramos o carro imediatamente e decidimos passar a noite ali mesmo no alto. A temperatura que veio caindo conforme subíamos baixou ainda mais durante a noite. Tiramos dos armários os edredons que há muito já estavam guardados e ficamos ali curtindo a paisagem e o friozinho regado a chocolate quente. Tim-tim!

  
  

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