Explorando uma caverna de gelo

Nosso carro passou a noite em um estacionamento perto de uma escola. Isso significa que o frenesi da criançada nos tirou da cama bem cedinho. Cláudia e Fabiula deram uma circulada pela cidade, enquanto Patrícia permaneceu no carro escrevendo. As m

  
  

Nosso carro passou a noite em um estacionamento perto de uma escola. Isso significa que o frenesi da criançada nos tirou da cama bem cedinho. Cláudia e Fabiula deram uma circulada pela cidade, enquanto Patrícia permaneceu no carro escrevendo.

As meninas voltaram cheias de informações dizendo que a poucos quilômetros dali existia uma mina de sal, parecida com a que visitamos na Polônia, em Wieliczka. Lá fomos nós então, Salzburgo iria ter de esperar mais um pouco...

A estrada até o lugar é um encanto. A pista é super estreita, mas vai costeando montanhas e lagos de água cristalina. Chegamos à região de Hallstatt, onde estão as minas Salzkammergut. Fica até chato ficar dizendo que o lugar é lindo, mas realmente é. Descobrimos que mais alguns quilômetros à frente fica também uma caverna de gelo imensa. Como já conhecíamos uma salina, decidimos partir para a outra.

O ingresso é bastante caro, cerca de 75 reais por pessoa. Além da Caverna Gigante de Gelo, no complexo de montanhas chamado Dachstein, existe outra chamada Caverna do Mamute. Não teríamos tempo para conhecer as duas, então a do Mamute ficou pra outra vez.

Um bondinho nos levou a uma altura de 1.365 metros acima do nível do mar. Lá fomos recepcionadas pelo senhor Siegfried Gamsjager, que gerencia a reserva. Ele nos informou que faríamos a visita junto com um grupo e ele nos esperaria no fim da caverna para que voltássemos onde quiséssemos e fazer mais imagens e fotografias. Levamos nossas jaquetas grossas, porque a temperatura dentro da caverna chega a três graus negativos.

Difícil foi subir a pé, sob um sol quente, até a entrada da caverna. A subida era muito íngreme, o ar rarefeito e o peso dos casacos e do equipamento parecia aumentar a cada passo. Mas era possível parar de vez em quando e apreciar a paisagem do alto da montanha. Já estávamos adorando, isso que ainda não sabíamos o que o dia iria nos reservar até o final.

Nos juntamos ao grupo na entrada da caverna e começamos o passeio. O lugar foi descoberto em 1910 e a partir de então abriu-se à visitação. A trilha tem quase um quilômetro e as imagens que se vê lá dentro são realmente fascinantes. As esculturas de dentro da caverna são formadas com o gelo que derrete no alto da montanha. A água que escorre pelas fendas das pedras congela novamente dentro da montanha. Segundo o Sr. Gamsjager, dos últimos dez anos, este é o que apresenta as melhores condições para visitação, porque está chovendo pouco nesta primavera e a quantidade de gelo lá dentro também é bem menor, deixando livre as trilhas. Que sorte a nossa...

Na entrada vimos formações de estalactites e estalagmites. Seguindo pela caverna o frio ia se intensificando e os dedos das mãos pareciam congelar. Fabiula foi quem mais sofreu, resolveu ir de sandálias e ficou com o pé quase congelado e dolorido durante horas... No mundo inteiro só existem três cavernas de gelo abertas para visitação turística, e estar dentro de uma delas foi realmente maravilhoso. Por mais que se fale a respeito, esse é um tipo de experiência que só estando lá mesmo para se ver o que são aqueles imensos blocos de gelo.

Depois do passeio paramos para fazer um lanche e seguir na estrada. Já na saída encontramos novamente o Sr. Gamsjager que nos falou a respeito da uma vista belíssima dentro da área de preservação que eles cuidam e se ofereceu para nos guiar até lá. Nem precisa dizer que aceitamos o convite. E como valeu a pena!

O cenário era o mais típico que havíamos visto até então. Um pequeno vale, com um lago de água cristalina esverdeada por causa dos minerais e cercado de montanhas nevadas e muitos pinheiros. A vontade era passar horas só apreciando a natureza. Patrícia foi conferir a temperatura da água e quem sabe se aventurar num banho, mas como estava gelada desistiu da idéia. Aproveitamos o fim da tarde tomando uma cervejinha na companhia do Sr. Gamsjager e depois partimos para Salzburgo. Finalmente, Salzburgo!

  
  

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