Eurotrip no Vale do Loire II

... no caminho para Chenonceau encontramos Leonardo da Vinci. Calma, na verdade, encontramos a última morada do gênio, onde ele passou seus últimos três anos de vida trabalhando a serviço do rei Francisco I, na cidade de Amboise. Clos-Lucé: castelo o

  
  

... no caminho para Chenonceau encontramos Leonardo da Vinci.
Calma, na verdade, encontramos a última morada do gênio, onde ele passou seus últimos três anos de vida trabalhando a serviço do rei Francisco I, na cidade de Amboise.

Clos-Lucé: castelo onde da Vinci trabalhou e viveu seus últimos anos de vida

Clos-Lucé: castelo onde da Vinci trabalhou e viveu seus últimos anos de vida

Não iríamos para Amboise. Estávamos a caminho de Tours, uma cidade um pouco maior que Bloir, por onde passamos e não encontramos um cyber café para poder atualizar o nosso site. Quase sem gasolina e já cansadas de rodar, decidimos passar a noite ali mesmo e na manhã seguinte abastecer o carro e seguir. Em um dos trevos da estrada, vimos a placa indicando Amboise. Não é nesta cidade que fica o castelo onde viveu da Vinci? Sim, é aqui mesmo. Então vamos parar um pouco...

O parque ao redor do castelo expõe as invenções de Leonardo

O parque ao redor do castelo expõe as invenções de Leonardo

Logo na entrada da cidade, uma feirinha bastante atraente nos convidou para um passeio por entre as barracas. Aqui descobrimos um costume francês que até parece um exagero. Ao se cumprimentarem, os nativos dão quatro beijos no rosto um do outro. Visualizem a cena... um, dois, três, quatro. Quanto beijo!!! As vezes no Brasil já achamos muito os famosos três beijinhos, imagina ter que dar mais um. Sem falar naqueles países onde não se dá nenhum. Vivendo e aprendendo...

No centro histórico de Amboise costumes lembram a cidade medieval

No centro histórico de Amboise costumes lembram a cidade medieval

Depois da feira, passamos no posto de informações turísticas, pegamos alguns panfletos sobre os castelos da região e descobrimos que não precisaríamos mais ir até Tours para atualizar o site. Aqui tem internet, ufa!

Na feira os deliciosos produtos da região

Na feira os deliciosos produtos da região

A cidade é simpaticíssima e, além do Château du Clos-Lucé (o de da Vinci), outro castelo, o Royal, faz parte do circuito cultural e histórico do Vale do Loire. Ao longo da estrada estreita que leva ao Clos-Lucé, vimos várias casas construídas na rocha. De fora o que se vê são apenas as portas e as janelas das habitações, algumas antenas de televisão e chaminés.

Patrícia e Fabiula treinam o típico e demorado cumprimento francês

Patrícia e Fabiula treinam o típico e demorado cumprimento francês

Já no castelo, passeamos pelas salas principais, pelo quarto onde viveu e morreu (1516-1519) o gênio italiano e de onde ele tinha a bela vista do castelo do rei Francisco I – seu protetor e amigo -, o escritório e as cozinhas. No subsolo, uma exposição mostra 40 máquinas projetadas por da Vinci e construídas em nossos tempos pela IBM - multinacional do ramo da informática - com materiais da época.

É incrível imaginar e poder ver a capacidade criadora do pintor de Monalisa e da Santa Ceia, os quadros mais célebres e conhecidos do mundo. Além da habilidade com os pincéis, da Vinci explorou a engenharia civil e militar, a óptica, a hidráulica, a arquitetura, a aeronáutica e a mecânica, projetando instrumentos e métodos que só seriam “inventados” séculos mais tarde e que levaram o nome de outros autores. Da Vinci estudou ainda a anatomia humana e animal, a botânica e se aventurou pelo urbanismo, projetando “cidades ideais”.

Entre os magníficos trabalhos do italiano estão os esboços do primeiro avião, do pára-quedas, das pontes móveis, do automóvel, da metralhadora e do aeroplano. Isso tudo sem contar os estudos sobre a anatomia humana e animal. Conta-se que Leonardo chorou no leito da morte por considerar ter ofendido ao Criador e aos homens do mundo ao não ter trabalhado como convinha em sua arte. Apesar de tudo, morreu ainda pensando que deveria ter feito diferente.

Em torno do castelo existe um parque temático. Ao longo do passeio, algumas de suas invenções são acompanhadas de explicações em áudio e painéis para orientar o visitante sobre cada uma das obras. Sua percepção sobre a natureza, luzes e formas, presentes em seus quadros também são muito bem expostos em textos narrados em quatro idiomas: um convite à contemplação e a uma viagem através do pensamento do seu instinto criador.

Da Vinci tinha prazer em observar a natureza e seu “balé”, que segundo ele, guardam a explicação para tudo: “O movimento é a razão da vida. Quem não valoriza a vida não a merece.”

  
  

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