Évora ou Lagos? Eis a questão!

Estávamos com essa dúvida na manhã de sexta-feira, se seguíamos para Évora cercada de muralhas romanas medievais do século 17, no Alentejo, ou se íamos direto para o sul, para as praias do Algarve. Depois de algumas ponderações decidimos tomar o rumo do l

  
  

Estávamos com essa dúvida na manhã de sexta-feira, se seguíamos para Évora cercada de muralhas romanas medievais do século 17, no Alentejo, ou se íamos direto para o sul, para as praias do Algarve. Depois de algumas ponderações decidimos tomar o rumo do leste. Vamos para Évora.

O nosso estacionamento era ao lado da muralha que cerca Lagos, no Algarve

O nosso estacionamento era ao lado da muralha que cerca Lagos, no Algarve

Como andamos por estradas secundárias, nem sempre são bem sinalizadas. (A propósito, a sinalização aqui em Portugal, e também na Espanha, é deficitária se comparada à de outros países europeus) Resultado, depois de rodarmos uns 70 km nós descobrimos que estávamos na rota de Lagos e não na de Évora. Sendo assim, mudamos os nossos planos.

Na muralha, o portal que dá acesso à cidade medieval

Na muralha, o portal que dá acesso à cidade medieval

Antes de chegarmos ao litoral sul, passamos por várias cidades e pequenos povoados onde as construções são todas brancas. Poucas casas fogem à tradição. De longe, visto do alto das montanhas o conjunto fica ainda mais bonito. Parece que um manto branco cobre as cidadezinhas.

Casas brancas, uma interessante característica do Alentejo

Casas brancas, uma interessante característica do Alentejo

No caminho, entramos um povoado e ficamos impressionadas com a quantidade de laranja que havia nos pés. As árvores tomavam conta da cidade inteira, nos quintais, na praça central e nas calçadas. Não tivemos dúvida, pedimos para os moradores se podíamos colher algumas. Depois de receber uma resposta afirmativa nos deliciamos com as laranjas que provamos ali mesmo sentadas no banco da praça. Colhemos algumas a mais para saborear à noite e no dia seguinte.

O contraste do colorido das rosas com o branco das casas

O contraste do colorido das rosas com o branco das casas

Quando chegamos a Lagos estava anoitecendo. Depois de fazer compras, fomos à procura de um bom lugar para passar a noite. A cidade de Lagos fica em uma das maiores baías do Algarve, foi a capital da região entre 1576 a 1756 e no século 15 transformou-se no primeiro mercado de escravos da Europa.

Patrícia na volta do cabeleireiro, pouca diferença, não é?

Patrícia na volta do cabeleireiro, pouca diferença, não é?

Rodamos um pouco pela cidade e logo nos deparamos com vários estacionamentos gratuitos que ficavam a poucos metros de uma muralha que cerca a cidade. Paramos em um deles ao lado de outro motorhome, é sempre mais seguro. Ah, já estávamos nos esquecendo, completamos hoje 18 mil quilômetros rodados.

Cláudia e Patrícia foram fazer o reconhecimento do lugar. Logo descobriram uma internet, um salão de beleza, açougue, lojas, um centro cultural bastante interessante. A cidade parece ser legal. Nosso interesse maior era pelas praias, mas acabamos descobrindo que o lugar é cheio de belas construções e prédios históricos.

Voltamos pra casa a tempo de ver o jornal da noite. Somos telespectadoras assíduas da SIC, um dos canais mais assistidos em Portugal, o mesmo onde passa as novelas brasileiras. Quase 90% do telejornal foi destinado ao ataque que os jornalistas portugueses sofreram nesta sexta-feira no Iraque.

A repórter da SIC, Maria João Ruela, foi baleada e um outro colega foi raptado. Os seqüestradores pedem 50 mil euros como resgate. Eles e outros jornalistas estavam fazendo a cobertura da ação militar portuguesa no Iraque. O grupo deixou Lisboa na última quarta-feira. Continuaremos acompanhando essa história.

Acordamos neste sábado debaixo de uma tempestade... Quando nos demos conta, a cozinha e o banheiro estavam molhados, já que havíamos deixado as janelas do teto abertas para ventilação. Menos de duas horas depois, estávamos sob um sol quente e agradável. A chuva e o sol se intercalaram durante todo o dia e o nosso abre-e-fecha de janelas também. Mas conseguimos manter a casa seca dessa vez.

Aproveitamos o sábado para escrever, ir à internet, cortar o cabelo (já que cabeleireiro era perto de onde estávamos estacionadas e era barato) e, é claro, ler todas aquelas revistas de fofoca que encontramos no salão e que há muito tempo não líamos. Uma leitura descartável, tudo bem, mas que no fundo ninguém recusa... Estamos na torcida para que o domingo seja um dia menos chuvoso!

  
  

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