Eurotrip no Vale do Loire

A história da realeza francesa passa pelo Vale do Loire, uma região ao sul de Paris que abriga dezenas de exuberantes castelos que mais parecem de conto de fadas. Antes de cruzar o Canal da Mancha e enfrentar a mão inglesa, decidimos conhecer alguns desse

  
  

A história da realeza francesa passa pelo Vale do Loire, uma região ao sul de Paris que abriga dezenas de exuberantes castelos que mais parecem de conto de fadas. Antes de cruzar o Canal da Mancha e enfrentar a mão inglesa, decidimos conhecer alguns desses châteaux que atraem milhares de turistas, principalmente no verão.

Réplica da casa de Charles d’Orléans, onde hoje é um museu que conta a trajetória de Joana d’Arc

Réplica da casa de Charles d’Orléans, onde hoje é um museu que conta a trajetória de Joana d’Arc

A nossa primeira parada na região foi na cidade de Orléans, capital da França Medieval e palco da batalha entre Joana d’Arc e os ingleses em 1429, durante a Guerra dos Cem Anos. Foi ela quem liderou o exército francês na expulsão das tropas inglesas que cercavam Orléans há sete meses.

Estátua da heroína, no centro de Orléans

Estátua da heroína, no centro de Orléans

Na cidade é possível visitar a réplica da casa de Jacques Boucher, tesoureiro do duque Charles d’Orléans, onde Joana ficou hospedada por cerca de dez dias. A casa do tesoureiro passou por várias modificações até que em 1940 foi bombardeada durante a Segunda Guerra. O prédio foi reconstruído 25 anos depois com materiais recuperados de antigas casas destruídas. Atualmente a casa é um museu onde se pode ver maquetes que mostram a batalha e audiovisuais que contam a história da mártir francesa capturada pelo inimigo e queimada em Rouen, no norte da França, acusada de bruxaria.

Fachada do Château de Chambord, fruto da imaginação do rei Francisco I

Fachada do Château de Chambord, fruto da imaginação do rei Francisco I

A heroína tem uma estátua em sua homenagem no centro da cidade e muitos restaurantes e cafés levam o seu nome. Demos uma passada rápida pela catedral Sainte-Croix e pela região medieval da cidade que tem um ar bastante decadente, embora não deixa de ser interessante.

Quarto de Luis XIV, que segundo as regras da etiqueta da época, situava-se no centro da fachada principal

Quarto de Luis XIV, que segundo as regras da etiqueta da época, situava-se no centro da fachada principal

Seguindo pelo Vale do Loire, tivemos de fazer uma seleção dos castelos que gostaríamos de conhecer. Tínhamos pouco tempo, por isso preferimos os mais grandiosos: Château de Chambord e Château de Chenonceau.

A Grande Escada que teria sido projetada por da Vinci

A Grande Escada que teria sido projetada por da Vinci

Chegamos a Chambord no final da tarde. O castelo realmente é gigantesco e bonito. A visitação já havia sido encerrada, mas em menos de duas horas começava um espetáculo noturno que prometia “A Metamorfose de Chambord”. Todos os visitantes recebem um lampião e percorrem os salões do castelo. Sons e imagens projetadas nas paredes dão um ar soturno e até assustador ao castelo. Na saída, enfrentamos uma tempestade até chegarmos ao carro, estacionado a poucos metros do castelo.

Dormimos ali mesmo. No dia seguinte pudemos visitar o castelo novamente, dessa vez entrando nos quartos reais e aposentos dos valetes e prestar mais atenção na Grande Escada, no centro do castelo. Comenta-se que ela foi projetada por Leonardo da Vinci, embora não haja provas que confirmem tal teoria. São duas espirais em torno de um nó central. O impressionante nela é que as pessoas conseguem ver os que sobem ou descem, sem jamais se cruzarem.

Ao percorrer as salas é possível passar por diferentes épocas de glória do castelo e descobrir os vestígios dos personagens que marcaram sua história. Francisco I, o construtor, instalou os seus aposentos na ala norte. O quarto mais impressionante é o do Rei Sol, Luís XIV, quem terminou a construção do château. O aposento dele fica no centro da fachada principal e é todo decorado em vermelho. O quarto também foi utilizado pelo rei polaco Stanislas Leszczynski, que estava no exílio (1725 a 1733), e mais tarde ocupado pelo marechal de Saxe.

O château leva o nome do conde de Chambord, neto de Carlos X, último nobre proprietário do castelo. O Estado comprou a propriedade dos herdeiros do conde em 1930 e criou ao seu entorno o maior parque natural cercado da Europa, com uma muralha de 32 quilômetros construída ainda no tempo da nobreza.

No caminho de Chenonceau...

  
  

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